Sobre o Brasil no século XIX: slides, vídeos e imagens.

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SLIDES – brasil-seculo-xix

VÍDEOS 

Vídeo 1:

Biblioteca Virtual Consuelo Pondé:
http://www.bvconsueloponde.ba.gov.br/

Dois de Julho – Independência da Bahia – TVE

https://www.youtube.com/watch?v=N42ODRj21M0 – 6 min 22

2 de julho, a Batalha de Pirajá
https://www.youtube.com/watch?v=KRMQquu9naA – 6 min 11

2 de julho Institucional – 8 min 21
https://www.youtube.com/watch?v=yVrk6GwmkOU

Hino ao 2 de julho – doc – 10 min 09
https://www.youtube.com/watch?v=iV_WUXEBey4

Hino ao 2 de julho – 3 min34
https://www.youtube.com/watch?v=vbd6Qre35hQ

Hino do Estado da Bahia – 3 min16
https://www.youtube.com/watch?v=yX6qUXgp7sY

A Independência da Bahia – 5 min52
https://www.youtube.com/watch?v=nBiJvOU_-z0

Maria Felipa – 4 min08
https://www.youtube.com/watch?v=seGCypznTQM

2 de julho –TV Bahia – 3  min47
https://www.youtube.com/watch?v=kEERKrvBS2I

2 de julho ganha importância nacional- 4 min30
https://www.youtube.com/watch?v=wiF7AaMqDic

Maria Quitéria – 6 min44
Os heróis do Brasil – 1 min08
O 25 de junho de 1822 – 28 seg
História do Brasil por Bóris Fausto parte 1 – Colônia – 28 min
Parte 2 – 27 min
Joanna Angélica – 5 min46
Introdução às revoltas do Período Regencial – 6 min
Documentário Revolta dos Malês – 11 min
A revolta dos malês 1/3 – Salvador em 1835 – 8 min
A revolta dos malês 2/3 – O levante – 8 min
A revolta dos malês 3/3 – O dia seguinte – 9 min
Guerra dos Cabanos – 8 min
Cabanagem 1/2 – Antecedentes e tomada de Belém – 8 min
Cabanagem 2/2 – Derrota e repressão aos cabanos – 8 min
Farroupilha 1/4 – Antecedentes – 6 min
Farroupilha 2/4 – Início do conflito – 7 min
Farroupilha 3/4 – Desenvolvimento do conflito – 7 min
Farroupilha 4/4 – Acordo com o Império – 9 min
Balaiada – 7 min
Sabinada – 7 min
Cemiterada – 3 min
Área de anexos
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Introdução às revoltas do Período Regencial

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Documentário Revolta dos Malês

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A revolta dos malês 1/3 – Salvador em 1835

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A revolta dos malês 2/3 – O levante

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A revolta dos malês 3/3 – O dia seguinte

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Guerra dos Cabanos

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Cabanagem 1/2 – Antecedentes e tomada de Belém

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Cabanagem 2/2 – Derrota e repressão aos cabanos

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Farroupilha 1/4 – Antecedentes

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Farroupilha 2/4 – Início do conflito

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Farroupilha 3/4 – Desenvolvimento do conflito

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Farroupilha 4/4 – Acordo com o Império

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Balaiada

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Sabinada

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Imagens:
makota
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Sobre MISOGINIA e MISANDRIA

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misoginia

 O que é Misoginia:

Misoginia é a repulsa, desprezo ouódio contra às mulheres. Esta forma de aversão mórbida e patológica ao sexo feminino está diretamente relacionada com a violência que é praticada contra a mulher.

Etimologicamente, a palavra “misoginia” surgiu a partir do grego misogynia, ou seja, a união das partículas miseó, que significa “ódio”, e gyné, que se traduz para “mulher”. Um indivíduo que pratica a misoginia é considerado misógino.

O antônimo de misoginia é conhecido por filoginia, que é o amor, afeto, apreço e respeito pelo sexo feminino.

A misoginia é a principal responsável por grande parte dos assassinatos de mulheres, também conhecido porfeminicídio, que configura-se como formas de agressões físicas e psicológicas, mutilações, abusos sexuais, torturas, perseguições, entre outras violências relacionadas direta ou indiretamente com o gênero feminino.

Saiba mais sobre o significado de Feminicídio.

Causas

A cultura popular do machismo está intrinsecamente presente em quase todas as sociedades humanas há séculos. O conceito da superioridade de gênero, instituído pelo patriarcado ao longo dos anos, e o sexismo ajudam a alimentar a ideia da desvalorização e preconceito contra às mulheres.

Na contemporaneidade, mesmo após várias conquistas, as mulheres continuam enfrentando inúmeros desafios e barreiras preconceituosas impostas por uma sociedade historicamente machista.

Misoginia e Misandria

A misoginia é o sentimento extremo de repulsa, desprezo e ódio contra às mulheres, enquanto que a misandria é o nome dado ao sentimento de raiva ou aversão praticado contra o sexo masculino.

Etimologicamente, o termo “misandria” surgiu do gregomisosandrosia, composto pela junção das partículas misos, que quer dizer “ódio”, e andros que significa “homem”.

Existe um debate que questiona o posicionamento da misandria perante a misoginia, devido a importante carga histórica que carrega o preconceito sofrido pelas mulheres ao longo dos séculos. Algumas pessoas acreditam que a misandria surgiu como uma forma de “defesa” das mulheres atacadas por misóginos.

Misoginia e Misantropia

A misantropia é a repulsa ou aversão ao ser humano ou à humanidade. A princípio, esta pode parecer uma definição muito chocante, mas a misantropia é o conjunto dos vários tipos de discriminações e preconceitos existentes, como a homofobia, xenofobia e misoginia.

No entanto, a partir de um ponto de vista geral, o misantropo (àquele que pratica misantropia) é alguém que desconfia ou não gosta da humanidade de uma forma geral.

https://www.significados.com.br/misoginia/

Sobre FUNDAMENTALISMO – SDB 2017

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apostila-sobre-fundamentalismo-2017 –

VÍDEOS:

LEANDRO KARNAL – Fundamentalismo- 6 MIN

https://www.youtube.com/watch?v=Jt4z44_OyQM

A Religião e o Fundamentalismo – Leandro Karnal- 35 MIN

https://www.youtube.com/watch?v=dulADZ1io10

Visualizar o vídeo A Religião e o Fundamentalismo – Leandro Karnal do YouTube

 

 

A questão fundiária no Brasil

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SLIDES: questao-agraria-brasileira

VÍDEOS:
A questão agrária no Brasil – 2 min 30
 
Regularização fundiária no Brasil é definida por lei federal de 2009 – 2 min 18
 
Repórter Justiça – Reforma agrária (1/3) – 9 min
 
Repórter Justiça – Reforma agrária (2/3) – 8 min
 
Repórter Justiça – Reforma agrária (3/3) – 8 min
 
Castelo Garcia D’Avila, A Casa da Torre by XDRONER – 2 min

A Roda dos Expostos

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A RODA DOS EXPOSTOS DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SALVADOR.

A exemplo do que ocorria na Europa desde a Idade Média, a Santa Casa de Misericórdia da Bahia abrigou a Roda de Expostos, a primeira do Brasil. A Roda era uma caixa cilíndrica de madeira, onde, anonimamente, parentes ou responsáveis colocavam as crianças por eles abandonadas, enjeitadas, chamadas também de expostas. Daquele momento em diante passariam a ser cuidadas pela instituição.

A criação da Roda foi decorrente da iniciativa do Vice-Rei, Conde de Sabugosa, que fez reunir a Junta Provincial em 1726 para regular e registrar o recebimento de crianças abandonadas, devido a problemas econômicos, sociais e também de ordem moral, embasados em preconceitos. Vale ressaltar que o rei de Portugal considerava os enjeitados e abandonados como manchas na reputação da colonização portuguesa e o arcebispo Dom Luis Álvares de Figueiredo (1724-1735) demonstrava.

A efetivação da Roda, contudo, só ocorreu “[…] em 1734, após a autorização do Rei de Portugal e foi primeiramente instalada na portaria do prédio do Recolhimento, na rua da Misericórdia”
As crianças eram alojadas nas inadequadas instalações do internato no Hospital São Cristóvão para, em seguida, serem enviadas a famílias adotivas ou mães-criadeiras. Neste sistema de alocação, as amas, comumente mulheres pobres, negras ou mestiças, que cuidavam da criança até a idade de três anos, recebiam em contrapartida uma pequena ajuda paga pela Santa Casa, que ainda custeava assistência médica e vestuário aos enjeitados.

Após este período de três anos, as crianças retornavam a instituição para serem educadas. De junho de 1833 até 1862, as crianças passaram a viver no prédio do Recolhimento, devido à transferência do Hospital. O sentimento cristão movia pessoas a cuidarem dos deserdados da sorte, por puro sentimento de piedade. Para a nobreza, elites e governantes, entretanto, a existência de tantos enjeitados era uma nódoa social a ser resolvida pelo incômodo que causava. As crianças que não traziam identificação, de acordo com o art. 6º do Regulamento de 1863, recebiam o nome do santo do dia e o cognome do padrinho e benfeitor ⎯ Mattos, sobrenome do âmbito institucional, era alvo de discriminação e preconceito.

Fonte:
ANGELA CRISTINA SALGADO DE SANTANA – SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DA BAHIA E SUA PRÁTICA EDUCATIVA – 1862-1934
Disponível em: file:///C:/Users/profe/Downloads/cp088107.pdf
Imagem:
http://www.revistadehistoria.com.br/…/arti…/orfao-na-colonia

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Operação Condor

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Operação Condor tentou atuar na Europa

Documentos dos EUA mostram planos para perseguir opositores e líderes exilados

POR JANAÍNA FIGUEIREDO / CORRESPONDENTE

Anos de chumbo. Guardas prendem operário em Buenos Aires em março de 1982. Operação Condor tinha planos de realizar ações contra dissidentes exilados na Europa – Daniel Garcia / AFP/30-3-1982

 

BUENOS AIRES — A chamada Operação Condor, o sinistro plano de ação conjunta entre as ditaduras do Cone Sul, planejou, se preparou e esteve muito perto de perseguir, com o objetivo de eliminar, opositores dos regimes militares de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia exilados na Europa. O que sempre foi uma suspeita confirmou-se, pela primeira vez, em documentos liberados pelo governo dos Estados Unidos em meados de dezembro, cumprindo à risca a promessa feita pelo presidente Barack Obama em sua visita a Buenos Aires, em março passado. Foi a segunda entrega de material sobre o último governo da ditadura argentina (1976-1983) — a primeira foi em agosto de 2016 —, enviada pela Casa Branca ao presidente Mauricio Macri e nela, segundo disse ao GLOBO Carlos Osorio, diretor do projeto de documentação do Cone Sul do Arquivo Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês), “estão memorandos inéditos das agências de Inteligência americanas, que mostram, como nunca antes se viu, história, funcionamento, metas e táticas da Operação Condor”.

Uma terceira e última liberação é esperada para o final deste ano, se o presidente eleito Donald Trump não rever a medida aprovada por seu antecessor, atendendo à demanda de ONGs argentinas como as Mães e Avós da Praça de Maio.

Em agosto passado, o governo Macri recebeu cerca de mil documentos que pertenciam ao Conselho Nacional de Segurança, à Casa Branca e a agências de segurança americanas. O material de dezembro — cerca de 500 documentos — contém informação das agências de Inteligência.

— O que estamos vendo agora são as comunicações internas das agências de Inteligência, entre elas a CIA, que eram usadas para redigir os relatórios enviados ao Executivo. É algo muito valioso — comentou Osorio. — Os planos da Operação Condor na Europa nunca tinham sido confirmados desta forma tão contundente.

Brasil forneceu equipamentos de comunicação

Num documento da CIA de 9 de maio de 1977, intitulado “O contraterrorismo no Cone Sul”, informa-se que Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai realizavam uma “troca formal de informação” sobre terroristas de esquerda e menciona que as ditaduras uruguaia, chilena e argentina pretendiam ordenar “operações ilegais” fora da América Latina, principalmente na Europa. O mesmo texto diz, ainda, que “as operações foram frustradas”, já que agências de segurança e Inteligência de países europeus e também dos EUA descobriram o plano.

— É impressionante ver a ousadia das ditaduras do Cone Sul. Se tivessem seguido adiante com a repressão em outro continente, a Europa teria virado um campo de batalha — assegurou Osorio.

 

O material também deixa claro quais eram os alvos da Operação Condor fora de sua região: “terroristas de primeiro nível”, incluindo dirigentes políticos e até mesmo membros de organizações de defesa dos direitos humanos, entre elas a Anistia Internacional.

A CIA obteve informações sobre um curso de treinamento realizado em Buenos Aires, especificamente para operações da Condor na Europa. A ideia, de acordo com os documentos, era enviar uma equipe de militares argentinos, uruguaios e chilenos a Londres, simulando ser homens de negócios, “para monitorar as atividades (terroristas) na Europa”. Um dos políticos mencionados é o uruguaio Wilson Ferreira, um dos principais opositores da ditadura.

Perseguição em outro continente

Documentosda inteligência americana mostram identificam ações das ditaduras de fora América Latina

SERVIÇO DE INTELIGÊNCIA DO DEPARTAMENTO DE ESTADO, 22-7-1976

CIA, 9-5-1977

CIA, 9-5-1977

Fonte: Arquivo Nacional de Segurança dos EUA

— O país que corria mais risco de ser invadido por militares do Cone Sul era a França, onde se pensava que estavam alvos importantes para as ditaduras em questão — comentou o pesquisador.

O material também confirma que a participação do Brasil na Condor foi posterior a de outros países do Cone Sul. Os primeiros passos dados por Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai começaram em 1974, mas a ditadura brasileira só aderiu ao projeto em 1976. De acordo com os documentos, o regime brasileiro foi fundamental no fornecimento de equipamentos para o setor de comunicações da Condor, chamado de Condortel.

Para a Argentina, a importância dos documentos é enorme. Juízes já aceitaram os memorandos liberados pelos EUA como prova nos tribunais. O próprio Osorio participou de alguns julgamentos como testemunha externa.

De acordo com Guadalupe Basualdo, coordenadora da área de pesquisas do Centro de Estudos Legais e Sociais (Cels), um dos casos nos quais magistrados locais já incorporaram documentação americana como prova refere-se ao sequestro e assassinato de 12 membros da organização Montoneros — braço armado da esquerda peronista — em 1980. Alguns foram sequestrados no Brasil, antes de desaparecer.

— O material foi considerado fundamental para estabelecer a verdade, demonstrando que a utilização destes documentos é uma ferramenta útil nos processos nos quais se investigam violações dos direitos humanos — disse.

 

Como o NSA, o Cels tem umaEQUIPE que estuda em profundidade a documentação americana. Para Guadalupe, “a análise política e histórica destes documentos permitiu reconstruir a política externa dos EUA em relação à Argentina, entre 1976 e 1983. Foi possível reconstruir as condições nas quais as coisas aconteceram, as relações políticas e diplomáticas entre as diferentes agências, opiniões de funcionários, reuniões formais e informais”.

Os documentos do período militar contêm detalhes arrepiantes sobre as torturas. Um dos casos que mais impactaram no governo americano é o do dirigente socialista Alfredo Bravo, que sobreviveu. Bravo contou que foi torturado com choques elétricos junto com outros presos e chegou a presenciar o estupro de uma moça, na frente de seu namorado, que terminou sendo assassinado por não conseguir conter sua ira.

O que ainda falta, de acordo com o pesquisador americano, são revelações sobre como funcionavam os principais centros de tortura, entre eles a Escola de Mecânica da Marinha (Esma), por onde estima-se que passaram mais de cinco mil presos políticos e de onde saíam os voos da morte

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/operacao-condor-tentou-atuar-na-europa-20777062#ixzz4Vvwk4Gmy

Sobre Ditadura Militar e Racismo

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Sociedade

Regime militar

Como a ditadura perseguiu militantes negros

por Marsílea Gombatapublicado 18/09/2015 10h48, última modificação 20/09/2015 09h27
Documento inédito mostra como a repressão monitorava integrantes do então embrionário movimento negro brasileiro
 
Acervo UH/ Folha Press
ditadura-cor

Abdias do Nascimento, entre outros integrantes do movimento, foram espionados

Documento de 24 de outubro de 1979 mostra como o IV Exército, no Recife, descrevia um foco de “problemas”. “A partir de 1978 apareceu um novo ponto de interesse da subversão no País, particularmente nos estados do Rio de Janeiro e, com mais ênfase, na Bahia: a exploração do tema racismo, procurando demonstrar a sua existência e colocar o negro brasileiro como motivo de discriminação”, diz o texto de sete páginas. 

O relatório nunca antes divulgado revela que o “método” utilizado para a obtenção das informações deu-se pela “infiltração em entidades dedicadas ao estudo da cultura negra, por meio de palestras em reuniões e simpósios”, como a IV Semana de Debate sobre a Problemática do Negro Brasileiro, em abril de 1978 na Bahia. A temática das palestras, segundo os militares, tratava de temas como “a tão falada democracia racial não passa de um mito”, “o racismo no Brasil é pior do que no exterior, porque é sutil e velado”, “a existência da Lei Afonso Arinos, contra o racismo, é prova de que ele existe”, “a Abolição da Escravatura foi imposta pelas necessidades da economia capitalista e não por uma preocupação sincera com a situação do negro”. 

O documento havia sido solicitado em 11 de junho, por meio da Lei de Acesso à Informação, ao Comando do Exército, que oito dias depois respondeu não possuir arquivos sobre o monitoramento de ativistas negros. A Controladoria-Geral da União (CGU) encontrou, no entanto, o relatório no Arquivo Nacional, em Brasília, há duas semanas. Segundo o ouvidor-

adjunto da CGU, Gilberto Waller, esta é a primeira vez que se encontra um documento confidencial elaborado exclusivamente para tratar do tema, quando o que se via até então eram trechos e citações a outros textos. “Vemos que o Estado se preocupou com o movimento negro a ponto de ter classificado as informações”, explica. “Na visão da CGU, em termos de acesso à informação, é um grande ganho conseguir algo de valor histórico tão relevante.” 

 O relatório, cujo rodapé alerta: “Toda e qualquer pessoa que tome conhecimento de assunto sigiloso fica, automaticamente, responsável pela manutenção de seu sigilo. Art. 12 do decreto no 79.099, de 6 de janeiro de 1977”, cita a mobilização nacional em torno da formação do movimento contra a discriminação racial. “Os grupos do Movimento Negro de Salvador são: Ialê, Malê, Zumbi, Ilialê, Cultural Afro-Brasileiro. Esses grupos apresentaram, no dia 8 julho de 1978, ‘moção de solidariedade aos integrantes do movimento paulista contra a discriminação racial, pelo ato público antirracista do Viaduto do Chá’”. 

grafico-ditadura
O objetivo era evitar que a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos alcançasse o País

O ato, segundo a socióloga Flavia Rios, autora da tese Elite Política Negra no Brasil: Relação entre movimento social, partidos políticos e estado, diz respeito à marcha que saiu naquele dia do Viaduto do Chá em direção ao Teatro Municipal para a criação do Movimento Unificado contra a Discriminação Racial, que mais tarde se tornaria o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial. “Ele é formado por ativistas de várias regiões do País, tem essa característica nacional”, conta a também coautora da biografia sobre a militante negra Lélia Gonzalez. “Havia uma preocupação da ditadura de que ideais do movimento armado Panteras Negras, por exemplo, e da luta dos direitos civis americanos pudessem chegar aqui. Por isso, o regime acompanhou vigilantemente manifestações políticas e encontros.”

O informe até pouco considerado inexistente fala ainda sobre uma “campanha artificial contra a discriminação no Brasil” e lembra que, “em virtude das restrições políticas”, o Movimento Negro de Salvador passou a realizar reuniões paralelas e a adotar organizações celulares, com base nos “centros de luta”, compostos de três integrantes. A capital baiana teria sete desses centros, cuja função era “mobilizar, organizar e conscientizar a população negra nas favelas, nas invasões (de terras urbanas), nos alagados, nos conjuntos habitacionais, nas escolas, nos bairros e nos locais de trabalho, visando a formar uma consciência dos valores da raça”.

Além do encontro nacional do Movimento Negro de Salvador, entre 9 e 10 de setembro de 1978, no Rio de Janeiro, os arapongas descrevem a Terceira Assembleia Nacional do Movimento Negro Unificado, em 4 de novembro de 1978, na capital baiana, com militantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Citam o Congresso Internacional da Luta contra a Segregação Racial entre 2 e 3 de dezembro de 1978, em São Paulo. E relatam o ciclo de palestras do Núcleo Cultural Afro-Brasileiro, no segundo semestre de 1978 em Salvador, do qual participaram opositores como o deputado federal baiano Marcelo Cordeiro e o paulista Abdias do Nascimento, professor emérito na Universidade de Nova York. Além do acadêmico, são citados militantes monitorados como José Lino Alves de Almeida e Leib Carteado Crescêncio dos Santos, além do senador baiano Rômulo Almeida e “agitadores angolanos no movimento negro, caracterizados como refugiados da guerra civil”.

Em relação ao teor da agenda do Movimento Negro à época, os repressores ressaltam que a pauta era composta de pontos como a necessidade de se contestar o regime, aprofundar o engajamento no movimento pela anistia, projetar no exterior a imagem do “mito da democracia racial brasileira”, escolher o 20 novembro para o Dia Nacional da Consciência Negra, melhorar as condições de emprego da população negra, e buscar dar fim à sua marginalização na sociedade e à maior proporção de negros nas penitenciárias. 

Estima-se que 42 dos 434 mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura eram negros.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/revista/867/a-paranoia-nao-tem-cor-1121.html