A Crise no Leste Europeu – slides – artigos e vídeos.

SLIDES:

Crise no Leste Europeu 

ARTIGOS:

Primavera de Praga:

http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/primavera-de-praga-movimento-pretendia-democratizar-a-antiga-tchecoslovaquia.htm

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LESTE EUROPEU: PAÍSES QUE FORAM ALIADOS DA URSS – PARTE 1
O Leste Europeu ficou marcado pela proposta socialista estabelecida a partir da Revolução Russa e imposta a partir das estratégias de Moscou, capital do Império Soviético.

Os países do Leste Europeu sofreram após a 2ª Guerra Mundial uma enorme influência do Império Soviético. Sem a pujança econômica dos países ocidentais e desprovida de investimentos produtivos, a URSS utilizou a sua força bélica para criar um bloco de países aliados e muito próximos do seu imenso território, que ficou conhecido como a “Cortina de Ferro”, sendo formada por URSS, Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia, Romênia, Hungria e Bulgária. O projeto socialista desses países não respondeu aos anseios da maioria de suas populações, sendo classificado como uma organização fundamentada nos interesses soviéticos e que contou com o apoio dos grupos militares e favoráveis à centralização do poder. Por isso, o socialismo do Leste Europeu ficou conhecido como a ‘sovietização’ da política e da economia desses países.

Tal comprometimento ficou marcado pela criação do bloco militar Pacto de Varsóvia, em 1955, que serviu para homogeneizar a política externa desses países. O Pacto de Varsóvia foi evidentemente uma resposta à criação da OTAN, bloco militar fundado pelos EUA em 1949. Mas além do combate à expansão dos EUA, o grupo militar soviético também servia de instrumento coercitivo contra qualquer tipo de ato rebelde por parte das nações que pertenciam ao bloco socialista, isso pode ser visto claramente com a intervenção do Pacto de Varsóvia contra a antiga Tchecoslováquia, em 1968, quando manifestações políticas clamavam por democracia, fato que ficou mundialmente conhecido como a Primavera de Praga.

Assim como a própria URSS atravessou um declínio de seus aspectos socioeconômicos ao final da década de 1970, os países europeus que adotaram o sistema socialista também começaram a sentir os efeitos da baixa competitividade de suas economias e o aumento da pressão popular que a todo o momento desafiava a manutenção dos regimes socialistas e ditatoriais. Contando com uma maior unidade étnica, forte grau de instrução e politização da sociedade, a insatisfação popular desses países foi mais articulada do que em outros países socialistas, até mesmo do que na própria URSS. Outro componente importante para essas transformações foi a maior proximidade com o restante da Europa, o que representou um estímulo para as práticas capitalistas.

Alemanha Oriental

A Alemanha Oriental foi uma espécie de espólio para os soviéticos. Sua origem está relacionada com o Acordo de Potsdam, em julho de 1945, quando foram impostas várias restrições militares e a devolução de territórios conquistados durante o período de expansionismo alemão. Após a derrota dos nazistas ao final da 2ª Guerra Mundial, a Alemanha foi subjugada pelas outras potências, acabando fragmentada em quatro zonas de influência política a fim de impedir qualquer tipo de movimento favorável ao retorno dos ideais ultranacionalistas e do militarismo como projeto de Estado. Em 1949, ficaram definidas duas divisões administrativas: a República Federal da Alemanha ou Alemanha Ocidental, sob influência ocidental capitalista, e a República Democrática Alemã ou Alemanha Oriental, sob influência da URSS. Em 1961, a fim de evitar a migração em massa de população do lado socialista em direção ao lado capitalista, foi construído o Muro de Berlim.

Como a Alemanha Ocidental começou a alcançar um enorme progresso tecnológico e social, as comparações entre os dois países apontavam para a falência do socialismo, pois a Alemanha Oriental se assemelhava a um Estado satélite, mantido por um regime ditatorial totalmente voltado para os interesses de outra nação, ou melhor, de um grupo de nações que formava a URSS. Apresentando várias dificuldades para a manutenção do regime socialista, a Alemanha Oriental foi gradualmente integrada com o lado capitalista, o que culminou com a queda do Muro de Berlim no dia 9 de novembro de 1989, que simbolizou a decadência da proposta socialista na Alemanha Oriental e na Europa do Leste, mudando significativamente as concepções de comunismo, socialismo e participação popular nas decisões políticas. No caso da Alemanha, a integração política acabou ocorrendo por completo no ano seguinte, 1990.

O legado da era socialista foi mais de 8 mil empresas estatais e cerca de 4 milhões de trabalhadores desempregados, que se entusiasmaram com as promessas de reformas políticas e sociais do então premiê alemão Helmut Kohl, que não conseguiu, como era esperado, modificar rapidamente o panorama de atraso e baixa produtividade. A modernização alcançou a porção oriental da Alemanha, com a injeção de trilhões de euros em duas décadas, mas a sua economia, em destaque as regiões de Berlim, Leipzig e Dresden, ainda depende de ramos tradicionais como a siderurgia, metalurgia e indústria mecânica. Muitas empresas desapareceram, foram privatizadas ou pressionadas pelo alto custo de manutenção, tendo como base os padrões do lado ocidental. Os críticos desse processo acreditam que os benefícios sociais, ainda que tímidos, foram totalmente extraídos em prol de uma ocidentalização neoliberal, e que a transição deveria ser gradativa e com a participação ativa da população e lideranças políticas locais. Ocorre ainda um sentimento de desvalorização da população que vive nessa região, que tem provocado o ressurgimento de valores retrógrados, inclusive entre os mais jovens, como o movimento neonazista.

Júlio César Lázaro da Silva
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista – UNESP
Mestre em Geografia Humana pela Universidade Estadual Paulista – UNESP
SILVA, Júlio César Lázaro Da. “Leste Europeu: Países que foram aliados da URSS – Parte 1”; Brasil Escola. Disponível em <http://www.brasilescola.com/geografia/leste-europeu-paises-que-foram-aliados-urss-parte-1.htm&gt;. Acesso em 13 de setembro de 2015.

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LESTE EUROPEU: PAÍSES QUE FORAM ALIADOS DA URSS – PARTE 2
Na década de 1980, os países do Leste Europeu começaram a se afastar do socialismo e da URSS, iniciando projetos nacionais de desenvolvimento.

A queda do Muro de Berlim em 1989 foi considerada como a referência máxima para o fim da Antiga Ordem Mundial e da bipolarização em dois sistemas sociopolíticos bastante distintos, o socialismo e o capitalismo. De certa forma, a Europa Oriental já apresentava sinais de mudanças, com um afastamento gradual em relação ao império soviético e iminente democratização e abertura econômica. Aqueles que estavam mais próximos da Europa Ocidental tiveram uma maior facilidade em iniciar seus projetos de transição política, em tese pela influência dos países do bloco capitalista e pelas demandas de suas populações. Essa proximidade geográfica favoreceu a recepção de investimentos produtivos e a integração com a União Europeia, pouco tempo depois. Além da unificação da Alemanha, podemos identificar nesse grupo a Polônia e a Tchecoslováquia, que acabou fragmentada em República Tcheca e Eslováquia no início da década de 1990.

Os países do Leste da Europa encontraram no projeto de expansão da União Europeia que ocorreu na década de 2000 o caminho mais contundente para alcançarem a modernização estrutural que tanto procuravam. A expectativa foi a de promover a valorização dos potenciais econômicos e aumentar a produção de riquezas. A União Europeia tinha um enorme interesse na participação dos países que pertenceram ao bloco socialista para fomentar novos mercados consumidores e a migração de mão de obra, até como uma alternativa às imigrações de indivíduos de outros continentes, que nem sempre foram bem quistos por conta da xenofobia latente na região. Por tudo isso, o ano de 2004 foi marcado pela entrada no bloco de Polônia, República Tcheca e Eslováquia.

O conjunto de regras conhecido como Acordo de Schengen foi criado pelo bloco europeu em 1985 e propiciou a livre circulação de pessoas entre os países-membros, produzindo uma área geográfica que ficou definida como Espaço Schengen, onde é permitido que o cidadão europeu dos países signatários obtenha facilidades de deslocamento. Em 2009, quando entrou em vigor o Tratado de Lisboa, também foram determinadas novas políticas de imigração e demais aportes institucionais para o planejamento de todos os itens relacionados ao deslocamento de pessoas.

Polônia

A Polônia encerrou o seu socialismo em 1989. O sindicato Solidariedade foi responsável pela mobilização social e política, que intensificou suas ações em direção ao regime capitalista. Um dos idealizadores do Solidariedade, Lech Walesa, foi eleito presidente democraticamente em 1990. O país, que no início da Guerra Fria sediou a assinatura do acordo do Pacto de Varsóvia, ingressou na OTAN, bloco militar estadunidense, em 1999. No plano econômico, o país passou pela chamada “terapia de choque”, que fundamentalmente consistiu em um fim da planificação com a abertura econômica drástica, que a princípio empobreceu a população e aumentou o desemprego. Mas pouco depois, muitas empresas pequenas e médias passaram a obter um rápido crescimento, atraindo investimentos para o território polonês. Desde a sua entrada na União Europeia, em 2004, o país tem acumulado desenvolvimento econômico. Mesmo com a crise econômica mundial, o país manteve bons índices de crescimento, sendo o único país do bloco que não atravessou nenhum período de recessão nos últimos anos, o que o qualifica como forte candidato a adotar o euro nos próximos anos.

O nacionalismo polonês frente aos alemães está diminuindo desde a reunificação alemã em 1990, o que é muito importante para superar antigas animosidades relacionadas à 2ª Guerra Mundial, pois os dois países têm fronteiras em comum e a Alemanha representa a principal economia do bloco europeu. Em contrapartida, outro vizinho de fronteira, a Ucrânia, é encarado de uma maneira diferente, já que o crescimento econômico polonês atrai muitos imigrantes ucranianos, que desejam também se beneficiar das possibilidades de alcançar a cidadania europeia de livre circulação.

Tchecoslováquia

A Tchecoslováquia foi criada em 1918 e acabou agregando dois povos de origem eslava, os tchecos e os eslovacos, contando com outras minorias, como húngaros e alemães. Durante a 2ª Guerra Mundial, a minoria alemã recebeu apoio da Alemanha a fim de forçar uma ruptura, que fez surgir uma espécie de Estado satélite eslovaco em 1939. Ao final da guerra, em 1945, ocorreu a reunificação da Tchecoslováquia. Pouco depois, em 1948, o socialismo foi instaurado, com a dominação dos tchecos na esfera administrativa, o que provocou desentendimentos com a população de origem eslovaca.

Em 1968, a ascensão ao poder do eslovaco Alexander Dubček iniciou um período de transformações de pouco mais de seis meses, que ficou conhecido como a Primavera de Praga, quando ocorreu uma maior flexibilização política e aumento das liberdades individuais. O exército soviético orientado a partir do Pacto de Varsóvia suprimiu as reformas e consolidou o projeto de centralização política. Em 1989, com as transformações em curso em todo o Leste da Europa e a redução do controle soviético, o país encerrou o socialismo, com a manifestação pacífica de milhares de pessoas, que ficou conhecida pela mídia como a ‘Revolução de Veludo’. No ano seguinte, foram realizadas as primeiras eleições democráticas e, em 1993, também de maneira pacífica, ocorreu a fragmentação do país com a fundação da República Tcheca e da Eslováquia.

A República Tcheca ingressou na OTAN em 1999, afastando-se definitivamente da esfera política russa. As transformações econômicas foram graduais, com a manutenção de algumas estruturas herdadas do período socialista e sem grandes perdas sociais, apesar dos problemas constantes de corrupção e a fragilidade institucional na organização de contratos e investimentos. A entrada no bloco europeu em 2004 ajudou na continuação das reformas e a Alemanha tornou-se o principal parceiro comercial do país. A economia acabou se desestabilizando com a crise econômica mundial, como o setor automobilístico, o principal segmento industrial do país.

A Eslováquia teve a sua estrutura industrial ligada ao setor de base (siderurgia e metalurgia) e no segmento bélico durante a era socialista. A modernização começou de fato no início da década de 2000, sendo que o país entrou para a OTAN e para a União Europeia em 2004. Com a redução brusca de impostos, privatização e internacionalização dos bancos, flexibilização das leis trabalhistas e baixo valor dos salários, a Eslováquia recebeu o apelido de “Tigre da Europa Central”, por conta do grande crescimento econômico, com ênfase nos setores automotivo e eletrônico. Em meio à crise econômica mundial e da Zona do Euro, a Eslováquia adotou a moeda única em janeiro de 2009. Para conter os efeitos da recessão, o país aumentou os seus gastos orçamentários, o que representa o maior desafio na atualidade.

Júlio César Lázaro da Silva
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista – UNESP
Mestre em Geografia Humana pela Universidade Estadual Paulista – UNESP
SILVA, Júlio César Lázaro Da. “Leste Europeu: Países que foram aliados da URSS – Parte 2”; Brasil Escola. Disponível em <http://www.brasilescola.com/geografia/leste-europeu-paises-que-foram-aliados-urss-parte-2.htm&gt;. Acesso em 13 de setembro de 2015.

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VÍDEOS:

Aniversário da Revolução Romena de 1989 – 7min26
Romênia julga crimes do passado comunista – 1min19
Romênia pós-comunismo – 2min51
Hungria 1956 – 2min
Execução de Elena e Nicolai Ceausescu – 1 min 34
A separação da Tchecoslováquia – Revolução de Veludo – 1min08
A Revolução de Veludo 25 anos depois – 2min
A Primavera de Praga – em italiano
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Imagens:
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