Grande líder revolucionário para uns, ditador implacável para outros, Fidel Castro…

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  Para quem não execra a qualidade do texto e das informações apenas pela fonte, eis um material bem informativo sobre o tema.

Publicado em 26/11/2016, Atualizado em 26/11/2016

Grande líder revolucionário para uns, ditador implacável para outros, Fidel Castro, que teve a morte anunciada neste sábado (26), foi o responsável por implantar o regime comunista em Cuba, em meio à Guerra Fria

CONTROVERSO

Aousadia da revolução custou à ilha, até então um refúgio de lazer para americanos, um hiato de 53 anos nas relações diplomáticas com Washington. A reaproximaração só veio em 2014.

Após derrubar o ditador Fulgêncio Batista, “El Comandante”, como era conhecido, foi exaltado pela população por elevar as taxas de alfabetização e universalizar a saúde.

Apesar disso, restringiu liberdades civis. Sindicatos foram proibidos de fazer greves, a imprensa censurada, e instituições religiosas perseguidas. Opositores foram extirpados: executados, presos ou exilados à força. Sob seu governo, cerca de 12 mil pessoas foram mortas, segundo entidades de defesa dos direitos humanos.

Saindo de cena progressivamente ao longo da última década, Fidel passou o bastão a seu irmão Raúl. Em agosto de 2016, durante a comemoração de seus 90 anos, uma das suas últimas aparições, ele estava frágil. Ainda assim, Fidel atraiu 100 mil pessoas.

Fidel Castro em discurso feito em 1998 em Barbados.

REVOLUÇÃO

Em 1952, o general Fulgêncio Batista, ex-presidente de Cuba (1940-1944), cancela as eleições e derruba o governo. Recém-formado em direito, Fidel organiza uma insurreição com outros membros do Partido Ortodoxo. Em 26 de julho de 1953, cerca de 150 pessoas atacam o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em uma tentativa de derrubar Batista. O ataque falha e Fidel é capturado. Após julgamento, é condenado a 15 anos de prisão. O incidente, entretanto, o torna famoso no país.

Em 1955, após ser anistiado, Fidel funda o movimento 26 de Julho, de oposição ao governo. Nessa época, ele se encontra pela primeira vez com o revolucionário Ernesto ‘Che’ Guevara e se exila no México.

Os embates continuam até que, em 30 e 31 de dezembro de 1958, as vitórias revolucionárias assustam Batista, que foge de Cuba para a República Dominicana. Aos 32 anos, Fidel consegue assumir o controle do país.

Os embates continuam até que, em 30 e 31 de dezembro de 1958, as vitórias revolucionárias assustam Batista, que foge de Cuba para a República Dominicana. Aos 32 anos, Fidel consegue assumir o controle do país.

Fidel Castro e Ernesto ‘Che’ Guevara

COMUNISMO

Fidel assume como primeiro-ministro em 1959, após a renúncia de José Miro Cardona. Nesta época, Cuba inicia relações com a então União Soviética. A partir daí, o líder começa a implantar o comunismo. Em 1960, nacionaliza a indústria açucareira de Cuba, sem pagar indenizações. Três anos depois, amplia a reforma agrária ao estatizar as fazendas.

Em 1961, o governo proclama seu status socialista, o que gera uma fuga em massa dos ricos do país para Miami, nos Estados Unidos, que rompem as relações diplomáticas com Cuba. Quatro anos depois, como líder do Partido Comunista cubano, Fidel lança campanha para apoiar a luta armada contra o imperialismo na América Latina e na África.

Fidel Castro durante encontro em Kuala Lumpur em 2001.

O REGIME

Poucas figuras históricas são tão controversas quanto Fidel Castro. Em 1967, Che é assassinado na Bolívia dois anos depois de deixar Cuba para expandir a revolução. Com isso, Fidel vira o único rosto da Revolução Cubana.

Apesar de os EUA se comprometerem a não invadir a ilha, houve ataques de outras formas, como o bloqueio econômico e centenas de tentativas de assassinato contra Fidel. O líder cubano disse que, se driblar tentativas de assassinato fosse esporte olímpico, ele ganharia medalhas de ouro. As relações diplomáticas entre norte-americanos e cubanos, rompidas em 1961 quando a ilha se declarou socialista, só foi retomada em 2014.

Em seu governo, Fidel investiu na educação – foram criadas cerca de 10 mil novas escolas, e a alfabetização atingiu 98% da população. Os cubanos têm um sistema de saúde universal, que reduziu a mortalidade infantil para 11 a cada mil nascidos vivos.

Entretanto, as liberdades civis foram confiscadas. Sindicatos perderam o direito de realizar greves, jornais independentes foram fechados e instituições religiosas perseguidas. Castro removeu opositores com execuções, prisões e exílio forçado.

Em 1986, instituições de defesa dos direitos humanos realizaram em Paris o “Tribunal de Cuba”, onde ex-prisioneiros da ditadura deram seu testemunho. Entidades calculam que cerca de 12 mil pessoas morreram nas mãos do governo.

Centenas de milhares de cubanos fugiram do país ao longo das décadas, muitos para a Flórida, nos EUA, bastante próxima da costa da ilha. A maior saída ocorreu em 1980, quando o governo autorizou a saída: 125 mil deixaram Cuba – 15 mil delas se jogaram ao mar amarradas e canoas, pneus e botes.

Em 1996, Cuba bombardeia dois aviões civis pilotados por exilados cubanos em Miami, retomando as tensões com os EUA. No ano seguinte, Fidel apontou seu irmão, Raúl, como seu sucessor.

Em 2002, o presidente dos EUA George W.Bush EUA cria uma prisão para suspeitos de terrorismo na base de Guantánamo, em território cubano. A decisão, impulsionada pelos atentados de 11 de setembro de 2011, foi seguida pela inclusão do país na lista dos que apoiam o terrorismo.

Fidel Castro e seu irmão Raúl, que o sucedeu no poder

GUERRA FRIA

No dia seguinte ao que Fidel formalizou Cuba como estado socialista, cerca de 1,3 mil exilados cubanos apoiados pela CIA atacam a ilha pela Baía dos Porcos. A tentativa de derrubar o governo foi um fracasso – centenas de mortos e quase mil capturados. Os EUA negam seu envolvimento, mas admitem que os exilados foram treinados pela CIA. Décadas após o incidente, o país confirmou que a ação era planejada desde 1959.

O ataque fez Fidel consolidar seu poder. Ainda em maio de 1961, ele anuncia o fim das eleições democráticas, denuncia o imperialismo americano e nomeia Che Guevara para o Ministério da Indústria. A resposta dos EUA veio em 1962, com um bloqueio econômico total à ilha que isola o regime.

Fidel intensifica a relação de Cuba com a União Soviética e aceita financiamento e ajudas militares. Em outubro de 1962, o Moscou concebe a ideia de implantar mísseis nucleares em Cuba. Instala-se uma crise com os EUA, que quase gera uma guerra nuclear. Dias depois, o premiê soviético concorda em retirar os mísseis desde que os EUA se comprometam a não invadir Cuba. Fidel, porém, não participa das negociações.

A ajuda comercial dada pela União Soviética à Cuba acaba em 1989, com a queda do muro de Berlim. O bloco também retira seus 7 mil militares da ilha.

Fidel Castro e Vladimir Putin, presidente da Rússia

VIDA PESSOAL

Orevolucionário nasceu em 13 de agosto de 1926, em Mayarí, na província de Holguín, sul de Cuba, e foi batizado como Fidel Hipólito. Lina Ruz Gonzalez, sua mãe, trabalhava para a mulher de seu pai, o latifundiário espanhol Ángel Castro. Apenas quando Fidel chega à adolescência, seu pai se separa da primeira mulher e assume a família com Lina, com quem teve outros cinco filhos. Nesta época, Fidel é assumido oficialmente pelo pai e recebe o nome de Fidel Alejandro Castro Ruz.

Apesar de não registrado pelo pai na infância, Fidel sempre estudou em escolas particulares e em meio à riqueza, um ambiente diferente da pobreza do povo cubano. Inteligente, o jovem se interessava mais esportes do que por estudos. Ainda assim, o líder cubano entra na Universidade de Havana em 1945, onde conhece o nacionalismo político cubano, o anti-imperalismo e o socialismo, e se forma em direito em 1950.

Em 1948, Fidel se envolve em sua primeira luta revolucionária. Viaja à República Dominicana, onde fracassa ao tentar derrubar o ditador Rafael Trujillo. Ao voltar para a faculdade, junta-se ao Partido Ortodoxo, fundado para acabar com a corrupção no país.

No mesmo ano, Fidel se casa com Mirta Diaz Balart, de família rica. Eles têm só um filho, Fidelito. O casamento acaba em 1955. Durante a união, Fidel mantém um caso com Naty Revuelta, com quem tem uma filha, Alina Fernández-Revuelta. Em 1993, ela se passa por turista espanhola para fugir da ilha para os Estados Unidos, onde se asila e de onde passa a disparar críticas contra o pai. Além da filha Alina, uma das irmãs de Fidel, Juanita Castro, também se mudou para os EUA, no início da década de 1960.

Com sua segunda mulher, Dalia Soto del Valle, Fidel tem outros cinco filhos homens cujos nomes começam com a letra “A”: Alexis, Alexander, Alejandro, Antonio e Ángel. Na noite de 31 de julho de 2006, Fidel Castro surpreende Cuba e o mundo ao anunciar que cedia o poder ao irmão Raúl, em caráter provisório, depois de sofrer hemorragias. Foi a primeira vez que saiu do poder.

Sem revelar sua doença, Fidel admite estar à beira da morte. Perde quase 20 quilos nos primeiros 34 dias de crise, passa por cirurgias e depende por muitos meses de cateteres. Em dezembro de 2007, o comandante cubano escreve não estar aferrado ao poder, nem que obstruiria a passagem das novas gerações. Em janeiro de 2008, porém, é eleito deputado e fica tecnicamente habilitado para uma reeleição – o que não ocorre.

Desde março de 2007, já afastado do cenário público, e visto só em vídeos e fotos, Fidel Castro se dedica a escrever artigos para a imprensa sob o título de “Reflexões do Comandante-em-Chefe”. Ele só deixou o poder definitivamente em fevereiro de 2008.

Fidel Castro e o ex-jogador argentino de futebol Diego Maradona
Cronologia de Fidel Castro

CRÉDITOS:

edição: Dennis Barbosa e Helton Simões Gomes

Fonte: Globo.com.br

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Sobre a vida de um dos maiores DITADORES da história: Fidel Castro

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NUNCA foi meu ídolo, nem poderia, foi um DITADOR . Não estou entre aqueles professores de história que tem apreço seletivo por ditadores.

Compartilho o material porque cumpre função histórica e considero que tem qualidade.

FIDEL já foi tarde. Não fará falta.

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A vida de Fidel Castro em 22 números

  • 26 novembro 2016
Fidel Castro
Image captionEx-presidente comandou Cuba por quase cinco décadas

A história de Fidel Castro, ex-presidente cubano morto na noite desta sexta-feira aos 90 anos, é marcada por números significativos.

Fidel foi o líder mundial não ligado a uma monarquia mais longevo do século 20, teve oito filhos, fazia discursos com várias horas de duração e “sobreviveu” a 11 presidentes americanos.

Veja alguns números sobre a vida do ex-presidente que comandou Cuba por quase cinco décadas:

82 rebeldes

Fidel Castro e mais 81 rebeldes – incluindo seu irmão Raúl e Che Guevara – embarcaram no Granma no México, em novembro de 1956, para viajar até Cuba e iniciar a batalha contra Fulgencio Batista.

O barco depois foi usado durante desfiles militares para celebrar a vitória na Revolução.

70.000 soldados

Esse é o número de soldados enviados por Cuba a Angola, entre 1987 e 1988. Desde os anos 60 e 70, Cuba deu assistência a vários paíes africanos, como Angola e Etiópia, durante a descolonização da África.

No pico da atividade em Angola, Cuba chegou a ter 70 mil soldados no país, que estava em meio à guerra de independência. Estima-se que cerca de 500 mil cubanos, tanto militares como civis, pisaram nesse país africano.

8 filhos

Fidel Castro tinha 8 filhos, com quatro mulheres. O mais velho é Fidel Castro Díaz-Balart, também conhecido como Fidelito, filho de Mirta Díaz-Balart. O ex-presidente cubano também tinha cinco filhos com Dalia Soto, um com María Laberd e uma filha com Natalia Revuelta, Alina Fernández.

7 horas

Os discursos de Fidel Castro são conhecidos pela longa duração, às vezes tão longa que chegava a incluir um intervalo para o lanche. O discurso mais longo registrado durou 7 horas e 10 minutos e foi pronunciado no Congresso do Partido Comunista em 1986, em Havana.

Fidel discursa em evento de comemoração ao aniversário de 30 anos da revolução cubanaImage copyrightAFP/GETTY IMAGES
Image captionFidel discursa em evento de comemoração ao aniversário de 30 anos da revolução cubana

Ele também tem o recorde do discurso mais longo na Assembleia Geral das Nações Unidas com 4 horas e 29 minutos de duração.

14 anos

É a idade de Fidel Castro quando ele provou um charuto cubano pela primeira vez. Segundo ele, foi o próprio pai quem lhe ofereceu seu primeiro charuto. Dizem que o líder cubano, que admitiu ter fumado demais em sua vida, abandonou o hábito em 1985.

Fidel Castro fuma charuto durante entrevista à imprensa em Havana, 1975Image copyrightREUTERS
Image captionFidel Castro fuma charuto durante entrevista à imprensa em Havana, em 1975

0 vezes

Em uma longa entrevista com seu biógrafo Ignacio Ramonet, Fidel Castro explicou que nunca pronunciou um discurso que ele mesmo não tenha escrito ou preparado. Ele admitiu que pediu algumas vezes a seus assessores que escrevessem discursos mas os descartou por considerá-los um “desastre”.

4 horas de sono

O escritor Ignácio Ramonet diz em seu livro que Fidel dorme apenas quatro horas por dia e, às vezes, uma ou duas horas a mais durante o dia. Quando estava no poder, trabalhava sete dias por semana e só ia dormir entre 5 e 6 da manhã.

200 palavras

É o número de palavras em inglês que ele decidiu apender diariamente no dicionário enquanto passava sua lua de mel em Miami e Nova York. Decidido a aprender o idioma, todos os dias ele lia uma página do dicionário por vez e memorizava palavra por palavra. Ele chegou até a página 101 do dicionário, na palavra “beaver board” (painel de fibra de madeira, em tradução livre) e desistiu.

20 pontos

Número de pontos em seu plano de governo quando assumiu o cargo de primeiro-ministro do governo revolucionário, em fevereiro de 1959. Segundo sua biógrafa Claudia Furiati, entre os pontos de seu programa estavam reformas agrária, fiscal e tarifária, além de um projeto de industrialização para criar 400 mil empregos em dois anos. Também foram contemplados um aumento salarial geral e a redução dos preços dos alugueis e dos serviços públicos.

6 irmãos

Juanita CastroImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionJuanita Castro chamou seu irmão Fidel de “marionete do comunismo”

Seus pais, Ángel Castro e Lina Ruz, tiveram sete filhos: Fidel, Raúl, Juanita, Emma, Agustina, Angelita e Ramón. Os dois últimos já faleceram. Ele também tem dois meio irmãos, Lidia e Pedro Emilio. Na foto, datada de 1970, Juanita diz que seu irmão é uma “marionete do comunismo”.

599 palavras

É o número de palavras na carta de despedida de Che Guevara para Fidel, incluindo sua assinatura.

Em um evento em 3 de outubro de 1965, Fidel leu uma carta escrita por Ernesto Che Guevara na qual o guerrilheiro argentino renuncia a todos os seus cargos no governo cubano. “Sinto que cumpri meu dever na Revolução cubana e em seu território e me despeço de você, dos companheiros e do povo que já é o meu”.

Guevara renunciou em meio a rumores sobre desavenças com Fidel e por seu desejo de ampliar suas ideias revolucionárias em outras partes da América Latina. Ele morreu em 1967 durante uma batalha entre guerrilheiros e soldados do Exército em uma floresta na Bolívia.

Fidel Castro acende charuto enquanto ouve Che Guevara em foto tirada na década de 1960Image copyrightAFP/GETTY IMAGES
Image captionFidel Castro acende charuto enquanto ouve Che Guevara em foto tirada na década de 1960

32 anos

A idade de Fidel quando ele virou primeiro-ministro em 16 de fevereiro de 1959, sendo o político mais jovem a assumir o cargo na história de Cuba.

68 horas

Número de horas consecutivas que os homens de Fidel Castro lutaram durante a invasão à Baía dos Porcos, em abril de 1961.

Naquele ano, os Estados Unidos financiaram uma invasão de um grupo de exilados cubanos à Baía dos Porcos. Eles foram derrotados em uma batalha que o próprio Fidel classificou como “sangrenta”.

O fracasso da invasão não apenas fortaleceu seu poder como também estreitou sua relação com a União Soviética. A operação foi o catalisador da crise dos mísseis, 18 meses depois, em 28 de outubro de 1962, que deixou o mundo à beira de uma guerra nuclear.

49 anos

O período em que ele passou no poder, entre 1959 e 2008, quando oficialmente cedeu o poder a seu irmão Raúl.

Fidel Castro com seu irmão RaúlImage copyrightASSOCIATED PRESS
Image captionFidel Castro com seu irmão Raúl, atual presidente de Cuba

Em julho de 2006, quase dois anos antes do anúncio oficial de 2008, Fidel delegou suas funções a Raúl por motivos de saúde.

11 presidentes

É o número de presidentes americanos a que Fidel sobreviveu desde sua chegada ao poder em 1959. Fidel virou líder cubano quando Dwight D. Eisenhower era presidente dos Estados Unidos e completou 90 anos no final do mandato de Barack Obama.

638 tentativas de homicídio

Número de supostas tentativas de assassinato contra Fidel. O número é controverso, já que não há como comprová-lo, mas há muitos dados sobre várias tentativas de matá-lo. Há inclusive um documentário chamado 638 maneiras de matar Castro que conta a história de algumas das mais famosas tentativas.

O documentário revela vários (por vezes inacreditáveis) métodos de assassinato, desde charutos que explodem até “mulheres fatais”, passando por uma emissora de rádio com gases tóxicos e uma seringa envenenada com a aparência de uma caneta inofensiva.

5,5 mil minutos

Número de minutos que Fidel estima ter poupado por não se barbear. Ele e seus colegas decidiram deixar as barbas longas como símbolo revolucionário.

Foto da década de 1960 mostra Fidel Castro em um de seus discursosImage copyrightAFP/GETTY IMAGES
Image captionFoto da década de 1960 mostra Fidel Castro em um de seus discursos

Em uma conversa com seu biógrafo Ignacio Ramonet, Fidel Castro lembra que a ideia surgiu a partir das difíceis condições de sua época como guerrilheiro, pois não havia lâminas de barbear onde ele estava. Fidel disse ter encontrado o lado prático disso, já que o ajudou a poupar tempo.

1945

Ano em que Castro começou a estudar Direito na Universidade de Havana. Em uma longa entrevista a Ramonet, Castro se descreveu como “um péssimo exemplo de estudante” porque nunca ia às aulas. Disse que preferia ficar no pátio com os demais colegas porque “como pregador prestavam um pouco mais de atenção em mim”.

Segundo o biógrafo, ele só passou a estudar de verdade no final do curso, e se dedicou a três carreiras: direito, diplomacia e ciências sociais.

2000

Ano em que Fidel Castro e o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, apertaram as mãos e trocaram algumas palavras. Foi a primeira vez em que um presidente americano deu a mão a Fidel, logo após um almoço marcando a Cúpula do Milênio da ONU, em Nova York.

5 bilhões

Fidel segura a mão do líder soviético Nikita Khrushchev durante uma visita oficial em Moscou em 1963Image copyrightAFP/GETTY IMAGES
Image captionFidel segura a mão do líder soviético Nikita Khrushchev durante uma visita oficial em Moscou em 1963

Quantidade, em dólares, que Cuba recebia anualmente em subsídios da União Soviética. Durante praticamente três décadas, a economia de Cuba dependeu do forte apoio da União Soviética. Algumas pessoas chegaram a prever que Cuba não sobreviveria ao colapso da União Soviética em 1991. Ainda que tenha sobrevivido, o país foi duramente afetado por uma longa crise econômica.

O simbólico 26

O 26 é um número importante para o cidadão comum de Cuba. Segundo a biógrafa Claudia Furiati, algumas das razões são:

– É o dobro de 13, o dia do aniversário de Fidel, e 26 é o ano em que ele teria nascido;

– Foi o mesmo ano em que um furacão atingiu a ilha;

– 26 de julho de 1953 foi a data do ataque fracassado ao Quartel Moncada, que dá nome ao movimento 26 de julho, uma organização revolucionária criada por um grupo liderado por Fidel Castro.

Fonte: BBC Brasil

 

Sobre analfabetos e eleições no Brasil

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Por 100 anos, analfabeto foi proibido de votar no Brasil

Ricardo Westin | 04/11/2016, 20h56 – ATUALIZADO EM 08/11/2016, 17h14

Apesar da incompatibilidade ideológica, João Goulart e Castello Branco concordavam em um ponto. Papéis históricos sob a guarda do Arquivo do Senado mostram que tanto o presidente de esquerda derrubado pelos militares quanto o marechal de direita alçado pelo golpe à Presidência tentaram dar aos analfabetos o direito de votar.

Eles não tiveram sucesso. Os iletrados só depositariam o voto na urna em novembro de 1985, na primeira eleição após a ditadura, para escolher prefeitos de capitais, estâncias hidrominerais e cidades em área de segurança nacional.

Nestas três décadas, entre as eleições municipais de 1985 e as do mês passado, o total de brasileiros incapazes de ler e escrever caiu de 19 milhões para 13 milhões — de 25% para 8% da população adulta.

Na mensagem presidencial enviada ao Congresso em março de 1964, Jango escreveu: “Considerando-se que mais da metade da população é constituída de iletrados, pode-se avaliar o peso dessa injustiça. O quadro de eleitores já não representa a nação”.

Castello recorreu a outro argumento na proposta que apresentou aos congressistas em junho do mesmo ano: “Em nossos dias, pelas novas técnicas da comunicação e da convivência, o analfabeto já se informa, já tem consciência de colaborar na existência coletiva pelo seu trabalho e já pode participar da vida cívica”.

Não era contraditório que o primeiro presidente do regime militar defendesse o sufrágio universal. No início, os artífices do golpe não pretendiam eliminar a eleição direta nem implantar a ditadura. O plano era afastar o perigo comunista e devolver o poder aos civis em 1966.

O desejo de Jango não vingou porque ele foi destituído duas semanas após enviar a mensagem. O Congresso rejeitou a proposta de Castello.

Os analfabetos votaram durante a maior parte da história do Brasil. Na Colônia, as Ordenações Filipinas diziam que, não sabendo os eleitores escrever, “ser-lhes-á dado um homem bom que com eles escreva” e “que não descubra o segredo da eleição”.

Elite sem escola

Após a Independência, continuaram votando. Isso não quer dizer que os pobres fossem aceitos na vida política do Império. O principal requisito para ser eleitor era dispor de uma renda líquida de pelo menos 100 mil réis por ano.

De qualquer forma, seria um absurdo estabelecer a alfabetização como exigência, porque até a elite seria impedida de ir às urnas. Mais de 90% dos brasileiros eram iletrados no início do Império.

A guilhotina caiu sobre os analfabetos em 1881, depois que a Câmara e o Senado aprovaram a Lei Saraiva, com a exigência do letramento.

— A ignorância, porque se generaliza, adquire o direito de governar? — argumentou o ministro da Justiça, Lafayette Rodrigues Pereira, em 1879. — Se há no Império oito décimos de analfabetos, direi que eles devem ser governados pelos dois décimos que sabem ler e escrever.

O projeto que deu origem à Lei Saraiva foi redigido pelo jovem advogado e deputado geral Ruy Barbosa (BA).

— Ruy dizia que escravos, mendigos e analfabetos não deveriam votar porque careciam de ilustração e patriotismo e não sabiam identificar o bem comum — diz Walter Costa Porto, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral e autor de A Mentirosa Urna.

Entre 1881 e 1985, todas as tentativas de acabar com a exclusão dos iletrados naufragaram. A proposta feita por Castello Branco em 1964 era cautelosa. Para vencer a resistência, liberava o voto do analfabeto só nas eleições municipais. Não adiantou.

— Jamais se deve premiar o analfabeto — argumentou o senador Miguel Couto (PSD-RJ). — Antes de se consentir que o ignorante decida os destinos do Brasil, mesmo que restrito ao pleito municipal, com todas as forças deve-se obrigá-lo a ler e escrever, tirá-lo das trevas da ignorância.

Cédulas adaptadas

Os analfabetos só tornariam a votar graças a uma emenda à Constituição aprovada por deputados e senadores em maio de 1985. A histórica liberação figurou entre as primeiras medidas democratizantes tomadas pelo Congresso após a ditadura. Fazia três semanas que Tancredo Neves morrera.

Na votação, o deputado Ronan Tito (PMDB-MG) disse:

— Precisamos dar ao analfabeto escola, mas também força para que reivindique escola para si e para os seus. Como passará a ser cidadão pleno e ter direito? Quando tiver acesso ao voto. Aí passará a ter forças inclusive para reivindicar, exigir escola. Hoje é cidadão de segunda classe.

O deputado Gerson Peres (PDS-PA) lembrou que o Código Civil via o iletrado como totalmente capaz:

— O analfabeto é responsável pelo pátrio poder, presta serviço militar, fecha contrato de compra e venda, testamenta antes de morrer. A legislação até lhe permite votar e ser votado no sindicato. Por que não pode votar nas eleições para o poder público?

Muitos parlamentares reclamaram que a emenda aprovada deu ao analfabeto só metade do direito. Ele votaria, de forma facultativa, mas não se candidataria. A Constituição de 1988 manteve os termos da decisão de 1985.

As cédulas foram adaptadas. Como os analfabetos têm mais familiaridade com números do que com letras, a votação passou a ser por meio de algarismos.

O cientista político José Carlos Brandi Aleixo, autor de O Voto do Analfabeto, cita uma razão para que os iletrados tenham demorado tanto para recuperar o voto e até hoje não possam disputar eleições:

— Eles têm vergonha da sua condição, se escondem e, por isso, têm dificuldade para se unir e lutar por direitos. Aos olhos do país, são invisíveis.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte:

 http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/11/04/por-100-anos-analfabeto-foi-proibido-de-votar-no-brasil?utm_source=midias-sociais&utm_medium=midias-sociais&utm_campaign=midias-sociais

15 mulheres brasileiras que deveríamos ter conhecido na escola

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Quantas mulheres brasileiras você se lembra de ter conhecido na escola? Quantas referências de mulheres na História você tem?

Para além das notas de rodapé, elas merecem ser tratadas como protagonistas da História.

1 – Leopoldina

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Leopoldina Josefa Carolina Francisca Fernanda Beatriz de Habsburgo-Lorena, ou simplesmente Maria Leopoldina, como é chamada em terras brasileiras, nasceu em Viena, Áustria, em 1797. Foi arquiduquesa da Áustria, Imperatriz Consorte do Brasil e, durante oito dias, Rainha Consorte de Portugal. Era de excelente formação cultural. Falava francês, italiano, latim e estudava o inglês. Aprendia o português rapidamente. Pintava retratos e paisagens, e tocava piano. Gostava muito da natureza e das ciências naturais.

D. Pedro passou o poder à Dona Leopoldina no dia 13 de Agosto de 1822, nomeando-a chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Brasil, com todos os poderes legais para governar o país durante a sua ausência.

A Princesa Regente recebeu notícias que Portugal estava preparando uma ação contra o Brasil e sem tempo para aguardar a chegada de D. Pedro, Leopoldina, aconselhada por José Bonifácio e usando de seus atributos de chefe interina do governo, reuniu-se na manhã de 2 de Setembro de 1822, com o Conselho de Estado, assinando o Decreto da Independência, declarando o Brasil separado de Portugal.

2 – Maria Felipa de Oliveira

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Mulher negra e pobre, Maria quase nunca é lembrada por seus feitos.

Moradora da Ilha de Itaparica, Maria queria um Brasil livre dos portugueses, responsáveis pela escravização do povo africano e da sua família. Os portugueses resolveram atacar com armas, e Maria decidiu participar em defesa da Independência. Primeiro espiava a movimentação das caravelas e depois tomava uma jangada para Salvador, onde passava as informações para o Comando do Movimento de Libertação.

Cansada do papel de vigia, resolveu entrar no combate. Ela sabia que uma frota de 42 embarcações se preparava para atacar os lutadores na capital baiana. Então, Maria convidou mais 40 companheiras para a ação.

Elas e as outras mulheres seduziram a maioria dos soldados e comandantes. Após leva-los para um lugar afastado, esperavam até que começassem a tirar as roupas. Quando finalmente os homens ficavam pelados, elas davam uma surra de cansanção (planta que dá uma terrível sensação de ardor e queimadura na pele), para depois incendiar todas as embarcações.

Essa ação foi decisiva para a vitória sobre os portugueses em Salvador, permitindo que as tropas vindas do Recôncavo entrassem sob os aplausos do povo, no dia 2 de julho de 1823.

 

Maria Felipa continuou sua vida de marisqueira e capoeirista, admirada pelo povo. Faleceu no dia 4 de janeiro de 1873.

3 – Georgina de Albuquerque

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Nascida em Taubaté, no dia 4 de feveireiro de 1885, é considerada a introdutora do impressionismo no Brasil.

Estudando Artes desde cedo, aos 17, ela confrontou o diretor o diretor da Escola de Belas Artes para estudar lá. E conseguiu.

 

Em Paris, cursou a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e se especializou no impressionismo.

Em 1922, já no Brasil, fez a primeira pintura histórica realizada por uma mulher no país: o quadro “Sessão do Conselho do Estado que decidiu a Independência” que hoje está no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.

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Após se dedicar ao magistério, em 1950, tornou-se a primeira mulher a ser diretora da Escola de Belas Artes.

Ela modernizou o ensino, contratando artistas modernos para dar aula na Escola.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 29 de agosto de 1962.

4 – Clara Camarão

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Nascida no início do século XVII, o seu nome indígena foi esquecido. As poucas informações existentes indicam que ela era da nação Potiguar. Foi catequizada por padres jesuítas, na aldeia de Igapó. Casou-se com o chefe da tribo Poti, catequizado como Felipe, e junto a ele adotou o sobrenome Camarão – tradução do nome Poti. Ao lado dele, Clara combateu contra os holandeses em Pernambuco, liderando um grupo de grandes guerreiras.

Ela rompeu com as barreiras da divisão de trabalho, ao se afastar dos afazeres domésticos para defender seu povo junto aos homens, durante as invasões holandesas em Olinda e no Recife.

O grupo de mulheres que liderava ficou conhecido como as Heroínas de Tejecupapo, pequena aldeia da zona da mata pernambucana, que foi palco de uma das batalhas ocorridas contra a dominação holandesa.

 

Ela participou de outras duas igualmente memoráveis, a ocorrida em Porto Calvo e a Batalha de Guararapes, essa última, decisiva para vitória.

5 – Jovita Feitosa

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Jovita  nasceu em Tauá, Ceará, no dia 8 de março de 1848.

Filha de Maximiano Bispo de Oliveira e Maria Alves Feitosa mudou-se, ainda adolescente (16 anos), após a morte de sua mãe vitima de cólera, para Jaicós, no Piauí.

Aos 17 anos de idade, alistou-se para as forças militares da campanha da Guerra do Paraguai.

Disfarçou-se de homem: cortou o cabelo no estilo “alemão” ou “militar”, amarrou os seios, usou chapéu de couro e foi à procura da guarnição provincial. Conseguiu enganar os olhos dos policiais, porém, ao visitar o mercado público foi delatada por uma mulher que logo lhe reconheceu traços femininos com predominância da etnia indígena, além dos furos de brincos nas orelhas.

Ao ser levada para interrogatório policial, chorou copiosamente e manifestou o desejo de ir lutar nas trincheiras, com a mão no bacamarte.

Foi aceita no efetivo do Estado, após o caso chamar a atenção de Franklin Dória (1836-1906), o Barão de Loreto, então presidente da Província do Piauí, que lhe incluiu no Exército Nacional como segundo sargento. Recebeu fardamento que deveria ser parcialmente recoberto por uma saia e embarcou com corpo de voluntário para Parnaíba, litoral piauiense.

No navio a vapor que saiu de Teresina, a história registra que eram 335 voluntários que seguiram até Parnaíba onde recebeu o reforço de outros combatentes. A viagem seguiu pelo Maranhão, por Pernambuco e chegou ao Rio de Janeiro, em 9 de setembro de 1865.

Ao chegar ao Rio, Jovita ficou famosa. Todos queriam conhecer a mulher do Piauí que corajosamente queria ir à guerra. Na capital imperial foi entrevistada. Jovita chegou ao posto de primeiro-sargento, e recebeu homenagens e presentes por sua intenção de participação no conflito da Tripla Aliança.

No entanto, no Rio de Janeiro teve seu embarque negado, no final de 1865, pelo ministro da guerra, por ser mulher.

Foi expedido um ofício imperial, negando-lhe permissão para ir à frente de combate, dando-lhe apenas o direito de agregar-se ao Corpo de Mulheres que iria prestar serviços compatíveis com a “natureza feminina”, como a enfermagem, por exemplo.

Jovita resolveu permanecer no Rio de Janeiro, decepcionada com o acontecido. Caiu em profunda depressão e foi abandonada pelo marido, o engenheiro inglês, Guilherme Noot. Tinha 19 anos de idade, em 1867, quando cometeu suicídio com uma punhalada no coração.

6 – Bárbara de Alencar

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Bárbara Pereira de Alencar nasceu em 11 de agosto de 1760, no município de Exu, Pernambuco. Casou-se com 22 anos e se mudou para Crato, no sul do Ceará. Teve cinco filhos.

Na época, as elites brasileiras almejavam os ideais de independência e república. Enquanto isso, Bárbara e seus filhos começaram a organizar uma frente revolucionária na cidade, com sede na casa deles.

A Revolução Pernambucana estourou em Recife no dia 6 de março de 1817, liderada por Frei Caneca, Domingos José Martins e Antônio Carlos de Andrada e Silva. Em 3 de maio, durante a missa dominical da igreja do Crato, José Martiniano, filho de Bárbara, proclamou a república. Tropas foram enviadas para conter a revolta. Oito dias depois, os revolucionários foram presos. Numa das celas da Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção, esteve detida Bárbara de Alencar, considerada localmente como a primeira prisioneira política da História do Brasil. Após a prisão, foram enviados a pé para Fortaleza – acorrentados sob o sol, levando um mês para caminhar 600 quilômetros.

Presa em calabouços de Fortaleza, Recife e Salvador, ela foi maltratada e impedida de ver os filhos. Libertada depois de três anos, ainda liderou um segundo ato, a Confederação do Equador, que se espalhou pelo Nordeste a fim de acabar com a monarquia. Na revolta, dois de seus filhos morreram.

Bárbara faleceu em 1832, aos 72 anos de idade.

7- Margarida Maria Alves

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Nascida em Alagoa Grande, no dia 5 de agosto de 1933, Margarida foi Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande. Durante o período em que esteve à frente do sindicato, foi responsável por mais de cem ações trabalhistas na justiça do trabalho. Sua atuação no sindicato entrou em choque com os interesses dos fazendeiros locais e do proprietário da maior usina de açúcar local, a Usina Tanques.

Margarida foi assassinada por um matador de aluguel, no dia 5 de agosto de 1983. Ela estava em frente a sua casa, com seu marido e filho.

Mesmo com a exposição nacional do crime, que chegou a ser denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, 33 anos depois nenhum dos mandantes foi condenado.

Em 2000, nasceu a “Marcha das Margaridas”, inspirada em Margarida Alves. A Marcha é uma mobilização das mulheres do campo e da floresta que integram o Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) e de movimentos feministas e de mulheres.

8-  Carolina de Jesus

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Carolina Maria de Jesus, nasceu no dia 14 de março de 1914, em Minas Gerais, Sacramento, uma comunidade rural onde seus pais eram meeiros.

Aos sete anos, a mãe de Carolina forçou-a a frequentar a escola depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar os estudos dela e de outras crianças pobres do bairro. Carolina parou de frequentar a escola no segundo ano, mas aprendeu a ler e a escrever.

Após a morte de sua mãe, Carolina mudou-se para São Paulo. Na favela do Canindé, construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer coisa que pudesse encontrar. Ela saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família.

Quando encontrava revistas e cadernos antigos, guardava-os para escrever em suas folhas. Começou a escrever sobre seu dia-a-dia, sobre como era morar na favela. Isto aborrecia seus vizinhos, que não eram alfabetizados, e por isso se sentiam desconfortáveis por vê-la sempre escrevendo, ainda mais sobre eles.

Em seu diário, ela detalha o cotidiano dos moradores da favela e, sem rodeios, descreve os fatos políticos e sociais que via. Ela escreve sobre como a pobreza e o desespero podem levar pessoas boas a trair seus princípios simplesmente para assim conseguir comida para si e suas famílias.

O diário de Carolina Maria de Jesus foi publicado em agosto de 1960. Ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em abril de 1958. Dantas cobria a abertura de um pequeno parque municipal. Imediatamente após a cerimônia uma gangue de rua chegou e reivindicou a área, perseguindo as crianças. Dantas viu Carolina de pé na beira do local gritando “Saiam ou eu vou colocar vocês no meu livro!” Os intrusos partiram. Dantas perguntou o que ela queria dizer com aquilo. Ela se mostrou tímida no início, mas levou-o até o seu barraco e mostrou-lhe tudo. Ele pediu uma amostra pequena e correu para o jornal.

A tiragem inicial de dez mil exemplares se esgotou em uma semana (segundo a Wikipédia em inglês, foram trinta mil cópias vendidas nos primeiros três dias).

9 – Dinalva Oliveira

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Dina – Vocês vão me matar agora?
Ivan – Não, um pouco mais à frente
Dina – Vou morrer agora?
Ivan – Vai. Agora você vai ter que ir.
Dina – Quero morrer de frente.
Ivan – Então vira pra cá.

Dinalva Oliveira Teixeira nasceu no sertão baiano, município de Castão Alves, em 16 de maio de 1945, filha de Viriato Augusto de Oliveira e Elza Conceição Bastos.

De origem humilde, com muito esforço conseguiu entrar na Universidade Federal da Bahia, onde se formou em geologia no ano de 1968, sempre participando ativamente do movimento estudantil, quando foi presa pela primeira vez.

Nesta época conheceu Antônio Carlos Monteiro Teixeira (também desaparecido), colega de turma com quem se casou em 1969. No mesmo ano mudaram-se para o Rio de Janeiro, onde faziam trabalhos sociais nas favelas.

‘Dina’ foi a mais famosa e temida de todas as guerrilheiras do Araguaia. Militante do movimento estudantil baiano em 1967 e 1968, tendo sido presa, casou com seu colega de turma Antônio Carlos Monteiro Teixeira – que na guerrilha teria o codinome ‘Antônio da Dina’ – e mudaram-se para o Rio de Janeiro, onde trabalharam no Ministério das Minas e Energia, e como militantes comunistas faziam trabalho social nas favelas cariocas.

Sobrevivente do ataque à comissão militar da guerrilha no dia de
Natal de 1973, que matou cinco guerrilheiros, incluindo o comandante geral Maurício Grabois, Dina embrenhou-se na selva com outros companheiros e desapareceu até junho de 1974, quando foi presa, fraca, doente e desnutrida, sem comer açúcar ou sal há meses, vagando na mata perto da localidade de “Pau Preto”, com a companheira de guerrilha “Tuca”, a enfermeira parasitóloga paulista Luiza Augusta Garlippe.

Levada à base em Xambioá, permaneceu presa e foi torturada por duas semanas, sem prestar qualquer informação aos militares do serviço de inteligência do exército, CIEx, que sempre quiseram pegá-la viva.

Em julho, Dina foi levada de helicóptero para um ponto da mata, próximo de Xambioá. Assim que pisou no solo, pressentindo que seria executada, Dina perguntou ao sargento do exército Joaquim Artur Lopes de Souza, codinome Ivan, chefe da equipe, “Vocês vão me matar agora?” , ao que Ivan respondeu: “Não, um pouco mais à frente”.

Os dois caminharam lado a lado por uns quinze minutos, mantendo uma conversa cordial, testemunhada por mais dois militares que vinham logo atrás.

Quando pararam em uma clareira, Dina perguntou: “Vou morrer agora?”, ao que Ivan respondeu afirmativamente: “Vai, agora você vai ter que ir”. Sem demonstrar medo, Dina declarou: “Então, quero morrer de frente”, ao que Ivan retrucou: “Então vira pra cá”. Dina encarou o executor nos olhos, que lhe desferiu um tiro no peito, usando uma pistola calibre 45.

A guerrilheira não morreu de imediato, sendo-lhe desferido um segundo tiro na cabeça. Enterraram-na ali mesmo, o corpo jamais foi encontrado.

10 – Antonieta de Barros

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Antonieta  nasceu no dia 11 de julho de 1901, em Florianópolis, Santa Cantarina. Seus artigos, crônicas e poesias eram assinados com o pseudônimo de “Maria da Ilha”.
Oriunda de família pobre e humilde, ainda criança ficou órfã de pai, sendo criada pela mãe. Dedicou-se desde cedo às letras. Desde os seus primeiros estudos já lecionava para o Magistério e em 1921 concluiu o Curso Normal na Escola Normal Catarinense. Ainda neste ano, fundou o Curso Antonieta de Barros, voltado para alfabetização da população carente que funcionou até 1952. No ano seguinte, fundou o Jornal A Semana, que circulou até 1927.

Sua mãe, escrava liberta, trabalhou como doméstica na casa do político Vidal Ramos, pai de Nereu Ramos, que viria a ser vice-presidente do Senado e chegou a assumir por dois meses a Presidência da República.

Por intermédio dos Ramos, Antonieta entrou na política e foi eleita para a Assembleia catarinense em 1934, dois anos depois de o voto feminino ser permitido no país.

Eleita pelo Partido Liberal Catarinense, foi constituinte em 1935, cabendo-lhe relatar os capítulos Educação e Cultura e Funcionalismo. Atuou na assembléia legislativa catarinense até 1937, quando teve início a ditadura do Estado Novo.

Com o fim do regime ditatorial, ela se candidatou pelo Partido Social Democrático e foi eleita novamente em 1947, desta vez como suplente. Antonieta continuou lutando pela valorização do magistério, exigindo concurso para o provimento dos cargos do magistério, sugerindo formas de escolhas de diretoras e defendendo a concessão de bolsas para cursos superiores a alunos carentes.

Ao longo de sua vida, Antonieta atuou como professora, jornalista e escritora. Faleceu no dia 18 de março de 1952.

11 – Aracy de Carvalho Guimarães Rosa

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Ela nasceu no Paraná, em 1908. Na década de 30, separada do primeiro marido e com um filho pequeno, ela se mudou para a Alemanha, já com Hitler no poder, indo morar com uma tia. Fluente em alemão, francês e inglês, conseguiu emprego no consulado brasileiro em Hamburgo, onde logo se tornou responsável pelo setor de vistos. Correndo diversos riscos e por iniciativa própria, salvou a vida de dezenas de judeus, que graças a ela emigraram para o Brasil, escapando da perseguição nazista.

Aracy chegou a usar clandestinamente o carro do serviço consular para transportar judeus, que escondia em casa; na fuga, ela acompanhava os refugiados até o navio e, fazendo uso de sua imunidade diplomática, levava suas joias e dinheiro na própria bolsa, para evitar que fossem confiscados pela polícia nazista.

Chamada de “Anjo de Hamburgo”, Aracy é a única mulher citada no Museu do Holocausto, em Israel, entre os 18 diplomatas que salvaram judeus da morte. Em 1982, ela foi reconhecida como “Justa entre as Nações”, um título dado pelo governo israelense a pessoas que correram riscos para ajudar judeus perseguidos.

Aracy morreu esquecida, em 2011, aos 102 anos, vítima de Alzheimer.

12 – Leolinda

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A baiana Leolinda Daltro é precursora do feminismo no Brasil no século 19. Engajada na causa indigenista, separou-se do marido e viajou pelo interior do Brasil pregando a integração das populações indígenas por meio da educação laica. Foi escorraçada de Uberada, em MG, aos gritos de “mulher do diabo”.

Quando teve seu alistamento eleitoral negado, fundou o Partido Republicano Feminino. O objetivo era mobilizar as mulheres pelo direito ao voto. Morreu em um acidente automobilístico em 1935.

Seu obituário publicado na revista ‘Mulher’, editada pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, assinala que Leolinda “teve que lutar contra a pior das armas de que se serviam os adversários da mulher: o ridículo”.

 

13 – Maria Quitéria

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Uma das principais personagens da independência, Maria Quitéria fugiu de casa para lutar pela Bahia.

Entrou para o Batalhão dos Voluntários do Príncipe, vestindo o uniforme de seu cunhado. Se passou por um homem, apresentando-se como soldado Medeiros. Lutou na Bahia de Todos os Santos, em Ilha de Maré, Barra do Paraguaçu, na cidade de Salvador, na estrada da Pituba, Itapuã, e Conceição.

Após ser descoberta pelo pai, foi defendida pelo Major José Antônio da Silva Castro, comandante do batalhão. Ele permitiu que ela seguisse no combate, pois mostrava muita habilidade com armas.

Em 2 de julho de 1823, quando o “Exército Libertador” entrou em triunfo na cidade do Salvador, Maria Quitéria foi saudada e homenageada pela população em festa.

Maria foi a primeira mulher a assentar praça numa unidade militar das Forças Armadas Brasileiras e a primeira mulher a entrar em combate pelo Brasil.

Em 28 de julho de 1996, foi reconhecida como Patronesse do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Por determinação ministerial, sua imagem deve estar em todos os quartéis do país.

Em Salvador, uma estátua foi erguida em 1953, ano do centenário de sua morte.

14 – Joana Angélica

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Aos vinte anos de idade, no dia 21 de abril de 1782, entrou para o noviciado no Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, na capital baiana. Ali, foi escrivã, mestra de noviças, conselheira, vigária e, finalmente, abadessa. Ocupava a direção do convento, em fevereiro de 1822, quando a cidade ardia de agitação contra as tropas portuguesas do brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo – que tinham vindo para Salvador desde o Dia do Fico.

Soldados e marinheiros portugueses se embriagavam e saiam atacando casas particulares.
Após tomar uma rua proxíma, decidiram invadir o Convento da Lapa. Joana, com 60 anos de idade, ficou na frente da porta e tentou impedir a entrada dos soldados no convento. Recebeu golpes de baioneta como resposta e faleceu no dia seguinte, em 20 de fevereiro de 1822.

Na época, seu assassinato serviu como um dos estopins para o início da revolta dos brasileiros. Joana tornou-se a primeira mártir da grande luta que continuou até 2 de julho.

Atualmente, Joana Angélica dá nome à avenida principal do bairro de Nazaré, onde fica o Convento da Lapa.

15 –Tereza de Benguela

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“Rainha Tereza”, como ficou conhecida em seu tempo, viveu na década de XVIII no Vale do Guaporé, no Mato Grosso. Ela liderou o Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho, morto por soldados. Segundo documentos da época, o lugar abrigava mais de 100 pessoas, com aproximadamente 79 negros e 30 índios. O quilombo resistiu da década de 1730 ao final do século. Tereza foi morta após ser capturada por soldados em 1770 – alguns dizem que a causa foi suicídio; outros, execução ou doença.

Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesa. Ali, era cultivado o algodão, que servia posteriormente para a produção de tecidos. Havia também plantações de milho, feijão, mandioca, banana, entre outros.

Após ser capturada em 1770, o documento afirma: “em poucos dias expirou de pasmo. Morta ela, se lhe cortou a cabeça e se pôs no meio da praça daquele quilombo, em um alto poste, onde ficou para memória e exemplo dos que a vissem”. Alguns quilombolas conseguiram fugir ao ataque e o reconstruíram – mesmo assim, em 1777, foi novamente atacado pelo exército, sendo finalmente extinto em 1795.

Fonte: 

https://asminanahistoria.wordpress.com/2016/10/10/15-mulheres-brasileiras-que-deveriamos-ter-conhecido-na-escola/