A Roda dos Expostos

A RODA DOS EXPOSTOS DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SALVADOR.

A exemplo do que ocorria na Europa desde a Idade Média, a Santa Casa de Misericórdia da Bahia abrigou a Roda de Expostos, a primeira do Brasil. A Roda era uma caixa cilíndrica de madeira, onde, anonimamente, parentes ou responsáveis colocavam as crianças por eles abandonadas, enjeitadas, chamadas também de expostas. Daquele momento em diante passariam a ser cuidadas pela instituição.

A criação da Roda foi decorrente da iniciativa do Vice-Rei, Conde de Sabugosa, que fez reunir a Junta Provincial em 1726 para regular e registrar o recebimento de crianças abandonadas, devido a problemas econômicos, sociais e também de ordem moral, embasados em preconceitos. Vale ressaltar que o rei de Portugal considerava os enjeitados e abandonados como manchas na reputação da colonização portuguesa e o arcebispo Dom Luis Álvares de Figueiredo (1724-1735) demonstrava.

A efetivação da Roda, contudo, só ocorreu “[…] em 1734, após a autorização do Rei de Portugal e foi primeiramente instalada na portaria do prédio do Recolhimento, na rua da Misericórdia”
As crianças eram alojadas nas inadequadas instalações do internato no Hospital São Cristóvão para, em seguida, serem enviadas a famílias adotivas ou mães-criadeiras. Neste sistema de alocação, as amas, comumente mulheres pobres, negras ou mestiças, que cuidavam da criança até a idade de três anos, recebiam em contrapartida uma pequena ajuda paga pela Santa Casa, que ainda custeava assistência médica e vestuário aos enjeitados.

Após este período de três anos, as crianças retornavam a instituição para serem educadas. De junho de 1833 até 1862, as crianças passaram a viver no prédio do Recolhimento, devido à transferência do Hospital. O sentimento cristão movia pessoas a cuidarem dos deserdados da sorte, por puro sentimento de piedade. Para a nobreza, elites e governantes, entretanto, a existência de tantos enjeitados era uma nódoa social a ser resolvida pelo incômodo que causava. As crianças que não traziam identificação, de acordo com o art. 6º do Regulamento de 1863, recebiam o nome do santo do dia e o cognome do padrinho e benfeitor ⎯ Mattos, sobrenome do âmbito institucional, era alvo de discriminação e preconceito.

Fonte:
ANGELA CRISTINA SALGADO DE SANTANA – SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DA BAHIA E SUA PRÁTICA EDUCATIVA – 1862-1934
Disponível em: file:///C:/Users/profe/Downloads/cp088107.pdf
Imagem:
http://www.revistadehistoria.com.br/…/arti…/orfao-na-colonia

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