As várias faces de Getúlio Vargas: historiografia e memória – Caféhistória.com.br

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É preciso evitar o personalismo político e compreender que os trabalhadores brasileiros são os protagonistas de suas lutas.

Por Thiago Cavaliere Mourelle

Embora todos os povos tenham seus heróis e seu panteão cívico, há no Brasil uma cultura histórica personalista bastante forte. Hebe Mattos, por exemplo, ao estudar a memória dos descendentes de escravos, relata que parte significativa dos entrevistados enxergava uma associação entre a princesa Isabel e Getúlio Vargas, “com a primeira sendo responsável pela libertação e o segundo pela consolidação dos direitos civis”. Todo político é um herói em potencial. E em cima desse herói são colocadas expectativas pela solução de séculos de problemas de ordem política, social e econômica. A questão é: por detrás da delegação do papel de salvador a uma única pessoa, está a falta de percepção de que, para alcançar soluções, a mobilização coletiva é o fator essencial e não a “varinha mágica” de um político qualquer.

Wanderley Guilherme dos Santos escreveu sobre a dificuldade da sociedade brasileira em compreender o significado do que é ser cidadão e sobre a “falha” do brasileiro em ver-se como parte de uma sociedade que deve, através de suas escolhas, não apenas se fazer representar, mas também participar cotidianamente da política. Esse é um debate que não será aqui aprofundado, mas que nos auxilia no ponto em que queremos chegar: o déficit coletivo do entendimento da cidadania se dá em razão de uma herança histórica de não-participação e de personalismo em torno de líderes que foram mitificados.

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Vargas em campanha com o povo: a face política e popular. Foto: Arquivo Nacional.

Neste artigo, analisarei talvez o maior personagem mitificado da História do Brasil: Getúlio Vargas. Nos anos 1920, quando era deputado federal, Vargas foi peça importante para chancelar mais uma das várias vitórias eleitorais do governador do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, marcante caudilho da Primeira República. Mais tarde, foi Ministro da Fazenda do presidente Washington Luís, o mesmo que deporia poucos anos depois. Vargas era homem da elite, peça participante da Primeira República à qual chamaria de “Velha” assim que chegou à presidência, em 1930. Não se trata aqui de ignorar todas as mudanças do Governo Vargas, mas de lembrar que ele fez parte do “velho” do qual buscou, depois, se desvincular.

Lembranças e esquecimentos

Os 15 primeiros anos do Governo Vargas (1930-1945), assim como os quase quatro seguintes (1951-1954) foram profundamente marcantes para o Brasil. Para entender esses governos, contamos com trabalhos de fôlego de vários pesquisadores que detalharam fatos marcantes como a guerra civil de São Paulo (1932), as revoltas da Aliança Nacional Libertadora (1935), a tentativa dos integralistas de tomar o poder (1938) e a entrada do país na Segunda Guerra Mundial (1942), dentre outros temas, tais como o incremento da indústria nacional, a oficialização do samba, a extensão do direito de voto às mulheres e a invenção do trabalhismo. [1]

Porém, um ponto que não pode ser esquecido é que Getúlio Vargas governou o país durante oito anos sob o jugo de uma violenta ditadura. Aliás, esse período poderia ser ampliado se os historiadores atentassem para o fato de que o Governo Provisório (1930-1934) também foi um momento ditatorial e igualmente violento. Afinal, Vargas governou quase quatro anos sem obedecer a uma Constituição, já que a de 1891 foi suspensa tão logo o novo governo ascendeu ao poder. O próprio Vargas, em seu diário, se refere ao período 1930-1934 como ditadura.

Outra situação histórica algumas vezes deixada de lado é a condição vivida pelo movimento operário quando ocorrem os eventos que alçam Vargas ao poder em 1930. A greve geral de 1917, em São Paulo, e a insurreição anarquista de 1918, no Rio de Janeiro, são marcas importantes da mobilização dos trabalhadores, que desde o final do século XIX vinham em um crescente. Sabemos que, nos anos 1920, a criação do PCB deu ao proletariado a esperança de uma revolução nos moldes da que ocorrera na Rússia, em 1917. Não por acaso a Liga das Nações enviou uma comitiva ao Brasil, em 1926, justamente para tratar da necessidade da criação de uma legislação social que abrandasse as condições de exploração vigentes no país e evitasse o chamado “caos social”, combustível para greves e insurreições.

Getúlio Vargas certamente compreendeu os problemas que se apresentavam e a conjuntura histórica de seu tempo. Ele encampou as necessidades não percebidas ou não possíveis de serem resolvidas na conjuntura política da Primeira República. Porém, a relação de violência e a “política dos cassetetes” utilizada nas primeiras décadas republicanas, como resposta à “questão social”, terá continuidade durante seu governo. O movimento operário independente continuou sendo reprimido violentamente. Em pleno “governo constitucional” (1934-1935), inúmeras foram as críticas sobre a interferência do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (MTIC) – criado em 1930 e apelidado de “Ministério da Revolução”, dada sua importância ao projeto político que ora se iniciava – nas eleições para líderes sindicais, além das denúncias de excesso de violência contra as manifestações dos trabalhadores que contestavam o MTIC e exigiam a pluralidade sindical e critérios mais democráticos de representatividade. O contexto não era benéfico aos trabalhadores, pelo contrário: milhares de presos, feridos, expulsos do país, sindicatos cassados, jornais proletários proibidos de circular. A isso se juntava o anticomunismo, combustível utilizado nas perseguições ao longo de 1936 e 1937 – Luís Carlos Prestes, por exemplo, ficou preso quase nove anos, entre 1936 e 1945 – e que culminou com a invenção do conhecido Plano Cohen como justificativa para o golpe de novembro de 1937.

Por fim, outro fator importante dos anos 1930 foi a ascensão de novas lideranças políticas nacionais. Flores da Cunha, Benedito Valadares, Pedro Ernesto Batista, Oswaldo Aranha, entre tantos outros, deram o apoio necessário à estabilidade do presidente. Mas esse grupo de aliados, ao longo dos quase 20 anos do protagonismo político de Vargas, mudou radicalmente quase de ano a ano, com o presidente variando entre alianças com novos nomes e a busca de laços com antigos coronéis, dependendo da conjuntura política que se apresentava. Nesse contexto, alguns desses nomes foram ora aliados, ora inimigos – caso, por exemplo, de Flores da Cunha, que fora importante aliado de Vargas, sendo indicado interventor e depois eleito governador do Rio Grande do Sul. Contra os planos continuístas do presidente, Flores se tornou feroz adversário de 1935 até 1937, fugindo do país quando decretado o Estado Novo.

Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP): instrumento para reescrever a história

Em 1937 entrou em jogo um fator fundamental para a criação do mito Vargas. Seguindo o expediente em voga na conjuntura internacional, o seu governo, que já era bastante centralizador e intervencionista, empreendeu a censura e um eficaz aparelho de propaganda. Além disso, o fenômeno do trabalhismo,analisado por pesquisadores como Ângela de Castro Gomes, Jorge Ferreira, entre outros, se tornou uma força política nas décadas seguintes, em grande parte graças à combinação de realizações sociais e a propaganda de exaltação do líder. De acordo com Maria Helena Capelato, o Estado brasileiro usou a propaganda e a censura de uma forma nunca antes vista na história brasileira.

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Vargas e o pai: a face familiar. Foto: Arquivo Nacional

Vargas soube ainda usar muito bem o aparato cultural que montou durante seus anos no Palácio do Catete. Suas ações no campo da cultura desvalorizaram seus adversários e o passado na mesma proporção em que exaltaram o seu governo e o tempo presente. O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), entre 1937 e 1945, lembrado em geral por seus métodos repressivos, deve ser considerado também, e principalmente, por sua força de convencimento. Suas publicações atingiram os brasileiros de todas as idades. Para a intelectualidade, por exemplo, foi criada a “Revista Cultura Política”, de viés acadêmico. Já a pré-escola foi contemplada com a revista “Getúlio Vargas, amigo das crianças”, produzida para criar um laço dos brasileiros com seu governante desde a infância.

Certa vez, Walter Benjamin afirmou: quem está no poder é o vitorioso da História e, como vencedor, obtém não só o poder político e econômico, como também os despojos culturais de seu triunfo. Há de se destacar que, não à toa, as expressões “Revolução de 1930”, “Era Vargas”, “República Velha” e “Intentona Comunista” ficaram marcadas na historiografia.

Desta forma, é perceptível que Getúlio Vargas entrou para a História não só pelos seus feitos, mas também pela possibilidade que teve de, em uma ditadura, forjar seu discurso sem vozes dissonantes. Sua obra mais importante, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é uma vitória do trabalhador brasileiro. É inegável o mérito do governo. Porém, várias pessoas importantes para sua concretização, como o ex-prefeito carioca Pedro Ernesto e o ex-ministro do Trabalho Lindolfo Collor, foram excluídos do recebimento de quaisquer louros pelo feito. Isso porque, afinal de contas, na década de 1940, já não eram aliados do ditador e também porque não era interessante dividir o “mérito da glória”. Só poderia existir, se cultuar e se exaltar um único “pai dos pobres”.

CLT: vitória da luta operária ou dádiva do líder ao “pacífico” povo brasileiro?

Não se pode esquecer que a CLT foi criada em um contexto de crise do capitalismo e de avanço das reivindicações dos trabalhadores. As leis do trabalho devem ser vistas como realizações do governo Vargas, certamente, mas também como estratégia de controle, através do sindicato único para cada profissão e do registro do operariado no Ministério do Trabalho – o que facilitou a identificação e prisão de quem criticasse a obra do governo, especialmente de líderes populares não afinados com o poder federal.

Soma-se a isso o fato de que a criação das leis trabalhistas foi o resultado do acúmulo de pressões populares ao longo de décadas de greves, revoltas, prisões e repressão, seja na Primeira República, seja no governo Vargas. Porém, ao formalizá-las, nunca o governo fez qualquer tipo de referência às lutas populares do passado. Muito pelo contrário: o povo brasileiro sempre foi apresentado pelo DIP como um povo não dado a conflitos e que Getúlio Vargas se antecipou aos anseios populares ao criar a legislação social, esvaziando o significado histórico das lutas populares do passado. O heroísmo, atribuído a Vargas, foi assimilado por parte da população, conforme demonstrado pelo trabalho com entrevistas realizado por Hebe Mattos.

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Getúlio Vargas é cercado de crianças durante convalescência: a face “amigo das crianças”. Foto: Arquivo Nacional.

Portanto, a ideia do brasileiro como um povo ordeiro, avesso a manifestações e esquecido de suas lutas não foi criada nos dias atuais. Ela faz parte de um projeto de nação, construído há tempos, no qual Vargas teve importante participação. Ao refletir sobre o tema, José Murilo de Carvalho lembrou a construção do mito de Tiradentes no início da República: um herói branco, do centro-sul do país e que não havia pegado em armas ou derramado sangue. Pois bem: este foi o mesmo estereótipo de “brasileiro ideal” adotado pelo Estado Novo.

Vargas morreu, entrou para a História e seu legado permaneceu: João Goulart, considerado uma das principais lideranças varguistas, sofreu o Golpe Civil-Militar em 1964; Leonel Brizola, figura central nos anos 1960, retornou do exílio no final dos anos 1970 reivindicando a herança de Getúlio; em 1995, ao tomar posse, Fernando Henrique Cardoso disse sobre sua intenção em “acabar com a Era Vargas”. Seu sucessor, Luís Inácio Lula da Silva, por vezes comparado a Getúlio, incentivou tal comparação quando, em 2006, sujou as mãos de petróleo e posou para os fotógrafos, em um gesto muito semelhante ao feito por Vargas em 1952. Esses são apenas alguns exemplos da permanência de Vargas no imaginário, na memória e na história brasileira.

Considerações finais

Este texto não tem o intuito de tornar a figura de Getúlio Vargas “herói” ou “vilão”, mas de oferecer ao leitor uma mensagem crítica sobre um governante que talvez seja o mais importante da História do Brasil. Em “A História Continua”, Georges Duby nos lembra de que a imparcialidade, embora impossível na prática, deve guiar o historiador como a linha do horizonte que guia nossos passos adiante. Portanto, cabe ao historiador analisar um projeto político como o de Getúlio Vargas tentando compreendê-lo de forma abrangente, em toda a sua complexidade, e apresentar isso ao público sem o desejo de exaltá-lo ou detratá-lo. Ao se estudar o “período Vargas” (ou períodos), devemos deixar de lado a criação de mitos, messianismos e qualquer crença que dê a entender que o futuro de um país está nas mãos de um único homem, pois tal postura ataca a necessária percepção de que é a sociedade ou a coletividade que constrói a nação. O historiador não pode contribuir para a demonização ou santificação de um personagem histórico. O amor e o ódio são inimigos da compreensão.


Como citar esse artigo

MOURELLE, Thiago Cavaliere. As várias faces de Getúlio Vargas: historiografia e memória (Artigo). In: Café História – história feita com cliques. Disponível em:http://www.cafehistoria.com.br/as-varias-faces-de-vargas. Publicado em: 26 Jul 2017. Acesso: [informar data].


Notas

[1] Trabalhismo é um conceito que passou a ser aceito academicamente como forma mais adequada para definir a relação entre líder político e trabalhadores. Enquanto “populismo” pressupõe que o líder político manipula e engana os trabalhadores, colocando estes como sujeitos passivos na história, o “trabalhismo” os empodera e coloca como sujeitos ativos. Mesmo em condições adversas, há o entendimento de que o trabalhador possui demandas e o apoio político só se concretiza como retribuição após o atendimento de necessidades concretas. Logo, é estabelecida uma relação de troca, mesmo que desigual.


Referências Bibliográficas:

BARROS, Orlando. Os intelectuais de esquerda e o ministério Lindolfo Collor. In: FERREIRA, Jorge; REIS, Daniel Aarão (org.). As esquerdas no Brasil – A formação das tradições (1889-1945). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política – ensaios sobre Literatura e História da Cultura. Obras recolhidas. Vol. 1. 7ª Ed. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1994, pp. 224 e 225.

CAPELATO, Maria H. R. Multidões em cena. Propaganda política no varguismo e no peronismo. Campinas: Papirus, 1998.

CARVALHO, José Murilo. A formação das almas: o imaginário da república do Brasil.São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

GOMES, Ângela de Castro. A Invenção do Trabalhismo. São Paulo: Vértice, 1988.

Mattos, Hebe. Memórias do cativeiro: narrativa e identidade negra no antigo sudeste cafeeiro. In: RIOS, Ana Lugão; e MATTOS, Hebe. Memórias do Cativeiro, família, trabalho e cidadania no pós-abolição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005, p. 55.

MOURELLE, Thiago Cavaliere. “A Crescente mobilização dos trabalhadores e o autoritário Estado brasileiro: diálogo, repressão e resistência”. In: PESSANHA, Elina; MEDEIROS, Leonilde Servolo de (Org.). Resistência dos trabalhadores na cidade e no campo. 1ª ed. São Paulo / Rio de Janeiro: CUT / Arquivo Nacional, 2015, v. 3, pp. 111-122.

SANTOS, Wanderley Guilherme dos. Cidadania e Justiça: a política social na ordem brasileira. Rio de Janeiro, Ed . Campus, 1979.

VARGAS, Getúlio. Diário. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, 1995. Vol. 1.

VISCARDI, Claudia Maria Ribeiro. O Teatro das Oligarquias – uma revisão da “política do café com leite”. Belo Horizonte: Fino Traço, 2012, pp. 315-321.


Thiago Mourelle –  Doutor em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Possui Mestrado em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Trabalha como Historiador no Arquivo Nacional, concursado de nível superior, desde 2006, tendo trabalhado na mesma instituição, como estagiário, desde 2002. Editor-científico da Revista Acervo desde 2016. Professor da Educafro, onde faz trabalho voluntário desde 2003, coordenando a equipe de História do Pré-vestbular Comunitário João Cândido, com o objetivo de ajudar na conscientização política dos cidadãos, além de ajudá-los no acesso à universidade. Foi Professor Substituto na área de Brasil Republicano no Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2015-2016. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil Republicano, História do Rio de Janeiro, Período Vargas, Proclamação da República, Primeira República (1889-1930), Período Liberal Democrático (1945-1964), Redemocratização.

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“Dez Mandamentos do Professor”, por Leandro Karnal – Revista Pazes.

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Revista Pazes

A sabedoria do mais influente legislador do Ocidente, Moisés, sintetizou uma concepção de mundo em Dez Mandamentos. Como bom educador, o ex-príncipe do Egito sabia que longos códigos são de difícil acesso. Curioso notar que constituições muito breves, como a norte-americana, passam dos dois séculos e constituições prolixas, como todas as brasileiras , caducam em prazos muito curtos.

Inspirados neste exemplo, elaboramos os Dez Mandamentos do Professor. Estes dez mandamentos são fruto de uma experiência particular e não se pretendem eternos ou válidos em qualquer ocasião. Gostaria apenas de fornecer a colegas, como você leitor, uma reflexão particular, que possa ser aprofundada, reinterpretada ou rejeitada de acordo com a sua experiência.

O que me levou a pensar nestes princípios é a mesma angústia que assola qualquer educador: como ser um bom profissional, ensinar, transformar meu aluno e fazer parte desta transformação? Como superar o tédio dos meus alunos, a indisciplina, a irrelevância de algumas coisas que faço e meu próprio cansaço? Como não considerar a sala um fardo e o relógio um inimigo? Como parar de achar que só vivo a partir do fim-de-semana? A partir destes questionamentos, você está permanentemente convidado a adensar ou criticar, fazer seus outros dez ou sintetizar a dois ou três, pois, quem acha que pode melhorar a aula que dá , já começou a viver educação. E quem não acha que pode? Bem, deixa para lá! Ensinar não é a única profissão do mundo…

-PRIMEIRO MANDAMENTO: CORTAR O PROGRAMA!

Quase todas as disciplinas foram perdendo aulas ao longo das décadas anteriores. Não obstante, os programas nem sempre acompanharam estes cortes. Pergunte-se: isto é realmente importante? Este conteúdo é essencial? Não seria melhor aprofundar mais tais tópicos e menos outros? Se a justificativa é a pressão do vestibular, ela não pode ocupar 11 anos de Ensino Médio e Fundamental. Se a justificativa é uma regra da escola ou um coordenador obsessivo, lembre-se: o Diário de Classe sempre foi o documento por excelência do estelionato. A coragem da grande tesoura é essencial. Dar tudo equivale a dar nada. Ensinar a pensar não implica esgotar o conhecimento humano.

-SEGUNDO MANDAMENTO: SEMPRE PARTIR DO ALUNO!

Chega de lamentar o aluno que não temos! Chega de lamentar que eles não lêem, a partir de uma nebulosa memória do aluno perfeito que teríamos sido (nebulosa e duvidosa). Este é o meu aluno real. Se, para ele, Paulo Coelho é superior a Machado de Assis e baile Funk é superior a Mozart, eu preciso saber desta realidade para transformá-la. Se ele é analfabeto devo começar a alfabetizá-lo. Se ele está no Ensino Médio e ainda não domina soma de frações de denominadores diferentes devo estar atento: esta é minha realidade. A partir do zero eu posso sonhar com o cinco ou seis. A partir do imaginário da perfeição é difícil produzir algo. A Utopia, desde Platão e Thomas Morus, tem a finalidade de transformar o real, nunca de impossibilitá-lo.

-TERCEIRO MANDAMENTO: PERDER O FETICHE DO TEXTO!

Em todas as áreas, em especial nas humanas, os alunos são instigados quase que exclusivamente ao texto. Num mundo imerso na imagem e dominado por sons e cores, tornamos o texto central na sala de aula. Devemos estar atentos ao uso de imagens, música, sensorialidades variadas. O texto é muito importante, nunca deve ser abandonado. Porém, se o objetivo é fazer pensar, o texto é apenas um instrumento deste objetivo maior. Há pessoas que pensam e nunca leram Camões e há quem saiba Os Lusíadas de cor e não pense…Lembre-se de que há outros instrumentos. A sedução das imagens deve ser uma alavanca a nosso favor, nunca contra. Usar filmes, propagandas, caricaturas, desenhos, mapas: tudo pode servir ao único grande objetivo da escola: ajudar a ler o mundo, não apenas a ler letras.

-QUARTO MANDAMENTO: POSSIBILITAR O CAOS CRIATIVO.

Fomos educados a um ideal de ordem com carteiras emparelhadas e, mesmo no fundo do nosso inconsciente, este ideal persiste. Qual professor já não teve o pesadelo de perder o controle total de uma sala, especialmente na noite mal dormida que antecede o primeiro dia de aula? Devemos estar preparados para o caos criador e para o lúdico. Alunos andando pela sala, trocando fragmentos de textos ou imagens dados pelo professor, discussões, encenações, o professor recitando uma poesia ou mandando realizar um desenho: tudo pode ser canal deste lúdico que detona o caos criativo. Surpreenda seus alunos com uma encenação, com um silêncio, com um grito, com uma máscara. Uma sala pode estar em ordem e ninguém aprendendo e pode estar com muitas vozes e criando ambiente de aprendizado. Lembre-se o silêncio absoluto é mais importante para nós do que para os alunos. É difícil vencer a resistência dos colegas e da própria escola a isto. Lógico que o silêncio também deve ser um espaço de reflexão, mas é possível pensar que há valor num solo gentil de flauta, numa pausa ou num toque retumbante de 200 instrumentos.

-QUINTO MANDAMENTO: INTERDISCIPLINAR!

Assim mesmo, entendido o princípio como um verbo, como uma ação deliberada. É fundamental fazer trabalhos com todas as áreas. Elaborar temas transversais como o MEC pede e, ao mesmo tempo, libertar o aluno da idéia didática das gavetas de conhecimento. Não apenas áreas afins (como História e Geografia) mas também Literatura e Educação Física, Matemática e Artes, Química e Filosofia. É preciso restaurar o sentido original de conhecimento, que nasceu único e foi sendo fragmentado até perder a noção de todo. O profissional do futuro é muito mais holístico do que nós temos sido até hoje.

-SEXTO MANDAMENTO: PROBLEMATIZAR O CONHECIMENTO.

Oferecer ao aluno o cerne da ciência e da arte: o problema. Não o problema artificial clássico na área de exatas, mas os problemas que geraram a inquietude que produziu este mesmo conhecimento A chama que vivou os cientistas e artistas é transmitida como um monumento inerte e petrificado. Mostrem as incoerências, as dúvidas, as questões estruturais de cada matéria. Mostrem textos opostos, visões distintas, críticas de um autor ao outro. Nunca fazer um trabalho como: “O Feudalismo” ou “O Relevo do Amapá”; mas problemas para serem resolvidos. Todo animal (e, por extensão, o aluno) é curioso. Porém, é difícil ser curioso com o que está pronto. Sejamos francos: se é tedioso ler um trabalho destes, qual terá sido o tédio em fazê-lo?

-SÉTIMO MANDAMENTO: VARIAR AVALIAÇÕES.

Provas escritas são válidas, como a vitamina A é válida para o corpo humano. Porém, avaliações variadas ampliam a chance de explorar outros tipos de inteligência na sala. As outras avaliações não devem ser vistas como um trabalhinho para dar nota e ajudar na prova, mas como um processo orgânico de diminuir um pouco a eterna subjetividade da avaliação.

-OITAVO MANDAMENTO: USAR O MUNDO NA SALA DE AULA!

O mundo está permeado pela televisão, pela Internet, pelos jornais, pelas revistas, pelas músicas de sucesso. A escola e a sala de aula precisam dialogar com este mundo. Os alunos em geral não gostam do espaço da sala porque ele tem muito de artificial, de deslocado, de fora do seu interesse. Usar o mundo da comunicação contemporânea não significa repetir o mundo da comunicação contemporânea; mas estabelecer um gancho com a percepção do meu aluno.

-NONO MANDAMENTO: ANALISAR-SE PESSOALMENTE!

A primeira pessoa que deve responder aos questionamentos da educação é o professor. Somos nós que devemos saber qual o motivo de dar tal coisa, qual a relevância, qual a utilidade de tal leitura. O professor é o primeiro que deve saber como tal ciência transformou a sua vida. Isto implica fazer toda espécie de questão, mesmo as incômodas. Se eu não fico lendo tal autor por prazer e nem o levo aos meus passeios como posso exigir que um jovem ou uma criança o façam? Qual a coerência do meu trabalho? Minha irritação com a turma indisciplinada é uma espécie de raiva por saber que eles estão certos? Minha formação permanente me indica novos caminhos? Estou repetindo fórmulas que deram certo quando eu era aluno há 20 ou mais anos? É necessário um exercício analítico-crítico muito denso para que eu enfrente o mais duro olhar do planeta: o do meu aluno.

-DÉCIMO MANDAMENTO: SER PACIENTE!

Hoje eu acho que ser paciente é a maior virtude do professor. Não a clássica paciência de não esganar um adolescente numa última aula de sexta-feira, mas a paciência de saber que, como dizia Rubem Alves, plantamos carvalhos e não eucaliptos. Nossa tarefa é constante, difícil, com resultados pouco visíveis a médio prazo. Porém, se você está lendo este texto, lembre-se: houve uma professora ou um professor que o alfabetizou, que pegou na sua mão e ensinou, dezenas de vezes, a fazer a simples curva da letra O. Graças a estas paciências, somos o que somos. O modelo da paciência pedagógica é a recomendação materna para escovar os dentes: foi repetida quatro vezes ao dia, durante mais de uma década, com erros diários e recaídas diárias. As mães poderiam dizer: já que vocês não querem nada com o que é melhor para vocês, permaneçam do jeito que estão que eu não vou mais gritar sobre isto (típica frase de sala de aula…) . Sem estas paciências, seríamos analfabetos e banguelas. Não devamos oferecer menos ao nosso aluno, especialmente ao aluno que não merece nem quer esta paciência este é o que necessita urgentemente dela. O doente precisa do médico, não o sadio. O aluno-problema precisa de nós, não o brilhante e limpo discípulo da primeira carteira.

Há alguns anos eu falava de alguns destes princípios e uma senhora redargüiu dizendo que ela fazia tudo isto e muito mais e, mesmo assim, os alunos estavam cada vez piores e com menos resultados. Olhei para esta professora e senti nela o reflexo de meus cansaços também. A única coisa que me ocorreu lembrar é uma alegoria, com a qual encerro este texto:

Na nossa cultura há um modelo de professor: Jesus. A maioria absoluta das pessoas no Brasil é cristã, mas a alegoria serve também para os que não são. Tomemos a história de Jesus independente da nossa orientação religiosa. Comparemos: Jesus teve 12 alunos escolhidos por ele! Eu tenho 30, 60, 100, escolhidos por um rigoroso processo de seleção: inscreveu, pagou, entrou. Jesus teve alunos em tempo integral por três anos: eu tenho por duas ou quatro aulas semanais, por um período mais curto. Os alunos de Jesus deixaram tudo para segui-lo, o meu não deixa quase nada e não quer acompanhar nem meu pensamento, quanto mais minhas propostas existenciais. Fiel aos novo ditames do MEC, Jesus deu um curso superior em três anos. Para quem acredita, Ele fazia milagres, coisa que nós certamente não fazemos naquele sentido. A aula, de Jesus, assim, era reforçada por work-shops. A auto estima e a confiança de Jesus era enorme: o cara simplesmente dizia que era o Filho de Deus, que ressuscitava mortos, andava sobre as águas, passava quarenta dias sem comer e não tinha medo de ninguém. Eu não tenho esta convicção. Melhor: as aulas eram ao ar livre, sem coordenação, sem direção, sem colegas e os pais dos alunos não apareciam para reclamar! Bem, após 3 anos de curso intenso com todos estes reforços, chegou a prova final. Na agonia do Horto os três melhores alunos dormiram, quando o Mestre estava chorando sangue. O tesoureiro da turma denunciou o professor à Delegacia de Educação por 30 moedas. O líder da classe, Pedro, negou que tivesse tido aula por três vezes diante da supervisora de ensino: nunca vi este cara antes… Outros nove fugiram sem dar notícia e não compareceram à prova final: o Calvário. O mais novo e bobinho, João, foi até lá, mas não fez nada para impedir que os guardas matassem o professor. Se considerarmos João , com boa vontade, o único aprovado, teremos uma média de êxito de 8.33%, baixa demais para os padrões das Delegacias de Ensino e alvo de demissão sumária por justa causa. O professor morreu e, para quem acredita, voltou para uma recuperação de férias. Reuniu os reprovados e disse: mais uma chance. Um dos alunos , Tomé, pediu para colocar o dedo no diploma do professor para ver se era de verdade. Primeira pergunta do líder da turma, Pedro: “Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?” Ou seja, o melhor aluno não aprendeu nada! Esta pergunta mostra o oposto da aula dada, pois ele achou que o curso tinha sido sobre política e, na verdade, tinha sido sobre Teologia… Objetivos não atingidos: 100% ! Novos milagres, mais 40 dias defeedback, apostilas, recuperação, reforço de férias. Final de curso pirotécnico: subiu ao céu entre nuvens e anjos assistentes-pedagógicos disseram que o mestre tinha ido para a sala dos professores eterna e não mais voltaria. O curso estava encerrado, todas as lições tinham sido dadas para aquela nata de 11 homens. O que eles fizeram? Foram se esconder numa casa, todos apavorados. O mestre mandou um módulo auto-instrucional de reforço, o Espírito Santo, um anabolizante. Só então, com uma força externa, eles começaram a entender, e finalmente tiveram aquela famosa reação bovina: HUMMMM…

Bem, eu disse à professora que me questionava: se Jesus teve tantos insucessos apesar de condições tão boas, a senhora quer ser mais do que Ele? Hoje eu diria para qualquer profissional: faça o máximo, mas apenas o máximo, e deixem o resto por conta do resto. A frase parece autista, mas é muito importante. Nós temos um limite: a vontade do aluno, da instituição e da sociedade como um todo. Não transformamos nada sozinhos, mas transformamos. O primeiro passo é a vontade. O segundo começa daqui a pouco, naquela sala difícil, com aquela turma sentada no fundo e naqueles angustiantes dez minutos que você vai levar para conseguir fazer a chamada… Vamos lá?

 

 

Fonte: http://www.revistapazes.com/dez-mandamentos-professor/

Ensino de História em Portugal

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Ensino de História em Portugal perpetua mito do ‘bom colonizador’ e banaliza escravidão, diz pesquisadora

  • 31 julho 2017
Escravos por DebretDireito de imagemJEAN-BAPTISTE DEBRET
Image captionPintura do francês Jean-Baptiste Debret de 1826 retrata escravos no Brasil

“De igual modo, em virtude dos descobrimentos, movimentaram-se povos para outros continentes (sobretudo europeus e escravos africanos).”

É dessa forma – “como se os negros tivessem optado por emigrar em vez de terem sido levados à força” – que o colonialismo ainda é ensinado em Portugal.

Quem critica é a portuguesa Marta Araújo, investigadora principal do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.

De setembro de 2008 a fevereiro de 2012, ela coordenou uma minuciosa pesquisa ao fim da qual concluiu que os livros didáticos do país “escondem o racismo no colonialismo português e naturalizam a escravatura”.

Além disso, segundo Araújo, “persiste até hoje a visão romântica de que cumprimos uma missão civilizatória, ou seja, de que fomos bons colonizadores, mais benevolentes do que outros povos europeus”.

“A escravatura não ocupa mais de duas ou três páginas nesses livros, sendo tratada de forma vaga e superficial. Também propagam ideias tortuosas. Por exemplo, quando falam sobre as consequências da escravatura, o único país a ganhar maior destaque é o Brasil e mesmo assim para falar sobre a miscigenação”, explica.

“Por trás disso, está o propósito de destacar a suposta multirracialidade da nossa maior colônia que, neste sentido, seria um exemplo do sucesso das políticas de miscigenação. Na prática, porém, sabemos que isso não ocorreu da forma como é tratada”, questiona.

Araújo diz que “nada mudou” desde 2012 e argumenta que a falta de compreensão sobre o assunto traz prejuízos.

“Essa narrativa gera uma série de consequências, desde a menor coleta de dados sobre a discriminação étnico-racial até a própria não admissão de que temos um problema de racismo”, afirma.

 

Escravos por DebretDireito de imagemJEAN-BAPTISTE DEBRET
Image captionSegundo Araújo, livros didáticos portugueses continuam a apregoar visão “romântica” sobre colonialismo português

‘Vítimas passivas?’

Para realizar a pesquisa, Araújo contou com a ajuda de outros pesquisadores. O foco principal foi a análise dos cinco livros didáticos de História mais vendidos no país para alunos do chamado 3º Ciclo do Ensino Básico (12 a 14 anos), que compreende do 7º ao 9º ano.

Além disso, a equipe também examinou políticas públicas, entrevistou historiadores e educadores, assistiu a aulas e conduziu workshops com estudantes.

Em um deles, as pesquisadoras presenciaram uma cena que chamou a atenção, lembra Araújo.

Na ocasião, os alunos ficaram surpresos ao saber de revoltas das próprias populações escravizadas. E também sobre o verdadeiro significado dos quilombos ─ destino dos escravos que fugiam, normalmente locais escondidos e fortificados no meio das matas.

“Em outros países, há uma abertura muito maior para discutir como essas populações lutavam contra a opressão. Mas, no caso português, os alunos nem sequer poderiam imaginar que eles se libertavam sozinhos e continuavam a acreditar que todos eram vítimas passivas da situação. É uma ideia muito resignada”, diz.

Araújo destaca que nos livros analisados “não há nenhuma alusão à Revolução do Haiti (conflito sangrento que culminou na abolição da escravidão e na independência do país, que passou a ser a primeira república governada por pessoas de ascendência africana)”.

Já os quilombos são representados, acrescenta a pesquisadora, como “locais onde os negros dançavam em um dia de festa”.

“Como resultado, essas versões acabam sendo consensualizadas e não levantam as polêmicas necessárias para problematizarmos o ensino da História da África.”

‘Visão romântica’

Araújo diz que, diferentemente de outros países, os livros didáticos portugueses continuam a apregoar uma visão “romântica” sobre o colonialismo português.

“Perdura a narrativa de que nosso colonialismo foi um colonialismo amigável, do qual resultaram sociedades multiculturais e multirraciais – e o Brasil seria um exemplo”, diz.

Ironicamente, contudo, outras potências colonizadoras daquele tempo não são retratadas de igual forma, observa ela.

“Quando falamos da descoberta das Américas, os espanhóis são descritos como extremamente violentos sempre em contraste com a suposta benevolência do colonialismo português. Já os impérios francês, britânico e belga são tachados de racistas”, assinala.

“Por outro lado, nunca se fala da questão racial em relação ao colonialismo português. Há despolitização crescente. Os livros didáticos holandeses, por exemplo, atribuem a escravatura aos portugueses”, acrescenta.

Segundo ela, essa ideia da “benevolência do colonizador português” acabou encontrando eco no luso-tropicalismo, tese desenvolvida pelo cientista social brasileiro Gilberto Freire sobre a relação de Portugal com os trópicos.

Em linhas gerais, Freire defendia que a capacidade do português de se relacionar com os trópicos ─ não por interesse político ou econômico, mas por suposta empatia inata ─ resultaria de sua própria origem ética híbrida, da sua bicontinentalidade e do longo contato com mouros e judeus na Península Ibérica.

Apesar de rejeitado pelo Estado Novo de Getúlio Vargas (1930-1945), por causa da importância que conferia à miscigenação e à interpenetração de culturas, o luso-tropicalismo ganhou força como peça de propaganda durante a ditadura do português António de Oliveira Salazar (1932-1968). Uma versão simplificada e nacionalista da tese acabou guiando a política externa do regime.

“Ocorre que a questão racial nunca foi debatida em Portugal”, ressalta Araújo.

Passagem de livro didático em PortugalDireito de imagemMARTA ARAÚJO
Image captionLivro didático português diz que escravos africanos “movimentaram-se para outros continentes”

‘Sem resposta’

A pesquisadora alega que enviou os resultados da pesquisa ao Ministério da Educação português, mas nunca obteve resposta.

“Nossa percepção é que os responsáveis acreditam que tudo está bem assim e que medidas paliativas, como festivais culturais sazonais, podem substituir a problematização de um assunto tão importante”, critica.

Nesse sentido, Araújo elogia a iniciativa brasileira de 2003 que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio.

“Precisamos combater o racismo, mas isso não será possível se não mudarmos a forma como ensinamos nossa História”, conclui.

Procurado pela BBC Brasil, o Ministério da Educação português não havia respondido até a publicação desta reportagem.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-40735234

Sobre a Ditadura Militar no Brasil (e na Bahia) – TORTURAS – órgãos de repressão, depoimentos: vídeos.

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