Sobre Genocídio

Alemanha tenta compensar genocídio na Namíbia

Por: Redação Opinião e Notícia
Postagem: 17:30 02/01/2017
Alemanha tenta compensar genocídio na Namíbia
Imagem de hereros sobreviventes do genocídio lembram as de judeus do holocausto / Foto: Wikimedia – Opinião e Notícia

Ocorrido entre 1904 e 1908, o genocídio do povo herero pelos alemães precedeu o holocausto, mas ficou esquecido na história. Alemanha busca compensar o episódio

Em um distante país do sudoeste da África está localizado um cemitério onde os restos mortais de militares alemães descansam, identificados, datados e em covas separadas. Em um canto, quase imperceptível, está uma placa que lembras os “guerreiros” africanos que também morreram no combate.

Sem identificação, esses guerreiros fazem parte das dezenas de milhares de africanos que foram mortos no que os historiadores há muito consideram, e o governo alemão está prestes a reconhecer, como o primeiro genocídio do século XX.

Um século após perder suas colônias na África, a Alemanha e sua antiga colônia Namíbia estão engajadas em intensas negociações para colocar um fim em um dos capítulos mais terríveis do passado europeu na África.

Quando os alemães dominavam a Namíbia, na época chamada África do Sudoeste, os oficiais colonos estudavam práticas de eugenia e desenvolveram ideias de pureza racial. Seus comandados tentaram exterminar dois grupos étnicos rebeldes: os herero e os nama, alguns em campos de concentração.

“Será classificado como genocídio”, disse ao New York Times, Ruprecht Polenz, enviado especial alemão para as negociações, que começaram este ano e culminarão em uma declaração conjunta, compensação e pedidos de desculpas por parte da Alemanha.

A Namíbia era a colônia mais preciosa da Alemanha na África, e atraiu milhares de colonos que tomaram gado e terras de residentes locais. Esse confisco encontrou forte resistência dos herero, tradicionais criadores de gado, e dos nama.

Para lidar com a resistência, foi enviado à colônia o comandante Lothar Von Trotha, um militar de reputação feroz. Em 1904, ele decretou que ‘”todo herero, armado ou não, dono de gado ou não, seria executado”. Isso incluía mulheres e crianças. Em 1905, ele baixou um decreto similar para os nama, matando cerca de 10 mil da etnia.

Os eventos na Namíbia ocorreram entre 1904 e 1908, e precederam a ideologia nazista e o holocausto. Ainda assim, o genocídio continua desconhecido em grande parte da Alemanha, da Namíbia e até do mundo.

Cerca de 80% da população herero, na época em torno de 100 mil, foi exterminada. Alguns morreram em confronto com os alemães, outros foram executados a tiros, enforcados em árvores ou isolados no deserto sem água e sem possibilidade de retorno.

Mesmo após o centenário do genocídio, celebrado em 2004, ainda não há reconhecimento oficial. Tal fato gera acusações de racismo pela forma como os as vítimas europeias e africanas são tratadas. “A única diferença é que a cor dos judeus é branca e a nossa é negra”, diz Sam Kambazembi, ativista herero cujos avós conseguiram escapar durante o genocídio.

Kambazembi também culpa seu próprio governo pelo atraso. Após a derrota na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha perdeu suas colônias na África e a África do Sudoeste passou a ser controlada pelo governo de minoria branca da África do Sul até 1990. Durante todo esse período, falar sobre o genocídio se tornou um tabu.

Após a independência, o partido da libertação da Namíbia, o Swapo, tomou o poder, que controla até os dias atuais. Porém, ele é dominado pela etnia majoritária da Namíbia, os Ovambo, que, segundo críticos, tinham pouco interesse em levar o caso adiante.

Embora a questão esteja mais próxima do que nunca do fim, ainda há obstáculos que podem atrasar seu encerramento. Um deles é o fato de que namas e hereros querem negociar diretamente com os alemães. “Nós não confiamos em nosso governo para negociar em nosso nome”, diz  Ester Muinjangue, presidente da Ovaherero Genocide Foundation.

Um dos temores é que o governo receba a compensação alemã e a distribua para etnias que não foram afetadas. Ou pior, que o governo embolse a verba. No entanto, representantes do governo da Namíbia e da Alemanha, afirmam que já há membros das etnias envolvidos nas negociações.

Outro obstáculo é a falta de consenso em relação ao termo usado para a compensação. A Namíbia fala em “reparação”, mas a Alemanha rejeita o termo. Os alemães se baseiam na Convenção de Genocídio de 1948 das Nações Unidas, que não permite que reparações sejam feitas de forma retroativa. Isso porque tal fato abriria um precedente complicado. “Talvez, até os Estados Unidos teriam de se perguntar o que fazer com os índios. Não se pode reiniciar a história”, diz Polenz.

Fonte: http://www.ceert.org.br/noticias/violencia-seguranca/15049/alemanha-tenta-compensar-genocidio-na-namibia

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