Feudalismo: slides, texto e vídeos

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Slides:

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Baixa Idade Média

Texto: 

Alunos aprendem História jogando xadrez

O professor Luis Fernando Branco, do Colégio Santa Maria, ensina a organização social na Idade Média por meio das peças do jogo

– POR ALINE RIBEIRO – 03/05/2013

Aula de História no Colégio Santa Maria. O professor Luis Fernando Branco usa o xadrez para ensinar a disciplina a alunos do 7º ano (Foto: Divulgação)

Desde janeiro, os alunos do 7º ano do Colégio Santa Maria, em São Paulo, estão aprendendo História de uma forma lúdica: jogando xadrez. A ideia de associar o jogo à disciplina é do professor Luis Fernando Branco, de 26 anos, formado pela Universidade de São Paulo (USP). Ele relaciona as peças do jogo – rei, rainha, torres, bispos, cavalos e peões – à organização social na Idade Média. “Além de estimular o raciocínio, o xadrez é um elemento concreto para trabalhar as relações da sociedade feudal”, afirma. “É especialmente importante nesta faixa etária em que o pensamento abstrato ainda não está formado”.

Quando o xadrez chegou à Europa Medieval, no século X, suas peças foram adaptadas para a realidade feudal. Popular, o jogo despertou a atenção de reis e membros do alto clero da Igreja Católica. Eles passaram então a criar tratados sobre o xadrez, na tentativa de difundir valores morais e políticos pela sociedade. Ao longo dos quatro séculos seguintes, o jogo ganhou a forma como é disputado hoje. “Cada peça expressa um tipo de relação política dos tempos medievais”, diz. “A própria movimentação no tabuleiro diz muito sobre o poder dos personagens”.

As metáforas com o mundo medieval

O jogo
É o retrato da sociedade feudal. Representa o drama do homem medieval para manter uma conduta adequada aos valores morais da época. Numa vida permeada por vícios e deslizes, o xadrez se torna símbolo de algo virtuoso. Vencer no xadrez significa derrotar os pecados que acometem o homem.

O rei
Peça principal do jogo. Por simbolizar a sabedoria e a justiça divina, movimenta-se em qualquer direção no tabuleiro. Só pode, porém, avançar uma casa por jogada, o que indica seu poder político limitado – assim como na Idade Média, quando o poder era descentralizado.

A rainha
Move-se para qualquer casa ao longo da coluna, fileira ou diagonal que ocupa. Como fiel escudeira do rei, seu papel é abrir caminhos para que ele governe com tranquilidade. Sua outra faceta, no entanto, revela uma mulher cheia de artimanhas. É ao mesmo tempo tida como santa e pecadora.

O bispo
Percorre qualquer casa ao longo de uma diagonal que ocupa. É a Igreja Católica, autoridade divina, que protege o casal real e estabelece uma aliança entre o clero e a nobreza. A relação deve ser harmoniosa para não perder o jogo.

A torre
Pode percorrer um número ilimitado de casas na horizontal ou vertical. Assim como o castelo dos senhores feudais, tem a função de manter a ordem e a justiça.

O cavalo
Só pode se movimentar em L. Representa os nobres cavaleiros que, apesar de justos (quando anda para frente), cometem deslizes (quando anda para o lado).

O peão
Movimenta-se para frente, só uma casa por vez. Simboliza os trabalhadores e sua lenta ascensão social. O ataque na diagonal mostra suas escolhas pecaminosas para vencer na vida.

Fonte:

http://epocasaopaulo.globo.com/vida-urbana/alunos-aprendem-historia-jogando-x

Vídeos:

Idade Média: quando começou e quando acabou? – 20 min

 

A Assustadora medicina da Idade média – 10 min

 

AS 10 PIORES TORTUR�S DA IDADE MÉDIA �Tou Ligado� – 4 min

 

Idade média e a ritualização da vida | Tereza Aline Pereira de Queiroz – 3 min

 

O poder da Igreja na Idade Média – 4 min

 

IGREJA CATÓLICA e a SANTA INQUISIÇÃO (Muito Bom) – YouTube.flv – 34 min

 

Sobre o Tribunal da Santa Inquisição – 6 min

 

 

 

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Sobre Formações Políticas Africanas: slides e vídeos.

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Slides:

Formações Políticas Africanas

Vídeos: 

Griot – Oralidade Africana. – 3min

 

A África e os africanos antes dos europeus. – 7min

 

Fantastico – Matéria sobre as origens africanas – 7min

 

Trecho do documentario A Tradição Oral do Griô – 9min

 

Domingo Espetacular vai até a África saber mais sobre a história da escravidão – 33min

 

João Reis – Nossa História Começa na África – 20min

Navio negreiro – Tráfico de africanos para as américas – 9 min

 

 Crimes Contra Humanidade na Líbia – 1min

 

ESCRAVIDÃO NA LÍBIA: ENTENDA AS RAZÕES | CANAL RELEVANTE – 9min

Sobre Doutrinas políticas e sociais do século XIX – Socialismo, Comunismo e Anarquismo: slides,textos e vídeos.

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SLIDES:

Doutrinas sociais do século XIX ________________________________________________________________________________________

VÍDEOS:

As diferenças entre Socialismo e Comunismo – 4min

Anarquismo no Brasil – Reportagem Fantástico – 10min

 

A série “Anarquismo no Brasil” mostra grupos que se intitulam anarquistas – – 5min

Área de anexos

Visualizar o vídeo As diferenças entre Socialismo e Comunismo. do YouTube

As diferenças entre Socialismo e Comunismo.

Visualizar o vídeo Anarquismo no Brasil – Reportagem Fantástico do YouTube

Anarquismo no Brasil – Reportagem Fantástico

Visualizar o vídeo A série “Anarquismo no Brasil” mostra grupos que se intitulam anarquistas – do YouTube

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TEXTOS:

01 – O QUE É SOCIALISMO?

Estudantes em cerimônia de comemoração dos 90 anos do Partido Comunista Chinês.

O que é socialismo

O socialismo é uma doutrina política e econômica que surgiu entre o fim do século XVIII e a primeira metade do século XIX, no contexto da Primeira Revolução Industrial. Baseada sobretudo no princípio de igualdade, a corrente socialista emergiu como uma forma de repensar o sistema capitalista que vigorava na época. De uma forma geral, quando falamos em socialismo frequentemente associamos o termo à corrente marxista, mas essa não é a única forma de socialismo existente.

A partir do século XX, ocorreram no mundo várias tentativas de implementação de regimes socialistas. Atualmente, alguns países afirmam apresentar um sistema baseado em tais princípios, mas será que eles são mesmo socialistas? Descubra como funciona o socialismo, quais são os seus principais pensadores e de que formas essa doutrina se apresenta no mundo contemporâneo.

COMO SURGIU O SOCIALISMO?

No final do século XVIII, a Europa passava por um processo que gerou mudanças em todas as esferas da sociedade: a Revolução Industrial. Essa revolução não só modificou a economia dos países europeus, mas também causou grandes transformações sociais. Com a modificação dos meios de produção e, por consequência, o surgimento do ambiente fabril, o sistema capitalista entrava em uma nova fase: ele deixava de ser o capitalismo comercial mantido desde o século XV para assumir a forma de um novo capitalismo industrial.

Com a crescente expansão das indústrias, as cidades cresciam rapidamente, sem qualquer planejamento. Ao mesmo tempo, muitos trabalhadores migraram do meio rural para as cidades, onde a produção fabril empregava a maior parte da mão-de-obra.

Enquanto isso, a sociedade europeia se dividia entre dois grandes grupos: de um lado, um proletariado que nada possuía além da própria mão-de-obra; do outro, uma classe burguesa que detinha a maior parte da riqueza produzida. Essa segregação social se refletia na organização da cidade, com os trabalhadores pobres sendo deslocados para as margens da área urbana, onde predominava a miséria.

Esse novo proletariado fabril encontrava-se sob as mais duras condições de trabalho, onde não existia qualquer meio legal de proteção: os salários eram baixos e as jornadas diárias de trabalho chegavam a 16 horas, não possuíam direito a nenhum dia de descanso; não existia limite de idade, as crianças trabalhavam desde cedo e os idosos não tinham direito à aposentadoria; além disso, contavam com péssimas condições de segurança no ambiente de trabalho.

Neste contexto de pleno desenvolvimento do capitalismo, mas ao mesmo tempo de rápido aumento da miséria, alguns intelectuais passaram a buscar alternativas que pudessem melhorar esse cenário social. Foi em resposta a esses problemas que pensadores criaram a teoria socialista, como um caminho para organizar uma sociedade onde não houvesse desigualdades.

Os primeiros pensadores dessa corrente foram Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen. Cada um à sua maneira, esses autores fizeram parte da primeira forma de apresentação da ideologia socialista, mais tarde denominada socialismo utópico. Posteriormente, surge o socialismo científico, tendo como teóricos mais notáveis os alemães Friedrich Engels e Karl Marx.

O SOCIALISMO UTÓPICO

O socialismo utópico foi a primeira corrente socialista, desenvolvida ainda durante a Primeira Revolução Industrial. Um dos seus grandes estudiosos foi o filósofo e economista francês Claude-Henri de Rouvroy, mais conhecido por Conde de Saint-Simon.

Para ele, era importante que as classes prósperas entendessem que melhorar as condições de vida dos mais pobres implicaria na melhoria de suas próprias condições de vida. Assim, o objetivo das instituições sociais seria o de melhorar intelectual, moral e fisicamente, as condições da classe mais pobre e numerosa. Tudo isso através do progresso industrial e científico.

Saint-Simon foi um crítico do “tripé de dominação social”, formado pelo clero, a nobreza e os militares. Diferente de outros pensadores socialistas, não defendia o fim da propriedade privada e nem a revolução como caminho para a reformulação da sociedade. Além disso, Saint-Simon era favorável a uma forte interferência do Estado sobre a economia.

Outro teórico do socialismo utópico foi Charles Fourier. Ele propôs a criação de sociedades comunitárias e independentes, ainda que dentro da sociedade capitalista. Essas comunidades viveriam isoladas da sociedade, dependeriam do capital privado e não buscariam igualdade absoluta. Nelas haveria incentivo à eficiência industrial e, apesar de existir diferença de renda, esses rendimentos não seriam tão destoantes.

A comunidade idealizada por Fourier tornaria todos mais felizes e resultaria em aumento da produção. Ainda assim, Fourier nunca conseguiu colocar sua comunidade ideal em prática.

Assim como Fourier, Robert Owen também idealizou a criação de comunidades independentes dentro de uma sociedade maior. Contudo, suas comunidades visavam a igualdade absoluta, onde a única hierarquia seria baseada na idade. Nelas, a unidade de troca seria a hora de trabalho.

Diferente de Fourier, Owen conseguiu colocar sua comunidade em prática. Nela, os empregados eram pagos com altos salários e trabalhavam menos horas do que em outro lugar. Além disso, os trabalhadores eram sustentados por Owen durante crises econômicas e os sócios recebiam um valor limitado de lucros, aplicando o resto do dinheiro na melhoria da comunidade.

Contudo, as comunidades de Owen só funcionavam sob sua supervisão. Com o tempo, as brigas internas e entre seus sócios levaram essas comunidades ao fim.

Os socialistas utópicos enxergavam a indústria como o caminho para o desenvolvimento econômico e, com isso, para a melhoria de vida da população. Diferente dos socialistas científicos, não defendiam o fim do sistema capitalista como um passo necessário para se atingir uma sociedade justa e igualitária.

As formulações destes socialistas eram modelos idealizados de sociedade, por isso o nome de socialismo utópico. Marx criticou esse sistema ao apontar que, apesar dos socialistas utópicos apresentarem ideais de uma sociedade mais justa e igualitária, não mostraram os instrumentos e métodos necessários para que esses objetivos fossem atingidos.

O SOCIALISMO CIENTÍFICO

O socialismo científico foi criado no século XIX, pautado em uma análise histórica e científica do capitalismo. Por ter como pensadores Friedrich Engels e Karl Marx, o socialismo científico é muito conhecido como marxismo. Segundo Marx e Engels, em todas as épocas históricas a sociedade foi marcada pela luta de classes, sendo essa relação caracterizada pelo antagonismo entre uma classe opressora e uma oprimida. No sistema capitalista, essas classes são representadas, respectivamente, pelos proprietários privados do capital, e portanto os donos dos meios de produção, e do outro lado por uma massa de assalariados sem posses, que dispõe apenas de sua força de trabalho.

O marxismo enxerga o proletariado como a única classe social capaz de destruir essa forma de exploração do homem pelo homem, através da destruição do capitalismo. Isso seria alcançado quando o proletariado chegasse ao poder, através da revolução. Ao atingir o poder, os trabalhadores eliminariam as desigualdades, abolindo as classes sociais e tornando a sociedade igualitária. Quando isso acontecesse, estaria assinalada a passagem do socialismo para o comunismo.

Além de propor a extinção das classes sociais através da revolução, o socialismo científico defende ainda:

  • A socialização dos meios de produção: todas as formas de produção, como as indústrias por exemplo, passam a pertencer à sociedade e são controladas pelo Estado. Com isso, a riqueza deixa de ser concentrada nas mãos de uma minoria privilegiada.

  • Abolição da propriedade privada e controle do Estado sobre a divisão igualitária da renda.

  • Economia planificada: todos os setores econômicos passam a ser controlados e dirigidos pelo Estado, que determinará os preços, os salários e a regulação do mercado como um todo.

    COMUNA DE PARIS: A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA PRÁTICA DO SOCIALISMO

    A Comuna de Paris foi a primeira tentativa na história de implantação de um governo socialista. Em 1871, após a derrota da França na Guerra Franco-Prussiana, Adolphe Thiers assumiu o poder francês e assinou um acordo de paz com o chanceler prussiano Otto Bismarck. Como o acordo era extremamente favorável à Prússia, a classe operária não concordou com o contrato firmado e se revoltou contra o governo francês. Com apoio da Guarda Nacional, a classe de trabalhadores tomou o poder de Paris, instaurando a Comuna.

    O governo na comuna foi composto por noventa representantes eleitos, que seguiam diferentes vertentes socialistas, entre elas o marxismo. Boa parte desses representantes pertencia à Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), também conhecida como Primeira Internacional, a primeira organização de trabalhadores a superar as fronteiras nacionais.

    A principal meta da comuna era a melhoria das condições de vida e trabalho dos operários. Entre as principais medidas tomadas estão:

    • Fixação de um saláriomínimo para os trabalhadores;

    • Estabelecimento do ensino gratuito para todos, bem como do ensino noturno;

    • Redução da jornada de trabalho;

    • Autogestão nas fábricas, tornando os operários responsáveis pela organização;

    • Declaração da igualdade entre homens e mulheres

    • Criação do Estado Laico, através da separação entre Igreja e Estado.

    Após a instauração da Comuna de Paris, ocorreram diversas outras tentativas de criação de comunas em toda a França. Para impedir o avanço do movimento, os governos francês e prussiano, que recém haviam se enfrentado em uma guerra, se uniram para derrubar a comuna parisiense. Com apoio das tropas prussianas, o antigo governo de Paris invadiu a cidade e recuperou o poder. Após curtos 72 dias de existência, chegava ao fim a primeira experiência de um governo socialista de composição operária.

    O SOCIALISMO REAL NA UNIÃO SOVIÉTICA

    Ainda que a Comuna de Paris tenha sido a primeira experiência prática de socialismo, foi somente no século XX que a ideologia socialista foi adotada por um país inteiro. A primeira nação a adotar esse sistema foi a Rússia, que pouco tempo depois se unificaria com outros países para formar a União Soviética.

    O regime socialista foi estabelecido na Rússia em 1917, quando uma revolução derrubou a monarquia czarista que vigorava no país. Após a queda da monarquia, o Partido Bolchevique, liderado por Vladimir Lênin, instaurou o governo socialista, que defendia ideais baseados sobretudo nos princípios marxistas.

    O governo de Lênin enfrentou forte oposição de setores ligados ao antigo regime czarista, o que gerou uma longa guerra civil no país. Após o fim do confronto, a Rússia estava devastada e, para reconstruí-la, o governo decidiu abandonar momentaneamente alguns rígidos princípios socialistas. Através da chamada Nova Política Econômica (NEP), o país voltou a usar formas de produção capitalistas, como a abertura de pequenas fábricas, diferenças salariais e investimento estrangeiro no país.

    Em 1922, sob o governo de Josef Stalin, a Rússia se une a vários outros países europeus para constituir oficialmente a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Durante seu governo, Stalin aboliu o NEP e estabeleceu os planos quinquenais, onde as metas da economia soviética eram definidas em um prazo de cinco anos. Stalin priorizou a expansão e o desenvolvimento da indústria, além de centralizar diversos outros setores nas mãos do Estado.

    O socialismo implantado na União Soviética pode ser chamado de socialismo real, por ser considerado a primeira experiência prática de países que adotaram medidas da teoria socialista. Embora algumas dessas medidas tenham sido propostas durante os 72 dias da Comuna de Paris, esta foi a primeira vez em que os princípios socialistas se mantiveram como sistema politico de uma nação por um longo período de tempo, um diferencial em relação às teorias socialistas anteriores, que praticamente se mantiveram no campo das ideias.

    ATUALMENTE, QUAIS PAÍSES SE DECLARAM SOCIALISTAS?

    O que é socialismo

    Existem hoje países que se auto-declaram socialistas, apesar do assunto ser bastante controverso. Mesmo que muitos deles ainda sigam alguns princípios socialistas, é notável a influência do sistema capitalista em seus sistemas, sobretudo na esfera econômica. Confira quais são os países que adotam princípios socialistas atualmente:

    1) Cuba

    Cuba talvez seja o exemplo mais conhecido de socialismo moderno. Instaurado no país desde aRevolução de 1959, o sistema cubano ainda mantém muito dos seus ideais socialistas, como a busca pela igualdade e a centralização dos serviços nas mãos do Estado. Contudo, o país já demonstra muitos indícios da economia capitalista, como a indústria do turismo e o comércio externo, ainda que limitado pelo embargo econômico.

    2) China

    O socialismo foi implantado na China em 1949, pouco tempo depois do fim da Segunda Guerra Mundial. O país manteve estreita relação com a URSS até a década de 1960, mas a partir dos anos 1970 começou a adotar aspectos capitalistas na economia. Por apresentar uma estrutura política baseada no socialismo, mas um sistema econômico capitalista, a china se define como um “socialismo de mercado”.

    3) Coreia do Norte

    A Coreia do Norte surgiu a partir da fragmentação da antiga Coreia em 1948, quando se originaram dois países: um com um sistema socialista, apoiado pela URSS, e uma nação capitalista, apoiada pelos Estados Unidos. Com uma economia baseada na indústria pesada e na agricultura mecanizada, o sistema coreano possui rígido controle político, mas já se nota o crescimento de um mercado privado.

    Mudanças recentes permitem ao agricultor vender o excedente da sua produção, além de poder reinvestir os lucros ou gastá-lo. A adoção dessa e outras práticas de mercado surgiu como um mecanismo de sobrevivência diante da fome, e alguns representantes do governo dizem que é uma medida momentânea enquanto o país não consegue produzir os bens de consumo necessários.

    4) Vietnã

    O Vietnã adotou o regime socialista em 1976, após a conhecida guerra contra os Estados Unidos. Nos anos 1990, o governo realizou reformas em sua política econômica, adotando um sistema semelhante ao chinês. Assim, o Vietnã, que até então possuía uma economia baseada na agricultura, expandiu seu setor industrial, registrando o maior crescimento econômico do Sudeste Asiático nos últimos anos. Após atrair capitais estrangeiros, o país passou a integrar o grupo dos “Novos Tigres Asiáticos”, ainda que mantenha um sistema político socialista.

    Referências:

    COGGIOLA, O. A Comuna de Paris e a Primeira Internacional Operária. Revista PUCviva, São Paulo, n. 40, janeiro, 2011.

    HOBSBAWN. E. A Era das Revoluções. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1997.

    MARX, K; ENGELS, F. Manifesto do partido comunista. São Paulo: Martin Claret; 2014.

    WILSON, E. Rumo à Estação Finlândia: escritores e atores da história. São Paulo: Companhia das Letras, 1986, p. 77-120.

    Publicado em 03 de janeiro de 2017.

    Fonte: http://www.politize.com.br/socialismo-o-que-e/

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    02 – 4 PONTOS PARA ENTENDER O COMUNISMO

    Bandeira do Partido Comunista do Vietnã. Foto: Beto Conte

    Comunismo

    O comunismo é uma ideologia política e socioeconômica que pretende estabelecer uma sociedade igualitária, através da abolição da propriedade privada, das classes sociais e do próprio Estado. Embora a ideia de igualdade baseada no fim das classes tenha sido defendida por filósofos desde a antiguidade, o comunismo está associado sobretudo à teoria dos pensadores Friedrich Engels e Karl Marx. Entenda como surgiu o comunismo e quais são as principais ideias defendidas pelos adeptos a essa ideologia.

    OS IDEAIS DE IGUALDADE NA ANTIGUIDADE E NA ERA MEDIEVAL

    Embora Marx e Engels sejam apontados como os precursores do comunismo, os ideais de uma sociedade igualitária podem serencontrados desde o período da antiguidade clássica.Em uma obra das mais importantes, intitulada A República, Platão formula um modelo de sociedade ideal, baseada na extinção da propriedade privada e da família. Segundo o filósofo, o fim da propriedade privada causaria o fim do conflito entre o Estado e o cidadão em particular, e a abolição da família teria como resultado uma maior devoção do indivíduo ao bem público.

    Na sociedade idealizada por Platão, não existiriam vínculos matrimoniais e os filhos gerados pelos cidadãos, além de desconhecerem os seus pais, ficariam sob o cuidado permanente do Estado, que garantiria seu sustento e educação.

    Com o passar do tempo, esses mesmos ideais foram constantemente reformulados. Entre os séculos XII e XV, grupos dissidentes da Igreja Católica pregavam o repúdio à propriedade privada e aos bens materiais em geral, a convivência humana em padrões de uma vida simples e a necessidade de uma vida comunitária, onde todos deveriam trabalhar e conviver em igualdade. Destacaram-se nessa corrente o abade Joaquim de Fiore, o franciscano frei Dolcino e o protestante Thomas Munzer.

    O COMUNISMO NA IDADE CONTEMPORÂNEA

    No século XIX, a Revolução Industrial transformou o contexto econômico e social dos países europeus. Ao mesmo tempo em que ocorria um pleno desenvolvimento do novo sistema capitalista, boa parte da população vivia em condições de miséria e exploração. Buscando uma solução para os diversos problemas que atingiam as sociedades na Europa, intelectuais da época passaram a propor sistemas políticos e econômicos que fossem uma alternativa ao sistema capitalista. Uma dessas proposições foi o comunismo, que está no cerne da teoria marxista.

    Situado dentro do socialismo científico, o marxismo é uma corrente de pensamento criada por Karl Marx e Friedrich Engels. Para eles, em todas as épocas da história a sociedade foi marcada por uma luta de classes, sendo essa relação caracterizada pelo antagonismo entre uma classe opressora e uma oprimida. Na sociedade capitalista, essas classes são representadas respectivamente pela burguesia, que detém os meios de produção e por consequência boa parte da riqueza gerada, e o proletariado, que nada possui além da própria mão de obra, vendida como mercadoria ao proprietário do capital.

    De acordo com a teoria marxista, os trabalhadores são tidos como uma mercadoria como qualquer outro artigo comercial, submetidos à concorrência e às oscilações do mercado. Nas fábricas, são amontoados e vigiados, tratados como servos da classe burguesa, do Estado burguês e do proprietário da fábrica, que possui como único objetivo o lucro.

    O socialismo marxista propõe a abolição da propriedade privada, a socialização dos meios de produção, o fim da divisão de classes e a abolição do trabalho. Para Marx e Engels, quando a classe proletária fosse capaz de tomar consciência da sua situação e buscar uma organização de luta, assumindo o poder e administrando o sistema de forma justa e em prol de todos, as classes sociais seriam abolidas e com ela chegaria ao fim também o Estado. A partir desse momento, a sociedade estaria preparada para o sistema comunista.

    QUAL A DIFERENÇA ENTRE SOCIALISMO E COMUNISMO?

    Partido Comunista Chileno. Foto: Coletivo Bandeira Vermelha

    Comunismo

    Embora o socialismo e o comunismo sejam frequentemente tratados como sinônimos, existem algumas diferençasentre eles. Na teoria marxista, o socialismo é uma etapa para se chegar ao comunismo.

    No sistema socialista, o Estado e o governo se mantêm no controle da vida social. Contudo, diferente do capitalismo, o Estado seria conduzido pelos trabalhadores e a produção e distribuição de bens controlados nas mãos do governo, que organizaria um sistema de igualdade e cooperação.

    O comunismo, por sua vez, trata-se de um estágio posterior ao socialismo, quando já havendo igualdade absoluta entre os cidadãos, o Estado poderia ser abolido, eliminando as formas de opressão social, e a sociedade encontraria formas de se auto regulamentar. Assim, os trabalhadores se tornariam proprietários do seu trabalho e dos bens de produção.

    QUAL A DIFERENÇA ENTRE COMUNISMO E ANARQUISMO?

    Já entendemos que a sociedade sem classes, a abolição do Estado e o fim da propriedade privada são importantes objetivos dos adeptos ao comunismo. Mas esses princípios podem ser vistos também em uma outra corrente de pensamento: o anarquismo. Por apresentarem propostas semelhantes do que seria uma sociedade ideal, pode ser um pouco difícil distinguir as duas correntes ideológicas. Vejamos a principal diferença.

    O anarquismo é uma filosofia política que busca a eliminação total de todas as formas de coerção. Seus adeptos são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja socialmente aceita e defendem uma organização baseada na livre associação.

    A principal diferença entre o comunismo e o anarquismo está no processo por onde se atingirá a sociedade ideal. No anarquismo isso ocorreria deumaformaabrupta, uma passagem direta do capitalismo para o novo sistema. Alguns autores, como o russo Mikhail Bakunin, defendem essa mudança através de uma revolução violenta. Para Pierre-Joseph Proudhon, a passagem deveria ser pacífica, baseada na fraternidade e na cooperação entre os homens.

    Já no comunismo, a sociedade ideal seria alcançada através de um processo de transição formado por três etapas: primeiro a superação do capitalismo através da revolução, decorrente da tomada de poder pelo proletariado; em seguida, o socialismo seria estabelecido; e por fim se chegaria ao comunismo. O comunismo só pode existir após o estabelecimento do sistema socialista.

     

    A sociedade idealizada por Marx e Engels nunca chegou a ser implementada em nenhum país. Embora o sistema socialista tenha sido adotado por algumas nações, até então nenhuma delas conseguiu atingir a etapa final, que é o comunismo. Muito se discute se esse modelo seria possível ou apenas uma idealização.

    Fonte: http://www.politize.com.br/comunismo-o-que-e/

Sobre o Tio Sam: textos e vídeo.

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Textos:

01 – Quem era o Tio Sam?

 Os Estados Unidos têm cara e nome. Tio Sam, a imagem do senhor de cabelos brancos, dedo em riste e cartola na cabeça tornou-se a mais popular imagem que simboliza o país.

“O Tio Sam é os Estados Unidos. A figura do homem sério e elegante é visto como a própria imagem do país”, explica Roberto Nasi, professor de inglês da Wizard Idiomas/Teresópolis, de Porto Alegre.

A personificação da nação mais poderosa do planeta também tem data de nascimento: 1812. Naquele ano, foi feito o primeiro esboço do que se tornaria, anos mais tarde, um dos desenhos mais famosos do mundo.

Segundo dados históricos da literatura americana, o Tio Sam teria sido criado por soldados americanos no norte do Estado de Nova York. Baseados lá durante ações militares, eles recebiam barris de carne com a inscrição U.S estampada, em referência a United States (Estados Unidos, em português).

Fazendo brincadeiras ao citar as duas iniciais, eles diziam que as letras U e S se referiam, na verdade, a Samuel Wilson, o dono da companhia que fornecia os enlatados de carne. Com a paródia, o apelido do “Tio Sam” foi ganhando popularidade.

Já em 1870, o cartunista Tomas Nast desenhou a imagem de quem poderia ser o Tio Sam, inspirando-se nos traços faciais de Abraham Lincoln, presidente americano que era considerado um herói nacional. A partir disso, o Tio Sam, além de uma história fictícia, passou a ter, também, uma face.

A versão com o dedo apontado no ângulo de quem olha a caricatura foi criada em 1917 pelo artista James Flagg, que acrescentou a frase I Want You (que em português significa “eu quero você”), encomendada pelas Forças Armadas americanas para o recrutamento de soldados na Primeira Guerra Mundial.

“A imagem dele ficou popularizada pelas cores da bandeira norte-americana – vermelho, azul e branco – e pela elegância, pelo porte representativo do poder dos Estados Unidos refletido em sua postura”, resume o professor.

Fonte: Redação Terra
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02- Hoje na História – 1813: Nasce o Tio Sam, personificação dos EUA

No final dos anos 1860 e nos anos 1870, o cartunista político Thomas Nast (1840-1902) começou a popularizar a imagem de Tio Sam.

Em 7 de setembro de 1813, os Estados Unidos ganham seu apelido, Tio Sam. O nome está vinculado a Samuel Wilson, um empacotador de carne de Troy, Nova York, que fornecia bifes acondicionados em barris ao exército dos Estados Unidos durante a Guerra de 1812. Wilson (1766-1854) etiquetava os barris com a expressão “U.S.” de United States, mas os soldados começaram a se referir à comida como de U.S. – Uncle Sam. O jornal local publicou essa história e a expressão Uncle Sam ganhou ampla aceitação como o apelido do governo federal dos Estados Unidos.

Wikicommons

No final dos anos 1860 e nos anos 1870, o cartunista político Thomas Nast (1840-1902) começou a popularizar a imagem de Tio Sam. Nast continuou a desenvolver o desenho, conferindo finalmente à imagem de Tio Sam a barbicha branca e o paletó com as listas e estrelas, que até hoje estão associados à sua figura. Credita-se a Nast, nascido na Alemanha, a criação da moderna imagem do Papai Noel, bem como a apresentação do burro como símbolo do Partido Democrata e do elefante como símbolo do Partido Republicano.

Nast também satirizou genialmente a corrupção no Tammany Hall da cidade de Nova York – sociedade política, formada por membros do Partido Democrata, que dominou o governo municipal de Nova Iorque entre 1854 a 1934, quando Fiorello LaGuardia foi eleito prefeito – , em suas charges na imprensa e foi, em parte, responsável pela queda do líder do Tammany, William Tweed.

Talvez a mais famosa imagem do Tio Sam tenha sido criada pelo artista James Montgomery Flagg (1877-1960). Na versão de Flagg, o Tio Sam veste uma cartola alta e uma jaqueta azul e está apontando diretamente para quem o vê. Durante a Primeira Guerra Mundial, este retrato de Tio Sam com as palavras “Eu quero você para o Exército dos Estados Unidos” foi usado como pôster de recrutamento.

A imagem, que se tornou imensamente popular, foi publicada pela primeira vez como capa da revista mensal Leslie com o título “O que você está fazendo pela preparação”. O pôster foi amplamente distribuído e subsequentemente utilizado numerosas vezes com distintos subtítulos ou textos-legendas, até no exterior para expressar a perene política do “destino manifesto” de Washington.

Em setembro de 1961, o Congresso dos Estados Unidos reconheceu Samuel Wilson como o “símbolo nacional da América do Tio Sam”. Wilson faleceu aos 88 anos em 1854 e foi enterrado ao lado de sua mulher, Betsey Mann, no cemitério de Oakwood, em Troy, Nova York, uma cidade que se cognomina como “O Lar de Tio Sam”.

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/6194/conteudo+opera.shtml#

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Vídeo:

A ORIGEM DO TIO SAM – 2min

 

Sobre o Canal do Panamá: textos e vídeos.

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Textos:

01 – Canal do Panamá

https://brasilescola.uol.com.br/geografia/canal-panama.htm

02- Hoje na História: 1999 – EUA entregam controle do Canal do Panamá

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/historia/26319/hoje+na+historia+1999+-+eua+entregam+controle+do+canal+do+panama.shtml

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Sobre GUANTÁNAMO – texto e vídeos.

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Como e quanto os EUA pagam a Cuba pelo aluguel da baía de Guantánamo

  • 21 março 2016
Foto: GettyDireito de imagemGETTYImage captionBase militar de Guantánamo ocupa território de 116 quilômetros quadrados

Há 113 anos, um pedaço de Cuba está sob o controle dos Estados Unidos por um aluguel anual equivalente ao que se paga mensalmente por um bom apartamento em uma grande cidade.

A história da locação de Guantánamo, local onde fica a base militar americana, está cheia de curiosidades e é um dos principais obstáculos no processo de reaproximação iniciado pelos dois países em 17 de dezembro de 2014.

O líder cubano, Raúl Castro, mencionou o tema nesta segunda-feira ao presidente americano, Barack Obama, durante a visita histórica que este realiza a Havana.

Castro elogiou as medidas adotadas por Obama para reaproximar os países, mas disse que elas são insuficientes e pediu tanto o fim do embargo comercial (que depende do aval do Congresso) quanto a devolução de Guantánamo para que as relações sejam normalizadas.

Mas a discussão não é novidade. Cuba insiste em dois aspectos principais para que a normalização das relações entre os dois países, inimigos ideológicos durante mais de meio século, seja consumada.

O primeiro é o fim do embargo econômico e comercial que os Estados Unidos impõem à ilha desde 1961.

O segundo é a devolução da base de Guantánamo, situada na região de mesmo nome do sudeste da ilha, diante da costa do Haiti, um lugar estratégico no mar do Caribe.

Na semana passada, em um editorial, o jornal estatal Granma disse que “o território ocupado pela Base Naval dos Estados Unidos em Guantánamo, contra a vontade de nosso governo e do povo, deve ser devolvido a Cuba, cumprindo o desejo unânime dos cubanos há mais de cem anos”.

Foto: GettyDireito de imagemGETTYImage captionO acordo de 1903 especifica que os Estados Unidos devem cuidar da manutenção da cerca

Emenda Platt

Guantánamo está em poder do governo americano desde 1903, quando os Estados Unidos intervieram na guerra de Cuba contra a Espanha pela independência em 1898.

Na primeira constituição da República de Cuba, Washington pressionou pela inclusão da chamada Emenda Platt, segundo a qual a ilha era obrigada a ceder partes de seu território ao país.

Em 16 de fevereiro de 1903, os presidentes de ambos os países, Tomás Estrada Palma e Theodore Roosevelt, assinaram um acordo segundo o qual Cuba cedia aos Estados Unidos, “pelo tempo necessário e para os propósitos de estação naval e estação carvoeira”, dois territórios, em Guantánamo e em Bahía Honda. Este último nunca foi efetivado.

Pelos termos do acordo, os territórios ficariam sob “controle e jurisdição completa” dos Estados Unidos, apesar de reconhecerem a soberania cubana.

Em 2 de julho de 1903, ambos os países assinaram um tratado no qual se especificavam os detalhes da locação. Por exemplo, que os Estados Unidos se encarregariam da manutenção das cercas ao redor de Guantánamo. E também o preço do aluguel: “A soma anual de 2 mil dólares em moedas de ouro dos Estados Unidos”.

Foto: GettyDireito de imagemGETTYImage captionNa base, onde há até mesmo um McDonald’s, trabalham 5.394 pessoas, entre civis e militares

O preço era alto para a época, mas Cuba não incluiu no contrato nenhum tipo de ajuste. Por isso, o aluguel dos 116 quilômetros quadrados continua a ser ínfimo em valores atuais.

“Pode-se dizer que o que os Estados Unidos pagam por Guantánamo é quase nada”, disse à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, o professor Michael Strauss, que ensina no Centro de Estudos Diplomáticos e Estratégicos de Paris e é autor do livro The Leasing of Guantánamo (O aluguel de Guantánamo, em tradução livre). Ele é um dos maiores especialistas nesse curioso acordo.

Na verdade, seria mais correto dizer que o aluguel é “nulo”, já que, desde a Revolução em 1959, Cuba só cobrou uma vez o cheque do aluguel anual.

‘Simples confusão’

Em 2007, quando ainda era presidente, Fidel Castro escreveu no Granma que “o (cheque) correspondente a 1959, por uma simples confusão, foi contabilizado uma vez. Desde 1960 até hoje eles nunca foram cobrados e se mantêm como registro de um arrendamento imposto durante mais de 107 anos”.

Cuba sempre considerou a base de Guantánamo como o reflexo do “imperialismo” dos Estados Unidos, que ganharam, além de influência, um local estratégico para seus navios no Caribe.

Após a Revolução, as relações entre os países foram cortadas, mas o governo americano manteve Guantánamo.

Apesar de nunca ter havido um confronto militar pelo enclave, no passado ocorreram pequenos enfrentamentos entre soldados de ambos os países. Para além das grades há uma zona intermediária, já em Cuba, que é uma terra de ninguém e que chegou até mesmo a estar minada.

Foto: GettyDireito de imagemGETTYImage captionGuantánamo é território que não responde às leis dos Estados Unidos, nem às de Cuba

Os anos passaram e os Estados Unidos foram reinterpretando os usos de “estação naval e carvoeira” especificados no acordo.

Como parte dessa reinterpretação, decidiram abrir em 2002 uma prisão na base de Guantánamo, criticada pela comunidade internacional e para cujo fechamento o presidente Obama apresentou, no mês passado, um plano que depende da aprovação do Congresso.

‘Frankenstein’

O fato de que o território reconhece a soberania de Cuba, mas tem jurisdição americana, gera o que o escritor Michael Strauss diz ser “um buraco negro legal”.

Por não ser território dos Estados Unidos, os métodos de interrogatório e as garantias para os presos em Guantánamo não respondem às leis do país. Nem às leis de Cuba. É um limbo onde nem Havana, nem Washington nem a comunidade internacional têm jurisdição.

“Guantánamo poder ser visto como um equivalente territorial ao monstro de Frankenstein: um lugar que foge ao controle legal dos Estados Unidos e de Cuba”, afirma Strauss.

Obama pretende fechar a prisão, mas em nenhum momento fala em entregar a Cuba o território de Guantánamo. As autoridades americanas negam que isso vá acontecer e dizem que o assunto não está em discussão, apesar de Havana sempre trazê-lo para as negociações.

Strauss afirma que, como o aluguel nasceu de um acordo executivo entre os presidentes dos dois países, Obama também poderia desfazê-lo em acordo com Raúl Castro. Nesse caso, sequer seria necessária a aprovação do Senado.

Foto: GettyDireito de imagemGETTYImage captionBarack Obama diz querer fechar a prisão que funciona na base militar, mas não fala em devolver o território à ilha

Além disso, como o aluguel não é vitalício, ele poderia ser encerrado assim que o Pentágono reconhecer que seu uso já não é necessário.

No entanto, não parece provável que isso aconteça. A entrega de Guantánamo, se acontecer, ficará para os próximos governos. E os republicanos não são muito favoráveis à ideia.

O senador republicano e ex-candidato à Presidência Marco Rubio, de origem cubana, afirmou em um debate na semana passada que se opõe à reaproximação e que os “terroristas” mais perigosos deveriam ser confinados em Guantánamo.

Valor baixo

Agora que os dois países se aproximam, que valor Guantánamo realmente tem para os Estados Unidos?

“Uma vez que a prisão seja fechada, quase nenhum”, diz Strauss. Ele acredita que, com os avanços tecnológicos, o posicionamento de navios na baía já não tem sentido, porque não se justifica a presença da Marinha americana.

Os Estados Unidos, segundo o especialista, poderiam ceder o terreno em troca de concessões. “Esse pode ser um elemento útil para negociar.”

A lei americana Helms-Burton, de 1996, estipula que os Estados Unidos podem dar os passos para a devolução de Guantánamo, na condição de que Cuba instale um governo democrático. Isso já indicava, de alguma maneira, que o valor militar e estratégico do local para o país é escasso ou nulo.

Mas enquanto isso, a base e a prisão continuam funcionando. Um total de 5.394 pessoas, entre militares e civis, trabalham ali todos os dias, segundo a base confirmou à BBC Mundo.

Foto: Livro 'The Leasing of Guantánamo'Direito de imagemTHE LEASING OF GUANTANAMOImage captionCheques de pagamento do aluguel são enviados anualmente pelos Estados Unidos, mas não são cobrados por Cuba

E por causa disso, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos continua enviando os cheques a Cuba.

Antes de 17 de dezembro do ano passado, quando as relações diplomáticas entre os dois países foram restabelecidas e as embaixadas foram reabertas, o pagamento ocorria através da delegação suíça na ilha.

O preço do aluguel: US$ 4.085 por ano, segundo o último ajuste que os Estados Unidos fizeram em 1973.

Mas Cuba não os cobra, e os cheques, segundo Strauss, são anulados se não são cobrados em um ano.

Eles são enviados através da Marinha americana e se dirigem ao Tesoureiro Geral da República de Cuba, figura que há anos não faz parte da estrutura do governo da ilha.

Nem o Departamento do Tesouro, nem o de Defesa, nem o de Estado americanos responderam os pedidos da BBC Mundo para saber onde vai parar esse dinheiro.

“Graças a Cuba, é o melhor investimento do orçamento dos Estados Unidos”, brinca Strauss.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160321_eua_cuba_guantanamo_dgm_cc

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