Sobre o Conceito de ETNIA: artigos.

Dicionário Online – Raça E Etnia

Raça é uma consideração dada, cujo objetivo é de colocar em categorias os diferentes tipos de povos de uma mesma natureza biológica, como a sua principal característica física.

A raça humana, por exemplo, pode ser classificada pela cor de sua pele, genética, cultura, condição social, tipo de cabelo. Sendo assim, as diferenças estão nos fatores morfológicos, constituição física, estatura, entre outras diferenciações.

Exemplos de raças: raça indígena, raça caucasiana, raça asiática.

Etnia – Denota um grupo que tem a mesma cultura, os mesmos hábitos. A palavra etnia vem do grego ethnos, que quer dizer população com os mesmos ethos, ou seja, estilo, maneira, costume. Uma comunidade humana definida por afinidades linguísticas e culturais.

Isso engloba a língua falada, a raça, a religião daquele determinado povo.

Exemplos de etnia: hippies, ciganos.

Diferença entre raça e etnia:

A diferença de raça para etnia consiste no fato de que raça está pautada com relação aos atributos biológicos. Está relacionado a princípios morfológicos.

Já a etnia diz respeito aos costumes culturais, como a tradição seguida por determinado povo.

O conceito de etnia é constantemente utilizado de maneira errada, como perífrase para raça. Sendo assim, etnia e raça não são sinônimos.

Raça e etnia no Brasil

O Brasil é um país estimado com uma grande quantidade de miscigenação de raças e etnias. Como por exemplo, os negros, brancos, indígenas e os orientais.

Por conta do seu contexto histórico bem peculiar, cada região do Brasil tem alguma etnia em especial predominante.

Com a mistura dos povos, que é bem abrangente no Brasil, pelos povos que habitaram no país, para cada pessoa brasileira pode-se considerar que tenha parcela de cada raça e etnia.

Relação de raça e etnia na antropologia:

A antropologia usa várias categorizações para grupos de pessoas, que são conhecidos por “raças humanas”, porém, desde que foram implantados procedimentos genéticos para as pesquisas sobre a população humana, essas classificações e o conceito de raças humanas pararam de ser empregados.

Consideração de raça e etnia na sociologia:

Raça humana é comumente usada como uma classificação de resolução social, sendo que a origem (nacionalidade) e a cor da pele e recebem valores, significado e sentidos completamente distintos.

As distinções mais corriqueiras são com relação à cor de pele da pessoa, tipo e estilo de cabelo, amoldamento cranial e facial, leva em consideração os ancestrais e, em determinadas civilizações, a hereditariedade. Entre as considerações mais conhecidas estão: a raça negra, a raça indígena e a raça branca (caucasiana).

Às vezes, os grupos culturais, ou étnicos linguísticos fazem uso do termo “raça” para identificarem-se, mesmo sem levar em consideração o padrão biológico desse grupo. Quando isso acontece, esse termo pode ser substituído por etnia, ou até cultura.

Conceito de raça para designar outras espécies:

“Raça” é um termo também usado, geralmente, para indicar as multiplicidades de animais, como os domésticos e os animais de criação como: cavalos, touros e bois. É muito comum ouvir falar de diversas raças de gatos e de diversos outros animais.

No Brasil há uma diversidade enorme tanto de raças quanto de etnias. A predominância maior é da raça negra. Porém com a miscigenação, pode-se dizer que cada pessoa tem origem de pelo menos, duas raças. Quanto às etnias são muitas e também contribuem para a grande variedade de culturas!

Fonte:

http://www.meusdicionarios.com.br/raca-e-etnia

 

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ETNIA

O conceito de etnia vem ganhando espaço cada vez maior nas ciências sociais a partir das crescentes criticas ao conceito de raça e, em alguns casos, ao conceito de tribo. Apesar disso, é ainda considerado por muitos uma noção pouco definida. O termo etnia surgiu no início do século XIX para designar as características culturais próprias de um grupo, como a língua e os costumes. Foi criado por Vancher de Lapouge, antropólogo que acreditava que a raça era o fator determinante na história. Para ele, a raça era entendida como as características hereditárias comuns a um grupo de indivíduos. Elaborou então o conceito de etnia para se referir às características não abarcadas pela raça, definindo etnia como um agrupamento humano baseado em laços culturais compartilhados, de modo a diferenciar esse conceito do de raça (que estava associado a características físicas). Já Max Weber, por sua vez, fez uma distinção não apenas entre raça e etnia, mas também entre etnia e Nação. Para ele, pertencer a uma raça era ter a mesma origem (biológica ou cultural), ao passo que pertencer a uma etnia era acreditar em uma origem cultural comum. A Nação também possuía tal crença, mas acrescentava uma reivindicação de poder político. A etnia é um objeto de estudo da Antropologia, e se caracterizou desde cedo como tema principal da Etnologia, ciência que se propõe a estudar diferentes grupos étnicos, constituindo-se em torno da própria noção de etnia. Durante o século XX, essas duas disciplinas multiplicaram as conceituações sobre o termo. Autores como Nadel e Meyers Fontes afirmam que uma etnia é um grupo cuja coesão vem de seus membros acreditarem possuir um antepassado comum, além de compartilharem uma mesma linguagem. Para essa definição, baseada em Weber, uma etnia seria um conjunto de indivíduos que afirma ter traços culturais comuns, distinguindo-se, assim, de outros grupos culturais. Nesse sentido, não importa se o grupo realmente descende de uma mesma comunidade original: o que importa é que os indivíduos compartilhem essa crença em uma origem comum. Uma crença confirmada, a seu ver, pelos costumes semelhantes. Assim, uma etnia se sente parte de uma mesma comunidade que possui religião, língua, costumes – logo, uma cultura – em comum. Notemos que nesse conceito não importa somente o fato de as pessoas que compõem uma etnia compartilharem os mesmos costumes, mas sobretudo o fato de elas acreditarem fazer parte de um mesmo grupo. Nesse sentido, a etnia é uma construção artificial do grupo, e sua existência depende de seus integrantes quererem e acreditarem fazer parte dela. Toda etnia se identifica como um grupo distinto, considerando-se diferente de outros grupos, e baseia sua identidade em uma religião e rituais específicos. Assim, os judeus e muçulmanos dentro das atuais Nações européias são, cada um por seu lado, etnias, por se identificarem como grupos distintos e reivindicarem identidades próprias baseadas em religiões e costumes diferentes das sociedades em que estão inseridos. No caso dos muçulmanos, a construção artificial desse conceito é mais nítida, pois quase sempre oriundos de migrações recentes para a Europa, seus integrantes são originários de diferentes países e culturas distintas, mas ao se instalarem em lugares como a França e a Inglaterra em geral se identificam como uma mesma etnia, independentemente do país de origem. Tal situação pode ser percebida sobretudo com relação aos descendentes dos primeiros imigrantes, e a construção de uma identidade comum “árabe” ou “muçulmana” vem tanto do fato de possuírem uma mesma religião quanto do fato de a sociedade os tratar em geral como um grupo homogêneo.

Alguns sociólogos diferenciam etnia e grupo étnico, pois para eles um grupo precisa de uma interação entre todos os seus membros, enquanto a etnia abrange um número grande demais de pessoas para que haja relação direta entre todas elas.

O grupo étnico seria, então, um conjunto de indivíduos que apresenta uma interação entre todos os seus membros, além das características gerais da etnia. Por essa distinção, os membros de uma vizinhança judaica em uma cidade do Ocidente, por exemplo, onde todos os indivíduos frequentam a mesma sinagoga, constituem um grupo étnico, ao passo que os judeus como um todo compõem uma etnia.

Atualmente, os debates em torno da idéia de etnia continuam acirrados. Primeiro porque a Antropologia não considera mais raça um conceito determinado biologicamente. Hoje, raça significa a percepção das diferenças físicas pelos grupos sociais, e como essa percepção afeta as relações sociais, aproxima-se bastante da própria definição de etnia. Por outro lado, alguns antropólogos franceses, no fim da década de 1980, afirmaram que o conceito de etnia estava sendo pregado para as sociedades ditas primitivas com a intenção de apagar a historicidade delas. Para Amselle, por exemplo, o conceito de etnia, bem como o de tribo, era usado em substituição ao de Nação, para as “sociedades primitivas”, passando a idéia de Nação a pertencer exclusivamente aos “Estados civilizados”. Dessa forma, o conceito de etnia teria um sentido etnocêntrico bastante acentuado. Mas, apesar dessas controvérsias, a Antropologia trabalha também com a noção de etnicidade, que é um sentimento de pertencer exclusivamente a um determinado grupo étnico. Um conceito próximo ao de identidade.

Podemos perceber, dessa forma, os intensos debates em torno do conceito de etnia, e o quanto esse conceito ainda precisa ser mais bem caracterizado. Não obstante, os estudos etnológicos têm crescido, principalmente porque, desde a década de 1960, muitas reivindicações políticas no mundo se apresentam como étnicas, baseadas em crenças em uma identidade comum, contexto esse que motiva os cientistas sociais a continuarem refletindo sobre o conceito.

É preciso ressaltar que se, por um lado, muitas comunidades se auto-afirmam positivamente a partir de seus costumes, por outro, a identidade étnica (a etnicidade) é um elemento que contribui para a construção do etnocentrismo. Ao se identificarem como membros de uma cultura em comum, diferente dos que o cercam, um determinado grupo reage às culturas diferentes muitas vezes com repulsa. O sentimento de superioridade diante de diferentes culturas é, assim, criado na identidade étnica. Dessa forma, os franceses se sentem superiores aos “árabes” (como classificam todos os que professam a fé muçulmana, sejam árabes ou não) por acreditarem possuir uma origem diferente e uma cultura que os outros não compartilham. Isso acontece com os norte-americanos diante dos hispânicos, e já aconteceu em outras épocas da história, como entre os alemães e os judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Em suma, a discussão sobre etnia nos leva a repensar o próprio conceito de etnocentrismo. Para o professor de História, conhecer o conceito de etnia é uma exigência fundamental, pois os programas curriculares discutem cada vez mais as minorias no Brasil. Essas minorias são estudadas pela Antropologia como etnias, mas algumas delas ainda se identificam muitas vezes como raças. É o caso dos negros brasileiros. Enquanto os antropólogos discutem a validade de termos como raça e etnia, o que precisamos apreender de todo esse debate e discutir com os alunos é que, seja na raça ou na etnia, o fato de um indivíduo pertencer a um desses grupos é mais uma questão de sentimento, de identidade, do que de determinação física ou mesmo cultural. Vale lembrar ainda que tanto a concepção atual de raça quanto a de etnia são conceitos que buscam dar conta da multiplicidade de culturas, de hábitos e crenças que a humanidade apresenta, e das implicações políticas dessas diferenças.

Fonte: 

http://www.igtf.rs.gov.br/wp-content/uploads/2012/03/conceito_ETNIA.pdf

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Raça ou Etnia?

Há uma grande controvérsia em torno deste tema. O termo raça referindo-se a humanos está abolido? Posso falar em raça negra sem ser tachado de atrasado? Enfim, eu pertenço a uma raça ou a uma etnia?
Com este artigo pretendemos fomentar o debate e agraciá-lo com nossa opinião.

Raça
Bem, não iremos nos deter muito ao surgimento da distinção dos seres-humanos por raças. Esta foi uma construção histórica para subjugar e justificar tal dominação das “raças superiores”.
No entanto esse conceito, biologicamente, deixou de existir a partir da metade do séc. XX. O termo etnia surgiu como alternativa para a lacuna que foi deixada.
Etnia
Derivado da palavra grega ethnos (povo), etnia é um grupo de pessoas que se diferenciam das demais por afinidades culturais, históricas, lingüísticas, morfológicas…
“Uma etnia é um conjunto de indivíduos que, histórica ou mitologicamente, têm um ancestral comum; têm uma língua em comum, uma mesma religião ou cosmovisão; uma mesma cultura e moram geograficamente num mesmo território.” Prof. Dr. Kabengele Munanga.

Portanto, não existe somente uma etnia negra ou uma
branca, dentre os negros existem várias etnias (zulu, xosha, banto, tapua…), dentre os ameríndios também (tupinambá, caigangue, tupi guarani…) e assim sucessivamente.

Mas e agora, raça ou etnia?

Biologicamente não há nenhuma diferença entre os humanos para justificar uma possível separação por raças, no entanto, os integrantes de uma etnia não devem apenas serem da mesma cor. Afinal, qual termo usar?
.
O Prof. Dr. Kabengele nos explica que “Alguns biólogos anti-racistas chegaram até sugerir que o conceito de raça fosse banido dos dicionários e dos textos científicos. No entanto, o conceito persiste tanto no uso popular como em trabalhos e estudos produzidos na área das ciências sociais. Estes, embora concordem com as conclusões da atual Biologia Humana sobre a inexistência científica da raça e a inoperacionalidade do próprio conceito, justificam o uso do conceito como realidade social e política, considerando a raça como uma construção sociológica e uma categoria social de dominação e de exclusão.”

Carlos Moore diz o seguinte, “Raça é um conceito, uma construção, que tem sido às vezes definida segundo critérios biológicos. Os avanços da ciência nos últimos cinqüenta anos do século XX clarificaram um grave equívoco oriundo do século XIX, que fundamenta o conceito de “raça” na biologia. Porém, raça existe: ela é uma construção sociopolítica.”
.
Para o Dr. Kabengele, a palavra etnia virou um termo politicamente

correto frente à raça, porém essa troca não muda a realidade do racismo, pois “as vítimas de hoje são as mesmas de ontem e as raças de ontem são as etnias de hoje.” Ou seja, “o racismo hoje praticado nas sociedades contemporâneas não precisa mais do conceito de raça ou da variante biológica, ele se reformula com base nos conceitos de etnia.” Pois este termo não acabou com a hierarquização das culturas, que é um componente do racismo.

Prof. Dr. Kabengele Munanga

Concluindo

Raça como uma construção sócio-política continua existindo, pois o conceito etnia não preenche as lacunas que o possível banimento do termo raça deixou. Segundo Carlos Moore, “Negar a existência da raça, portanto, é um absurdo, ao qual somente se pode chegar através de uma postura ahistórica.”

Portanto, não está falando uma grave besteira quem se autodenomina da raça negra ou usa a palavra raça em seu vocabulário.
E você prefere raça ou etnia?

Fonte:

http://ofensivanegritude.blogspot.com.br/2010/12/raca-ou-etnia.html

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