Textos de aluno(a)s: Salesiano Dom Bosco e São José 2018.

0

Os textos a seguir foram produzidos a partir das discussões do texto A Difícil arte de conviver, por meio do qual debatemos acerca dos conceitos de Ética, preconceito, intolerância e fundamentalismo.

Boas leituras!

____________________________________________________________________________________________

Texto 01 – Alice Juliana e Marcela Silveira- 3º B – Salesiano Dom Bosco

   Desde o princípio da Humanidade,viver em grupo é uma tarefa complicada. As diferenças vem testando os indivíduos em seu comportamento, caráter e moralidade. A tolerância é uma prática de base ética que deve ser incentivada de maneira constante.
   Em determinadas circunstâncias, o ser humano é egoísta por natureza, tem uma tendência natural de repulsa ao diferente, a tudo aquilo que entra em conflito com seus interesses pessoais, criando um conceito equivocado em relação ao outro. Esse ato gera o preconceito( opinião ou sentimento que apresenta valor crítico), este anda em conjunto com uma generalização irracional e cultural, que frequentemente acaba levando à intolerância e, consequentemente,  à falta de respeito.
   Um debate ou discussão não passa de uma exposição de ideias. Segundo Fernando Pessoa “Sê tolerante, porque não tens a certeza de nada”, portanto pontos de vistas distintos não anulam a possibilidade de correlação. Um fundamentalista, por mais que tenha argumentos base para concretizar uma defesa, não deve ser desrespeitoso, afinal o que é certo para um pode ser errado para o outro e isso está dentro do direito de cada um, devendo ser compreendido e aceito, independente de fazer jus ou não à sua forma de pensar.
   Desse modo,é fato a necessidade de criar e se fazer cumprir mais leis que trabalhem a igualdade e respeito ao próximo, para que sejam quebrados tabus e paradigmas de uma sociedade ultrapassada, que mesmo consciente não respeita as diferenças.
____________________________________________________________________________________________
Texto 02 – Clarisse Gomes e Rana Carvalho, 1º A – Colégio São José 

   Na atualidade, as pessoas estão habituadas a julgar e formar opiniões precipitadas a respeito de grupos sociais e crenças. As opiniões alimentam o imenso círculo vicioso do preconceito e da intolerância. Todos os dias, indivíduos pertencentes a grupos de crenças e visões diferentes das do mundo são hostilizados, humilhados e ofendidos por intolerantes, os quais não aceitam outra realidade além da sua.

A falta de ética no mundo, causada pelo egoísmo humano, têm gerado não só discussões e brigas entre as pessoas, mas também guerras, por diversas questões, como, por exemplo, a religiosa. Essa questão religiosa tem como base o fundamentalismo, o qual anda de mãos dadas com a intolerância. Esse conceito conservador e integralista enfatiza que somente certa ideia é correta e que todos aqueles que discordarem devem ser eliminados.

A generalização e a categorização, geradas pelo preconceito social, também são grandes inimigas para nossa sociedade. Afinal, não podemos julgar todo o grupo, o qual tem uma característica única, só porque um componente cometeu algo que é discriminado em nossa sociedade. Comentários como: ”toda mulher é sensível” ou “todo gay é baixo astral” devem ser erradicados do nosso meio.

É necessária a conscientização das pessoas, que possa levá-las a entender que os conceitos de ética, tolerância e respeito são fundamentais em nosso posicionamento para com o nosso próximo. Precisamos repensar nosso comportamento na sociedade moderna e tolerar a existência do diferente.

____________________________________________________________________________________________

Texto 03 – Berman Benjamin Friedrich dos Santos Schultz e Luiz Felipe Viana Menezes Nascimento – 3º A –  Salesiano Dom Bosco

 

A convivência em sociedade é pauta de grandes discussões desde a Era Socrática. No decorrer da história, o homem sente a necessidade de um bem comum que se sobreponha às vontades individuais, logo, agrupando-se em comunidade e evoluindo suas relações em comunhão. Associado ao crescimento dessa ideologia de vida em comum respeitosa, resiste também uma frente fundamentalista e intolerante que nega outras opções de avanço.

Segundo Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, assim foi visto como necessário o desenvolvimento de um conjunto de valores morais para extinção do instinto humano, dito como maléfico à evolução social, em prol do bem comum. Iniciava ali o que atualmente chamamos de ética. Atualmente, a ética varia de acordo com a cultura de um povo, e essa condição mutável da ética contemporânea exige respeito e compreensão perante o outro.

Porém, em meio a tanto avanço, existe uma parcela que resiste e apoia um conceito imutável, disseminada de geração a geração e dando como resultado discursos intolerantes que ferem os valores morais. A essas pessoas que atuam nessa parcela denominamos de fundamentalistas. Essa persistência no erro não abre espaço para a diversidade, categorizando o diferente para submetê-lo às margens da sociedade.

A oposição da prática fundamentalista ao conjunto de preceitos éticos restringe ao praticante a capacidade de tolerar e de aceitar a quebra de seu paradigma. Em meio a tanta evolução e liberdade de expressão, o diálogo é a maior arma contra essa categorização, usando dos limites e da ética para construir uma relação harmoniosa em que mesmo com o pensamento diferente, o bem comum supera o pensamento individual.

____________________________________________________________________________________

Texto 04 – Yasmin Ramos – 1º C – Colégio São José

Irracionalismo contemporâneo

Há diversos problemas na sociedade contemporânea, entre eles estão a intolerância, o preconceito e o fundamentalismo. A partir destes comportamentos podemos citar acontecimentos que oscilam de assédios pela rua à guerras civis. Historicamente falando, é notório que com o passar dos anos esses problemas vêm se agravando.
As minorias aos poucos estão ganhando seu devido espaço, lutando pelos seus direitos a fim de combater a opressão. A comunidade militante usufrui de toda tecnologia que a modernidade oferece, sem medo e vergonha do que é, luta por uma sociedade igualitária.
Infelizmente, a batalha para ter o que é seu por direito é levada há séculos. A ideia de que as pessoas têm que implorar ou na maioria das vezes morrer para ter respeito (ou ao menos tentar), é esdrúxula. O desrespeito não deveria existir, por qualquer motivo que seja.
O fundamentalismo é um dos maiores obstáculos enfrentados para obter igualdade. Desconhecer o diferente é normal, porém desrespeitá-lo por motivos banais é desumano. Certamente a comoção das massas e da mídia está virando o jogo, e trazendo à tona a comunidade que por tanto tempo se escondeu.
A difícil arte de conviver implica nisso. Lidar com as diferenças e saber que existem realidades diversas e todas merecem reconhecimento e respeito. Só há conscientização com o conhecimento dos que lutaram e lutam até hoje pela paz.

___________________________________________________________________________________________

Texto 05 – Carolina Lago e Isadora Lemos – 3º B – Salesiano Dom Bosco 

A difícil arte de conviver

A ética reflete sobre os valores morais, baseada no bem viver, buscando virtudes em prol da decência. Esta pode garantir a renovação da moral e cada autor estabelecerá seus princípios. Ser ético envolve, diante de qualquer situação, ser flexível e tolerante, valorizando o bem comum.

O tema abordado é caracterizado pelo ciclo do ódio. Agravando os fenômenos constantes de intolerância entre indivíduos de um mesmo cenário social. A sociedade mostra-se nitidamente intolerante por conta da falta de aceitação ou compreensão em relação a algo divergente do seu ponto de vista, ideia ou cultura presente. Logo, esta temática está diretamente ligada ao fundamentalismo, movimento historicamente contrário ao liberalismo. Uma vez que não se aceita ideais opostos e seus seguidores apresentam discursos dogmáticos, pois sua fala é exposta como única verdade, sem aceitar contestações.

Conviver não é uma tarefa fácil e exige o conhecimento prévio de tolerância; atitude fundamental para o bem estar social, consistindo na disposição de reconhecer nos outros, seus modos de pensar, agir e  sentir  diferente dos nossos. Sem sofrer danos, pois baseia-se na nossa capacidade de aceitação das divergências, consequentemente conseguindo lidar com ódio.

Urge, portanto, a necessidade de se valorizar os conceitos éticos para aprender a viver em proximidade, tendo relações cordiais, assim, vivendo e convivendo em harmonia. Aceitando as diferenças do cenário atual, marcado pela diversidade, sejam elas de etnias, povos, identidades ou representações.

__________________________________________________________________________________________

Texto 06 – Maria Guida e Rute Soares -2º B – Colégio São José.

    A ética envolve um conjunto de valores morais que guiam a sociedade, mas ela não é só composta pelas regras, é algo além disso, a reflexão sobre as mesmas, levando em conta se elas tem fundamento ou não. Ética tornou-se uma coisa rara? Como ser honesto no mundo onde desonestidade leva longe na carreira política?
     Na sociedade atual, conviver tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil de ser realizada. A cada mínima ação que é praticada no dia-a-dia, um pouco da intolerância com o outro é demonstrado. O filósofo Barunch Spinoza diz que o fato de gostar ou não vem de uma “energia” interna que aumenta sua potência ou diminui à medida que se gosta ou não de algo, apesar disso são as pessoas que decidem ser tolerantes ou não. Ser tolerante, é aceitar um elemento contrário aos seus ideais. É óbvio que os padrões morais se adequam as diversas culturas espalhadas no mundo, o que acaba gerando divergências e guerras entre povos.
     O preconceito baseia-se em ideias, opiniões pré-concebidas sobre algo, isso está arraigado em várias culturas e de várias formas diferentes, na maioria como preconceitos nefastos, como: racismo, nazismo, fundamentalismo e etc. Um caso bastante conhecido é o do grupo Al-Qaeda, fundamentalistas extremos que, ao quebrar regras éticas mundiais, “compraram” briga com governos poderosos, pois mataram e cometeram várias outras barbaridades com crianças, mulheres, homens e idosos.
     Se quisermos conviver em plena harmonia, deve haver respeito pelo diferente, mesmo que isso signifique se afastar dos nossos conceitos por um momento. E, apesar de obtermos um pequeno paradoxo, não tolerar a falta de ética é crucial, pois a liberdade do ser humano de se expressar é totalmente apoiada, desde que não interfira na liberdade ética de outros.
__________________________________________________________________________________________
Texto 07 – Lívia Santiago e Otávio Neto – 2º C – Colégio São José
    Na sociedade atual a intolerância e a falta de noção do bem comum prejudicam a convivência com a diversidade entre as pessoas. Geralmente, essa intolerância vem acompanhada de preconceito e muito fundamentalismo. Na imagem de apoio é possível notar que as pessoas mesmo sendo alvo de diversos casos de preconceito, utilizam seus fundamentalismos para maltratar as pessoas diferentes delas. Em uma atitude nada ética, como apresentada no texto, é possível que uma pessoa coloque suas prioridades acima da dos outros , tornando o convívio na sociedade conturbado e mais intolerante , levando a ideologias pejorativas sobre grupos e minorias.
    No texto há escrito que conviver em uma sociedade “exige uma dose cavalar de tolerância” e que é “quase um jogo de equilíbrio de pratos” , querendo dizer que as diferenças e a dificuldade de aceitação entre as pessoas junto com seus preconceitos não ajudam a criar uma convivência pacífica, completando a ideia da imagem, a qual mostra o ciclo do preconceito no maior estilo tinha que ser. Os direitos humanos ajudaram e muito a evitar a perseguição e permitir a liberdade de credo. Mas não são mais o suficiente, o ideal seria a criação de medidas educacionais, a diminuição da exposição da mídia e tempo para que as pessoas tomarem consciência que mesmo sendo diferentes, todos os seres humanos devem ser tratados iguais
_____________________________________________________________________________________________
Anúncios

Colégio São José – Ensino Médio 2018: a difícil arte de conviver.

0

Galerinha do Ensino Médio, seja muito bem vinda ao ano letivo 2018.

Para começarmos bem o ano letivo, vamos ouvir um pouco o mestre Rubem Alves:

https://www.youtube.com/watch?v=t6d4Ku4jpu4

Visualizar o vídeo Aprender a Aprender do YouTube

_________________________________________________________________________________________

Seja bem vindo(a) ao Direto do Ospyciu!

Este blog será a principal ferramenta de comunicação entre nós durante o ano letivo. Aqui, todas as aulas, vídeos, charges, textos de diversas fontes, entre eles os produzidos por aluno(a)s, estão/estarão disponíveis para você.

  Todas as publicações no blog, dedicadas às turmas do Ensino Médio , serão informadas através do nosso grupo no facebook:

ensinomediosaojosehistoria2018 

No referido grupo já há material publicado para você. Seja muito bem vindo(a)!

___________________________________________________________________________________________

 Iniciamos o ano letivo 2018 fazendo um convite à seguinte reflexão: a difícil arte de conviver.

Clique aqui e baixe o texto: Atividade A difícil arte de conviver História Colégio São José 2018

A seguir, instruções da nossa primeira atividade do ano (exclusivamente para as turmas do 1º e 2º anos):

Instruções da atividade:

1 – Aula 01: a partir de hoje, em casa, faça uma produção de leitura minuciosa do texto; faça, também, anotações, preparando-se para a discussão do mesmo.

2 – Aula 02:

  • Discussão do texto em sala.

3 – Aula 03:

  • Produção textual, em sala, a partir do tema e das discussões realizadas na aula 02;
  • Em dupla (livre escolha);
  • Valor –  Para o 1º ano: 1,0 (um) – (corresponderá à metade da nota da Parcial 1 da 1ª unidade). Para o 2º ano : 2,0 (dois) – (corresponderá à nota da Parcial 1 da 1ª unidade.

 

Grande abraço!

Sobre NOMOFOBIA: textos, charges e vídeos.

0

Texto 01:

Nomofobia (Vício em celular): Sintomas, Causas, Tratamento ♦

As novas tecnologias, assim como novos desafios e formas de comunicação, também nos trouxeram novas dependências (neste caso, o vício em celular) ou medos irracionais (perdê-lo ou sair sem ele) – Nomofobia.

O que é nomofobia?

Nomofobia é uma relativamente nova doença que pode ser definida como o medo de ficar sem celular, até mesmo pânico, caracterizando uma fobia de ficar sem celular.

E não é um transtorno para ignorar, porque pode ter consequências para a saúde. Entre os sintomas mais comuns, ansiedade e estresse de perder o telefone ou não ter cobertura de operadora de internet / WiFi para se manter conectado.

Vamos ver mais de perto o que é a nomofobia e o que fazer para detectar os primeiros sintomas da dependência excessiva no celular.

nomofobia sintomas causas tratamento

Os sintomas da nomofobia

Medo, ansiedade, estresse e ataques de pânico ao pensar em sair sem celular. Os sintomas podem levar a outros efeitos colaterais, como tremores, sudorese, tontura, dificuldade em respirar, náuseas, dor no peito, aceleração da freqüência cardíaca. São sintomas de dependência.

Causas do vício em celular

Esta dependência psicopatológica vai além de uma fobia simples, de modo que os remédios naturais, tais como anti-ansiedade podem não ser eficazes. Baixa auto-estima e dificuldades nos relacionamentos sociais são fatores de risco que podem causar nomofobia.

O vício no sistema de recompensa de redes sociais – como os likes de facebook, retuítes, views em vídeo de youtube, e ‘corações’ no Instagram – também pode ser um fator que contribui na dependência, pois é uma forma de obter pequenos prazeres psicológicos de forma fácil e rápida.

Tratamento para nomofobia / como perder vício no celular

Se você reage mal quando perde sua cobertura móvel ou simplesmente não têm wifi, e pode identificar algum dos sintomas acima, você deve consultar um especialista para fazer um diagnóstico preciso e pensar na ação oportuna para curar a dependência patológica no celular. A coisa mais importante é identificar o problema.

Sozinho, é possível tentar se ‘desviciar’ aos poucos, encontrando outros interesses que não sejam na internet, e tentando priorizar atividades offline e encontros sociais presenciais. E também, começar a considerar que não é necessário tirar foto de todos os momentos da sua vida para colocar em instagram, facebook, snapchat, etc.

Fonte: http://psicoativo.com/2015/12/nomofobia-sintomas-causas-e-tratamento.html

________________________________________________________________________________________

Texto 02:

Saiba o que é a ‘nomofobia’, quando o uso de tecnologias vira doença

O Instituto Delete, na UFRJ, trata brasileiros com dependência de internet. Para pesquisador, linha entre dependência e uso excessivo é tênue.

Por France Presse

 

A forte presença das tecnologias na vida moderna pode dificultar a identificação do problema (Foto: Free-Photos/Pixabay/CC0 Creative Commons)A forte presença das tecnologias na vida moderna pode dificultar a identificação do problema (Foto: Free-Photos/Pixabay/CC0 Creative Commons)

A forte presença das tecnologias na vida moderna pode dificultar a identificação do problema (Foto: Free-Photos/Pixabay/CC0 Creative Commons)

Como muitos de sua geração, o estudante L.L., 29 anos, ama computadores. Mas o apego à tecnologia começou a afetar os estudos, o trabalho, o relacionamento com a família e amigos. Virou uma forma de evitar as pessoas. Foi quando viu que precisava de ajuda (faça o teste e confira se também é hora de buscar ajuda).

L.L. sofre de dependência digital, ou nomofobia (do original “no mobile fobia”), uma patologia com consequências psíquicas, sociais e físicas.

Em setembro, ele iniciou o tratamento no Instituto Delete, o primeiro do Brasil especializado em detox digital e que presta atendimento gratuito.

Instalado no Instituto de Psiquiatria (Ipub) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Delete foi criado em 2013 pela psicóloga Anna Lucia King e desde então avaliou 800 pessoas com algum tipo de dependência tecnológica.

“Comecei a perceber que os pacientes tinham dependência de tecnologias como celular, computador. Uma dependência não natural, mas relacionada a algum transtorno”, conta Anna Lucia.

Os recém-chegados passam por uma triagem da equipe multidisciplinar do Delete e são submetidos a questionários para identificar a origem da dependência. Confira outras histórias de dependência digital.

“Fazemos uma entrevista psicológica. Depois o psiquiatra avalia se há algum transtorno relacionado. Pode ser transtorno de ansiedade, pânico, obsessão compulsiva, fobia social”, explica Anna Lucia, que cita WhatsApp, Facebook, Instagram e jogos on-line como as tecnologias com maior registro de dependência.

Tratar os transtornos relacionados – ou transtornos de base – pode exigir medicação. Além de problemas emocionais, a nomofobia também causa prejuízos físicos.

A fisioterapeuta Mariana King Pádua, que atende no Delete, explica que o uso prolongado de smartphones, por exemplo, causa tanta pressão no pescoço que faz a cabeça pesar de seis a dez vezes mais que o normal, devido aos longos períodos em que fica inclinada.

“A musculatura do pescoço não é preparada para sustentar essa carga”, explica.

O tratamento é oferecido durante algumas horas por semana e sua duração varia conforme o caso. Os pacientes são divididos em três categorias: consciente, abusivo e dependente.

Linha tênue

O objetivo do tratamento não é demonizar as tecnologias, mas fazer com que os dependentes aprendam a usá-las de forma saudável.

Exercícios, trocas de experiências e ensinamento da chamada “etiqueta digital”, ou seja, as boas práticas no uso das tecnologias, ajudam a transformar o uso abusivo em consciente.

Segundo o pesquisador e orientador especializado em Mídias Digitais no Delete, Eduardo Guedes, usar muito a tecnologia por si só não indica dependência, mas todo usuário dependente sempre a utiliza de forma exagerada.

“O uso abusivo é quando o virtual atrapalha o real, e você perde o controle. Esse nível de perda de controle é algo muito tênue”, explica.

Uso consciente

A forte presença das tecnologias na vida moderna pode dificultar a identificação do problema. Muitas vezes, o próprio usuário não percebe como a dependência afeta sua vida e precisa da interferência de pessoas próximas para procurar ajuda.

Foi o caso do estudante H.B, de 24 anos, levado pela mãe ao Delete, onde trata desde agosto a dependência em jogos de computador.

“Nem fui eu que notei [o problema]. A gente se acostuma com isso, é difícil largar”, conta.

A moderação é difícil de se alcançar em um mundo onde tecnologias como a Internet são onipresentes.

Segundo relatório da ONU sobre economia da informação, publicado em outubro, o Brasil é o quarto país mais conectado do mundo em número de usuários na Internet.

Após avaliação, pacientes são divididos em três categorias: consciente, abusivo e dependente (Foto: Rede Globo)Após avaliação, pacientes são divididos em três categorias: consciente, abusivo e dependente (Foto: Rede Globo)

Após avaliação, pacientes são divididos em três categorias: consciente, abusivo e dependente (Foto: Rede Globo)

O informe “Economia da Informação 2017: Digitalização, Comércio e Desenvolvimento”, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), mostra que em 2015 o país tinha mais da metade da população (120 milhões de pessoas) conectada à Internet, atrás de China (705 milhões), Índia (333 milhões) e Estados Unidos (242 milhões).

As atividades principais dos brasileiros se relacionam à comunicação (85%), como o envio de mensagens pelo WhatsApp e o uso de redes sociais como Facebook, Instagram ou Snapchat (77%), segundo o Comitê Gestor de Internet no Brasil, encarregado da utilização e desenvolvimento da web no país.

No Brasil, a nomofobia ainda é um tema relativamente novo, mas Coreia do Sul, Japão e China já consideram essa dependência um problema de saúde pública e têm centros de reabilitação.

Pacientes e terapeutas do Delete acreditam ser possível viver em harmonia com as tecnologias.

“Estou melhorando, fazendo exercícios. O problema do uso intensivo da Internet é que você acaba deixando outras áreas da vida desguarnecidas”, diz L.L.

Anna Lucia explica que o fim do tratamento não significa que os pacientes ficarão sem apoio.

“Muitos naturalmente deixam o grupo, mas fica em aberto. Quando acham necessário, eles podem voltar”, conclui.

Dependência em crianças

A pediatra Ana Escobar, colunista do Bem Estar, também explica sobre o uso excessivo de tecnologia — e lembra que o cuidado também vale para crianças. Confira:

________________________________________________________________________________________

Videos:

Nomofobia: Causas, Sintomas e Tratamento para vício em celular – 2 min

 

Nomofobia: o transtorno do século XXI

 – 7 min

 

Nomofobia .Filme de animação( vício dos telemóveis)

 – 2 min

 

Nomofobia

 – 9 min

Área de anexos
Visualizar o vídeo Nomofobia: Causas, Sintomas e Tratamento para vício em celular do YouTube

Nomofobia: Causas, Sintomas e Tratamento para vício em celular

Visualizar o vídeo Nomofobia: o transtorno do século XXI do YouTube

Nomofobia: o transtorno do século XXI

Visualizar o vídeo Nomofobia .Filme de animação( vício dos telemóveis) do YouTube

Nomofobia .Filme de animação( vício dos telemóveis)

Visualizar o vídeo Nomofobia do YouTube

 ____________________________________________________________________________________
Charges:

Terceirão Salesiano Dom Bosco 2018 : a difícil arte de conviver.

0

Parabéns a você que, com sabedoria e competência, chegou ao 3º ano!

Para começarmos bem o ano letivo, vamos ouvir um pouco o mestre Rubem Alves:

_________________________________________________________________________________________

Seja bem vindo(a) ao Direto do Ospyciu!

Este blog será a principal ferramenta de comunicação entre nós durante o ano letivo. Aqui, todas as aulas, vídeos, charges, textos de diversas fontes, entre eles os produzidos por aluno(a)s, estão/estarão disponíveis para você.

Todas as publicações no blog, dedicadas às turmas do 3º ano 2018 , serão informadas através do nosso grupo no facebook: terceiraodomboscohistoria2018. 

No referido grupo já há material publicado para você. Seja muito bem vindo(a)!

____________________________________________________________________________________________

A seguir, instruções da nossa primeira atividade do ano:

ATIVIDADE – A DIFÍCIL ARTE DE CONVIVER – História 3º ano 2018

Iniciamos o ano letivo 2018 fazendo um convite à seguinte reflexão: a difícil arte de conviver.

Instruções da atividade:

1 – A partir de hoje, em casa, faça uma produção de leitura minuciosa do texto; faça, também, anotações, preparando-se para a discussão do texto.

2 – Dia 1º/02:

  • Discussão do texto em sala.

3 – Dia 05/02:

  • Produção textual, em sala, a partir do tema e das discussões realizadas no dia 1º/02;
  • Em dupla (livre escolha);
  • Valor: 2,0 (corresponderá a parte da nota de AV 1 deste trimestre).
  • A produção textual será feita na folha anexa ao texto, portanto, você deverá trazê-lo no dia 05.

Grande abraço!

 

 

 

Sobre Dependência Digital

0

“Jovens e crianças são mais vulneráveis, diz Cristiano Nabuco de Abreu, porque só atingem a maturação total do cérebro a partir dos 21 anos e, com isso, demoram mais a desenvolver funções como o “freio comportamental” – por meio do qual seria possível evitar situações de risco ou atos por impulso.
Uma das preocupações dos especialistas é o acesso precoce aos gadgets. “Muitos pais entregam o celular ou o tablet ao filho, usam os dispositivos como babá eletrônica, e acham bonito. Mas quanto mais precoce esse contato, mais chances de atraso no desenvolvimento da criança”.


O caso mais chocante que Nabuco atendeu foi o de uma mãe descrevendo que o filho não almoçava e não dormia, por exemplo, sem estar com o celular. “O problema maior era quando eles iam ao shopping, o menino largava a mão dela e corria para balconistas nas lojas para pedir colo e então acessar o teclado dos computadores que ali estavam. Sabe quantos anos ele tinha? 2 anos e 4 meses”.

Vício em celular chega a consultórios e já preocupa médicos no Brasil

  • 16 novembro 2017
Equipe responsável por atendimentos e pacientes no Hospital das ClinicasImage captionParte da equipe responsável por atendimentos (de frente, na imagem) e pacientes do grupo de terapia do Hospital das Clinicas da USP | Foto: Gui Christ/BBC Brasil

Desde a morte do pai, em 2013, *Mariana lutou contra a depressão e viu o quadro piorar ao mergulhar por horas a fio no Facebook. “Era como uma fuga, uma anestesia para esquecer problemas”. Significava também “procrastinar tarefas da casa e os estudos”. “Checava o celular o tempo inteiro. Estava viciada”.

Já na vida de *Luísa, 47 anos, o smartphone entrou como alternativa para relaxar à noite, após um longo dia de trabalho. Em poucos anos, virou o centro de conflitos com as filhas e o marido. “Reclamavam que eu tinha virado um zumbi, que fingia prestar atenção em conversas quando, na verdade, estava pensando em algo que li ou esperando mais uma curtida no Instagram. Era capaz de debater temas no Facebook, mas não conversava com minhas filhas”, disse Luísa à BBC Brasil.

A dependência tecnológica, que inclui o “uso abusivo” da internet, redes sociais, jogos e celulares, não é dimensionada no Brasil, mas já chega como problema a especialistas.

“Não existe nenhum órgão dizendo que há uma preocupação nacional sobre isso, mas diferentes segmentos observam que a tecnologia de forma excessiva começa a criar problemas recorrentes. Há aumento de queixas de pacientes nos hospitais universitários, nas clínicas de psicologia, de psiquiatria e em escolas”, diz o PHD em psicologia e coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Cristiano Nabuco de Abreu.

Segundo especialistas, não é o tempo de uso que define a dependência, mas a relação do usuário com a tecnologiaDireito de imagemGUI CHRISTImage captionSegundo especialistas, não é o tempo de uso que define a dependência, mas a relação do usuário com a tecnologia

Destaque para o Brasil

O Brasil tem 120 milhões de usuários de internet, o quarto maior volume do mundo, atrás de Estados Unidos, Índia e China, mostra relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Em 2016, o país foi considerado o segundo que mais usa o WhatsApp, em um levantamento do Mobile Ecosystem Forum (MEF). O primeiro lugar ficou com a África do Sul.

Embora não haja indicadores de quantos, em meio a esse batalhão, são considerados dependentes, estudos dão pistas sobre os riscos.

Uma pesquisa que a consultoria Deloitte divulgou em outubro sobre o uso de celular no dia a dia do brasileiro – com 2 mil entrevistados – mostra, por exemplo, que dois em cada três pais dizem acreditar que seus filhos usam demasiadamente o smartphone. Mais da metade dos que estão em um relacionamento veem excessos por parte dos parceiros e 33% admitem ficar online de madrugada para ver mídias sociais.

“Temos, comparativamente a outros países, uma quantidade de tempo de uso da tecnologia bastante expressiva e aumentando”, alerta Nabuco, também autor do livro Internet addiction in Children and Adolescents (em tradução livre: O vício em internet entre crianças e adolescentes).

Cristiano Nabuco de AbreuImage captionCristiano Nabuco de Abreu, do Hospital das Clínicas da USP: “Tecnologia de forma excessiva começa a criar problemas recorrentes” | Foto: Gui Christ/BBC Brasil

“Detox digital”

A preocupação vai além, no entanto, do tempo gasto. Se concentra, principalmente, na relação do usuário com esse tipo de ferramenta, diz Eduardo Guedes, pesquisador e membro do Instituto Delete – primeiro núcleo do Brasil especializado em “desintoxicação digital” na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Essa relação, segundo ele, pode ser dividida em uso consciente, quando o virtual não atrapalha a vida real; uso abusivo, quando atividades online são priorizadas em detrimento das offline; e uso abusivo dependente, quando o virtual atrapalha o real e há perda de controle.

O Instituto pesquisa o impacto das tecnologias desde 2008 e já ofereceu atendimento gratuito a cerca de 500 pessoas, nem todas com dependência diagnosticada.

Frases como “desliga o computador e vai dormir”, “sai do Face e vai trabalhar”, “fecha o WhatsApp e come o jantar” e “larga o celular para não bater o carro” são usadas para chamar a atenção no site que divulga os serviços.

Redes sociaisDireito de imagemGETTY IMAGESImage captionSensação de prazer gerada por hormônios quando o usuário está nas redes sociais atrai, mas também pode ser fator de risco

Narcisismo?

A sensação de prazer despertada nos usuários é uma das possíveis explicações para a dependência. “Falar de si gera um prazer equivalente a se alimentar, ganhar dinheiro ou fazer sexo. E em 90% do tempo as pessoas estão falando de si nas redes sociais, com feedback instantâneo”, complementa Guedes. “Em uma conversa normal, em 30% do tempo normalmente se fala sobre si”.

Os dados são de uma pesquisa da Universidade de Harvard segundo a qual esse comportamento gera um mecanismo de recompensa no cérebro, graças à liberação de dopamina, além de endorfina, ocitocina e serotonina, hormônios ligados ao prazer.

Mas esse prazer é temporário, observa Guedes. “E vira problema quando passa a ser a fonte exclusiva de prazer, quando a pessoa passa a viver para postar a foto e deixa de aproveitar o momento”.

Gianna Testa, integrante da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), explica que o “sistema de recompensa” do usuário é muito afetado por estímulos – ou pela ausência deles – criados pelo reconhecimento virtual nas redes sociais, como medida de aceitação e sucesso.

O efeito seria comparável ao da dependência de substâncias químicas no sistema nervoso central.

“Hoje é muito claro em adolescentes, por exemplo, o quanto a autoestima depende do número de curtidas, do sucesso que eles têm nas redes sociais”, observa a especialista, também sócia da ASEAT, uma assessoria de segurança e educação em alta tecnologia, de Brasília.

Internet e TecnologiaImage captionSegundo especialistas, problema surge quando internet e tecnologias passam a ser as fontes principais ou exclusivas de prazer | Foto: Gui Christ/BBC Brasil

Como medir o vício?

Segundo Guedes, um conjunto de cinco critérios são observados para avaliar se o uso da tecnologia deixou de ser saudável. O primeiro deles mede quão importante o celular se tornou para trazer a sensação de “refúgio de prazer ou segurança”. Quanto maior a importância da ferramenta, mais grave a condição do usuário.

“Uma pessoa que terminou um casamento, que está com baixa autoestima, por exemplo, muitas vezes posta uma foto e isso ajuda a melhorar. É um gatilho positivo. Mas, se ela só trabalha a autoestima por meio da rede, isso pode gerar isolamento, desprezo pelas relações na vida real e até depressão”, exemplifica. Em tímidos, o uso abusivo pode levar à fobia social.

Outro termômetro é a relevância da tecnologia no dia a dia. Ir ao banheiro ou para a cama, por exemplo, e levar o celular junto pode parecer inofensivo, mas, em alguns casos, indica distúrbio.

Tratamentos não têm como objetivo proibir a tecnologiaImage captionTratamentos não têm como objetivo proibir a tecnologia, mas estimular um uso mais moderado e o desenvolvimento de outras atividades | Foto: Gui Christ/BBC Brasil

Outros dois indicadores na avaliação do vício são se a pessoa tolera eventos ou ambientes em que terá de ficar desconectada e se, em caso de “abstinência” no uso do celular, a experiência se torna insuportável, com efeitos físicos e psicológicos sobre o indivíduo. Pacientes com o distúrbio relatam temor de ficarem distantes das redes e mau humor, mãos tremendo, ansiedade, agressividade e tristeza quando a falta da tecnologia se concretiza.

“Há também quem use tanto o celular que, quando está sem, ele precisa ter algo nas mãos, para ficar mexendo”, diz Guedes. Segundo ele, o efeito é semelhante ao vivido por ex-fumantes, que sentem a necessidade de movimentar uma caneta entre os dedos para simular os gestos que se acostumaram a fazer quando fumavam.

O quinto critério mede o quanto a dependência causa conflitos na vida real. É o caso, por exemplo, de filhos que reclamam a atenção dos pais dividida com a internet até que eles próprios começam a encontrar nas telas refúgio, gerando, em consequência, novos conflitos no ambiente familiar.

É algo que Luísa viveu e vive.

“Minhas filhas já não reclamam tanto de mim. Agora, eu é que reclamo delas. Mas isso quando não estamos todos mergulhados no celular, eu, meu marido e minhas duas filhas, cada um no seu mundo. Essa cena é comum na nossa casa, em restaurantes… Às vezes tento botar ordem na casa, pegar os celulares, mas não dura muito. Não tem atrapalhado estudos, carreiras, mas, sem dúvida, nossa vida familiar. Eu, por exemplo, frequentemente, deixo o celular embaixo do travesseiro e volto a ele assim que meu marido dorme. Sinto falta de ar, um certo nó na garganta quando estou longe do meu aparelho”, conta.

Dependência de jogosDireito de imagemGETTY IMAGESImage captionDependência de jogos e não só de internet e celular preocupa especialistas. Usuários relatam prejuízos com o vício e sintomas de abstinência

Jogos online

Não são só os dependentes de celular que estão sujeitos a esses sintomas. “Muito estresse, falta de concentração e uma ansiedade terrível” pegavam em cheio o estudante Antônio*, de 25 anos, quando tentava se livrar sozinho da vontade descontrolada de jogar.

O jogo virou parte da sua vida quando tinha 4 anos de idade. Movido por um espírito de competitividade “muito grande”, acabava fisgado por computador, celular, videogame e o que mais permitisse entrar na disputa. Ficou dependente.

“Não almoçava, não estudava e preferia ficar em casa”, diz. Para Antônio, o problema ficou evidente apenas quando pessoas próximas passaram a observar que “a convivência estava difícil” e o assunto virou “motivo de estresse”. E também de separação. “Eu jogava escondido da minha esposa, tinha dificuldade de conversar e nosso relacionamento acabou terminando”. O casal chegou a fazer terapia e reatou. Há um ano, teve o primeiro filho. Ele está na terceira tentativa de parar.

“80% dos indivíduos que são dependentes de videogame, de internet, apresentam depressão”, diz Nabuco.

Segundo o especialista, um grupo de estudiosos defende que a dependência tecnológica seria um sintoma secundário em um indivíduo que já tem depressão, transtorno bipolar de humor e fobia social.

Outros acadêmicos argumentam que embora haja a coexistência de outro transtorno psiquiátrico, estamos lidando, certamente, com uma nova “classificação diagnóstica”. Seria possível, portanto, que a tecnologia cause e não apenas agrave um problema.

Crianças mexe em celularDireito de imagemGETTY IMAGESImage captionEspecialistas apontam que crianças e adolescentes são mais suscetíveis a desenvolver dependência e alertam para a necessidade de controle

Jovens e crianças: público mais vulnerável

Jovens e crianças são mais vulneráveis, diz Cristiano Nabuco de Abreu, porque só atingem a maturação total do cérebro a partir dos 21 anos e, com isso, demoram mais a desenvolver funções como o “freio comportamental” – por meio do qual seria possível evitar situações de risco ou atos por impulso.

Uma das preocupações dos especialistas é o acesso precoce aos gadgets. “Muitos pais entregam o celular ou o tablet ao filho, usam os dispositivos como babá eletrônica, e acham bonito. Mas quanto mais precoce esse contato, mais chances de atraso no desenvolvimento da criança”.

O caso mais chocante que Nabuco atendeu foi o de uma mãe descrevendo que o filho não almoçava e não dormia, por exemplo, sem estar com o celular. “O problema maior era quando eles iam ao shopping, o menino largava a mão dela e corria para balconistas nas lojas para pedir colo e então acessar o teclado dos computadores que ali estavam. Sabe quantos anos ele tinha? 2 anos e 4 meses”.

A dependência mais comum entre os meninos é o uso de jogos eletrônicos. Nas meninas, principalmente adolescentes, a dependência de redes sociais é mais comum.

Gianna Testa, psiquiatraImage captionGianna Testa, psiquiatra, destaca a necessidade de envolvimento da família para controle do tempo e definição de uma rotina mais saudável | Divulgação

São Paulo e Rio oferecem tratamento gratuito

Em São Paulo e no Rio de Janeiro há atendimento gratuito para a população, no Hospital das Clínicas da USP e no Instituto Delete.

“O grande objetivo não é fazer com que as pessoas se livrem da tecnologia. O que a gente quer é que elas retomem o controle desse uso”, diz Nabuco, do Hospital das Clínicas.

Oito em cada dez pacientes, segundo ele, chegam ao final do tratamento sem sintomas. Os demais, muitas vezes reiniciam a terapia.

O tratamento envolve reuniões em grupo para conversas com psicólogos e psiquiatras e, se for preciso, o uso de medicamentos para combater transtornos associados à dependência.

No Instituto Delete, o método usado envolve desde a identificação das raízes do problema até a adoção de técnicas de respiração e “ressensibilização”. “O foco não é proibir o uso, mas criar estratégias para a pessoa ter prazer em atividades na vida real”, complementa Eduardo Guedes.

Eduardo Guedes, do Instituto DeleteImage captionEduardo Guedes, do Instituto Delete: Foco não é proibir o uso, mas estimular uma relação mais saudável entre a tecnologia e a “vida real”

A busca por mais equilíbrio envolve tratamento e também uma consciência maior do problema. Mariana* iniciou terapia para “desintoxicar”. Faz sessões em grupo por uma hora e meia, uma vez por semana. “Considero que percorri uns 40% desse caminho, em um processo lento e com recaídas”, calcula.

Um pesquisador do tema disse à BBC Brasil ter sido procurado por operadoras de telefonia celular que estariam preocupadas com o uso abusivo dos aparelhos e em busca de possíveis soluções.

Procuradas pela BBC Brasil, Claro, Oi, Vivo e TIM – as principais operadoras de telefonia no país – não confirmaram se planejam medidas como enviar mensagens a clientes para alertar sobre possíveis riscos do uso abusivo, assim como ocorre na indústria de cigarros e bebidas. Por meio do SindiTelebrasil, sindicato que representa o setor, afirmaram, no entanto, que “sempre defenderam o uso consciente desses serviços, respeitando a liberdade de escolha, as necessidades, convicções, crenças e hábitos de cada indivíduo”.

O Ministério da Saúde informou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral e gratuito para todos os tipos de transtorno mental, incluindo depressão e vícios em álcool e outras drogas, mas que não tem dados específicos sobre os problemas ligados à tecnologia.

*Os nomes reais dos pacientes entrevistados foram trocados para proteger sua privacidade.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41922087