A Ditadura da Beleza: textos e vídeos.

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Textos:

1 – Ditadura da beleza: a busca inatingível do corpo perfeito

https://www.psicologiasdobrasil.com.br/ditadura-da-beleza-busca-inatingivel-do-corpo-perfeito/

2 – Ditadura da Beleza

https://cafecomsociologia.com/ditadura-da-beleza/

Vídeos:

O Ser e a Aparência • Leandro Karnal

 – 4 min

 

O culto ao corpo – 6 min

 

5 Pessoas Obcecadas pelo Corpo Perfeito 2

 – 4 min

 

ESTE JOVEM FEZ VARIAS CIRURGIAS PARA SE PARECER A UM ALIEN + 5 CASOS REAIS

 – 6 min

 

Mundo Maior Repórter – Ditadura da Beleza – Parte 1/4 (11/10/2014)

 – 12 min

 

Mundo Maior Repórter – Ditadura da Beleza – Parte 2/4 (11/10/2014)

 – 12 min

 

Mundo Maior Repórter – Ditadura da Beleza – Parte 3/4 (11/10/2014)

– 13 min

Conexão Repórter 01/08/13 – A Obsessão – Parte 1

– 17 min

Conexão Repórter 01/08/13 – A Obsessão – Parte 2

– 10 min

Conexão Repórter 01/08/13 – A Obsessão – Parte 3

– 8 min

Conexão Repórter 01/08/13 – A Obsessão – Parte 4

– 7 min

Área de anexos
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O Ser e a Aparência • Leandro Karnal

Visualizar o vídeo O culto ao corpo do YouTube

O culto ao corpo

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5 Pessoas Obcecadas pelo Corpo Perfeito 2

Visualizar o vídeo ESTE JOVEM FEZ VARIAS CIRURGIAS PARA SE PARECER A UM ALIEN + 5 CASOS REAIS do YouTube

ESTE JOVEM FEZ VARIAS CIRURGIAS PARA SE PARECER A UM ALIEN + 5 CASOS REAIS

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Mundo Maior Repórter – Ditadura da Beleza – Parte 1/4 (11/10/2014)

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Mundo Maior Repórter – Ditadura da Beleza – Parte 2/4 (11/10/2014)

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Mundo Maior Repórter – Ditadura da Beleza – Parte 3/4 (11/10/2014)

Visualizar o vídeo Conexão Repórter 01/08/13 – A Obsessão – Parte 1 do YouTube

Conexão Repórter 01/08/13 – A Obsessão – Parte 1

Visualizar o vídeo Conexão Repórter 01/08/13 – A Obsessão – Parte 2 do YouTube

Conexão Repórter 01/08/13 – A Obsessão – Parte 2

Visualizar o vídeo Conexão Repórter 01/08/13 – A Obsessão – Parte 3 do YouTube

Conexão Repórter 01/08/13 – A Obsessão – Parte 3

Visualizar o vídeo Conexão Repórter 01/08/13 – A Obsessão – Parte 4 do YouTube

Conexão Repórter 01/08/13 – A Obsessão – Parte 4

Visualizar o vídeo ELES ADOTARAM UMA ÓRFÃ, MAS QUANDO A MÃE OLHOU SEU ROSTO MAIS DE PERTO, ELA VIU do YouTube

Nutricionista revela que Hulk Brasileiro tem quase 50 kg de músculo

– 3 min

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Sobre a IUGOSLÁVIA: origem, guerras étnicas e a desagregação.

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SLIDES:

SLIDES IUGOSLÁVIA

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Texto – Por que a Sérvia está no centro da principal crise política da Copa da Rússia?

https://www.bbc.com/portuguese/geral-44623419

shakiri

 

VÍDEOS

Iugoslávia
https://www.youtube.com/watch?v=FiXqYAgOEiU – 10min29 – 1941 a 1989
Guerra civil – 4min47
Kosovo  – 1998 – 99
SREBRENICA

El Genocidio Bosnio Musulmán

https://www.youtube.com/watch?v=kfYEC0nckSA – 3 min 39

Conflicto de Kosovo

Sentenças finais do massacre de Srebrenica

Srebrenica,Bosnia and Herzegovina, massacre performed by serbs

_________________________________________________________________________________________________

ARTIGOS _________________________________________________________________________________________

Perguntas & Respostas

Kosovo Independente

​http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/kosovo_independente/

IMAGENS _________________________________________________________________________________________

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The residents of Sarajevo take cover from sniper fire behind a United Nations Protection Force (UNPROFOR) armoured vehicle in this 1993 file photo. Genocide, siege and massacre are for many people in Bosnia more than just words on Radovan Karadzic's indictment. They represent years of suffering, dead friends and nightmares that will always haunt them. To match feature WARCRIMES-KARADZIC/LEGACY REUTERS/Danilo Krstanovic/Files (BOSNIA AND HERZEGOVINA)

The residents of Sarajevo take cover from sniper fire behind a United Nations Protection Force (UNPROFOR) armoured vehicle in this 1993 file photo. Genocide, siege and massacre are for many people in Bosnia more than just words on Radovan Karadzic’s indictment. They represent years of suffering, dead friends and nightmares that will always haunt them. To match feature WARCRIMES-KARADZIC/LEGACY REUTERS/Danilo Krstanovic/Files (BOSNIA AND HERZEGOVINA)

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Sobre o Aborto: textos e vídeos

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Texto 01 – Deputados argentinos aprovam legalização do aborto; projeto vai para o Senado

 
Texto 02 – 

ABORTO: ENTENDA TUDO SOBRE ESSA QUESTÃO

Vídeos:

O aborto permitido por lei no Brasil – 16 min

 

ABORTO: CÓDIGO PENAL – 13 min

 

O que a lei diz sobre o aborto e o que o STF pode decidir | Joseval Peixoto – 4 min

Aborto – 2 min

 

GREG NEWS com Gregório Duvivier | ABORTO – 22 min

 

Profissão Repórter – Aborto Clandestino 28/10/2014 – 25 min

 

CLANDESTINAS – Documentário sobre aborto no Brasil – 22 min

 

Como o budismo vê o aborto? | Monja Coen responde | Zen Budismo – 4 min

 

ARGENTINA DIZ “SIM” AO ABORTO – 7 min

 

Destruindo os argumentos abortistas – 11 min

 

ABORTO – 6 min

 

Dois Lados da Moeda: legalização do aborto no Brasil – 35 min

Sobre proibição, descriminalização e legalização das drogas no Brasil: textos e vídeos.

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Textos:

01 – PROIBIÇÃO, DESCRIMINALIZAÇÃO E LEGALIZAÇÃO: QUAL A DIFERENÇA?

http://www.politize.com.br/proibicao-descriminalizacao-e-legalizacao-qual-a-diferenca/

02 – A guerra de argumentos pró e contra a legalização da maconha

https://www.cartacapital.com.br/politica/a-guerra-de-argumentos-pro-e-contra-a-legalizacao-da-maconha-106.html

03 – Criminalização piora o problema das drogas, diz pesquisadora

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Vídeos:

Liberar, Descriminalizar ou Legalizar as Drogas?  – 5 min

 

O que mostra a descriminalização da maconha ao redor do mundo – 5 min

 

Drausio Varela fala sobre a legalização das drogas – 7 min

 

FHC fala sobre a DESCRIMINALIZAÇÃO DA MACONHA – 15 min

 

Descriminalização das drogas, violência e a população carcerária do Brasil – 14 min

 

Descriminalização das drogas: opinião de especialista e intelectuais – 14 min

 

Sobre a Redução da Maioridade Penal: texto e vídeos.

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Texto:

7 ARGUMENTOS A FAVOR E CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

Um dos temas mais discutidos atualmente na política brasileira, as regras da maioridade penal estão em debate permanente. Uma PEC que diminui a idade mínima com que uma pessoa pode ir para a prisão em caso de crimes hediondos – ou seja, uma redução da maioridade penal – chegou a ser aprovada pela Câmara em 2015 e hoje aguarda apreciação pelo Senado Federal.

Essa é uma discussão que tem se desenrolado ao longo de muitos anos e que envolve convicções muito enraizadas sobre responsabilidade individual e sobre a implementação de políticas públicas no país. Afinal, o que é melhor para o Brasil: manter a maioridade penal em 18 anos ou reduzi-la para 16 anos de idade? Para você poder formar uma opinião bem embasada, o Politize! vai te deixar por dentro desse debate, expondo argumentos de quem é contra e a favor de reduzir a maioridade.

Se você preferir, também pode conferir esse conteúdo em formato de vídeo:

Saiba mais: por que a maioridade penal no Brasil é aos 18 anos?

Por que argumentam a favor?

  • Porque adolescentes de 16 e 17 anos já têm discernimento o suficiente para responder por seus atos. Esse argumento pode aparecer de formas diferentes. Algumas apontam, por exemplo, que jovens de 16 anos já podem votar, então por que não poderiam responder criminalmente, como qualquer adulto? Ele se pauta na crença de que adolescentes já possuem a mesma responsabilidade pelos seus próprios atos que os adultos.
  • Com a consciência de que não podem ser presos, adolescentes sentem maior liberdade para cometer crimes. Pode ter sido o caso do garoto que matou um jovem na véspera de seu aniversário de 18 anos. Prender jovens de 16 e 17 anos evitaria muitos crimes.
  • As medidas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) são insuficientes. ECA prevê punição máxima de três anos de internação para todos os menores infratores, mesmo aqueles que tenham cometido crimes hediondos. A falta de uma punição mais severa para esses casos causa indignação em parte da população.
  • Menores infratores chegam aos 18 anos sem ser considerados reincidentes. Como não podem ser condenados como os adultos, os menores infratores ficam com a ficha limpa quando atingem a maioridade, o que é visto como uma falha do sistema.
  • A redução da maioridade penal diminuiria o aliciamento de menores para o tráfico de drogas. Hoje em dia, como são inimputáveis, os menores são atraídos para o mundo do tráfico para fazer serviços e cometer delitos a partir do comando de criminosos. Sem a maioridade penal, o aliciamento de menores perde o sentido.

Por que argumentam contra?

  • Porque é mais eficiente educar do que punir. Educação de qualidade é uma ferramenta muito mais eficiente para resolver o problema da criminalidade entre os jovens do que o investimento em mais prisõespara esses mesmos jovens. O problema de criminalidade entre menores só irá ser resolvido de forma efetiva quando o problema da educação for superado.
  • Porque o sistema prisional brasileiro não contribui para a reinserção dos jovens na sociedade. O índice de reincidência nas prisões brasileiras é relativamente alto. Não há estrutura para recuperar os presidiários. Por isso, é provável que os jovens saiam de lá mais perigosos do que quando entraram. [Nota: este parágrafo afirmava anteriormente que a reincidência no Brasil é de 70%, dado que se revelou impreciso.]
  • Prender menores agravaria ainda mais a crise do sistema prisional. Com mais de 600 mil presos ocupando algo como 350 mil vagas, a superlotação dos presídios aumentaria ainda mais com a inclusão de condenados entre 16 e 18 anos.
  • Porque crianças e adolescentes estão em um patamar de desenvolvimento  psicológico diferente dos adultos.  Diversas entidades de Psicologia posicionaram-se contra a redução, por entender que a adolescência é uma fase de transição e maturação do indivíduo e que, por isso, indivíduos nessa fase da vida devem ser protegidos por meio de políticas de promoção de saúde, educação e lazer.
  • A redução da maioridade penal afetaria principalmente jovens em condições sociais vulneráveis. A tendência é que jovens negros, pobres e moradores das periferias das grandes cidades brasileiras sejam afetados pela redução. Esse já é o perfil predominante dos presos no Brasil.
  • Tendência mundial é de maioridade penal aos 18 anos. Apesar de que muitos países adotam idades menores para que jovens respondam criminalmente, estes são minoria: estudo da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados revela que, de um total 57 países analisados, 61% deles estabelecem a maioridade penal aos 18 anos.
  • A Constituição preferiu proteger os menores de 18 anos da prisão – e isso não poderia ser mudado. O artigo 228 da Constituição diz que os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, ou seja, não podem ser condenados a prisão como os adultos. Existe um debate se esse dispositivo seria ou não cláusula pétrea – trecho da Constituição que não pode ser mexido.

E você, é contra ou a favor da redução da maioridade penal? Deixe sua opinião nos comentários e colabore com este debate!

Também te convido a expandir este debate em nosso conteúdo sobre pena de morte no Brasil.

Fonte: UOL

Publicado em 2 de julho de 2015. Atualizado em 24 de agosto de 2017.

Bruno André Blume

Bacharel em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e editor de conteúdo do portal Politize!.

Fonte: http://www.politize.com.br/reducao-da-maioridade-penal-argumentos/

Vídeos:

MAIORIDADE PENAL NO BRASIL

​ – 3 min
 

Maioridade Penal | Nerdologia – 7 min

 

LEANDRO KARNAL – Redução da maioridade penal reflete sentimento de vingança – 6 min

 

Redução da maioridade penal – 2 min

 

Argumento – Redução da Maioridade Penal – Magno Malta – 12 min

 

Referendo a favor da redução da maioridade penal – 2 min

 

Redução da Maioridade Penal – Quatro pontos de vista – 3 min

 

Entenda a proposta de redução da maioridade penal – 1 min

 

Redução da maioridade penal é a solução? | Redação NT – 13 min

Sobre Mulheres e o Islamismo: textos e vídeos

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Textos:

1 – AS MULHERES E O ISLÃ: ENTENDA O PAPEL FEMININO NO MUNDO MUÇULMANO

https://www.megacurioso.com.br/religiao/99226-as-mulheres-e-o-isla-entenda-o-papel-feminino-no-mundo-muculmano.htm

2 – No Dia do Muçulmano, mulheres explicam como é seguir o Islã no Brasil

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/05/1627905-no-dia-do-muculmano-mulheres-explicam-como-e-seguir-o-isla-no-brasil.shtml

 

Vídeos:

 

Fantástico – Mulheres são vistas como propriedades dos homens no Líbano – 29/06/2014

– 10 min

 

Conexão Repórter (21/06/15) – A Marca de Alá – Parte 1 – 15 min

 

Conexão Repórter (21/06/15) – A Marca de Alá – Parte 2 – 15 min

 

Conexão Repórter (21/06/15) – A Marca de Alá – Parte 3 – 24 min

 

Histórias de mulheres muçulmanas em Porto Alegre – 9 min

 

Como vivem as mulheres no mundo islâmico | Plinio Gomes – 2 min

 

O uso do véu no mundo árabe | Plínio Gomes – 2 min

 

Nossa ignorância em relação ao Islã | Plinio Gomes – 2 min

 
 








Sobre a Crise Humanitária no Mianmar: texto e vídeos

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A CRISE HUMANITÁRIA NO MIANMAR: VIOLÊNCIA CONTRA OS ROHINGYAS

Estupa de ouro Shwedagon Paya, em Yangon (Peter Macdiarmid/Getty Images)

mianmar

A República da União de Mianmar é um país localizado no sul do continente asiático, que possui fronteiras com Bangladesh, Índia, China, Laos e Tailândia. Essa variedade de vizinhos proporcionou ao Mianmar um vasto contato com diferentes grupos étnicos, permitindo a inclusão dessa diversidade no seu território. A princípio, parece algo bom, certo? No caso do Mianmar, esse “mix cultural” não ocorreu de maneira pacífica, o que resultou em conflitos entre grupos étnicos de classes dominantes e minorias. Esses conflitos internos acontecem há décadas e até hoje não foram resolvidos. Entenda o motivo neste artigo!

Foto: Britannia Escola

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O MIANMAR

A nível mundial, o Mianmar possui uma das maiores diversidades étnicas, contabilizando 135 etnias apenas em seu território, com aproximadamente 52 milhões de habitantes. Em razão disso, desde 1948, quando conquistou sua independência dos britânicos, foi palco para uma série de conflitos entre o governo central e grupos minoritários, que buscavam formar Estados separados ou autônomos.

No sul e sudeste asiático, a religião compõe uma peça central da sociedade, por vezes  influenciando processos políticos. A religião principal do Mianmar é o Budismo, representado por 87,9% da população. Em seguida, aparecem os cristãos, que somam 6,2%. Os muçulmanos, animistas e hindus compõem 4,3%, 0,8% e 0,5% respectivamente, de acordo com o Ministério do Trabalho, Imigração e População do Mianmar.

A população budista ‘bramá’ ou ‘birmane’, por ser o maior grupo étnico no país, domina o campo político-econômico, possuindo uma série de benefícios. Ao longo da formação do país, esse grupo exerceu sua influência inúmeras vezes para defender seus interesses. Assim, conflitos entre o governo central e grupos étnicos com menor representatividade, como os muçulmanos Rohingyas, tornaram-se comuns.

Leia mais: o que é genocídio?

MIANMAR: UM PAÍS RUMO À DEMOCRATIZAÇÃO

Estupas e templos budistas em Bagan (Thinkstock)

mianmar

Desde a independência em 1948, conflitos separatistas na então chamada Birmânia foram responsáveis por uma grande instabilidade política que culminou na instalação e manutenção de um regime ditatorial. Em 1962, um golpe comunista depôs o governo civil e instalou um governo militar que permaneceu no poder até 2016.

Em um contexto de precarização da economia, violência policial e escândalos de corrupção, um movimento que viria a ser conhecido como Revolta 8888 tomou forças, encabeçando a luta pela redemocratização do país. Em resposta aos protestos, o governo passou a aplicar a Lei Marcial, utilizando-a para retaliar os efeitos do movimento pró-democracia – o que gerou um total de 3 mil pessoas mortas.

Além disso, o governo militar mudou o nome do país de Birmânia, como era chamado pelos colonizadores ingleses antes da independência, para Mianmar. A mudança tinha como objetivo representar uma ‘libertação’ do passado colonial, mas ambos os nomes possuem a mesma origem: o nome da etnia dominante do país, Bramá.

Devemos destacar, porém, os efeitos políticos dessa mudança. Até hoje, os simpatizantes do regime militar usam o nome Mianmar, enquanto aqueles engajados em uma luta pró-democracia continuam usando o nome Birmânia, por não acreditarem que um governo ilegítimo possa fazer uma mudança tão grande quanto a do nome do país.
Em decorrência da pressão nacional e internacional, em 1990 os militares promoveram eleições diretas para formação de uma Assembleia Constituinte. O que eles não esperavam era que o partido NLD (da sigla em inglês Liga Nacional pela Democracia) conseguiria 475 das 485 cadeiras para a Assembleia.

Aung San Suu Kyi, líder do NLD, foi uma figura importante nesta conquista. Filha única do general Aung San, herói da independência birmanesa, Suu Kyi acabou se envolvendo na luta pelo fim da ditadura militar por acaso, pois até então morava em Oxford, na Inglaterra, e havia retornado ao Mianmar para cuidar de sua mãe doente.

Os militares, revoltados com o resultado, anularam a eleição e condenaram Suu Kyi a 20 anos de prisão. Por conta de sua luta e resistência, ela ganhou o Nobel da Paz em 1991.

Apenas em 2008, após os protestos antigovernamentais chamados de Revolução do Açafrão, o país iniciou uma suposta abertura gradual, prometendo uma nova Constituição popular a ser aprovada por meio de um referendo. Porém, os militares estipularam um dispositivo legal que impedia que mães de filhos estrangeiros, ou de dupla nacionalidade, disputassem a Presidência. Essa era precisamente a situação de Suu Kyi, mãe de dois meninos que nasceram em Londres.

Em 2015, novas eleições elegeram o candidato Htin Kyaw, do partido de Suu Kyi. Em contrapartida, Htin Kyaw empossou Suu Kyi como ministra de Relações Exteriores, cargo que está hierarquicamente acima do Presidente no Mianmar. Dessa forma, foi instalado o primeiro governo civil no país após 54 anos de governo militar.

Democratização seletiva?

Apesar do processo de democratização tomar forma no país, a situação não tem melhorado para os Rohingyas e as demais minorias étnicas. Desde 2012, ondas de violência orquestradas por grupos extremistas de maioria budista no estado de Rakhine deixaram mais de 10 mil mortos, milhares de casas e edificações muçulmanas destruídas e milhares de refugiados deslocados para países vizinhos.

Essas perseguições são associadas principalmente aos grupos nacionalistas Movimento 969 e Exército Democrático Budista dos Karen, compostos majoritariamente por monges autodenominados ‘budistas radicais’. Apesar de se dizerem absolutamente contrários à violência e levarem em seus nomes menções às virtudes de Buda, seus discursos têm servido de base para atos violentos ao definir os muçulmanos como ‘o inimigo’ contra quem se deve lutar para a proteção de uma nação budista.

Vale ressaltar que a etnia e a religião destes povos não são históricamente conflitantes. De acordo com Juliane Schober, diretora do Centro de Pesquisa Asiático e professora de Estudos Religiosos da Universidade de Arizona, o que tem levado a relação entre eles a um conflito desta proporção é a associação de privilégios políticos para um grupo predominante, de forma a segregar os demais.

POR TRÁS DOS REFUGIADOS NO MIANMAR: QUEM SÃO OS ROHINGYAS?

A fim de analisar os acontecimentos recentes, é necessário entender que os Rohingyas têm sido marginalizados desde antes da independência do Mianmar e que nunca alcançaram os mesmosdireitos que os demais cidadãos do país.

Os Rohingyas representam cerca de 3 milhões dos 60 milhões de habitantes do Mianmar e são predominantemente encontrados no Estado de Rakhine, anteriormente conhecido como Arakan, no oeste do país. Suas origens são difíceis de serem traçadas, pois os eventos que levaram a expansão do islamismo ao Mianmar ainda são desconhecidos. Existem, porém, duas teorias principais sobre sua chegada: são indígenas do Estado Rakhine ou são bengalis que chegaram através da expansão do comércio muçulmano datada de cerca do século VIII d.C.

Já em 1948, o governo central recentemente independente dos Britânicos aprovou uma lista de etnias reconhecidas oficialmente – lista essa que excluía os Rohingyas.

A partir dos anos 70, os efeitos do governo militar birmanês intensificou ainda mais a onda de perseguição às minorias não reconhecidas, afetando radicalmente a comunidade Rohingya. Durante as décadas de 1960 e 1970, estouraram várias rebeliões e persistiram as tensões entre a maioria budista e as minorias hinduísta, muçulmana e cristã por todo o país. O governo central (dominado por budistas bramá), percebendo a diversidade como uma ameaça ao seu poder, não só negligenciou a demarcação de novas fronteiras, mas também restringiu a expressão étnica, política e social dos povos minoritários.

Desde então, os Rohingyas sofrem com a gradual supressão de direitos, tais como o acesso à cidadania (eles são apátridas), a proibição ao casamento, às viagens sem a permissão das autoridades, ao direito de possuir terra ou propriedade e de ensinar e suas próprias línguas étnicas. Todos esses fatores geram um clima de completo abandono por parte do Estado, o que resulta em desobediência civil e violência organizadas. Atualmente, o Estado de Rakhine é uma das regiões mais miseráveis do país, atingindo níveis de 78% de pobreza.

Para Tun Khin, ativista de direitos humanos e presidente da Burkinabé Rohingya Organization UK, a causa da perseguição exacerbada a esse grupo étnico deve-se ao fato de serem um alvo fácil para os ultranacionalistas do Myanmar: “Os Rohingyas são um grupo étnico diferente, eles têm uma aparência e religião diferentes”.

Essas longas décadas de isolamento criaram preconceito e ressentimento no Estado de Rakhine, o que têm fomentado um clima de desconfiança e desinformação que tornou tal segregação não apenas física, mas intelectual.

AS RECENTES AÇÕES E REAÇÕES INTERNACIONAIS SOBRE O MIANMAR

Nos últimos anos, atos violentos que aconteceram no Mianmar tornaram-se notícia mundialmente. Em maio de 2012, uma mulher foi violentada e assassinada por três muçulmanos. No mês seguinte, 10 homens muçulmanos foram mortos em um ônibus como forma de retaliação pelo crime cometido contra a jovem. O tema foi discutido em Assembléia Geral da ONU e os líderes de países muçulmanos, assim como o então Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, exigiram mais ações para dar um fim à violência.

Os atos violentos não terminaram em 2012! Em 2016, três estações da Polícia da Guarda de Fronteira foram saqueadas por muçulmanos. Mais eventos como esse ocorreram nos dias seguintes, desencadeando um estado de violência crescente. O governo do Mianmar criou novas comissões para monitorar e investigar as alegações de abuso de direitos humanos, entretanto, não houve resultados satisfatórios, uma vez que não são abordadas questões centrais de identidade e cidadania dos Rohingyas.

Aung San Suu Kyi recusa-se a discutir o assunto com profundidade, o que lhe tem rendido duras críticas da comunidade internacional,  inclusive, de companheiros vencedores do Prêmio Nobel da Paz. Em janeiro de 2017, 23 ativistas expressaram sua desaprovação em relação às medidas tomadas pelo governo de Suu Kyi em uma carta. Apesar das críticas, sua popularidade foi pouco prejudicada nacionalmente.

Desde agosto de 2017, quando os conflitos se intensificaram, a ONU calcula que aproximadamente 655 mil Rohingyas tenham se deslocado em busca de refúgio. Além dessa grande quantia de refugiados, calcula-se que mais de 300 mil já estavam na fronteira devido aos êxodos anteriores. As Nações Unidas consideram que a crise de refugiados no Mianmar é a pior desde a década de 1990, quando ocorreu o genocídio em Ruanda.

Em novembro de 2017, o Conselho de Segurança da ONU pediu que o Governo reduzisse o uso da força militar e da violência na região. A ONU considera que os conflitos constituem uma limpeza étnica, acusação que continua a ser negada pelos governantes. As Organizações Internacionais possuem pouco poder de ação sobre o país, mas a pressão para uma efetiva adoção dos direitos humanos continua.

O QUE O GOVERNO DO MIANMAR DIZ SOBRE O GENOCÍDIO DOS ROHINGYAS?

Povo Rohingya

Foto: BBC World Service

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O Governo do Mianmar tem uma difícil tarefa: reconciliar as demandas de 135 grupos étnicos. Não apenas os Rohingyas, mas outros grupos minoritários também sofrem discriminação. A marginalização afeta não somente o campo político e econômico, abrangendo também a privação de direitos à religião, linguagem e cultura.

Em 2017, durante a visita do Papa ao país, o chefe das Forças Armadas afirmou que ‘não há discriminação no Mianmar’, e parabenizou os militares pela ‘manutenção das organizações que tratam de direitos humanos’. O Governo – que nega repetidamente as acusações de genocídio – defende que os recentes ataques são uma resposta aos crimes cometidos contra soldados birmaneses. Em relação aos Rohingyas mortos, o governo alega que eram terroristas, sendo também responsabilizados pela destruição de suas próprias casas e vilas.

Para o Governo do Mianmar, o ato de ceder direitos às minorias seria ‘desvantajoso e perigoso’, uma vez que se tornariam uma ‘ameaça’ à população budista bramá. Alguns dos motivos que, para eles, sustentam a perseguição aos Rohingyas são:

  • A crescente taxa de natalidade desse grupo étnico;
  • A incompatibilidade da cultura Rohingya e budista bramá;
  • A crescente participação Rohingya nas atividades econômicas locais;
  • A ameaça à segurança no estado de Rakhine devido aos recentes conflitos na região.

É importante ressaltar que tais argumentos são baseados em motivações racistas e preconceituosas, utilizados pelo governo para justificar suas ações, influenciando fortemente a população birmanesa.

E COMO ESTÃO OS ROHINGYAS AGORA?

O principal local de destino dos refugiados Rohingyas, o Bangladesh, tem enfrentado dificuldades para acomodar o enorme fluxo de pessoas que chega diariamente ao país. Devido a essa situação, o Mianmar e Bangladesh estabeleceram, em 2018, um calendário para repatriar centenas de milhares de Rohingyas. O governo aceitou receber 1500 pessoas por semana, mas o número ainda é pequeno, estimando-se 10 anos para repatriar todos os refugiados. Como foi acordado entre os dois países, a repatriação deve ser sempre voluntária.

Mesmo assim, muitas famílias ainda sentem-se inseguras em serem repatriadas, uma vez que seus direitos à cidadania continuam a ser negados, sem qualquer garantia de segurança ou direito reservados. Dessa forma, a ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) defende que o retorno deva acontecer somente quando os refugiados sentirem-se seguros e protegidos.

Publicado em 12 de março de 2018.
Bruna Peter Rosa - Redatora
Bruna Peter Rosa
Aluna de Relações Internacionais na Universidade Federal de Santa Catarina.

 

Fonte: http://www.politize.com.br/mianmar-crise-humanitaria-contra-rohingyas/

 

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