Sobre o Genocídio Armênio

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EXISTIU GENOCÍDIO ARMÊNIO? CONHEÇA A HISTÓRIA DA OCUPAÇÃO DA ARMÊNIA PELA TURQUIA

Líderes mundiais fizeram um minuto de silêncio em Yerevan, em memória das vítimas do genocídio armênio, em 2015. Foto: Armenian Genocide Museum & Institute

ocupação da turquia na armênia

Entre 1915 e 1918, o governo da Turquia foi responsável por um dos maiores massacres do século XX: o genocídio armênio. Cerca de 1,5 milhões de pessoas morreram e outras milhares foram obrigadas a deixar sua terra natal. A ocupação turca dominou a parte ocidental da Armênia, dizimando também relíquias culturais de mais de três mil anos de história.

As consequências da ocupação da Armênia pela Turquia não são reconhecidas por todos os países como um genocídio. O Brasil, por exemplo, ainda não o fez. Por outro lado, a ONU (Organização das Nações Unidas) e o Parlamento Europeu já o fizeram. Vamos entender melhor esses três anos de história?

BREVE HISTÓRIA DA ARMÊNIA

Durante três mil anos, uma próspera comunidade armênia existiu dentro da vasta região do Oriente Médio, cercada pelos mares Negro, Mediterrâneo e Mar Cáspio. A área, conhecida como Ásia Menor, está na encruzilhada de três continentes: Europa, Ásia e África. Ao longo dos séculos, a região foi governada por diferentes povos, como persas, gregos, romanos, bizantinos, árabes e mongóis.

Apesar das repetidas ocupações, a Armênia conservou sua identidade cultural e seu patriotismo. A nação surgiu em 600 a.C., dando início a uma era de paz e prosperidade, marcada pelo invenção de um alfabeto e florescimento da literatura, arte, comércio e arquitetura. Em 301 d.C., foi o primeiro país no mundo a adotar o cristianismo como religião oficial – antes mesmo de Roma.

A primeira invasão turca na Armênia ocorreu no século XI. A partir de então, a nação ficou sob o domínio do poderoso Império Turco-otomano. No entanto, nos anos 1800, os exércitos turcos começaram a perder força e a sofrer constantes derrotas para os europeus. Pouco a pouco, gregos, sérvios, romenos e outros povos conquistaram sua aguardada independência.

Na década de 1890, os jovens armênios passaram a exigir reformas políticas, pedindo um governo constitucional, com direito de voto, e o fim das práticas discriminatórias. O sultão turco começou a reprimir as iniciativas, estimulando algumas cidades a organizar autodefesas. Em Sassun, por exemplo, partidários do partido político “Henchakian” disseminavam ideias de autonomia e resistência. Na época, os armênios ainda pagavam impostos especiais para os turcos simplesmente por serem cristãos. Em resposta às exigências, foram brutalmente perseguidos. Estima-se que mais de 100 mil habitantes tenham sido massacrados neste massacre entre 1894 e 1896, antes do genocídio.

GOVERNO JOVENS TURCOS

Até 1908, o Império Turco-otomano era governado por sultões que concentravam os poderes em suas mãos. Em julho daquele ano, nacionalistas turcos conhecidos como “Jovens Turcos” forçaram o sultão Abdulhamid II a abdicar, permitindo a criação de um governo constitucional que garantiriadireitos básicos. Os Jovens Turcos eram oficiais subalternos do exército que tinham o objetivo de conter o declínio constante do seu país.

O novo governo foi conduzido pelo sultão Mehmed V, que tinha pouquíssimos poderes políticos reais. A princípio, os armênios acreditaram que aquela virada política significaria um futuro melhor. No entanto, suas esperanças caíram por terra quando três integrantes dos Jovens Turcos (Mehmed Talaat, Ismail Enver e Ahmed Djemal) deram um golpe em 1913, assumindo o controle total do governo. Eles queriam unir todos os povos sob seu domínio em uma região, além de expandir as fronteiras da Turquia para o leste em todo o Cáucaso e Ásia Central.

A Armênia, em especial sua região histórica ocidental, ficava no caminho dos planos turcos de expansão para o leste. As desavenças entre as nações eram claras: a relação entre os dois povos foi se enfraquecendo cada vez mais por diferenças culturais e religiosas, sendo que extremistas islâmicos da Turquia provocavam ondas de violência contra os católicos, por exemplo. Além disso, os armênios estavam abertos para reformas políticas e econômicas, apoiando a democracia e oliberalismo. Os líderes turcos, por outro lado, davam pouco valor à educação e não estavam alinhados com as novas ideias que floresciam no Ocidente.

A OCUPAÇÃO PELA TURQUIA E O GENOCÍDIO NA ARMÊNIA

Quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu em 1914, o Governo Jovens Turco adotou uma política de Pan turquismo para finalmente restabelecer o poder do Império Turco. O objetivo era “turquificar” todos os povos, unificado-os. O conflito foi a oportunidade perfeita para resolver a questão da Armênia e eliminar aquele “obstáculo”.

O extermínio da população armênia começou ainda em 1914, mas a situação ficou realmente grave a partir de 24 de abril de 1915, quando centenas de intelectuais foram presos e mortos. Na segunda fase do massacre, jovens foram recrutados pelo exército turco e, mais tarde, exterminados pelos próprios colegas.

Por fim, na fase final, mulheres, crianças e idosos foram conduzidos para centros de realocação em desertos estéreis da Síria e Mesopotâmia. Aqueles que não foram aniquilados na própria Armênia padeceram com a fome, a sede e a epidemia de doenças. Milhares de pessoas foram violadas. Muitos dos armênios sobreviventes foram forçados a adotar o islamismo. Já as crianças que sobreviveram ao massacre foram separadas dos pais e criadas como turcas.

Leia mais: genocídios que ocorreram no mundo: há como preveni-los?

Estima-se que ao menos 1,5 milhões de armênios morreram entre 1915 e 1923. No início da Primeira Guerra Mundial, havia cerca de dois milhões vivendo no Império Otomano. Os massacres e expulsões foram conduzidos pelos nacionalistas turcos e por outras figuras importantes do governo.

RECONHECIMENTO DO GENOCÍDIO ARMÊNIO

O termo “Genocídio” foi criado pelo advogado judeu polonês Raphael Lemkin em 1944, cuja família foi vítima do Holocausto. Além de fazer referência ao assassinato em massa dos judeus, Lemkin também procurava descrever as atrocidades cometidas contra os armênios a partir de 1915.

A palavra “genocídio” é a combinação do termo grego geno-, que significa “raça ou tribo”, com a palavra latina -cídio, que significa “matar”. Lemkin definiu a expressão como um “plano coordenado, com ações de vários tipos, cujo objetivo é a destruição dos alicerces fundamentais da vida de grupos nacionais para aniquilá-los”.

Em 9 de dezembro de 1948, a ONU aprovou a “Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio”, considerando-o um crime internacional que deve ser combatido por todos os países membros. Além da Organização Internacional dos Direitos Humanos, instituições como o Mercosul, a Corte Internacional de Justiça e a Associação Internacional dos Estudiosos do Genocídio járeconheceram que o massacre armênio trata-se de um genocídio.

Além da própria Armênia, os primeiros países a fazer o mesmo foram a Grécia e o Canadá, em 1996. Hoje, mais de 20 países já reconhecem o genocídio armênio, além de 42 dos 50 estados dos Estados Unidos.

A polêmica gira em torno da possível premeditação dos atos de extermínio. O artigo número 2 da Convenção de Viena sobre Genocídio, de dezembro de 1948, o descreve como atos com o objetivo de “destruir, parcial ou totalmente, um grupo étnico, racial, religioso ou nacional”. Isto é, se for premeditada com esses objetivos, o massacre se caracteriza como um genocídio. Ainda que muitos historiadores e políticos considerem que as atrocidades contra os armênios foram calculadas, as autoridades turcas argumentam que nunca houve uma tentativa sistemática de destruir aquela nação. O governo do país diz que muitos muçulmanos inocentes também morreram durante a guerra.

Em 2015, o Senado Brasileiro reconheceu o Genocídio Armênio, pressionando o Governo Federal a fazer o mesmo. Por enquanto, apenas algumas cidades e estados brasileiros o reconhecem, como a capital paulista, Campinas e o estado do Paraná. Veja aqui a lista.

O FIM DO MASSACRE ARMÊNIO

Os armênios resistiram ao extermínio total, adquirindo armas e lutando contra os turcos. A invasão foi finalmente repelida na batalha de Sadarabad, em 1918. Após essa vitória, líderes do país declararam o estabelecimento da República Independente da Armênia.

A Primeira Guerra Mundial terminou no mesmo ano com a derrota da Alemanha e dos poderes centrais, incluindo a Turquia. Pouco antes do fim do conflito, os líderes dos Jovens Turcos (Talaat, Enver e Djemal) fugiram para terras alemãs, onde receberam asilo.

Além da eliminação dos armênios, os turcos destruíram boa parte do patrimônio cultural da Armênia, incluindo obras de arte, construções, antigas bibliotecas e arquivos. Cidades inteiras foram destruídas. Após o extermínio, a Armênia entrou em uma fase de reconstrução. O Museu e Instituto do Genocídio Armênio, fundado em 1995, é a principal instituição dedicada à pesquisa e reconhecimento do genocídio no mundo todo.

 Fonte: http://www.politize.com.br/ocupacao-da-armenia-pela-turquia/
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Sobre a paralisação dos caminhoneiros no Brasil

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A ELEVAÇÃO DO PREÇO DA GASOLINA E DO DIESEL: O QUE ESTÁ POR TRÁS DISSO?

As causas da paralisação dos caminhoneiros no Brasil

Fonte: Pixabay.

greve dos caminhoneiros

Em julho de 2017, a política de preços da Petrobras foi alterada. Até então, a Petrobras tinha certo poder de determinar o preço que seria cobrado por litro de combustível. A partir dessa alteração, o preço da gasolina e do diesel no Brasil passam a ser determinados pelo preço do barril de petróleo no mercado internacional e pela variação do dólar. Essa mudança teve como principal consequência a perda do controle de parte do preço do combustível internamente e a situação se agravou com a alta do dólar e do petróleo, causando insatisfações no mercado brasileiro, como a greve, que causou o desabastecimento de combustível em grande parte das cidades brasileiras e por consequência afetou serviços públicos e privados, o abastecimento dos comércios e o transporte público, por exemplo.

Leia mais: Mobilidade Urbana

CERTO, MAS E COMO É FORMADO O PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS?

O preço da gasolina e do diesel é dado por uma soma de fatores: além do preço do combustível quando sai da refinaria, são adicionados impostos, outros componentes e o valor relacionado à comercialização. Que tal conferir cada uma das partes de formação do preço final?

1)  Realização da Petrobras:

Refere-se ao valor pago pelas distribuidoras para a Petrobras quando o combustível sai da refinaria. Nesse valor estão inclusos os custos de produção e lucros da Petrobras.

2) Custo do etanol anidro e do biodiesel:

A gasolina e o diesel que compramos no posto não são os mesmos que a Petrobras vende às distribuidoras, pois antes de chegar aos postos, o etanol e o biodiesel são adicionados à fórmula. A gasolina que vendem nos postos é uma mistura da gasolina que vem da refinaria com o etanol anidro; e o diesel é uma mistura do diesel que sai da refinaria com o biodiesel.

O valor adicionado nessa etapa é o valor pago pelas distribuidoras por essas substâncias.

3) Impostos:

Os impostos que incidem sobre o valor da gasolina são: ICMS, CIDE e PIS PASEP e COFINS. Vamos ver o que significa cada um deles?

  • ICMS: é um imposto recolhido pelos estados e incide sobre a circulação de mercadorias e prestação de serviços.
  • CIDE: é um imposto de competência da União e foi criado para assegurar recursos parainvestimento em infraestrutura de transporte, projetos ambientais relacionados à indústria do petróleo e do gás e subsídios.
  • PIS PASEP e COFINS: são tributos destinados ao pagamento do seguro-desemprego, abono e participação na receita dos órgãos e entidades para os trabalhadores públicos e privados.

4) Custos e margens de distribuição e revenda:

Os postos compram o combustível já misturado (como explicado no item 2) e definem o preço que será repassado ao consumidor com base no valor de compra e nos custos associados à comercialização. Este é o valor final do combustível na bomba.

QUAL A PROPORÇÃO DE CADA UM DESSES COMPONENTES NA FORMAÇÃO DO PREÇO?

Agora que você já sabe o que compõe o preço do combustível, vamos entender um pouco a proporção de cada um desses fatores na formação do preço da gasolina, que é o combustível mais utilizado pelos carros de passeio no Brasil, e do diesel, utilizado em caminhões.

Gráfico da formação do preço da gasolina:

Referência imagem.
Elaboração: Petrobrás.
Dados: ANP e CEPEA/USP.

Os 32% de “realização da Petrobras” referem-se ao valor do combustível pago pelas distribuidoras à Petrobras assim que sai da refinaria. A política de preços implementada desde julho de 2017 incide sobre essa parcela do valor, pois o preço que a empresa cobra para a venda do combustível está atrelado ao valor do barril de petróleo e à variação do dólar.

Abaixo temos o gráfico da formação de preços do diesel. Como podemos ver, ele se assemelha bastante ao gráfico da gasolina. A principal diferença, no entanto, é a proporção do valor cobrado pela Petrobras, que nesse caso representa 56% do total do valor combustível. Por essa razão, o preço do diesel é mais suscetível que o preço da gasolina às variações no mercado internacional.

Gráfico da formação do preço do diesel:

Referência imagem.
Elaboração: Petrobrás.
Dados: ANP

E COMO O PREÇO DO COMBUSTÍVEL ERA DETERMINADO ANTES E QUAIS AS POSSÍVEIS SOLUÇÕES?

Anteriormente, as variações do preço do barril de petróleo eram repassadas com uma certa defasagem para a população, ou seja, a Petrobras subsidiava o preço para segurar as variações e osajustes nos preços ocorriam algumas vezes ao ano, e não diariamente. O objetivo dessa política era frear o avanço da inflação.

Uma das possíveis soluções seria voltar à política de preços anterior e permitir a interferência política na formação do preço do combustível, em vez de este ser determinado pelo mercado internacional. No entanto, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou que não é possível alterar a política, pois a empresa poderia se endividar. A outra opção seria reduzir os impostos e algumas medidas adotadas já apontam para essa direção, como a proposta do governo de retirar o imposto CIDE para que a Petrobras possa reduzir o valor do diesel em 10% durante 30 dias. O Ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, no entanto, afirma que com a crise fiscal nas contas públicas, o espaço para reduzir impostos é pequeno. Veja aqui esses posicionamentos.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA GREVE DOS CAMINHONEIROS, ENTÃO?

A greve, que se iniciou dia 21 de maio de 2018, afetou a rotina de diversos brasileiros: diversas cidades estão sem combustível, muitos serviços públicos e privados tiveram suas atividades reduzidas ou interrompidas e o abastecimento dos comércios foi prejudicado. A paralisação está relacionada aos aumentos sucessivos no preço do diesel, que assim como a gasolina, tem seu preço determinado pelo valor do barril de petróleo e a variação do dólar. Como houve uma valorização dessas variáveis, o valor do diesel teve mais uma elevação.

PARA REFLETIR:

O impacto desta greve dos caminhoneiros no dia a dia de cada cidadão deixa evidente a nossa dependência em relação ao transporte rodoviário. Hoje, no Brasil, cerca de 90% de passageiros e 60% da carga movimentados no país se deslocam por rodovias. Países com territórios grandes, como Estados Unidos, China e Rússia, possuem grandes malhas ferroviárias para escoar a produção.

 

Fonte: http://www.politize.com.br/preco-da-gasolina/

Sobre ANARQUISMO

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ANARQUISMO: VOCÊ CONHECE ESSA IDEOLOGIA?

Foto: WikiCommons

anarquismo

Imaginamos que você já tenha visto esse A com um círculo em volta, todo “rabiscado”. Pois bem, esse é o símbolo da Anarquismo que, assim como o socialismo ou o liberalismo, é uma ideologia. Vamos entender o que significa ser anarquista?

O QUE É ANARQUISMO?

A palavra “anarquismo” tem origem na palavra grega anarkhia, que significa “ausência de governo”. O anarquismo é uma corrente de pensamento, uma teoria e ideologia política que não acredita em nenhuma forma de dominação – inclusive a do Estado sobre a população – ou de hierarquia e prega a cultura da autogestão e da coletividade.

Alguns dos valores defendidos pelos anarquistas são:

  • liberdade individual e coletiva, para o desenvolvimento de pensamento crítico e todas as capacidades individuais das pessoas;
  • igualdade – em termos econômicos, políticos e sociais, valor que inclui questões de gênero e raça;
  • solidariedade – a teoria anarquista só tem sentido se há entre as pessoas apoio mútuo, com colaboração e espírito de coletividade.

O anarquismo critica principalmente exploração econômica do sistema capitalista e o que chama de dominação político-burocrática e da coação física do Estado. Os anarquistas não buscam uma revolução política, mas uma revolução social, que parta da maioria da população, dos trabalhadores, da classe que sofre alguma forma de dominação. Sua ideia principal é a horizontalidade: um território em que não exista Estado, nem hierarquia e em que a população faça a autogestão da vida coletiva.

QUAIS SÃO OS PILARES DO ANARQUISMO?

Cada corrente de pensamento estrutura seus argumentos de formas variadas. A anarquista é conhecida principalmente por buscar um “governo de todos” e defender a ausência do Estado. Entenda quais são os pilares do anarquismo:

Crítica à dominação do Estado

O pilar mais conhecido da teoria anarquista é a crítica ao Estado e a crença em um território baseado na autogovernança. A crítica se estende a todo e qualquer tipo de sistema em que há Estado, dos que agem com intervenção mínima à máxima, dos mais autoritários aos mais liberais.

Existem duas formas de dominação, de acordo com a teoria anarquista: a do poder de decisão e da coerção física. A primeira consiste no que chamam de dominação político-burocrática, que seria responsável:

1) pela alienação política da maioria da população, que fez com que se estruturasse um sistema que permitiria só um pequeno grupo privilegiado adentrar o meio político e tomar decisões em nome da população – o que também critica a democracia representativa;

2) a existência de uma hierarquia entre os governantes e os governados, à qual os anarquistas se opõem, que é gerada por esse sistema de poder.

A segunda forma de dominação das classes dominadas seria o uso de coação física por parte do Estado, que além de poder fazer uso da força, tem seu monopólio. O anarquismo afirma que a força é utilizada pelo Estado quando sua legitimidade não é suficiente.

Crítica ao capitalismo

A ideologia anarquista critica o capitalismo, argumentando que esse sistema implica na exploração dos trabalhadores por meio dos proprietários dos meios de produção – uma reflexão similar às correntes socialistas.

O entendimento de exploração dentro do capitalismo para os anarquistas pode ser ilustrado com o seguinte exemplo exemplo: os donos de uma fábrica montadora de carros não trabalham montando os carros, mas pagam funcionários para prestar esse serviço. Logo, os proprietários são a classe dominante e os trabalhadores a classe produtiva – e dominada –, que trabalha a fim de transferir recursos ($) para a classe dominadora. A classe dominadora, por sua vez, se apropria de um excedente produzido pelos trabalhadores e lucra em cima de seu trabalho, o que caracterizaria a exploração, de acordo com Michael Schmidt e Lucien van der Walt.

Esse entendimento não é diferente num contexto de trabalho rural: acreditam que os proprietários de terra exploram o trabalho dos camponeses e, por isso, também fazem críticas às sociedades pré-capitalistas, cuja economia dependia do campesinato.

Crítica à dominação de gênero

Como é da identidade do anarquismo criticar qualquer forma de dominação, isso ocorre também quanto à dominação de gênero. A união de princípios anarquistas e feministas foi chamada de anarcofeminismo, que acredita na exploração da mulher pelo capitalismo por ele difundir o sexismo em suas instituições, desvalorizar economicamente o seu trabalho doméstico e reprodutivo, além de que os direitos adquiridos seriam válidos apenas a quem integrasse as classes dominantes. A luta do feminismo contra o patriarcado, o sistema social em que o homem é a figura referencial e de maior poder, só é vista como possível pelo anarcofeminismo com o fim do sistema capitalista.

A pensadora e militante anarquista Emma Goldman foi uma das fundadoras do anarcofeminismo e defendia, além desses seus princípios básicos, a liberdade da mulher de um jeito mais abstrato: “Busco a independência da mulher, seu direito de se apoiar; de viver por sua conta; de amar quem quer que deseje, ou quantas pessoas deseje. Eu busco a liberdade de ambos os sexos, liberdade de ação, liberdade de amor e liberdade na maternidade”, disse em 1857.

Já Lucy Parsons, anarquista estadunidense, considerada uma opositora das ideias de Emma Goldman dentro do anarcofeminismo, enfatizava que as mulheres seriam “escravas dos escravos” ao serem exploradas pelo capitalismo e sendo vítimas da dominação de gênero. Por isso, defendia também o protagonismo da mulher nessa luta.

Emma Goldman nujm protesto anarquista na Union Square, em Nova Iorque. 1916.

Foto: Domínio Público / WikiCommons

anarquismo

COMO SURGIU O ANARQUISMO?

O anarquismo surgiu no século XIX, no contexto de expansão e fortalecimento do capitalismo ao redor do globo. Por conta da Segunda Revolução Industrial, integraram-se estruturas econômicas mundiais e foram consolidados os Estados modernos. A difusão das ideias racionalistas da Revolução Francesa, como a liberdade individual, de expressão e a igualdade em todos os sentidos contribuíram para o fortalecimento da ciência e no enfraquecimento da influência da religião. Outro fator importante foi o socialismo e o comunismo, cujos ideais trouxeram a classe trabalhadora para a linha de frente o protagonismo, o que também influenciou o anarquismo.

O surgimento do anarquismo ocorreu por meio da Associação Internacional dos Trabalhadores, localizada em Londres, na Inglaterra, na década de 1860. A ideologia foi inspirada principalmente nos pensamentos de Pierre-Joseph Proudhon, cujas ideias foram tidas como a base do pensamento dos trabalhadores europeus no século em questão. Entre 1868 e 1894, já havia se desenvolvido significativamente e também havia sido difundido globalmente e teve grande influência dentro dos movimentos operários até 1949. A ideologia teve cinco grandes ondas, que diferenciam a atuação do movimento no mundo e a sua influência até os dias atuais.

Foto: Banfield / WikiCommons

anarquismo

COMO SERIA UM PAÍS ANARQUISTA?

Um país anarquista não teria um governo, nem qualquer forma de hierarquia e caberia ao povo fazer a autogestão política, em um autogoverno democrático. Haveria um poder político totalmente socializado e a substituição do Estado seria feita pelos conselhos: “representariam uma rede entrelaçada, composta por uma infinita variedade de grupos e federações de todos os tamanhos e graus, locais, regionais, nacionais e internacionais, temporárias, mais ou menos permanentes, para todos os objetivos possíveis”, como disse o teórico anarquista Kropotkin. Esse seria o modelo de autogestão anarquista, em que haveria a possibilidade da participação social ativa e efetiva em todas as decisões relativas à coletividade e à vida comum.

Grupos e associações livres formariam um conjunto de conselhos, com o objetivo de tomar as decisões local e democraticamente, com participação generalizada e ampla, controlando a execução dessas decisões e solucionando conflitos, reunindo todas as funções do que conhecemos como os “três poderes” – LegislativoExecutivo Judiciário. Essas esferas teriam a responsabilidade de discutir, deliberar e executar todas as tarefas relativas aos serviços públicos.

Uma sociedade anárquica teria uma grande noção de ética para a convivência em comunidade, em que todas as pessoas estariam envolvidas econômica, política, ideológica e culturalmente a fim de alcançar o bem comum. Os anarquistas defendem a socialização da propriedade privada dos meios de produção, o que implicaria na coletivização das máquinas, equipamentos, ferramentas, tecnologias, instalações, fontes de energia, meios de transporte, matérias primas, etc.

Uma sociedade fundada nos princípios anarquistas reorganizaria a produção “com base nas necessidades do povo”, como se fosse uma economia de subsistência, em que se produziria o necessário para viver, sem pensar em lucros ou excedentes. Como seria uma sociedade sem dominação e não-capitalista, os trabalhadores usufruiriam de todos os frutos de seu trabalho.

Você conhecia a ideologia anarquista? O que pensa dela? Deixe seu comentário!

Publicado em 28 de julho de 2017.

Carla Mereles

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), curadora do TEDxBlumenau e assessora de conteúdo do Politize!.

FONTE: http://www.politize.com.br/anarquismo/

Vídeos (vários assuntos) – Canal Nerdologia

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Excelentes vídeos produzidos pelo professor Felipe Figueiredo!

Abolicionismo e fim da escravidão | Nerdologia – 9min

 

Fim da URSS | Nerdologia – 9 min

 

Zé Carioca e a Segunda Guerra Mundial | Nerdologia – 9 min

 

Oriente Médio | Nerdologia – 14 min

 

Guerra dos Seis Dias | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=ptTZKSpZn14

 

A Batalha de Dunkirk | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=i8Dj3yTsaYI

 

300 de Esparta | Nerdologia – 6 min

https://www.youtube.com/watch?v=BiD5Hqs9Q5w

 

Guerra Civil Espanhola | Nerdologia – 10 min

https://www.youtube.com/watch?v=ryBf8aNyJ6E&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=11

 

A chegada da família real no Brasil | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=Xf0yV7EXTMU&index=14&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Winston Churchill | Nerdologia – 8 min

https://www.youtube.com/watch?v=13Tos1JN_2Q&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=15

 

De quem é Jerusalém? | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=mDCS9hFLbQ0&index=16&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

O fim do Egito antigo | Nerdologia – 10 min

https://www.youtube.com/watch?v=2p0HUCfBfAE&index=19&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Assassinato de JFK | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=FNHPqEv6lmw&index=20&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

100 anos das Revoluções Russas | Nerdologia – 10 min

https://www.youtube.com/watch?v=z9cJRQ1y6jE&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=21

 

Brasil na Primeira Guerra Mundial | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=3kcX1we09t8&index=22&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

500 anos da Reforma Protestante | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=QkheKbaDZGs&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=23

 

Independência da Catalunha | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=UAL95bPIsOI&index=24&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Anos 80, a década perdida | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=NwGI0mtNRrY&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=27

 

Coreia Nuclear | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=OP1lAV1ID8M&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=28

 

Partição da Índia | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=-4Dby3uboVI&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=31

 

Guerra de Canudos | Nerdologia – 8 min

https://www.youtube.com/watch?v=69MTadaKjWk&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=32

 

Revolução de 1932 | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=fuqaeSRxlEc&index=34&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Ilhas Malvinas | Nerdologia – 8 min

https://www.youtube.com/watch?v=DHVtASope7E&index=44&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Tiradentes | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=wADmQiM8XZY&index=45&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Guerra da Bósnia | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=OppUkVeVd_k&index=51&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Uma ilha dividida | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=JKdJMpMLVLY&index=54&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Pearl Harbour | Nerdologia – 10 min

https://www.youtube.com/watch?v=kOz6qDG-T7U&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=61

 

Proclamação da República | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=4xSQkZ8jzeM&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=62

 

Guerra das Rosas | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=EuvHRp9aHOs&index=63&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Colômbia e FARC | Nerdologia – 10 min

https://www.youtube.com/watch?v=jor5RnEymCs&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=64

 

Eleições nos EUA | Nerdologia – 8 min

https://www.youtube.com/watch?v=9QjcRbXKr1U&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=65

 

Tibete | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=FJ4KMjciRNA&index=66&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Guerra dos Farrapos | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=XG6Ha_RZ7_0&index=67&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Guerra Aérea: WWI | Nerdologia – 8 min

https://www.youtube.com/watch?v=Cy0MPn337V4&index=68&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Onze de setembro | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=ul7qtxAMwNI&index=69&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Armas Nucleares | Nerdologia – 10 min

https://www.youtube.com/watch?v=mgaX6gd1F0E&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=71

 

Duas Chinas | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=0YBBk67O8rQ&index=72&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

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Sobre Neonazismo

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NEONAZISMO: O ROSTO DO NAZISMO NA ATUALIDADE

Alguns termos da política são usados de maneira errada – ou ao menos inapropriada. É o caso da confusão entre nazismo e neonazismo. Alguns casos avaliados como neonazistas aconteceram recentemente no mundo e uns pensam que o neonazismo é uma vertente atenuada do nazismo, mas não é bem por aí. Vamos compreender o que é o neonazismo?

O QUE É NEONAZISMO?

O neonazismo é o resgate do nazismo na atualidade, mas com uma face repaginada, a fim de ter mais sintonia com a época atual. Continuam as ideias nazistas, como a do racismo, do nacionalismo, do antissemitismo e do anticomunismo.

Para os neonazistas, assim como no nazismo alemão, há apenas uma raça soberana: a “raça pura ariana”. Os principais alvos de discriminação são: comunistas, judeus, índios, negros e homossexuais. Da mesma maneira que vários tipos de preconceito se disseminam, como a xenofobia, ele tem causas em questões pelas quais certo país está passando, como desemprego, poucas oportunidades de trabalho, crescente criminalidade, entre vários outros contextos nacionais. Para eles, uma forma de combater esses problemas é depositar a culpa desses problemas na presença e cultura do outro no país, como imigrantes, refugiados, estrangeiros.

O grande diferencial do neonazismo é o uso de outra abordagem para a disseminação de suas ideias. Por exemplo, quando defendem suas ideias ao clamar por uma “salvação nacional”, considerando-se “libertadores” que valorizam a pátria e dela se orgulham. Esses são exemplos da utilização de palavras brandas, os famosos eufemismos, para maquiar a origem de seus ideais e ter a possibilidade de atrair mais pessoas, principalmente aquelas que já se identificam com ideais da extrema-direita. O discurso de “nós” contra “eles” é o mesmo, só está repaginado.

O que foi o nazismo?

O Nazismo é o nome de uma ideologia política disseminada amplamente pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que foi criado em 1920 por Anton Drexler na Alemanha. Como muitos já sabem, essa ideologia logo se espalhou por toda a Alemanha sob o comando de Adolf Hitler, culminando num regime autoritário nazista, que foi a causa de vários marcos históricos, como o holocausto e a Segunda Guerra Mundial.

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DO NEONAZISMO?

As características do neonazismo são as mesmas do nazismo, mas com uma abordagem nova e mais adaptada à atualidade. As origens são similares também: ambas as ideologias florescem em países, espaços e locais em que há alguma forma de conturbação social, seja o desemprego, a violência, a desigualdade social e dificuldade de vida em geral. O neonazismo se alastra em quem já tem um pensamento que caminha em direção à extrema direita.

 

O neonazismo tem como premissas a supremacia da raça branca – ou, como chamam, a “raça ariana” –, a anti-imigração – e consequente xenofobia –, o nacionalismo exacerbado, o anticomunismo, o anticatolicismo, o antissemitismo. Esses comportamentos são diretamente inspirados no nazismo. Outros, porém, fortaleceram-se apenas com surgimento do neonazismo. Vejamos:

Os neonazistas são chamados de negacionistas. A maioria dos grupos neonazistas nega que o Holocausto existiu. O Holocausto foi o nome dado ao genocídio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, em que eles foram perseguidos e aprisionados em campos de extermínio pelo regime nazista. Nesses lugares, eram levados a câmaras de gás para morrerem por asfixia. Estima-se que 6 milhões de judeus morreram na Alemanha nazista. A estratégia de muitos grupos neonazista é de negar esse acontecimento, argumentando que não houve essa perseguição e que o número de judeus mortos durante a guerra não passou de 500 mil pessoas.

Não se intitulam como racistas, apesar de atitudes que corroborem essa prática. O discurso nazista e neonazista é essencialmente racista, tanto por acreditar em uma supremacia branca como por ser contra a entrada de outras pessoas – portanto, de outras culturas, outras ideias, outras vivências e visões de mundo – em seu espaço.

COMO O NEONAZISMO SE DESENVOLVEU?

O nazismo não é uma ideia antiga, tampouco uma filosofia que foi expulsa do mundo após a Segunda Guerra Mundial. Muitas pessoas, e o próprio governo alemão, demonstraram vergonha do Holocausto e do nazismo depois da guerra. Criaram museus sobre a sua história e  monumentos para o Holocausto, transformaram os campos de concentração – como Auschwitz, o maior deles – em um lugar aberto para visitação e implementaram nas aulas de história formas de mostrar às novas gerações as consequências do nazismo, a fim de conscientizá-las.

Foto: Alejandro Alvarez/News2Share via Reuters

neonazismo

O neonazismo na Alemanha

No berço do nazismo, a Alemanha, entendeu-se que a educação seria também um meio de conscientização. Em 1991, a agência educacional de monitoramento do governo alemão pediu que o nazismo fosse total e ostensivamente tratado nas escolas, a fim de que a memória do Holocausto fosse mantida viva e de que o passado não se repetisse.

Sobre a visão da população alemã acerca do nazismo, o professor de ética comparada da Universidade Livre de Berlim, Markus Tiedemann, explica como os alemães encaram a história do nazismo em uma entrevista.

  • A esmagadora maioria da população alemã tem a explícita rejeição de todas as formas de fascismo e racismo e um compromisso com a história alemã, o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial. Tem desejo de paz, tolerância e solidariedade internacional e agem com comprometimento em prol desses valores.
  • Uma segunda parte da população toma esses valores como garantidos, no sentido de não haver necessidade de relembrá-los o tempo todo – sobre solidariedade, paz e tolerância. Eles tendem a ignorar os perigos ou a encarar a miséria humana com horror e impotência.

Portanto, por mais que tenha havido educação extensiva no sistema educacional alemão, há dois resultados: de pessoas que reconhecem esses valores e pessoas que se comprometem com eles; nem todas serão ativas socialmente para disseminar valores contrários ao do nazismo, por exemplo. E é importante entender que, por ter sido o país em que o nazismo surgiu e se aflorou, a Alemanha não conseguiu extinguir o mal pela raiz. Diversas pessoas que seguiam a ideologia nazista continuaram no país, como trabalhadores comuns, artesãos, vendedores, médicos, advogados. Como explica o livro “Nazismo – como ele pôde acontecer”, da Superinteressante, essas pessoas inclusive voltaram a trabalhar no governo.

Exemplo disso foi um dos autores das leis de segregação racial durante o regime nazista, Hans Globke. Ele se tornou assessor do chanceler alemão nos anos 50, ou seja, estava de alguma forma a influenciar o governo. Uma das formas de manutenção e sobrevivência da ideologia nazista foi, então, a criação de grupos remodelados: os que conhecemos hoje como grupos neonazistas 

O NEONAZISMO NO MUNDO ATUAL

Há alguns episódios de grupos neonazistas atuando política e socialmente no mundo. Sobre a sua atuação política, o neonazismo aparece na sua forma de ideologia. Veja alguns exemplos:

Socialmente, milícias e grupos neonazistas atuam ao redor do mundo. Para nomear dois deles, falamos do grupo Clandestinidade Nacional Socialista que atuou por anos na Alemanha, sendo autor de ataques por bombas que causaram mortes de oito pessoas. O Movimento de Resistência Finlandês, que atua na Finlândia, faz protestos contra a entrada de imigrantes e refugiados, atua de forma violenta e tem diversas acusações de agressão.

Charlottesville: a passeata de neonazistas nos EUA

O mais recente, comentado e visado caso de neonazismo explícito aconteceu em Charlottesville, uma cidade no estado de Virgínia, nos Estados Unidos. No dia 12 de agosto de 2017, centenas de pessoas foram às ruas dessa pequena cidade estadunidense de 50 mil habitantes para protestar. Contra o quê? Contra a presença de negros, homossexuais, imigrantes e judeus. Carregavam tochas, gritavam palavras de ordem e faziam saudações nazistas. Alguns se vestiam com armaduras e tinham cacetetes nas mãos.

A passeata neonazista reuniu centenas de pessoas que eram contra a retirada da estátua de um general confederado – que lutou pelo Sul na Guerra Civil dos Estados Unidos – chamado Robert E. Lee, pois o consideram um símbolo histórico de ideais como a supremacia branca. Os atos ocorreram principalmente na Universidade de Virgínia e causaram momentos de tensão e violência, principalmente com os grupos que faziam oposição aos extremistas de direita – como o grupo Black Lives Matter (a vida dos negros importa, em tradução literal para o português).

A BBC Brasil enviou o repórter Ricardo Senra para a cidade de Charlottesville e aqui estão algumas de suas impressões sobre o que ocorreu: “Os participantes do protesto desta sexta-feira carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam palavras de ordem como: “Vocês não vão nos substituir”, em referência a imigrantes; “Vidas Brancas Importam”, em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter; e “Morte aos Antifas”, abreviação de “antifascistas”, como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.”

 

GRUPOS NEONAZISTAS

Os grupos neonazistas existem em todo o mundo, estão espalhados por países como Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Brasil e Uruguai. Alguns dos mais famosos definem sua principal pauta na “supremacia branca” – princípio de que pessoas de pele branca são superiores –, como a Nação Ariana, o White Power, os Skinheads, a Ku Klux Klan. Vamos falar sobre dois deles: os skinheads e a Ku Klux Klan.

Os Skinheads

Foto: Skinheads / All That Is Interesting / Creative Commons

neonazismo

Um grupo muito conhecido é o dos skinheads, formado nos anos 1960 na Inglaterra por jovens de classe média baixa que, originalmente, não promovia ideais racistas. Mas, na década seguinte, devido à recessão econômica e à fragilização da relação com imigrantes, o grupo se uniu ao partido neonazista inglês Frente Nacional – em inglês, National Front –, que promovia a superioridade branca. A partir de então, são diretamente associados a ideais neonazistas, fascistas e de extrema-direita.

Os skinheads ganharam mais notoriedade a partir dos anos 1980, com grupos nos Estados Unidos que praticavam vandalismo e violência contra grupos de pessoas negras, homossexuais, judeus e imigrantes latinos.

Ku Klux Klan

Outro grupo, também muito famoso historicamente, é a Ku Klux Klan, conhecida como KKK. A Ku Klux Klan foi um grupo secreto racista, chamado de clã, com ideais de extrema-direita. Prega o ultranacionalismo, a supremacia branca, a anti-imigração, o antissemitismo e tem um histórico de violência grande nos Estados Unidos. Esses ideais foram mais ou menos presentes nas três formas em que o clã se desenvolveu no país.

A Ku Klux Klan é também conhecida por suas vestimentas características: trajes brancos, como camisolas, chapéus pontiagudos em forma de cones, apesar com buracos para os olhos. Com essas roupas, buscavam assustar as pessoas e manter o anonimato de seus membros.

Ku Klux Klan: primeiro clã.

Foto: domínio público

neonazismo

primeiro clã foi formado em 1866 por soldados veteranos que lutaram pelo sul dos Estados Unidos – historicamente um território racista, que queria a continuidade do escravismo – e foram derrotados na Guerra Civil Americana. Não há dados que confirmem quantas pessoas integraram esse clã. O grupo agiu com violência e intimidação contra os escravos libertos. Em 1882, a Suprema Corte declarou a existência da KKK como inconstitucional.

segundo clã passou a agir em 1920 tinha características principalmente antissemitas, xenofóbicas e nacionalistas. Opunham-se contra os judeus e defendiam a unidade do país, tinham um discurso de anti-imigração – havia uma onde de imigração vinda da Europa – e de conservação da identidade nacional. O grupo, que chegou a 4 milhões de membros, fazia grande oposição também à Igreja Católica, realizando passeatas em massa, com os mesmos trajes do primeiro clã e fazendo queima de cruzes.

terceiro clã surgiu em meados dos anos 1950, em diversos lugares nos Estados Unidos, como uma forma de se opor ao movimento dos direitos civis liderado por Martin Luther King, em busca do fim da segregação racial e do ódio contra os negros. Agiam de maneira independente e radicalizada: faziam linchamentos e praticavam terrorismo contra a população negra, inclusive por meio de ataques por bombas. Devido à violência de seus ataques, o próprio governo estadunidense se viu obrigado a assinar a Declaração dos Direitos Civis – que previa a igualdade racial – em 1964 e foi revivido um ato que proibia a ação da KKK no país.

Os dois grupos apresentados não são apenas grupos de extrema-direita, mas sim grupos que se relacionam diretamente com ideais nazistas, caracterizando-se pelo neonazismo. Casos como o de Charlottesville, que pregam intolerância, ódio e preconceito têm sido recorrentes no mundo. Devemos nos educar, entender esses ideais, suas origens e como se manifestam no mundo atual.

Você conhecia as definições de neonazismo? O que acha delas? Deixe seu comentário!

Publicado em 05 de outubro de 2017.

Fonte: http://www.politize.com.br/neonazismo-o-rosto-do-nazismo-na-atualidade/

Sobre Fascismo

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FASCISMO: 5 PONTOS PARA ENTENDER O CONCEITO

Benito Mussolini e Adolf Hitler. Foto: History Channel

Fascismo entenda

O fascismo é um movimento político, econômico e social que se desenvolveu em alguns países europeus no período após a Primeira Guerra Mundial, principalmente naqueles que enfrentavam graves crises econômicas, como a Itália e a Alemanha.

Entre as principais características desse sistema estão a concentração do poder nas mãos de um único líder, o uso da violência e o imperialismo. Mas não é só isso. Confira o que foi o fascismo, como ele ocorreu no mundo e quais as principais dificuldades em relação à sua definição.

O QUE É O FASCISMO?

Diferente de outras correntes ideológicas, o fascismo é um termo de difícil definição, que pode apresentar diversos significados dependendo do enfoque escolhido e das características acentuadas. Assimainda não existe um conceito de fascismo universalmente aceito.

Segundo o filósofo e historiador Norberto Bobbio, o termo fascismo se refere principalmente à sua dimensão histórica, constituída pelo fascismo italiano e posteriormente pelo fascismo alemão.

Apesar da dificuldade em encontrar uma única definição para o fascismo, as características observadas em diversos regimes fascistas possibilitam a elaboração de uma definição geral, que frisa os aspectos mais comuns desse regime. Confira quais são esses aspectos a seguir.

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO FASCISMO?

De forma geral, o fascismo é um regime autoritário com concentração total do poder nas mãos do líder do governo. Esse líder deveria ser cultuado e poderia tomar qualquer decisão sem consultar previamente os representantes da sociedade. Além disso, o fascismo defende uma exaltação da coletividade nacional em detrimento das culturas de outros países.

Além de totalitários, os governos fascistas objetivavam expandir seu território através de conflitos internacionais e, para isso, realizavam altos investimentos na produção de armas e equipamentos de guerra.

Para garantir a manutenção de seu governo, os líderes fascistas controlavam os meios de comunicação de massa, por onde divulgavam sua ideologia e controlavam todas as informações disseminadas. Qualquer crítica ao governo era aniquilada mediante uso da violência e do terror. Aqueles considerados inimigos do governo eram punidos com prisão ou morte.

O FASCISMO NA ITÁLIA

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a Itália passava por uma forte instabilidade social, política e econômica. Mesmo integrando o grupo de países vitoriosos na Primeira Guerra, a Itália foi ignorada nos tratados pós-conflito e acabou não conquistando benefícios que compensassem as perdas sofridas durante a guerra. Ao mesmo tempo, a lenta industrialização e as gritantes diferenças socioeconômicas entre o norte e sul do país dificultavam o crescimento econômico do país, o que gerava desemprego e cada vez mais miséria.

Este contexto mobilizou diversos grupos a encontrarem uma solução para o decadente sistema em que se encontrava o país, o que resultou no crescimento dos partidos mais alinhados à esquerda, como os comunistassocialistas e anarquistas.

É no contexto de surgimento desses grupos que surgiu o fascismo, destacando-se como líder Benito Mussolini, que comandou um grupo chamado Fascio de Combate. Posteriormente, esse grupo formaria o Partido Nacional Fascista (PNF).

Em 1922, os fascistas realizaram a Marcha sobre Roma, uma manifestação pedindo que o Rei Vitor Emanuel III transferisse o poder para as mãos do Partido Nacional Fascista. Pressionado, o rei convidou Mussolini para fazer parte do governo.

Inserido na esfera do poder político central, os fascistas puderam iniciar seu projeto autoritário e centralizador. Nas eleições de 1924, depois de uma ampla reforma eleitoral que beneficiava os interesses do PNF, os fascistas conquistaram ⅔ do Congresso, ainda que sob alegações do partido socialista de que as eleições haviam sido fraudadas.

Com os partidários fascistas no poder, começava a ditadura fascista, em que o “duce” Mussolini era o líder da nova política italiana. O poder legislativo foi enfraquecido, os meios de comunicação foram fechados, todos os partidos à exceção do PNF foram colocados na ilegalidade e a pena de morte passou a ser legalizada.

Além disso, o Estado passou a controlar a economia e tanto as organizações trabalhistas, quanto qualquer forma de oposição ao governo central foram enfraquecidas e desorganizadas.

Com a crise de 1929, a prosperidade econômica vivida no início do regime fascista começou a ser ameaçada. Tentando contornar esse cenário, o governo Mussolini decidiu entrar para a corrida imperialista, buscando restaurar os domínios do antigo Império Romano. Após invasões das tropas italianas a regiões da África, começaram as tensões diplomáticas que conduziram a Europa para a Segunda Guerra Mundial, momento em que Mussolini se aproximou do regime nazista alemão.

O FASCISMO NA ALEMANHA

Adolf Hitler em discurso à juventude nazista. Foto: História Digital

fascismo entenda o conceito

Na Alemanha, no período após o fim da Primeira Guerra Mundial, surge um regime autoritário bastante conhecido, que compartilhou diversas características do fascismo. Esse regime é o nazismo, que teve como principal líder Adolf Hitler.

Ao sair derrotada da Primeira Guerra, a Alemanha enfrentou uma profunda crise econômica, sobretudo em função do Tratado de Versalhes, que declarava oficialmente a Alemanha como derrotada na guerra e que impunha sanções ao país, como perda de territórios e proibição de qualquer produção de armas pesadas, além de obrigar a Alemanha a pagar uma indenização aos países vitoriosos.

Esse cenário pós-Primeira Guerra criou nos alemães um sentimento de revanchismo em relação a outros países, o que fortaleceu o extremismo nacionalista no país.

Com o fim da guerra, o regime monárquico alemão chegou ao fim, dando início à República de Weimar. Nesse período, a Alemanha consegue resultados satisfatórios do ponto de vista econômico, principalmente por causa dos investimentos estrangeiros, vindos sobretudo dos Estados Unidos.

Todavia, a crise de 1929 deixa a economia alemã em situação crítica novamente. Nesse momento, o discurso nazista conquista seguidores, prometendo retomar o crescimento do país através de um Estado Forte.

Articulados dentro da República de Weimar e representados pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, os nazistas conquistaram 37% dos votos nas eleições de 1932, ocupando 230 cadeiras no Parlamento.

No ano seguinte, os adeptos ao Partido Nazista pressionavam o presidente Paul Von Hindenburg a conceder mais poderes a Hitler. Com a pressão, Hitler foi indicado a chanceler e posteriormente assumiu o cargo de presidente, além de se auto nomear “o Führer ”. Começava assim o regime nazista na Alemanha.

A ditadura de Hitler teve como principais características a militarização da sociedade alemã, a exaltação do líder e o controle através da intensiva máquina de propaganda, que utilizava os meios de comunicação para disseminar as ideias nazistas.

As características principais do nazismo são apresentadas na obra Mein Kampf, escrita por Hitler durante seu período na prisão. Uma das suas mais conhecidas medidas foi o antissemitismo, marcado pela visão racista e eugenista da superioridade do homem branco germânico, a chamada raça ariana. Essa visão resultou na morte de mais de 6 milhões de pessoas em campos de concentração, a grande maioria formada por judeus.

Outra característica do regime nazista foi a visão expansionista, justificada por uma crença de que o mundo deveria ser dominado pela raça ariana. Com o início da Segunda Guerra Mundial, Hitler tentou invadir diversos territórios.

Em 1941, Hitler tenta invadir a União Soviética. Com o inverno rigoroso, as tropas alemãs foram cercadas e derrotadas. Nesse momento, o governo nazista atinge seu declínio e, em 1945, Hitler é derrotado e seu regime chega ao fim.

AFINAL, O FASCISMO É DE ESQUERDA OU DIREITA?

Já explicamos que ainda não existe uma definição universal sobre o fascismo, e que o termo é entendido sobretudo através da análise de características em comum encontradas nas experiências fascistas ocorridas na história. Por isso, torna-se difícil situar o fascismo dentro do espectro ideológico.

Comumente, o fascismo é tido como parte da extrema-direita, principalmente pela sua notável oposição ao socialismo. As experiências fascistas contaram com amplo apoio dos banqueiros e industriais, tanto na Itália quanto na Alemanha.

Todavia, o fascismo também se opôs ao liberalismo, sobretudo na defesa do Estado forte e dos interesses de massa em detrimento dos interesses individuais.

De acordo com Norberto Bobbio, as divergências entre o fascismo italiano e o alemão aparecem ao se notar que o primeiro apresentou um caráter revolucionário e radical de esquerda, enquanto o segundo foi essencialmente reacionário e radical de direita.

CONCLUSÃO

Embora o fascismo na Itália e na Alemanha sejam as experiências mais conhecidas, as experiências fascistas não se restringiram a elas. Em Portugal, por exemplo, o regime fascista foi comandado por Antônio de Oliveira Salazar entre 1932 e 1968. Já na Espanha, apareceu durante o governo de Francisco Franco, de 1939 a 1976.

A influência dos regimes fascistas chegou até mesmo ao Brasil. Logo após a Revolução de 1930 surge o integralismo, que influenciado pelo fascismo italiano combatia os defensores do pensamento de esquerda. Sua principal liderança foi Plínio Salgado.

Ainda que tenha entrado em crise após a Segunda Guerra Mundial, o fascismo continua a ganhar força em contextos de crise, seja ela econômica, política ou social. Alguns aspectos da ideologia fascista aparecem até hoje em grupos e partidos políticos, como os na Europa que defendem plataformas políticas baseadas na aversão a estrangeiros.

 

Fontes:

BOBBIO, Norberto, MATTEUCCI, Nicola e PASQUINO, Gianfranco. Dicionário de Política. São Paulo: Editora UnB. 2004.

Uol Educação | Brasil Escola Mundo Educação Info Escola História do Mundo

Publicado em 14 de março de 2017.
 Fonte: http://www.politize.com.br/fascismo-entenda-o-conceito/

Sobre Nazismo

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NAZISMO: VOCÊ CONHECE A POLÍTICA DISSEMINADA POR HITLER?

Foto: Elzbieta Sekowska

nazismo

É muito difícil nunca ter visto uma suástica nem ter ouvido falar de Nazismo ou de Adolf Hitler. Há uma história bastante densa e complexa sobre o que veio a ser o regime nazista dentro da Alemanha, além de nutrir uma filosofia política muito controversa. Vamos entender o que foi o nazismo?

O QUE É NAZISMO?

O Nazismo, abreviação de Nacional Socialismo, é o nome de uma ideologia política essencialmente racista disseminada amplamente pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que foi criado em 1920 por Anton Drexler na Alemanha. Como muitos já sabem, essa ideologia logo se espalhou por toda a Alemanha sob o comando de Adolf Hitler e foi um dos fatores que levaram a vários marcos históricos, como o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial. Há todo um contexto por trás desses momentos e ideologias. Vamos entendê-los?

COMO O NAZISMO SURGIU NA HISTÓRIA?

Para compreender o surgimento do Nazismo e a sua posterior disseminação por toda a Alemanha, é necessário entender o contexto do país e do mundo naquela época.

A Primeira Guerra Mundial foi muito prejudicial a todo o continente europeu, causando mais de 10 milhões de mortes e 30 milhões de feridos, territórios devastados e um rombo na economia. Ao seu fim, os derrotados assinaram o Tratado de Versalhes, que os responsabiliza pelo conflito, sendo eles o Império alemão e a Austro-Hungria. No tratado, estão previstas uma série de medidas punitivas para o pós-guerra.

A Alemanha, uma das nações derrotadas, foi obrigada a abrir mão de 13% do seu território, 75% das suas reservas de ferro e 26% das de carvão. O país teve seu exército reduzido, sua indústria de armas foi controlada – assim como a produção de tanques e aviões – , perdeu todas as suas colônias e pagou uma indenização pelos prejuízos da guerra aos países vencedores.

A Alemanha pós-guerra

Além do sentimento negativo em ter perdido uma guerra e ter de cumprir todas as exigências do Tratado de Versalhes, a Alemanha estava num caos econômico, seu território estava destruído e sua população enfrentava graves problemas. Foi instituída, em 1919, a República de Weimar. A Alemanha era antes um Império – ou seja, uma forma de monarquia – e passava a ser um país republicano. A República de Weimar que visava a resolver esses problemas, dando prioridade à reestruturação política e econômica do país.

Houve melhora econômica por conta de um acordo entre a Alemanha e os Estados Unidos com a instituição do Plano Dawes, que dava incentivos econômicos para a reconstrução e reestruturação alemã. Mas, por conta da crise da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, não foi mais possível obter ajuda externa. A Alemanha continuou a passar por enormes dificuldades: a inflação só crescia, o desemprego se alastrava e os comandos políticos eram vistos com descrédito e desconfiança por parte da população. Foi a partir desses sentimentos e desse contexto que o Nazismo começou a tomar forma…

A HISTÓRIA DO NAZISMO E DE ADOLF HITLER

Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães foi o principal vetor do Nazismo. No início da década de 1920, Adolf Hitler assume a liderança e dá outro nome a ele: Partido Nacional Socialista, ou Partido Nazista. Hitler era austríaco – fato desconhecido por muitas pessoas –, nascido em 1889. Foi soldado durante a Primeira Guerra Mundial e, ao seu fim, associou-se ao Partido dos Trabalhadores Alemães, assim como muitas outras pessoas: jovens, estudantes, agricultores, soldados; pessoas de todas as classes sociais.

Os principais objetivos do partido eram o de união dos alemães, a expulsão de estrangeiros e tornar a Alemanha um país poderoso e com muitos territórios. Hitler e seus aliados tentaram fazer um golpe de Estado em 1923 e, por ser o líder do movimento, Hitler foi preso. Em sua biografia, denominada Mein Kampf (Minha Luta, em alemão) e escrita durante seu tempo na cadeia, no cerne de sua filosofia política Hitler delineou o antissemitismo – o preconceito e ódio contra os judeus – e o anticomunismo – a negação do comunismo e de seus seguidores.

Aos poucos, o Partido Nazista foi colocando pessoas no governo, já na República de Weimar – receberam 38% dos votos na eleição para o Parlamento em 1932. A partir de então, Hitler tomou o poder por meio de um golpe de Estado e declarou-se: presidente, chanceler e Führer – o líder.

Foto: Larah Vidotti / Creative Commons / Pixabay

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O REGIME NAZISTA E SUAS CARACTERÍSTICAS

O Regime Nazista durou de 1933 a 1945, e foi instituído por Hitler por meio do Terceiro Império – ou Reich. Foi marcado por uma série de características muito próprias da filosofia política nazista. Uma das questões mais importantes do regime era a propaganda feita pelo Nazismo, dentro e fora da Alemanha.

Como em todo regime autoritário, o governo censurava e controlava emissoras de rádio, a imprensa, produtos artísticos – músicas, artes visuais, teatro – e buscava também utilizar esses meios como uma forma de impulsionar a imagem do próprio regime. O famoso ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, foi utilizado como referência para diversos regimes totalitários que vieram depois do nazista.

Uma das maiores características do nazismo foi a militarização. Acreditava-se no uso do poder militar, que era assumido pela polícia, chamada SS, e pelaGestapo, uma polícia secreta do regime. A Gestapo era uma polícia política que decidia as penas que iria aplicar, sem o intermédio de um tribunal. Investigavam também possíveis afrontas ao regime por meio de agentes infiltrados em fábricas e lugares comuns e, quando queriam descobrir certas informações úteis ao regime ou mesmo sabiam de pessoas que eram ideologicamente contra ele, essas pessoas eram presas e torturadas.

É importante salientar que no início do regime, o povo alemão apoiava o regime nazista e acreditava na ideologia pregada por Hitler – que sempre entoava um discurso de salvação nacional, de melhorias na economia, de superioridade racial e cultural germânica. Portanto, quanto à perseguição da polícia com comunistas e judeus, a própria população por vezes contribuía ao delatar uma ou outra pessoa. Conforme os anos foram evoluindo, principalmente no início da Segunda Guerra Mundial, o terror gerado pela polícia foi generalizado.

Foto: Getty images / Creative Commons

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As características do nazismo

O nazismo é considerado um regime fascista por contar uma série de similaridades, como: ser autoritário, prever a concentração total do poder, glorificação de um líder, exaltação da coletividade nacional, expansão de territórios, controle dos meios de comunicação. O nazismo é, portanto, uma forma de manifestação do fascismo. Algumas das principais características da filosofia nazista desenvolvida por Hitler era o racismo, a xenofobia, o nacionalismo e o antissemitismo. Vamos entender como e por quê?

Unidade nacional

Por meio do nazismo, buscava-se uma unidade nacional, contendo também características do nacionalismo. Criaram uma “comunidade do povo”, com o intuito de unir todos os alemães e excluir os povos estrangeiros. Essa ideia se aplicava a todas as pessoas que não fossem germânicas e, por isso, ela era xenofóbica: visava a afastar todas as pessoas, culturas, ideais e pensamentos diferentes do germânico. Buscava-se a criação de uma sociedade homogênea. Além disso, defendia-se uma hierarquia racial, em que povos germânicos eram vistos como uma “raça superior”, a chamada “raça ariana”.

Antissemitismo

Outro ponto elementar para entendermos o nazismo é compreender a importância do antissemitismo dentro desse regime, isto é, o preconceito e ódio contra judeus. Uma lei que separava os “arianos” dos judeus foi criada, chamada Leis de Nuremberg, que determinavam institucionalmente essa segregação racial. O regime perseguiu, torturou, expulsou do território alemão e matou judeus – além de muitas outras pessoas, como homossexuais, ciganos e pessoas com deficiência. Os negros, alemães ou não, mas residentes no país, também sofreram com a segregação, foram hostilizados e expulsos.

Essa perseguição se tornou um extermínio sistemático organizado pelo regime nazista na Alemanha, que veio a se chamar Holocausto – o assassinato de milhões de judeus num verdadeiro genocídio. Na época do nazismo, foram criados campos de concentração para colocar quem se opunha ao regime e para lá foram muitos judeus, mortos então pela polícia. Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de judeus foram deportados do país para guetos e campos de extermínio. Lá, eram levados a câmaras de gás, em que morriam por asfixia. Em 1945, dois em cada três judeus europeus tinham sido mortos, em torno de 6 milhões de pessoas. Foram assassinadas mais de 1,5 milhão de crianças com idade inferior a 12 anos, sendo mais de 1,2 milhões de crianças judias, dezenas de milhares de crianças ciganas e milhares de crianças deficientes.

Teoria do Espaço Vital

A Teoria do Espaço Vital é uma ideia que surgiu da revolta pela Alemanha ter perdido territórios depois da Primeira Guerra Mundial. É uma ideia relacionada a todas as outras, de que a raça ariana deveria ter um único território e expandi-lo ao máximo, formando “um guia, um império, um povo”, conforme dizia Hitler. Foi um dos pontapés para a invasão da Polônia em 1939, fato que eclodiu na Segunda Guerra Mundial.

O NAZISMO É DE DIREITA OU DE ESQUERDA?

No blog do jornalista Guga Chacra no site do Estadão, o professor Michel Gherman, da Universidade Hebraica de Jerusalém e coordenador do Centro de Estudos Judaicos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, escreveu a respeito, buscando esclarecer dúvidas das redes sociais acerca do espectro ideológico do Nazismo. Confira um trecho da coluna que resume bem essa questão!

“O Nazismo não acreditava em políticas universalistas e descentralizadas. O Estado Nazista, contrário a (sic) luta de classes, se aproximava de grandes empresas, tinha um discurso anti especulativo (sic) e tinha como objetivo a expansão racial, militar e territorial.

Mais uma vez, ao contrário de perspectivas social-democratassocialistas ou marxistas, a centralização estatal não tinha intenções distributivas, não pretendia combater a desigualdade econômica ou diferenças sociais. Ao contrário, a razão de existência do Estado era manter as diferenças, diferenças raciais. Estabelecer um estado racialmente hegemônico, escravizar e eliminar raças inferiores. Combater e exterminar a oposição que falava em classes sociais.

(…) Mas não se enganem, nada mais distante, também, de qualquer posição de direita liberal. O nazismo era um movimento de extrema–direita, o que em sua natureza é distinto da direita liberal e democrática.”

Depois de polêmicas nas redes sociais, a BBC Brasil fez uma reportagem buscando elucidar essa questão: afinal, o nazismo é de esquerda ou de direita? Em entrevista para o veículo, a professora de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF), Denise Rollemberg, afirma o seguinte:

“Não era que o nazismo fosse à esquerda, mas tinha um ponto de vista crítico em relação ao capitalismo que era comum à crítica que o socialismo marxista fazia também. O que o nazismo falava é que eles queriam fazer um tipo de socialismo, mas que fosse nacionalista, para a Alemanha. Sem a perspectiva de unir revoluções no mundo inteiro, que o marxismo tinha. (…)

Eles rejeitavam o que era a direita tradicional da época e também a esquerda que estava se estabelecendo. Eles procuravam se mostrar como um terceiro caminho”.

Na mesma reportagem da BBC Brasil, há também o ponto de vista da antropóloga Adriana Dias, da Unicamp, que estuda os movimentos neonazistas.

“Os comícios hitleristas eram profundamente antimarxistas. (…) O nazismo e o fascismo diziam que não existia a luta de classes – como defendia o socialismo – e, sim, uma luta a favor dos limites linguísticos e raciais. As escolas nacional-socialistas que se espalharam pela Alemanha ensinavam aos jovens que os judeus eram os criadores do marxismo e que, além de antimarxistas, deveriam ser antissemitas.”

Mas o nome do partido nazista não é Nacional-Socialista? Não seria, portanto, de uma ideologia de esquerda? Bom, na reportagem da BBC Brasil, Izidoro Blikstein, professor de Linguística e Semiótica da USP e especialista em análise do discurso nazista e totalitário, busca responder essa indagação:

“Me parece que isso é uma grande ignorância da História e de como as coisas aconteceram. (…) O que é fundamental aí é o termo ‘nacional’, não o termo ‘socialista’. Essa é a linha de força fundamental do nazismo – a defesa daquilo que é nacional e ‘próprio dos alemães’.”

Sobre essa questão, Thiago Tanji, editor na revista Galileu, escreve um texto sobre o fenômeno de notícias falsas, da pós-verdade e de como é importante conhecer a história por trás do regime nazista. Um trecho sobre a dicotomia esquerda x direita:

“E é justamente a partir desse ponto que desfazemos o nó entre a ideologia nazista e sua associação às palavras “socialista” e “trabalhadores”. Inspirado em ideiais ultra-nacionalistas e de supremacia racial, Adolf Hitler se mostrava como a figura política que lutava “contra tudo o que está aí”. Ao mesmo tempo em que expunha as ameaças de uma revolução comunista em território alemão, atacava o sistema financeiro e a ganância dos bancos — personificados na população judaica.”

Gostou de saber sobre o Nazismo? O que pensa dessa ideologia? Deixe seu comentário!

Publicado em 04 de outubro de 2017.  Última atualização em 09 de outubro de 2017.
 Fonte: http://www.politize.com.br/nazismo/