Sobre a “Independência” do Brasil

Para ficar na “moda”, primeiramente, FORA ………….D. PEDRO!

perfeito

A história factual nos faz/fez atribuir um peso excessivo às datas e aos fatos. As gerações que “aprenderam” história por esse viés tomam-lhes como sendo algo quase absoluto.

E por falar em data, eis o 7 de setembro de 1822. Esta se reveste de aparente importância por simbolizar, para muitos, o dia da independência. Ainda assim, até mesmo para as autoridades do Império, só a partir de 1860 a data passou a integrar o calendário de comemorações oficiais e até o ‘famoso’ quadro pintado por Pedro Américo só foi encomendado no final do XIX, tamanha era a ‘importância’ da data para os detentores do poder.

Veio a ‘res publica’, de cima para baixo, em outra famigerada data, 15/11/1889, sob liderança militar, a mesma sobre a qual Lima Barreto afirmara que “o povo assistiu a tudo bestializado”, e o 07/09/1822 passou a representar a mais significativa data da história brasileira. Era necessário reforçar o mito da fundação da Nação e legitimar a farsa para a posteridade. Sem contar a fabricação de um suposto herói, de um hino e coisa e tal.

O 7 de setembro é uma data cívica nacional. D. Pedro I, queiramos ou não, foi escalado como protagonista dessa ‘novela’ e esse roteiro não dá para mudar. Mas, dentro de uma visão crítica da história, o 7 de setembro deve ser lido como um ‘arranjo político’ feito exatamente para excluir a possibilidade de participação popular. Povo que, diga-se de passagem, inspirado em ideais libertários e em exemplos concretos de resistência (vide o haitianismo) ousava botar a cabeça do lado de fora e, por isso mesmo, assustou as elites que, sempre com o apoio militar, reprimiu, massacrou os ‘figurantes’ de então. Dom Pedro I era uma peça dessa engrenagem e não deve ser idolatrado como herói. Brecht já dizia, “infeliz é o povo que precisa de heróis”.

Separar é uma coisa, tornar-se independente já são outros quinhentos. Como disseram Fernando Brant (que Deus o tenha) e Milton Nascimento, “quem declara independência e não declara abolição, vai ver não é livre nada, apenas mudou de patrão“.

Hoje, o que veremos se não desfiles militares reforçando as tradições celebrativas? O povo assistindo a tudo ‘do mesmo jeito’ que em 1822, 1889, “participando” da festa nacional como coadjuvante, para não dizer FIGURANTE.

Fazendo o contraponto, teremos o já “incorporado” Grito dos Excluídos a desfilar após o rito oficial, criticando as instituições e denunciando os graves problemas por que passa a população mais carente. Este ano, certamente engrossarão as suas fileiras os cidadãos e as cidadãs pró-(ex) governo Dilma com seu bordão, “È GOLPE, FORA TEMER!” Só falta jogarem na conta do ex-querido aliado (também eleito com 54 milhões de votos) toda a culpa pela crise do país, esquecendo por conveniência que quem a pariu foi a presidentA que “partiu para Porto Alegre já”.

Ainda bem que na Bahia, a verdadeira independência ocorreu com lutas de mulheres (Maria Felipa, por exemplo) e homens do povo que, vindo (a)s do Recôncavo, de Itaparica e redondezas, souberam retomar o controle sobre Salvador e expulsar daqui os últimos portugueses. Mas, esta história é a do 2 de julho de 1823, importante para concluir o ‘circo’ iniciado com a farsa do 7 de setembro.

Com ou sem D. Pedro, bom feriado!

Aquele abraço!

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