Sobre ANARQUISMO

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ANARQUISMO: VOCÊ CONHECE ESSA IDEOLOGIA?

Foto: WikiCommons

anarquismo

Imaginamos que você já tenha visto esse A com um círculo em volta, todo “rabiscado”. Pois bem, esse é o símbolo da Anarquismo que, assim como o socialismo ou o liberalismo, é uma ideologia. Vamos entender o que significa ser anarquista?

O QUE É ANARQUISMO?

A palavra “anarquismo” tem origem na palavra grega anarkhia, que significa “ausência de governo”. O anarquismo é uma corrente de pensamento, uma teoria e ideologia política que não acredita em nenhuma forma de dominação – inclusive a do Estado sobre a população – ou de hierarquia e prega a cultura da autogestão e da coletividade.

Alguns dos valores defendidos pelos anarquistas são:

  • liberdade individual e coletiva, para o desenvolvimento de pensamento crítico e todas as capacidades individuais das pessoas;
  • igualdade – em termos econômicos, políticos e sociais, valor que inclui questões de gênero e raça;
  • solidariedade – a teoria anarquista só tem sentido se há entre as pessoas apoio mútuo, com colaboração e espírito de coletividade.

O anarquismo critica principalmente exploração econômica do sistema capitalista e o que chama de dominação político-burocrática e da coação física do Estado. Os anarquistas não buscam uma revolução política, mas uma revolução social, que parta da maioria da população, dos trabalhadores, da classe que sofre alguma forma de dominação. Sua ideia principal é a horizontalidade: um território em que não exista Estado, nem hierarquia e em que a população faça a autogestão da vida coletiva.

QUAIS SÃO OS PILARES DO ANARQUISMO?

Cada corrente de pensamento estrutura seus argumentos de formas variadas. A anarquista é conhecida principalmente por buscar um “governo de todos” e defender a ausência do Estado. Entenda quais são os pilares do anarquismo:

Crítica à dominação do Estado

O pilar mais conhecido da teoria anarquista é a crítica ao Estado e a crença em um território baseado na autogovernança. A crítica se estende a todo e qualquer tipo de sistema em que há Estado, dos que agem com intervenção mínima à máxima, dos mais autoritários aos mais liberais.

Existem duas formas de dominação, de acordo com a teoria anarquista: a do poder de decisão e da coerção física. A primeira consiste no que chamam de dominação político-burocrática, que seria responsável:

1) pela alienação política da maioria da população, que fez com que se estruturasse um sistema que permitiria só um pequeno grupo privilegiado adentrar o meio político e tomar decisões em nome da população – o que também critica a democracia representativa;

2) a existência de uma hierarquia entre os governantes e os governados, à qual os anarquistas se opõem, que é gerada por esse sistema de poder.

A segunda forma de dominação das classes dominadas seria o uso de coação física por parte do Estado, que além de poder fazer uso da força, tem seu monopólio. O anarquismo afirma que a força é utilizada pelo Estado quando sua legitimidade não é suficiente.

Crítica ao capitalismo

A ideologia anarquista critica o capitalismo, argumentando que esse sistema implica na exploração dos trabalhadores por meio dos proprietários dos meios de produção – uma reflexão similar às correntes socialistas.

O entendimento de exploração dentro do capitalismo para os anarquistas pode ser ilustrado com o seguinte exemplo exemplo: os donos de uma fábrica montadora de carros não trabalham montando os carros, mas pagam funcionários para prestar esse serviço. Logo, os proprietários são a classe dominante e os trabalhadores a classe produtiva – e dominada –, que trabalha a fim de transferir recursos ($) para a classe dominadora. A classe dominadora, por sua vez, se apropria de um excedente produzido pelos trabalhadores e lucra em cima de seu trabalho, o que caracterizaria a exploração, de acordo com Michael Schmidt e Lucien van der Walt.

Esse entendimento não é diferente num contexto de trabalho rural: acreditam que os proprietários de terra exploram o trabalho dos camponeses e, por isso, também fazem críticas às sociedades pré-capitalistas, cuja economia dependia do campesinato.

Crítica à dominação de gênero

Como é da identidade do anarquismo criticar qualquer forma de dominação, isso ocorre também quanto à dominação de gênero. A união de princípios anarquistas e feministas foi chamada de anarcofeminismo, que acredita na exploração da mulher pelo capitalismo por ele difundir o sexismo em suas instituições, desvalorizar economicamente o seu trabalho doméstico e reprodutivo, além de que os direitos adquiridos seriam válidos apenas a quem integrasse as classes dominantes. A luta do feminismo contra o patriarcado, o sistema social em que o homem é a figura referencial e de maior poder, só é vista como possível pelo anarcofeminismo com o fim do sistema capitalista.

A pensadora e militante anarquista Emma Goldman foi uma das fundadoras do anarcofeminismo e defendia, além desses seus princípios básicos, a liberdade da mulher de um jeito mais abstrato: “Busco a independência da mulher, seu direito de se apoiar; de viver por sua conta; de amar quem quer que deseje, ou quantas pessoas deseje. Eu busco a liberdade de ambos os sexos, liberdade de ação, liberdade de amor e liberdade na maternidade”, disse em 1857.

Já Lucy Parsons, anarquista estadunidense, considerada uma opositora das ideias de Emma Goldman dentro do anarcofeminismo, enfatizava que as mulheres seriam “escravas dos escravos” ao serem exploradas pelo capitalismo e sendo vítimas da dominação de gênero. Por isso, defendia também o protagonismo da mulher nessa luta.

Emma Goldman nujm protesto anarquista na Union Square, em Nova Iorque. 1916.

Foto: Domínio Público / WikiCommons

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COMO SURGIU O ANARQUISMO?

O anarquismo surgiu no século XIX, no contexto de expansão e fortalecimento do capitalismo ao redor do globo. Por conta da Segunda Revolução Industrial, integraram-se estruturas econômicas mundiais e foram consolidados os Estados modernos. A difusão das ideias racionalistas da Revolução Francesa, como a liberdade individual, de expressão e a igualdade em todos os sentidos contribuíram para o fortalecimento da ciência e no enfraquecimento da influência da religião. Outro fator importante foi o socialismo e o comunismo, cujos ideais trouxeram a classe trabalhadora para a linha de frente o protagonismo, o que também influenciou o anarquismo.

O surgimento do anarquismo ocorreu por meio da Associação Internacional dos Trabalhadores, localizada em Londres, na Inglaterra, na década de 1860. A ideologia foi inspirada principalmente nos pensamentos de Pierre-Joseph Proudhon, cujas ideias foram tidas como a base do pensamento dos trabalhadores europeus no século em questão. Entre 1868 e 1894, já havia se desenvolvido significativamente e também havia sido difundido globalmente e teve grande influência dentro dos movimentos operários até 1949. A ideologia teve cinco grandes ondas, que diferenciam a atuação do movimento no mundo e a sua influência até os dias atuais.

Foto: Banfield / WikiCommons

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COMO SERIA UM PAÍS ANARQUISTA?

Um país anarquista não teria um governo, nem qualquer forma de hierarquia e caberia ao povo fazer a autogestão política, em um autogoverno democrático. Haveria um poder político totalmente socializado e a substituição do Estado seria feita pelos conselhos: “representariam uma rede entrelaçada, composta por uma infinita variedade de grupos e federações de todos os tamanhos e graus, locais, regionais, nacionais e internacionais, temporárias, mais ou menos permanentes, para todos os objetivos possíveis”, como disse o teórico anarquista Kropotkin. Esse seria o modelo de autogestão anarquista, em que haveria a possibilidade da participação social ativa e efetiva em todas as decisões relativas à coletividade e à vida comum.

Grupos e associações livres formariam um conjunto de conselhos, com o objetivo de tomar as decisões local e democraticamente, com participação generalizada e ampla, controlando a execução dessas decisões e solucionando conflitos, reunindo todas as funções do que conhecemos como os “três poderes” – LegislativoExecutivo Judiciário. Essas esferas teriam a responsabilidade de discutir, deliberar e executar todas as tarefas relativas aos serviços públicos.

Uma sociedade anárquica teria uma grande noção de ética para a convivência em comunidade, em que todas as pessoas estariam envolvidas econômica, política, ideológica e culturalmente a fim de alcançar o bem comum. Os anarquistas defendem a socialização da propriedade privada dos meios de produção, o que implicaria na coletivização das máquinas, equipamentos, ferramentas, tecnologias, instalações, fontes de energia, meios de transporte, matérias primas, etc.

Uma sociedade fundada nos princípios anarquistas reorganizaria a produção “com base nas necessidades do povo”, como se fosse uma economia de subsistência, em que se produziria o necessário para viver, sem pensar em lucros ou excedentes. Como seria uma sociedade sem dominação e não-capitalista, os trabalhadores usufruiriam de todos os frutos de seu trabalho.

Você conhecia a ideologia anarquista? O que pensa dela? Deixe seu comentário!

Publicado em 28 de julho de 2017.

Carla Mereles

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), curadora do TEDxBlumenau e assessora de conteúdo do Politize!.

FONTE: http://www.politize.com.br/anarquismo/

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Vídeos (vários assuntos) – Canal Nerdologia

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Excelentes vídeos produzidos pelo professor Felipe Figueiredo!

Abolicionismo e fim da escravidão | Nerdologia – 9min

 

Fim da URSS | Nerdologia – 9 min

 

Zé Carioca e a Segunda Guerra Mundial | Nerdologia – 9 min

 

Oriente Médio | Nerdologia – 14 min

 

Guerra dos Seis Dias | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=ptTZKSpZn14

 

A Batalha de Dunkirk | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=i8Dj3yTsaYI

 

300 de Esparta | Nerdologia – 6 min

https://www.youtube.com/watch?v=BiD5Hqs9Q5w

 

Guerra Civil Espanhola | Nerdologia – 10 min

https://www.youtube.com/watch?v=ryBf8aNyJ6E&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=11

 

A chegada da família real no Brasil | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=Xf0yV7EXTMU&index=14&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Winston Churchill | Nerdologia – 8 min

https://www.youtube.com/watch?v=13Tos1JN_2Q&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=15

 

De quem é Jerusalém? | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=mDCS9hFLbQ0&index=16&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

O fim do Egito antigo | Nerdologia – 10 min

https://www.youtube.com/watch?v=2p0HUCfBfAE&index=19&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Assassinato de JFK | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=FNHPqEv6lmw&index=20&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

100 anos das Revoluções Russas | Nerdologia – 10 min

https://www.youtube.com/watch?v=z9cJRQ1y6jE&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=21

 

Brasil na Primeira Guerra Mundial | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=3kcX1we09t8&index=22&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

500 anos da Reforma Protestante | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=QkheKbaDZGs&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=23

 

Independência da Catalunha | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=UAL95bPIsOI&index=24&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Anos 80, a década perdida | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=NwGI0mtNRrY&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=27

 

Coreia Nuclear | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=OP1lAV1ID8M&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=28

 

Partição da Índia | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=-4Dby3uboVI&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=31

 

Guerra de Canudos | Nerdologia – 8 min

https://www.youtube.com/watch?v=69MTadaKjWk&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=32

 

Revolução de 1932 | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=fuqaeSRxlEc&index=34&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Ilhas Malvinas | Nerdologia – 8 min

https://www.youtube.com/watch?v=DHVtASope7E&index=44&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Tiradentes | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=wADmQiM8XZY&index=45&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Guerra da Bósnia | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=OppUkVeVd_k&index=51&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Uma ilha dividida | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=JKdJMpMLVLY&index=54&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Pearl Harbour | Nerdologia – 10 min

https://www.youtube.com/watch?v=kOz6qDG-T7U&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=61

 

Proclamação da República | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=4xSQkZ8jzeM&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=62

 

Guerra das Rosas | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=EuvHRp9aHOs&index=63&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Colômbia e FARC | Nerdologia – 10 min

https://www.youtube.com/watch?v=jor5RnEymCs&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=64

 

Eleições nos EUA | Nerdologia – 8 min

https://www.youtube.com/watch?v=9QjcRbXKr1U&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=65

 

Tibete | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=FJ4KMjciRNA&index=66&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Guerra dos Farrapos | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=XG6Ha_RZ7_0&index=67&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Guerra Aérea: WWI | Nerdologia – 8 min

https://www.youtube.com/watch?v=Cy0MPn337V4&index=68&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Onze de setembro | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=ul7qtxAMwNI&index=69&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Armas Nucleares | Nerdologia – 10 min

https://www.youtube.com/watch?v=mgaX6gd1F0E&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi&index=71

 

Duas Chinas | Nerdologia – 9 min

https://www.youtube.com/watch?v=0YBBk67O8rQ&index=72&list=PLyRcl7Q37-DXmpJEy_fj-HnWtvHuu_Ihi

 

Área de anexos
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Sobre Neonazismo

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NEONAZISMO: O ROSTO DO NAZISMO NA ATUALIDADE

Alguns termos da política são usados de maneira errada – ou ao menos inapropriada. É o caso da confusão entre nazismo e neonazismo. Alguns casos avaliados como neonazistas aconteceram recentemente no mundo e uns pensam que o neonazismo é uma vertente atenuada do nazismo, mas não é bem por aí. Vamos compreender o que é o neonazismo?

O QUE É NEONAZISMO?

O neonazismo é o resgate do nazismo na atualidade, mas com uma face repaginada, a fim de ter mais sintonia com a época atual. Continuam as ideias nazistas, como a do racismo, do nacionalismo, do antissemitismo e do anticomunismo.

Para os neonazistas, assim como no nazismo alemão, há apenas uma raça soberana: a “raça pura ariana”. Os principais alvos de discriminação são: comunistas, judeus, índios, negros e homossexuais. Da mesma maneira que vários tipos de preconceito se disseminam, como a xenofobia, ele tem causas em questões pelas quais certo país está passando, como desemprego, poucas oportunidades de trabalho, crescente criminalidade, entre vários outros contextos nacionais. Para eles, uma forma de combater esses problemas é depositar a culpa desses problemas na presença e cultura do outro no país, como imigrantes, refugiados, estrangeiros.

O grande diferencial do neonazismo é o uso de outra abordagem para a disseminação de suas ideias. Por exemplo, quando defendem suas ideias ao clamar por uma “salvação nacional”, considerando-se “libertadores” que valorizam a pátria e dela se orgulham. Esses são exemplos da utilização de palavras brandas, os famosos eufemismos, para maquiar a origem de seus ideais e ter a possibilidade de atrair mais pessoas, principalmente aquelas que já se identificam com ideais da extrema-direita. O discurso de “nós” contra “eles” é o mesmo, só está repaginado.

O que foi o nazismo?

O Nazismo é o nome de uma ideologia política disseminada amplamente pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que foi criado em 1920 por Anton Drexler na Alemanha. Como muitos já sabem, essa ideologia logo se espalhou por toda a Alemanha sob o comando de Adolf Hitler, culminando num regime autoritário nazista, que foi a causa de vários marcos históricos, como o holocausto e a Segunda Guerra Mundial.

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DO NEONAZISMO?

As características do neonazismo são as mesmas do nazismo, mas com uma abordagem nova e mais adaptada à atualidade. As origens são similares também: ambas as ideologias florescem em países, espaços e locais em que há alguma forma de conturbação social, seja o desemprego, a violência, a desigualdade social e dificuldade de vida em geral. O neonazismo se alastra em quem já tem um pensamento que caminha em direção à extrema direita.

 

O neonazismo tem como premissas a supremacia da raça branca – ou, como chamam, a “raça ariana” –, a anti-imigração – e consequente xenofobia –, o nacionalismo exacerbado, o anticomunismo, o anticatolicismo, o antissemitismo. Esses comportamentos são diretamente inspirados no nazismo. Outros, porém, fortaleceram-se apenas com surgimento do neonazismo. Vejamos:

Os neonazistas são chamados de negacionistas. A maioria dos grupos neonazistas nega que o Holocausto existiu. O Holocausto foi o nome dado ao genocídio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, em que eles foram perseguidos e aprisionados em campos de extermínio pelo regime nazista. Nesses lugares, eram levados a câmaras de gás para morrerem por asfixia. Estima-se que 6 milhões de judeus morreram na Alemanha nazista. A estratégia de muitos grupos neonazista é de negar esse acontecimento, argumentando que não houve essa perseguição e que o número de judeus mortos durante a guerra não passou de 500 mil pessoas.

Não se intitulam como racistas, apesar de atitudes que corroborem essa prática. O discurso nazista e neonazista é essencialmente racista, tanto por acreditar em uma supremacia branca como por ser contra a entrada de outras pessoas – portanto, de outras culturas, outras ideias, outras vivências e visões de mundo – em seu espaço.

COMO O NEONAZISMO SE DESENVOLVEU?

O nazismo não é uma ideia antiga, tampouco uma filosofia que foi expulsa do mundo após a Segunda Guerra Mundial. Muitas pessoas, e o próprio governo alemão, demonstraram vergonha do Holocausto e do nazismo depois da guerra. Criaram museus sobre a sua história e  monumentos para o Holocausto, transformaram os campos de concentração – como Auschwitz, o maior deles – em um lugar aberto para visitação e implementaram nas aulas de história formas de mostrar às novas gerações as consequências do nazismo, a fim de conscientizá-las.

Foto: Alejandro Alvarez/News2Share via Reuters

neonazismo

O neonazismo na Alemanha

No berço do nazismo, a Alemanha, entendeu-se que a educação seria também um meio de conscientização. Em 1991, a agência educacional de monitoramento do governo alemão pediu que o nazismo fosse total e ostensivamente tratado nas escolas, a fim de que a memória do Holocausto fosse mantida viva e de que o passado não se repetisse.

Sobre a visão da população alemã acerca do nazismo, o professor de ética comparada da Universidade Livre de Berlim, Markus Tiedemann, explica como os alemães encaram a história do nazismo em uma entrevista.

  • A esmagadora maioria da população alemã tem a explícita rejeição de todas as formas de fascismo e racismo e um compromisso com a história alemã, o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial. Tem desejo de paz, tolerância e solidariedade internacional e agem com comprometimento em prol desses valores.
  • Uma segunda parte da população toma esses valores como garantidos, no sentido de não haver necessidade de relembrá-los o tempo todo – sobre solidariedade, paz e tolerância. Eles tendem a ignorar os perigos ou a encarar a miséria humana com horror e impotência.

Portanto, por mais que tenha havido educação extensiva no sistema educacional alemão, há dois resultados: de pessoas que reconhecem esses valores e pessoas que se comprometem com eles; nem todas serão ativas socialmente para disseminar valores contrários ao do nazismo, por exemplo. E é importante entender que, por ter sido o país em que o nazismo surgiu e se aflorou, a Alemanha não conseguiu extinguir o mal pela raiz. Diversas pessoas que seguiam a ideologia nazista continuaram no país, como trabalhadores comuns, artesãos, vendedores, médicos, advogados. Como explica o livro “Nazismo – como ele pôde acontecer”, da Superinteressante, essas pessoas inclusive voltaram a trabalhar no governo.

Exemplo disso foi um dos autores das leis de segregação racial durante o regime nazista, Hans Globke. Ele se tornou assessor do chanceler alemão nos anos 50, ou seja, estava de alguma forma a influenciar o governo. Uma das formas de manutenção e sobrevivência da ideologia nazista foi, então, a criação de grupos remodelados: os que conhecemos hoje como grupos neonazistas 

O NEONAZISMO NO MUNDO ATUAL

Há alguns episódios de grupos neonazistas atuando política e socialmente no mundo. Sobre a sua atuação política, o neonazismo aparece na sua forma de ideologia. Veja alguns exemplos:

Socialmente, milícias e grupos neonazistas atuam ao redor do mundo. Para nomear dois deles, falamos do grupo Clandestinidade Nacional Socialista que atuou por anos na Alemanha, sendo autor de ataques por bombas que causaram mortes de oito pessoas. O Movimento de Resistência Finlandês, que atua na Finlândia, faz protestos contra a entrada de imigrantes e refugiados, atua de forma violenta e tem diversas acusações de agressão.

Charlottesville: a passeata de neonazistas nos EUA

O mais recente, comentado e visado caso de neonazismo explícito aconteceu em Charlottesville, uma cidade no estado de Virgínia, nos Estados Unidos. No dia 12 de agosto de 2017, centenas de pessoas foram às ruas dessa pequena cidade estadunidense de 50 mil habitantes para protestar. Contra o quê? Contra a presença de negros, homossexuais, imigrantes e judeus. Carregavam tochas, gritavam palavras de ordem e faziam saudações nazistas. Alguns se vestiam com armaduras e tinham cacetetes nas mãos.

A passeata neonazista reuniu centenas de pessoas que eram contra a retirada da estátua de um general confederado – que lutou pelo Sul na Guerra Civil dos Estados Unidos – chamado Robert E. Lee, pois o consideram um símbolo histórico de ideais como a supremacia branca. Os atos ocorreram principalmente na Universidade de Virgínia e causaram momentos de tensão e violência, principalmente com os grupos que faziam oposição aos extremistas de direita – como o grupo Black Lives Matter (a vida dos negros importa, em tradução literal para o português).

A BBC Brasil enviou o repórter Ricardo Senra para a cidade de Charlottesville e aqui estão algumas de suas impressões sobre o que ocorreu: “Os participantes do protesto desta sexta-feira carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam palavras de ordem como: “Vocês não vão nos substituir”, em referência a imigrantes; “Vidas Brancas Importam”, em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter; e “Morte aos Antifas”, abreviação de “antifascistas”, como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.”

 

GRUPOS NEONAZISTAS

Os grupos neonazistas existem em todo o mundo, estão espalhados por países como Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Brasil e Uruguai. Alguns dos mais famosos definem sua principal pauta na “supremacia branca” – princípio de que pessoas de pele branca são superiores –, como a Nação Ariana, o White Power, os Skinheads, a Ku Klux Klan. Vamos falar sobre dois deles: os skinheads e a Ku Klux Klan.

Os Skinheads

Foto: Skinheads / All That Is Interesting / Creative Commons

neonazismo

Um grupo muito conhecido é o dos skinheads, formado nos anos 1960 na Inglaterra por jovens de classe média baixa que, originalmente, não promovia ideais racistas. Mas, na década seguinte, devido à recessão econômica e à fragilização da relação com imigrantes, o grupo se uniu ao partido neonazista inglês Frente Nacional – em inglês, National Front –, que promovia a superioridade branca. A partir de então, são diretamente associados a ideais neonazistas, fascistas e de extrema-direita.

Os skinheads ganharam mais notoriedade a partir dos anos 1980, com grupos nos Estados Unidos que praticavam vandalismo e violência contra grupos de pessoas negras, homossexuais, judeus e imigrantes latinos.

Ku Klux Klan

Outro grupo, também muito famoso historicamente, é a Ku Klux Klan, conhecida como KKK. A Ku Klux Klan foi um grupo secreto racista, chamado de clã, com ideais de extrema-direita. Prega o ultranacionalismo, a supremacia branca, a anti-imigração, o antissemitismo e tem um histórico de violência grande nos Estados Unidos. Esses ideais foram mais ou menos presentes nas três formas em que o clã se desenvolveu no país.

A Ku Klux Klan é também conhecida por suas vestimentas características: trajes brancos, como camisolas, chapéus pontiagudos em forma de cones, apesar com buracos para os olhos. Com essas roupas, buscavam assustar as pessoas e manter o anonimato de seus membros.

Ku Klux Klan: primeiro clã.

Foto: domínio público

neonazismo

primeiro clã foi formado em 1866 por soldados veteranos que lutaram pelo sul dos Estados Unidos – historicamente um território racista, que queria a continuidade do escravismo – e foram derrotados na Guerra Civil Americana. Não há dados que confirmem quantas pessoas integraram esse clã. O grupo agiu com violência e intimidação contra os escravos libertos. Em 1882, a Suprema Corte declarou a existência da KKK como inconstitucional.

segundo clã passou a agir em 1920 tinha características principalmente antissemitas, xenofóbicas e nacionalistas. Opunham-se contra os judeus e defendiam a unidade do país, tinham um discurso de anti-imigração – havia uma onde de imigração vinda da Europa – e de conservação da identidade nacional. O grupo, que chegou a 4 milhões de membros, fazia grande oposição também à Igreja Católica, realizando passeatas em massa, com os mesmos trajes do primeiro clã e fazendo queima de cruzes.

terceiro clã surgiu em meados dos anos 1950, em diversos lugares nos Estados Unidos, como uma forma de se opor ao movimento dos direitos civis liderado por Martin Luther King, em busca do fim da segregação racial e do ódio contra os negros. Agiam de maneira independente e radicalizada: faziam linchamentos e praticavam terrorismo contra a população negra, inclusive por meio de ataques por bombas. Devido à violência de seus ataques, o próprio governo estadunidense se viu obrigado a assinar a Declaração dos Direitos Civis – que previa a igualdade racial – em 1964 e foi revivido um ato que proibia a ação da KKK no país.

Os dois grupos apresentados não são apenas grupos de extrema-direita, mas sim grupos que se relacionam diretamente com ideais nazistas, caracterizando-se pelo neonazismo. Casos como o de Charlottesville, que pregam intolerância, ódio e preconceito têm sido recorrentes no mundo. Devemos nos educar, entender esses ideais, suas origens e como se manifestam no mundo atual.

Você conhecia as definições de neonazismo? O que acha delas? Deixe seu comentário!

Publicado em 05 de outubro de 2017.

Fonte: http://www.politize.com.br/neonazismo-o-rosto-do-nazismo-na-atualidade/

Sobre Fascismo

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FASCISMO: 5 PONTOS PARA ENTENDER O CONCEITO

Benito Mussolini e Adolf Hitler. Foto: History Channel

Fascismo entenda

O fascismo é um movimento político, econômico e social que se desenvolveu em alguns países europeus no período após a Primeira Guerra Mundial, principalmente naqueles que enfrentavam graves crises econômicas, como a Itália e a Alemanha.

Entre as principais características desse sistema estão a concentração do poder nas mãos de um único líder, o uso da violência e o imperialismo. Mas não é só isso. Confira o que foi o fascismo, como ele ocorreu no mundo e quais as principais dificuldades em relação à sua definição.

O QUE É O FASCISMO?

Diferente de outras correntes ideológicas, o fascismo é um termo de difícil definição, que pode apresentar diversos significados dependendo do enfoque escolhido e das características acentuadas. Assimainda não existe um conceito de fascismo universalmente aceito.

Segundo o filósofo e historiador Norberto Bobbio, o termo fascismo se refere principalmente à sua dimensão histórica, constituída pelo fascismo italiano e posteriormente pelo fascismo alemão.

Apesar da dificuldade em encontrar uma única definição para o fascismo, as características observadas em diversos regimes fascistas possibilitam a elaboração de uma definição geral, que frisa os aspectos mais comuns desse regime. Confira quais são esses aspectos a seguir.

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO FASCISMO?

De forma geral, o fascismo é um regime autoritário com concentração total do poder nas mãos do líder do governo. Esse líder deveria ser cultuado e poderia tomar qualquer decisão sem consultar previamente os representantes da sociedade. Além disso, o fascismo defende uma exaltação da coletividade nacional em detrimento das culturas de outros países.

Além de totalitários, os governos fascistas objetivavam expandir seu território através de conflitos internacionais e, para isso, realizavam altos investimentos na produção de armas e equipamentos de guerra.

Para garantir a manutenção de seu governo, os líderes fascistas controlavam os meios de comunicação de massa, por onde divulgavam sua ideologia e controlavam todas as informações disseminadas. Qualquer crítica ao governo era aniquilada mediante uso da violência e do terror. Aqueles considerados inimigos do governo eram punidos com prisão ou morte.

O FASCISMO NA ITÁLIA

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a Itália passava por uma forte instabilidade social, política e econômica. Mesmo integrando o grupo de países vitoriosos na Primeira Guerra, a Itália foi ignorada nos tratados pós-conflito e acabou não conquistando benefícios que compensassem as perdas sofridas durante a guerra. Ao mesmo tempo, a lenta industrialização e as gritantes diferenças socioeconômicas entre o norte e sul do país dificultavam o crescimento econômico do país, o que gerava desemprego e cada vez mais miséria.

Este contexto mobilizou diversos grupos a encontrarem uma solução para o decadente sistema em que se encontrava o país, o que resultou no crescimento dos partidos mais alinhados à esquerda, como os comunistassocialistas e anarquistas.

É no contexto de surgimento desses grupos que surgiu o fascismo, destacando-se como líder Benito Mussolini, que comandou um grupo chamado Fascio de Combate. Posteriormente, esse grupo formaria o Partido Nacional Fascista (PNF).

Em 1922, os fascistas realizaram a Marcha sobre Roma, uma manifestação pedindo que o Rei Vitor Emanuel III transferisse o poder para as mãos do Partido Nacional Fascista. Pressionado, o rei convidou Mussolini para fazer parte do governo.

Inserido na esfera do poder político central, os fascistas puderam iniciar seu projeto autoritário e centralizador. Nas eleições de 1924, depois de uma ampla reforma eleitoral que beneficiava os interesses do PNF, os fascistas conquistaram ⅔ do Congresso, ainda que sob alegações do partido socialista de que as eleições haviam sido fraudadas.

Com os partidários fascistas no poder, começava a ditadura fascista, em que o “duce” Mussolini era o líder da nova política italiana. O poder legislativo foi enfraquecido, os meios de comunicação foram fechados, todos os partidos à exceção do PNF foram colocados na ilegalidade e a pena de morte passou a ser legalizada.

Além disso, o Estado passou a controlar a economia e tanto as organizações trabalhistas, quanto qualquer forma de oposição ao governo central foram enfraquecidas e desorganizadas.

Com a crise de 1929, a prosperidade econômica vivida no início do regime fascista começou a ser ameaçada. Tentando contornar esse cenário, o governo Mussolini decidiu entrar para a corrida imperialista, buscando restaurar os domínios do antigo Império Romano. Após invasões das tropas italianas a regiões da África, começaram as tensões diplomáticas que conduziram a Europa para a Segunda Guerra Mundial, momento em que Mussolini se aproximou do regime nazista alemão.

O FASCISMO NA ALEMANHA

Adolf Hitler em discurso à juventude nazista. Foto: História Digital

fascismo entenda o conceito

Na Alemanha, no período após o fim da Primeira Guerra Mundial, surge um regime autoritário bastante conhecido, que compartilhou diversas características do fascismo. Esse regime é o nazismo, que teve como principal líder Adolf Hitler.

Ao sair derrotada da Primeira Guerra, a Alemanha enfrentou uma profunda crise econômica, sobretudo em função do Tratado de Versalhes, que declarava oficialmente a Alemanha como derrotada na guerra e que impunha sanções ao país, como perda de territórios e proibição de qualquer produção de armas pesadas, além de obrigar a Alemanha a pagar uma indenização aos países vitoriosos.

Esse cenário pós-Primeira Guerra criou nos alemães um sentimento de revanchismo em relação a outros países, o que fortaleceu o extremismo nacionalista no país.

Com o fim da guerra, o regime monárquico alemão chegou ao fim, dando início à República de Weimar. Nesse período, a Alemanha consegue resultados satisfatórios do ponto de vista econômico, principalmente por causa dos investimentos estrangeiros, vindos sobretudo dos Estados Unidos.

Todavia, a crise de 1929 deixa a economia alemã em situação crítica novamente. Nesse momento, o discurso nazista conquista seguidores, prometendo retomar o crescimento do país através de um Estado Forte.

Articulados dentro da República de Weimar e representados pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, os nazistas conquistaram 37% dos votos nas eleições de 1932, ocupando 230 cadeiras no Parlamento.

No ano seguinte, os adeptos ao Partido Nazista pressionavam o presidente Paul Von Hindenburg a conceder mais poderes a Hitler. Com a pressão, Hitler foi indicado a chanceler e posteriormente assumiu o cargo de presidente, além de se auto nomear “o Führer ”. Começava assim o regime nazista na Alemanha.

A ditadura de Hitler teve como principais características a militarização da sociedade alemã, a exaltação do líder e o controle através da intensiva máquina de propaganda, que utilizava os meios de comunicação para disseminar as ideias nazistas.

As características principais do nazismo são apresentadas na obra Mein Kampf, escrita por Hitler durante seu período na prisão. Uma das suas mais conhecidas medidas foi o antissemitismo, marcado pela visão racista e eugenista da superioridade do homem branco germânico, a chamada raça ariana. Essa visão resultou na morte de mais de 6 milhões de pessoas em campos de concentração, a grande maioria formada por judeus.

Outra característica do regime nazista foi a visão expansionista, justificada por uma crença de que o mundo deveria ser dominado pela raça ariana. Com o início da Segunda Guerra Mundial, Hitler tentou invadir diversos territórios.

Em 1941, Hitler tenta invadir a União Soviética. Com o inverno rigoroso, as tropas alemãs foram cercadas e derrotadas. Nesse momento, o governo nazista atinge seu declínio e, em 1945, Hitler é derrotado e seu regime chega ao fim.

AFINAL, O FASCISMO É DE ESQUERDA OU DIREITA?

Já explicamos que ainda não existe uma definição universal sobre o fascismo, e que o termo é entendido sobretudo através da análise de características em comum encontradas nas experiências fascistas ocorridas na história. Por isso, torna-se difícil situar o fascismo dentro do espectro ideológico.

Comumente, o fascismo é tido como parte da extrema-direita, principalmente pela sua notável oposição ao socialismo. As experiências fascistas contaram com amplo apoio dos banqueiros e industriais, tanto na Itália quanto na Alemanha.

Todavia, o fascismo também se opôs ao liberalismo, sobretudo na defesa do Estado forte e dos interesses de massa em detrimento dos interesses individuais.

De acordo com Norberto Bobbio, as divergências entre o fascismo italiano e o alemão aparecem ao se notar que o primeiro apresentou um caráter revolucionário e radical de esquerda, enquanto o segundo foi essencialmente reacionário e radical de direita.

CONCLUSÃO

Embora o fascismo na Itália e na Alemanha sejam as experiências mais conhecidas, as experiências fascistas não se restringiram a elas. Em Portugal, por exemplo, o regime fascista foi comandado por Antônio de Oliveira Salazar entre 1932 e 1968. Já na Espanha, apareceu durante o governo de Francisco Franco, de 1939 a 1976.

A influência dos regimes fascistas chegou até mesmo ao Brasil. Logo após a Revolução de 1930 surge o integralismo, que influenciado pelo fascismo italiano combatia os defensores do pensamento de esquerda. Sua principal liderança foi Plínio Salgado.

Ainda que tenha entrado em crise após a Segunda Guerra Mundial, o fascismo continua a ganhar força em contextos de crise, seja ela econômica, política ou social. Alguns aspectos da ideologia fascista aparecem até hoje em grupos e partidos políticos, como os na Europa que defendem plataformas políticas baseadas na aversão a estrangeiros.

 

Fontes:

BOBBIO, Norberto, MATTEUCCI, Nicola e PASQUINO, Gianfranco. Dicionário de Política. São Paulo: Editora UnB. 2004.

Uol Educação | Brasil Escola Mundo Educação Info Escola História do Mundo

Publicado em 14 de março de 2017.
 Fonte: http://www.politize.com.br/fascismo-entenda-o-conceito/

Sobre Nazismo

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NAZISMO: VOCÊ CONHECE A POLÍTICA DISSEMINADA POR HITLER?

Foto: Elzbieta Sekowska

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É muito difícil nunca ter visto uma suástica nem ter ouvido falar de Nazismo ou de Adolf Hitler. Há uma história bastante densa e complexa sobre o que veio a ser o regime nazista dentro da Alemanha, além de nutrir uma filosofia política muito controversa. Vamos entender o que foi o nazismo?

O QUE É NAZISMO?

O Nazismo, abreviação de Nacional Socialismo, é o nome de uma ideologia política essencialmente racista disseminada amplamente pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que foi criado em 1920 por Anton Drexler na Alemanha. Como muitos já sabem, essa ideologia logo se espalhou por toda a Alemanha sob o comando de Adolf Hitler e foi um dos fatores que levaram a vários marcos históricos, como o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial. Há todo um contexto por trás desses momentos e ideologias. Vamos entendê-los?

COMO O NAZISMO SURGIU NA HISTÓRIA?

Para compreender o surgimento do Nazismo e a sua posterior disseminação por toda a Alemanha, é necessário entender o contexto do país e do mundo naquela época.

A Primeira Guerra Mundial foi muito prejudicial a todo o continente europeu, causando mais de 10 milhões de mortes e 30 milhões de feridos, territórios devastados e um rombo na economia. Ao seu fim, os derrotados assinaram o Tratado de Versalhes, que os responsabiliza pelo conflito, sendo eles o Império alemão e a Austro-Hungria. No tratado, estão previstas uma série de medidas punitivas para o pós-guerra.

A Alemanha, uma das nações derrotadas, foi obrigada a abrir mão de 13% do seu território, 75% das suas reservas de ferro e 26% das de carvão. O país teve seu exército reduzido, sua indústria de armas foi controlada – assim como a produção de tanques e aviões – , perdeu todas as suas colônias e pagou uma indenização pelos prejuízos da guerra aos países vencedores.

A Alemanha pós-guerra

Além do sentimento negativo em ter perdido uma guerra e ter de cumprir todas as exigências do Tratado de Versalhes, a Alemanha estava num caos econômico, seu território estava destruído e sua população enfrentava graves problemas. Foi instituída, em 1919, a República de Weimar. A Alemanha era antes um Império – ou seja, uma forma de monarquia – e passava a ser um país republicano. A República de Weimar que visava a resolver esses problemas, dando prioridade à reestruturação política e econômica do país.

Houve melhora econômica por conta de um acordo entre a Alemanha e os Estados Unidos com a instituição do Plano Dawes, que dava incentivos econômicos para a reconstrução e reestruturação alemã. Mas, por conta da crise da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, não foi mais possível obter ajuda externa. A Alemanha continuou a passar por enormes dificuldades: a inflação só crescia, o desemprego se alastrava e os comandos políticos eram vistos com descrédito e desconfiança por parte da população. Foi a partir desses sentimentos e desse contexto que o Nazismo começou a tomar forma…

A HISTÓRIA DO NAZISMO E DE ADOLF HITLER

Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães foi o principal vetor do Nazismo. No início da década de 1920, Adolf Hitler assume a liderança e dá outro nome a ele: Partido Nacional Socialista, ou Partido Nazista. Hitler era austríaco – fato desconhecido por muitas pessoas –, nascido em 1889. Foi soldado durante a Primeira Guerra Mundial e, ao seu fim, associou-se ao Partido dos Trabalhadores Alemães, assim como muitas outras pessoas: jovens, estudantes, agricultores, soldados; pessoas de todas as classes sociais.

Os principais objetivos do partido eram o de união dos alemães, a expulsão de estrangeiros e tornar a Alemanha um país poderoso e com muitos territórios. Hitler e seus aliados tentaram fazer um golpe de Estado em 1923 e, por ser o líder do movimento, Hitler foi preso. Em sua biografia, denominada Mein Kampf (Minha Luta, em alemão) e escrita durante seu tempo na cadeia, no cerne de sua filosofia política Hitler delineou o antissemitismo – o preconceito e ódio contra os judeus – e o anticomunismo – a negação do comunismo e de seus seguidores.

Aos poucos, o Partido Nazista foi colocando pessoas no governo, já na República de Weimar – receberam 38% dos votos na eleição para o Parlamento em 1932. A partir de então, Hitler tomou o poder por meio de um golpe de Estado e declarou-se: presidente, chanceler e Führer – o líder.

Foto: Larah Vidotti / Creative Commons / Pixabay

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O REGIME NAZISTA E SUAS CARACTERÍSTICAS

O Regime Nazista durou de 1933 a 1945, e foi instituído por Hitler por meio do Terceiro Império – ou Reich. Foi marcado por uma série de características muito próprias da filosofia política nazista. Uma das questões mais importantes do regime era a propaganda feita pelo Nazismo, dentro e fora da Alemanha.

Como em todo regime autoritário, o governo censurava e controlava emissoras de rádio, a imprensa, produtos artísticos – músicas, artes visuais, teatro – e buscava também utilizar esses meios como uma forma de impulsionar a imagem do próprio regime. O famoso ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, foi utilizado como referência para diversos regimes totalitários que vieram depois do nazista.

Uma das maiores características do nazismo foi a militarização. Acreditava-se no uso do poder militar, que era assumido pela polícia, chamada SS, e pelaGestapo, uma polícia secreta do regime. A Gestapo era uma polícia política que decidia as penas que iria aplicar, sem o intermédio de um tribunal. Investigavam também possíveis afrontas ao regime por meio de agentes infiltrados em fábricas e lugares comuns e, quando queriam descobrir certas informações úteis ao regime ou mesmo sabiam de pessoas que eram ideologicamente contra ele, essas pessoas eram presas e torturadas.

É importante salientar que no início do regime, o povo alemão apoiava o regime nazista e acreditava na ideologia pregada por Hitler – que sempre entoava um discurso de salvação nacional, de melhorias na economia, de superioridade racial e cultural germânica. Portanto, quanto à perseguição da polícia com comunistas e judeus, a própria população por vezes contribuía ao delatar uma ou outra pessoa. Conforme os anos foram evoluindo, principalmente no início da Segunda Guerra Mundial, o terror gerado pela polícia foi generalizado.

Foto: Getty images / Creative Commons

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As características do nazismo

O nazismo é considerado um regime fascista por contar uma série de similaridades, como: ser autoritário, prever a concentração total do poder, glorificação de um líder, exaltação da coletividade nacional, expansão de territórios, controle dos meios de comunicação. O nazismo é, portanto, uma forma de manifestação do fascismo. Algumas das principais características da filosofia nazista desenvolvida por Hitler era o racismo, a xenofobia, o nacionalismo e o antissemitismo. Vamos entender como e por quê?

Unidade nacional

Por meio do nazismo, buscava-se uma unidade nacional, contendo também características do nacionalismo. Criaram uma “comunidade do povo”, com o intuito de unir todos os alemães e excluir os povos estrangeiros. Essa ideia se aplicava a todas as pessoas que não fossem germânicas e, por isso, ela era xenofóbica: visava a afastar todas as pessoas, culturas, ideais e pensamentos diferentes do germânico. Buscava-se a criação de uma sociedade homogênea. Além disso, defendia-se uma hierarquia racial, em que povos germânicos eram vistos como uma “raça superior”, a chamada “raça ariana”.

Antissemitismo

Outro ponto elementar para entendermos o nazismo é compreender a importância do antissemitismo dentro desse regime, isto é, o preconceito e ódio contra judeus. Uma lei que separava os “arianos” dos judeus foi criada, chamada Leis de Nuremberg, que determinavam institucionalmente essa segregação racial. O regime perseguiu, torturou, expulsou do território alemão e matou judeus – além de muitas outras pessoas, como homossexuais, ciganos e pessoas com deficiência. Os negros, alemães ou não, mas residentes no país, também sofreram com a segregação, foram hostilizados e expulsos.

Essa perseguição se tornou um extermínio sistemático organizado pelo regime nazista na Alemanha, que veio a se chamar Holocausto – o assassinato de milhões de judeus num verdadeiro genocídio. Na época do nazismo, foram criados campos de concentração para colocar quem se opunha ao regime e para lá foram muitos judeus, mortos então pela polícia. Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de judeus foram deportados do país para guetos e campos de extermínio. Lá, eram levados a câmaras de gás, em que morriam por asfixia. Em 1945, dois em cada três judeus europeus tinham sido mortos, em torno de 6 milhões de pessoas. Foram assassinadas mais de 1,5 milhão de crianças com idade inferior a 12 anos, sendo mais de 1,2 milhões de crianças judias, dezenas de milhares de crianças ciganas e milhares de crianças deficientes.

Teoria do Espaço Vital

A Teoria do Espaço Vital é uma ideia que surgiu da revolta pela Alemanha ter perdido territórios depois da Primeira Guerra Mundial. É uma ideia relacionada a todas as outras, de que a raça ariana deveria ter um único território e expandi-lo ao máximo, formando “um guia, um império, um povo”, conforme dizia Hitler. Foi um dos pontapés para a invasão da Polônia em 1939, fato que eclodiu na Segunda Guerra Mundial.

O NAZISMO É DE DIREITA OU DE ESQUERDA?

No blog do jornalista Guga Chacra no site do Estadão, o professor Michel Gherman, da Universidade Hebraica de Jerusalém e coordenador do Centro de Estudos Judaicos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, escreveu a respeito, buscando esclarecer dúvidas das redes sociais acerca do espectro ideológico do Nazismo. Confira um trecho da coluna que resume bem essa questão!

“O Nazismo não acreditava em políticas universalistas e descentralizadas. O Estado Nazista, contrário a (sic) luta de classes, se aproximava de grandes empresas, tinha um discurso anti especulativo (sic) e tinha como objetivo a expansão racial, militar e territorial.

Mais uma vez, ao contrário de perspectivas social-democratassocialistas ou marxistas, a centralização estatal não tinha intenções distributivas, não pretendia combater a desigualdade econômica ou diferenças sociais. Ao contrário, a razão de existência do Estado era manter as diferenças, diferenças raciais. Estabelecer um estado racialmente hegemônico, escravizar e eliminar raças inferiores. Combater e exterminar a oposição que falava em classes sociais.

(…) Mas não se enganem, nada mais distante, também, de qualquer posição de direita liberal. O nazismo era um movimento de extrema–direita, o que em sua natureza é distinto da direita liberal e democrática.”

Depois de polêmicas nas redes sociais, a BBC Brasil fez uma reportagem buscando elucidar essa questão: afinal, o nazismo é de esquerda ou de direita? Em entrevista para o veículo, a professora de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF), Denise Rollemberg, afirma o seguinte:

“Não era que o nazismo fosse à esquerda, mas tinha um ponto de vista crítico em relação ao capitalismo que era comum à crítica que o socialismo marxista fazia também. O que o nazismo falava é que eles queriam fazer um tipo de socialismo, mas que fosse nacionalista, para a Alemanha. Sem a perspectiva de unir revoluções no mundo inteiro, que o marxismo tinha. (…)

Eles rejeitavam o que era a direita tradicional da época e também a esquerda que estava se estabelecendo. Eles procuravam se mostrar como um terceiro caminho”.

Na mesma reportagem da BBC Brasil, há também o ponto de vista da antropóloga Adriana Dias, da Unicamp, que estuda os movimentos neonazistas.

“Os comícios hitleristas eram profundamente antimarxistas. (…) O nazismo e o fascismo diziam que não existia a luta de classes – como defendia o socialismo – e, sim, uma luta a favor dos limites linguísticos e raciais. As escolas nacional-socialistas que se espalharam pela Alemanha ensinavam aos jovens que os judeus eram os criadores do marxismo e que, além de antimarxistas, deveriam ser antissemitas.”

Mas o nome do partido nazista não é Nacional-Socialista? Não seria, portanto, de uma ideologia de esquerda? Bom, na reportagem da BBC Brasil, Izidoro Blikstein, professor de Linguística e Semiótica da USP e especialista em análise do discurso nazista e totalitário, busca responder essa indagação:

“Me parece que isso é uma grande ignorância da História e de como as coisas aconteceram. (…) O que é fundamental aí é o termo ‘nacional’, não o termo ‘socialista’. Essa é a linha de força fundamental do nazismo – a defesa daquilo que é nacional e ‘próprio dos alemães’.”

Sobre essa questão, Thiago Tanji, editor na revista Galileu, escreve um texto sobre o fenômeno de notícias falsas, da pós-verdade e de como é importante conhecer a história por trás do regime nazista. Um trecho sobre a dicotomia esquerda x direita:

“E é justamente a partir desse ponto que desfazemos o nó entre a ideologia nazista e sua associação às palavras “socialista” e “trabalhadores”. Inspirado em ideiais ultra-nacionalistas e de supremacia racial, Adolf Hitler se mostrava como a figura política que lutava “contra tudo o que está aí”. Ao mesmo tempo em que expunha as ameaças de uma revolução comunista em território alemão, atacava o sistema financeiro e a ganância dos bancos — personificados na população judaica.”

Gostou de saber sobre o Nazismo? O que pensa dessa ideologia? Deixe seu comentário!

Publicado em 04 de outubro de 2017.  Última atualização em 09 de outubro de 2017.
 Fonte: http://www.politize.com.br/nazismo/

Sobre Armas Químicas

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ARMAS QUÍMICAS: POR QUE SÃO PROIBIDAS?

Soldados americanos em Kismayo, 1993 (Foto: Forças Armadas dos EUA).

armas químicas

Depois da Primeira e Segunda Guerras Mundiais, a comunidade internacional formada pelos Estados passou a dedicar esforços para evitar que confrontos como aqueles se repetissem. Apesar dos avanços no âmbito do Direito Internacional, ainda basta ligar a TV para ficar sabendo sobre algum conflito atual. Mesmo não podendo proibir as guerras, o Direito Internacional conseguiu grandes vitórias quanto à sua regulamentação − que envolve vários aspectos, entre eles a definição dos crimes de guerra. Um dos pontos mais importantes dessas leis é a proibição do uso de alguns armamentos, como as armas químicas. É justamente a história delas que você vai entender neste texto. Afinal, qual foi o caminho que levou à proibição do uso de armas químicas?

O QUE SÃO ARMAS QUÍMICAS E POR QUE ELAS DEVEM SER PROIBIDAS

A definição atual de armas químicas estipula como tal qualquer substância tóxica que pode levar à morte ou causar lesões permanentes, tanto em seres humanos quanto em animais. Os equipamentos utilizados para disparar essas substâncias também entram na definição.

O poder destrutivo desse tipo de armamento não se deve à explosão, como no caso das bombas, mas sim à capacidade de produzir reações nos organismosdos seres vivos − que podem ser fatais.

Mesmo podendo ser absorvida pela pele e boca, o principal modo de envenenamento por armas químicas nas guerras é pela respiração. Isso porque geralmente esses agentes, que estão em forma líquida, são pulverizados para atingir maiores áreas e, consequentemente, mais pessoas. É justamente por ser utilizada desse modo que as armas químicas são particularmente horríveis.

Afinal, ao serem lançadas no ar, deixa de ser possível controlar essas substâncias, que acabam atingindo tanto combatentes quanto civis − fato inaceitável de acordo com as normativas de guerra e do direito internacional humanitário. Além dessa característica “indiscriminatória”, as armas químicas também causam sofrimento desnecessário, que não é proporcional à vantagem militar conseguida com o uso dessas substâncias. Vantagem essa que, segundo o especialista no assunto, Hamish de Bretton-Gordon, é baseada na lógica de que quanto mais combatentes feridos, mais soldados têm que deixar o campo de batalha para cuidar dos seus companheiros.

Tal sofrimento inútil ainda é reforçado pela dimensão psicológica das armas químicas, pois os efeitos por elas causados são muito dolorosos, envolvendo asfixia e queimaduras na pele. Outros armamentos que causam sofrimento desnecessário, como minas terrestres, também têm uso vedado.

Você sabe como funcionam os julgamentos dos crimes de guerraFaça nosso quiz!

A HISTÓRIA DO USO DAS ARMAS QUÍMICAS E AS TENTATIVAS DE REGULAMENTÁ-LAS

Apesar de o assunto “armas químicas” ter voltado à tona com a guerra na Síria, esse tipo de armamento já é usado há um século e sempre foi visto como particularmente hediondo. O primeiro acordo de regulação dos usos desses agentes químicos data de 1675 e foi firmado entre França e Alemanha, proibindo o uso de balas envenenadas.

Quase 200 anos depois, em 1874, a Conferência de Bruxelas vetou o emprego de armamento envenenado ou de veneno, assim como o uso de projéteis ou materiais que causariam sofrimento excessivo dos combatentes. Logo depois, em 1899, na cidade de Haia, mais um acordo internacional acabou com o uso de projéteis cheios de gás venenoso. Mesmo com todas essas regulamentações, armas químicas foram amplamente usadas entre 1914 e 1918, na Primeira Guerra Mundial. Ela é tida como a primeira guerra química moderna, tendo resultado em mais de 100 mil mortes e milhões de afetados.

O episódio mais marcante desse conflito aconteceu em Ypres, na Bélgica, no ano de 1915. Durante tal batalha o exército alemão lançou uma nuvem de gás clorado que causou a morte de 15 mil soldados. Seu uso foi imediatamente reconhecido como um crime de guerra, o que não impediu que os oponentes dos alemães utilizassem do mesmo tipo de armamento na retaliação.

Com o extenso uso dessas armas durante a Primeira Guerra Mundial, a necessidade de regulamentá-las voltou ao topo da agenda internacional. Assim, foi assinado o Protocolo de Genebra de 1925, o qual proibiu o uso de gases asfixiantes e venenosos, mas não sua fabricação. Muitos países assinaram o acordo, porém com reservas que permitiam o uso de tais armamentos em resposta a ataques químicos sofridos e também contra Estados que não tinham assinado o protocolo.

Entretanto, os crescentes esforços para a proibição do uso de armas químicas foram interrompidos pelo início da Segunda Guerra Mundial, em 1940, conflito que levou à “descoberta acidental” de agentes nervosos pelos nazistas. Bretton-Gordon explica que “os agentes nervosos são organofosforados, pesticidas, e os alemães estavam pesquisando inicialmente pesticidas; eles, então, perceberam que esses agentes nervosos que eles haviam produzido, tabun e soman, eram incrivelmente efetivos em matar pessoas”.

Esses agentes nervosos também foram amplamente usados posteriormente, na guerra entre Irã e Iraque − 1984 a 1988. O ataque a Halabja, em 16 de março de 1988, apavorou o mundo ao matar cerca de 5 mil pessoas em um único dia. Essa tragédia resultou na assinatura da Convenção de Paris de 1993, sobre a qual você vai conhecer melhor logo adiante.

CONVENÇÃO DE ARMAS QUÍMICAS: UM MARCO NA REGULAMENTAÇÃO DA GUERRA

Convenção de Armas Químicas (CAQ), como também ficou conhecido o tratado assinado em Paris, determina a proibição total da preparação, fabricação, armazenamento e uso das armas químicas. Tendo entrado em vigor em 1997, foi assinada por 191 países após muitas negociações.

É importante frisar que uma comissão internacional integrada pelas maiores potências da época − em especial Estados Unidos e União Soviética, protagonistas da Guerra Fria − já se ocupava a elaborar um tratado para restringir o uso de armas químicas. Entretanto, como acontece com muitos acordos internacionais, as negociações iniciadas no fim da década de 1960 não estavam fluindo muito bem devido ao confronto de interesses entre os Estados. Isso mudou quando o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou o ataque químico por parte do Iraque contra o Irã, que gerou indignação e uma nova pressão da própria sociedade civil.

A partir de então, o desenrolar das negociações para a elaboração do tratado deslanchou e dessa vez foram considerados diferenciais que se tornaram pontos-chave do sucesso do tratado. Um deles foi a inclusão das indústrias químicas na redação da convenção, o que foi possível a partir de um consenso global da necessidade de verificação internacional para que o acordo fosse eficaz.

Assim, em 1992 o “rascunho” do que acabaria se tornando a CAQ foi encaminhado à Assembleia Geral da ONU, onde foi lido e aprovado. Após o consentimento do Secretário-Geral, o período assinatura do tratado teve sua abertura marcada para a convenção que ocorreria em Paris, em 13 de janeiro de 1993. Logo nos primeiros dois dias dessa janela, 130 países assinaram o acordo.

Durante a Convenção de Paris, ficou claro que para a CAQ entrar em funcionamento seria necessária a criação uma agência especializada para fiscalizar os países assinantes. Assim, surgiu a OPAQ.

Ministro Holandês de Relações Internacionais (Foto: OPAQ).

armas químicas

A OPAQ E SEU PAPEL FUNDAMENTAL PARA A ABOLIÇÃO DAS ARMAS QUÍMICAS

Organização para Proibição de Armas Químicas (OPAQ), criada em 1997, é uma Organização Internacional independente, mas que trabalha em estreita colaboração com a ONU. Sua missão é garantir a implementação da CAQ para que os usos de substâncias químicas sejam aplicados apenas para propósitos pacíficos. Suas principais funções são:

  • Aumentar o número de signatários da CAQ: dentre os Estados reconhecidos pela ONU, apenas quatro não assinaram o tratado − Angola, Coreia do Norte, Egito e Sudão. Além desses, Mianmar e Israel assinaram, mas não ratificaram o tratado (validaram com a aprovação do parlamento). A Síria tornou-se o 192º signatário em 2013;
  • Pesquisar e confirmar a destruição de armas químicas: o que é feito através de inspeções;
  • Monitorar atividades na indústria química: esse acompanhamento visa reduzir o risco de que produtos químicos sejam usados inapropriadamente;
  • Prover assistência e proteção aos Estados-membro em caso de ataque ou ameaça: tal ajuda não diz respeito apenas às armas químicas, mas também inclui armas nucleares,
  • Promover a cooperação internacional para o uso pacífico de produtos químicos: aqueles não proibidos pela Convenção.

Quer saber mais sobre outras Organizações Internacionais? Entenda o que é a Organização dos Estados Americanos (OEA)!

O caráter fiscalizador da OPAQ

O Secretariado Técnico da OPAQ é um dos principais braços da organização, dando assistência para os Estados-membro na implementação prática da CAQ. Tal meta é atingida com o fornecimento de apoio às equipes nacionais, como aconselhamento e assistência, para que sejam atingidos os objetivos de desarmamento químico definidos pela convenção.

Esse desarmamento inclui a destruição dos estoques de substâncias químicas classificadas como ilegais, assim como a desativação das indústrias que as fabricam. Os Estados-membro ainda concordaram com a criação de um regime de verificação, já mencionado e que visa a garantir que o uso de substâncias químicas seja feito apenas para fins não proibidos pela CAQ. Quando uma país assinante desconfiar se outro Estado-membro está ou não cumprindo a convenção, ele pode requerer à OPAQ que seja feita uma fiscalização. Essa “inspeção desafio” deve ser aceita por todos os Estados-membro, em qualquer momento e lugar.

Ainda no que se refere às vistorias às quais os países são submetidos, também é dever da OPAQ garantir que a segurança da população e a preservação domeio ambiente sejam tidas como prioridade. Assim, garante-se que os “efeitos colaterais” da destruição dessas armas químicas sejam reduzidos ao máximo.

Obra do Centro Internacional de Ação contra Minas do Ministério da Defesa da Rússia em Aleppo, Síria (Foto: Ministério da Defesa da Federação Russa)

armas químicas

AFINAL, QUAL A DIFERENÇA ENTRE ARMAS QUÍMICAS PROIBIDAS E PACÍFICAS?

Você já entendeu que a CAQ proíbe o uso de armas químicas por elas causarem sofrimento desnecessário e desproporcional. Entretanto, essa Convenção prevê exceções que permitem o uso dessas substâncias com finalidade “pacífica”. Por isso, que tal entender a diferença entre as classificações das substâncias químicas?

Substâncias químicas proibidas

Podem ser separadas em quatro grupos, conforme as reações que produzem:

  • Sufocantes: capazes de lesionar toda a mucosa do nariz, traquéia e pulmão, provocando acúmulo de líquido nos pulmões. Isso impede que o oxigênio seja absorvido e leva à morte por sufocamento. Um exemplo de arma química sufocante é o gás clorado.
  • Hemotóxicos: impedem que as células absorvam o oxigênio presente no sangue para que órgãos como coração e cérebro funcionem propriamente, o que também pode ser fatal. Os cianetos se encaixam nessa classificação.
  • Irritantes: produzem uma reação similar à queimadura e pode afetar pele, mucosas e olhos. São as queimaduras na via respiratória que mais causam mortes. O gás mostarda, assim nomeado graças à sua cor, é o armamento químico mais famoso desse grupo.
  • Neurotóxicos: afetam os nervos periféricos e causam vômito, diarreia, salivação, convulsão e/ou alterações visuais. Pode levar à morte devido à paralisação dos músculos utilizados na respiração. As substâncias mais conhecidas dessa categoria são o sarin, tabun e soman.

Substâncias químicas permitidas

São aquelas classificadas como “pacíficas”, essas substâncias são utilizadas para dispersar multidões. São duas: gás lacrimogêneo spray de pimenta. O uso desses agentes químicos é liberado por eles não causarem morte ou terem consequências mais graves além de seus efeitos irritantes − que incluem ardência nos olhos e dificuldade de respirar.

Mesmo assim, é importante ter cuidado ao utilizar essas substâncias. Uma exposição excessiva ao gás lacrimogêneo, por exemplo, pode ter efeitos mais graves em pessoas com doenças respiratórias como a asma. Além disso, crianças são muito mais sensíveis a essas armas devido ao seu baixo peso corporal.

Agora que você entendeu toda a problemática das armas químicas fica mais fácil compreender a reação por parte da Comunidade Internacional devido à utilização desse armamento, principalmente na Síria. Mas lembre-se: é importante procurar informações sobre o que está acontecendo em fontes variadas, evitando ser influenciado por uma opinião tendenciosa, e o Politize! pode te ajudar com isso. Que tal ler sobre fake news e como identificá-las?

Conseguiu entender o que são armas químicas e por que elas são proibidas? Deixe suas dúvidas e sugestões nos comentários!

 Publicado em 25 de abril de 2018.
Fonte: http://www.politize.com.br/armas-quimicas-por-que-sao-proibidas/

Sobre Bitcoin

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BITCOIN: O QUE É E COMO USAR?

Bitcoin é uma moeda virtual. Foto: Pixabay

Hoje em dia todo mundo ouve falar em bitcoin, mas você sabe realmente o que é essa moeda? Isso se realmente puder ser chamado de moeda. Basicamente, podemos entender o bitcoin como uma versão eletrônica do dinheiro que pode ser enviada diretamente a outra pessoa, sem a presença de uma instituição financeira para intermediar.

Porém, a grande dúvida – se é ou não moeda – existe pois ainda não se utiliza bitcoin para compras em grande escala. Muitos ainda acreditam que o bitcoin é utilizado apenas para atividades ilícitas em virtude de seu passado. Durante anos ele esteve restrito à deepweb e era negociado para tráfico de drogas e compra de armas no site silkroad. Será que isso mudou atualmente?

A seguir, abordaremos quem foram as pessoas por trás desse projeto e o que queriam com isso, se queriam mudar o modo como as pessoas faziam política trazendo mais transparência e velocidade ou apenas enriquecer. Para entender o contexto geral, é preciso descobrir como teve início e como realmente funciona essa mania que já fez muitas pessoas se tornarem milionárias da noite para o dia.

O COMEÇO: COMO SURGIRAM AS CRIPTOMOEDAS?

Antes dos anos 70, a criptografia era basicamente restrita ao ambiente militar de espionagem e guerra, mas duas publicações apresentaram ao público o que se passava nesse meio: a primeira, do governo dos EUA, chamada Data Encryption Standard e a segunda, publicada pelos Doutores Whitfield Diffie e Dr Martin Hellman, nomeada de New Directions in Cryptography. Já na década 80, foi publicado o artigo Security without Identification que dava as diretrizes iniciais para a criação de um dinheiro virtual que pudesse ser enviado de forma direta e anônima entre as partes.

Com o passar dos anos, essas ideias foram tomando corpo e, ao final de 1992, um pequeno grupo de pesquisadores e desenvolvedores de San Francisco (EUA), que se autodenominavam cyberpunks (em tradução literal, punks virtuais), se juntaram para estudar mais a fundo como a criptografia poderia melhorar a sociedade e conter medidas totalitárias de governos e governantes. O avanço dessas pesquisas culminou com a criação do bitcoin. Para eles, o principal motivo do estudo era garantir a privacidade na era da eletrônica.

Depois de mais avanços tecnológicos e criptográficos, em 2005, Nick Szabo, publicou o que viria a ser chamado de bitgold. Sua ideia principal é que o nosso dinheiro basicamente precisa de um terceiro de confiança (bancos, instituições financeiras e governo, que garantem a autenticidade da moeda e das transações) para ser utilizado, ou seja, precisa de alguém para dar lastro ou confiança. Neste caso, os muitos episódios de hiperinflação ao redor do globo, como no Brasil nas décadas de 80 e 90, demonstraram que não era confiável deixar que o governo tivesse o controle da emissão de moeda. Contudo, em sua ideia ainda não estava claro como evitar a hiperinflação por meio do controle da emissão e também o gasto duplo (a mesma quantidade de dinheiro ser enviada para duas pessoas ao mesmo tempo).

Foi aí que, em 2008, Satoshi Nakamoto, que até hoje não se sabe se é uma pessoa ou um grupo de pessoas, lançou artigo do bitcoin.

Afinal, o que é bitcoin?

Ao publicar no The Cryptography Mailing o whitepaper do bitcoin (artigo que aprofunda um determinado problema, trazendo causas, conceitos e soluções), Nakamoto abordou como as principais propriedades da moeda a ausência de gasto duplo, em virtude da conexão ponta-a-ponta; a desnecessidade de instituições financeiras para garantir a transação e a possibilidade de se manter os usuários anônimos. O bitcoin é como se fosse o papel moeda em sua forma virtual.

Para isso, detalhou muito bem o mecanismo da Blockchain, ou cadeia de blocos, sendo ela a tecnologia por trás do bitcoin que permite todas essas aplicações. É possível fazer uma analogia do blockchain como um livro contábil que registra todas as transações que já existiram na história da rede. O grande trunfo é que essas movimentações são públicas, mas para modificar qualquer uma delas seria necessário mexer em toda a cadeia de transferências de bitcoin, desde a primeira.

Blockchains. Foto: Pixabay

A CRIAÇÃO DE BITCOINS E SUA MINERAÇÃO

O algoritmo criado por Satoshi Nakamoto foi programado para que a quantidade máxima de unidades de bitcoin seja 21 milhões. No começo, a cada lote de mineração, a recompensa era de 50 bitcoins, mas a cada 4 anos este valor é reduzido pela metade, sendo que atualmente está em 12,5 bitcoins. Estima-se que os 21 milhões de bitcoins serão emitidos até 2140 e que, nessa data, os mineradores serão recompensados apenas pelas taxas de transferência.

Por mais que o limite seja de apenas 21 milhões de bitcoins, cada unidade pode ser dividida em cem milhões, e a menor delas é chamada de satoshi em homenagem ao seu criador. Dessa forma, por mais que o valor de uma unidade seja elevado, as pessoas podem transacionar o montante que desejarem, chegando a menos de 1 centavo de real ou dólar. Então, se a unidade de bitcoin algum dia chegar a valer 1 milhão de dólares, o satoshi valerá 1 centavo de dólar. Confira:

  • satoshi: é a menor quantidade do sistema, representando 0,00000001 bitcoin, um centésimo de milionésimo de bitcoin;
  • milibitcoin: equivale a 0,001 bitcoin, valor de um milésimo de bitcoin;
  • microbitcoin: equivale a 0,000001 bitcoin, valor de um milionésimo de bitcoin. É chamado também de um bit.

Os mineradores são as pessoas que validam as transferências de bitcoin na rede do blockchain por meio de cálculos computacionais de alta complexidade.

Uma das principais críticas é que o processo de mineração demanda elevada quantidade de energia elétrica, uma vez que são necessários muitos computadores para realizar os cálculos de verificação das transações da moeda. Os números são assustadores! Com base em dados fornecidos pela Digiconomist, se o consumo de energia elétrica utilizado pelos mineradores continuar crescendo na mesma proporção, em fevereiro de 2020 toda a energia produzida no mundo seria utilizada apenas para esse fim.

Além disso, estima-se que cerca de R$ 5 bilhões de reais são gastos anualmente em mineração, o que seria suficiente para suprir a demanda energética de 2,4 milhões de americanos ou 6,1 milhões de britânicos. Se fosse um país, o bitcoin estaria na posição 61 em consumo de energia elétrica. No mapa a seguir, os países em laranja representam os que gastam menos energia do que a mineração de criptomoedas e os países em preto são os que gastam mais.

processo de mineração de bitcoin

Outra crítica a esse processo corresponde aos pools de mineração (empresas que possuem grandes quantidades de computadores utilizados para validar as transações de bitcoin e serem recompensadas financeiramente). Dados da blockchain informam que as 5 maiores empresas de mineração controlam mais de 70% de toda a rede de validações. Isso é um ponto negativo e de muita controvérsia no meio dos entusiastas, já que a moeda tinha como objetivo principal ser descentralizada e fora do controle de grandes corporações ou governos.

Além disso, o domínio de grande parte do poder de mineração pode ser um grande risco à sua própria existência, uma vez que quem possui mais de 50% do poder de mineração teria, supostamente, a capacidade de fraudar as transações – é o chamado ataque de 51%. Este perigo existe em grande parte pela ausência de regulação do mercado de criptomoedas, incluindo aí as casas de câmbio (exchanges) e os mineradores.

Existem diferentes formas para minerar. Antigamente, nas primeiras versões do protocolo, era possível minerar com a CPU. Contudo, com o aumento da dificuldade, atualmente só é possível minerar por meio das GPU (as chamadas placas de vídeo) devido ao seu maior poder de processamento. Por fim, é possível realizar a mineração em nuvem, onde se aluga o serviço de mineração de empresas que possuem os equipamentos necessários e lucra-se com as recompensas. Todavia, é preciso ficar esperto pois muitas plataformas de mineração em nuvem são fraudes ou pirâmides financeiras.

FUJA DAS PIRÂMIDES

No universo das criptomoedas, assim como em outros tipos de investimentos financeiros, existem pessoas mal intencionadas, que querem tirar vantagem daquelas com menos conhecimento. Por isso é importante estudar e pesquisar antes de realizar qualquer aplicação.

Para quem está sempre pesquisando e faz parte do fóruns de discussão, é comum ver ofertas mirabolantes de rentabilidades envolvendo mineração de bitcoin que retornam ao investidor ganhos de até 30% ao mês. Fique atento a esse tipo de oferta, pois geralmente são pirâmides financeiras disfarçadas.

Esses esquemas dependem da entrada de novos membros para sua sustentabilidade, na qual os novos membros transferem, indiretamente, dinheiro para aqueles que entraram a mais tempo. Dessa forma, com a diminuição da entrada de novos membros a pirâmide tende a ruir, prejudicando aqueles que foram inseridos no esquema por último. O bitcoin não dá qualquer rentabilidade, o que se ganha ao investir é a valorização da moeda, assim como se estivesse investindo em dólar ou euro. Não há distribuição de dividendos ou juros.

COMO COMPRAR BITCOINS

É possível adquirir bitcoin de três maneiras. A primeira, como já mencionado, é por meio da mineração, onde o proprietário das máquinas que realizam testes computacionais para validar as transações são recompensados com bitcoins.

A segunda é fazendo o cadastro em uma corretora e trocando a sua moeda (reais, dólares, euro…) por bitcoins.

A terceira é parecida com a segunda, mas um pouco menos segura. É o chamado comércio P2P (peer-to-peer) ou ponta a ponta. Nele, é possível negociar diretamente com alguém que possui bitcoins e trocar seu dinheiro pela moeda virtual. É menos segura pois não há qualquer garantia que a pessoa para a qual foi transferido o dinheiro irá te enviar bitcoins. Por outro lado, é de certa forma mais anônima, uma vez que a corretora possui dados cadastrais e informações de transações de todos que a utilizam, podendo ser cedidas à Receita Federal.

E como guardar as moedas digitais?

Existem diversas formas de guardar seus bitcoins. A menos segura de todas é deixá-los na casa de câmbio onde comprou. Já existiram alguns ataques de hackers em que  todos os fundos foram saqueados e, com isso, os usuários da casa perderam seus investimentos.

Para evitar esse tipo de problema, é mais seguro guardar em wallets (carteiras). A carteira de hardware é parecida com um pen drive e tida como uma das mais seguras, pois a sua senha é mantida offline. Mesmo que seu computador esteja com vírus, o hacker não conseguirá ter acesso a ela.

O único meio para que seus bitcoins sejam roubados seria o hacker ter acesso ao seu dispositivo físico e também ao seu código PIN (Número de Identificação Pessoal). Dessa forma, sim, ele conseguiria transferir seu saldo para a conta dele. É um risco que existe com qualquer tipo de aplicação financeira e não se restringe ao universo virtual.

As três carteiras de hardware mais populares são:

  • Ledger Nano S
  • KeepKey
  • Trezor

As carteira quentes de bitcoin são a forma mais fácil para o armazenamento das moedas e basta ter um dispositivo (computador, celular, tablet, entre outros) conectado a internet para acessá-las. Funciona como se fosse uma conta digital em que você deposita os valores e tem acesso a qualquer momento para transferir ou sacar.

Existem diversas carteiras desse tipo, como a GreenAddress, Jaxx, Electrum, Airbitz, dentre outras. Basta pesquisar e encontrar a que mais se adequa ao seu perfil, uma vez que algumas suportam várias moedas diferentes, outras têm uma usabilidade mais fácil e outras são mais seguras.

É possível também fazer uma carteira de papel (paper wallet). Neste caso, as suas senhas são impressas e guardadas offline. Assim, se seu dispositivo for alvo de algum ataque hacker, ele não terá acesso à sua carteira. O grande risco desse tipo de armazenamento consiste na forma com a qual você irá guardar o papel. Há o risco de perdê-lo ou até mesmo que algum incêndio queime-o.

EXISTE TRIBUTAÇÃO NO BITCOIN?

Mesmo ainda não existindo regulamentação, a Receita Federal do Brasil trata o bitcoin como um ativo financeiro, devendo ser declarada pelo valor de aquisição, e não como uma moeda. Robert T. Kiyosaki, autor do clássico livro das finanças “Pai Rico, Pai Pobre”, classifica ativo financeiro como tudo aquilo que gera renda para seu possuidor. Nesse sentido, sua carteira de criptomoedas deve ser declarada no imposto de renda anualmente na Ficha Bens e Direitos, como “outros bens” pelo preço da aquisição.

Existindo ganhos de capital superiores a R$ 35 mil reais mensais, a alíquota aplicada é de 15% e o recolhimento do imposto sobre a renda deve ser feito até o último dia útil do mês seguinte ao da transação. No caso de pessoas jurídicas, a tributação vai depender do regime no qual a empresa se insere (lucro real, lucro presumido, simples). A transferência do bitcoin, embora difícil de ser verificada, não escapa até mesmo do ITCMD (Imposto Transmissão Causa Mortis e Doação), cuja alíquota varia de estado para estado. Ou seja, caso envie seus bitcoins para outra pessoa em situação que não seja a venda, essa transação também deverá ser tributada, conforme lei estadual.

O BITCOIN VAI MUDAR MINHA VIDA?

Ainda existe muita controvérsia a respeito do quão grande será essa revolução. Há pessoas que acreditam que o bitcoin, aliado à tecnologia do blockchain, chega a ser tão importante quanto a invenção da internet.

Para o cidadão comum, os benefícios virão de muitas formas. Governos poderão ter todos os seus gastos controlados e fiscalizados por qualquer pessoa. Mercados e transações financeiras não serão mais controladas por poucos agentes e, com base na descentralização, haverá menos taxas e maior velocidade.

No caso do Brasil, onde persiste a dúvida em relação à segurança das urnas eletrônicas, a tecnologia do blockchain seria um grande aliado do TSE para acabar de vez com essa incerteza. Cada voto poderia ser computado apenas uma vez e seria praticamente impossível fraudar o sistema.

O registro de títulos e documentos na blockchain poderia substituir em grande parte o trabalho dos cartórios. O grande benefício, neste caso, é que haveria maior transparência e com um custo bem menor.

Então, talvez o bitcoin não seja a moeda do futuro, mas a tecnologia que permite a sua utilização veio para ficar.

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Referências: confira as fontes de todas as informações no conteúdo.

Publicado em 24 de abril de 2018.

Fonte: http://www.politize.com.br/bitcoin-o-que-e-como-usar/