Descobri…minto.

 

antes do texto

22 de abril, mas bem que esse texto poderia ser publicado dia 03 de maio, a verdadeira data da chegada, eu falei chegada, de Seu Cabral em Porto Seguro, considerando uma releitura dos fatos por alguns historiadores. Mas, já que a onda é ‘vestir’ a versão oficialesca da história, entremos no clima. Só não posso compactuar com a ideia de “Descobrimento”, Como se diz em bom baianês, “ai também já é demais também”.

Ano 2000, no Brasil, só se falava em “comemorar os 500(?) anos do país”. Eu falei país?! Como disseram os filósofos Beto Jamaica e Cumpade Washington, “pau que nasce torto, nunca se endireita”. Começou tudo errado, não podia terminar bem. Pra começarmos a conversa, os organizadores dos ‘500 anos’ comeram o reggae de que a história só começou quando os europeus aqui deslizaram seus pisantes. Quer dizer, várias etnias, donas do pedaço há mais tempo, não existiam, né?! Criou-se  a datação a. C. (antes de Cabral), d. C. (depois dele), sei. Nunca ouviram falar em pré-história do Brasil, não, caras pálidas?! Essa Pátria Educadora falhou de novo, putz!

Aqui em Salvador, “terra mãe do Brasil”, como dizem, teve desfile de “personalidades” fantasiadas,  desfilando em carros alegóricos que saíram da praça Castro Alves  à praça 2 de Julho, o Campo Grande. Que visão do inferno! Já existisse a estátua do poeta, ele  ficaria envergonhado, coitado! Acho até que o veriam chorando no local em que, séculos mais tarde, seria erguido o monumento em homenagem aos caboclos. Pronto, C. Alves perdeu a chance de ser o pioneiro do “gostou não, vá chorar aos pés do caboclo”!

Registre-se que foi gasto muito dinheiro público para bancar a farra celebrativa. Tudo ‘organizado’ sob a consultoria de alguns historiadores ilustres, competentes mesmo, sem ironia, que ao verem a grana entrar, foram acometidos de amnésia seletiva (tão em voga atualmente) e se renderam ao modelo comemorativo sem criticidade alguma, criando o roteiro. Ah, que roteiro! . Era a “força da grana que ergue e destrói coisas belas” falando mais alto. A responsável artística foi ‘importada’ do Rio de Janeiro, inclusive, era uma carnavalesca premiadíssima. Um staff de peso, estilistas, figurinistas, 8 carros alegóricos, mais de 7 mil peças de figurino, outros milhares de adereços, um luxo só. Embarcando na onda governista tão atual, à época tudo isso deve ter sido considerado ‘o legado’ que ficaria para o povo soteropobretano pós-festa a fim de justificar gastos tão supérfluos.

No Porto da Barra, local escolhido a dedo pelo simbolismo que remetia não à invasão de Cabral e sua gangue, mas ao desembarque de Seu Tomé, em 1549, o prefeito Antonio Imbassahy, também com o nosso suado dinheiro, liberou a grana para que fosse montada uma encenação teatral típica da farsa festiva: eram os lusos chegando e no desembarque, acredite, fogos de artifício explodiram, palmas foram ouvidas aos montes, sonoplastia da melhor qualidade, atores e atrizes ‘vestido(a)s de índio(a)s’ se ajoelhavam diante dos ‘descobridores’ em uma performance que deixaria constrangido meu querido amigo Edvar Passos, ator e diretor teatral dos bons. Abraços, beijos trocados com a ‘comitiva estrangeira’, olhares sedutores de parte a parte, até se ouviu ao fundo o grito de “Olha eeeeeeeela”. Um membro da turma de Cabral mais assanhado ao ver a atriz que representava Catarina Paraguaçu. E o pior, eu estava lá, quis ver ‘com os olhos que a terra ainda há de comer’, cenas tão emocionantes. E, “menino (a)s, eu vi”! Para completar o cenário só faltou alguma fã histérica gritar: “Cabraaaal, cadê voooocê, eu vim aqui só pra te veeeer”! Me add no zap, tem insta, snap, skype? Vai uma selfie, Pedrinho? Tá ligado né, Imbassa, você me deve essa! E bem perto dali, o relógio, um dos vários exemplares fabricados para fazer a contagem regressiva comemorativa, fincado próximo ao Farol da Barra, completava o cenário.

G-zuis, que vergonha!

E olha que nem dei tanta importância para contar a história da tal “Nau Capitânea”, encomendada a um fabricante que encheu as burras de (nosso) dinheiro e construiu uma ‘banheira’ que mal conseguiu flutuar, só sendo possível depois que foi solucionado um ‘detalhe’: faltava chumbo no fundo para garantir o equilíbrio. Cômico se não fosse trágico. A quase réplica de caravela até tentou, mas não conseguiu navegar até Porto Seguro. Fala-se até que a NAU(fragou) no litoral do Espírito Santo. Coisa de meio milhão de reais afundando. Seria a versão baiana para lavagem de dinheiro?!

E já que citei a “terra mãe do Brasil”, falemos sobre o circo (ou seria cerco?) montado em Porto Seguro, onde “tudo começou, há um tempo”. Foi um “espetáculo” dantesco! Uma “festa” com direito a espaço vip para as autoridades, com isolamento reforçado em relação ao povo, até moradores e turistas foram impedidos de entrar na cidade, presidente EFEAGACÊ presente, governador da Bahia, César Borges, presidente de Portugal (Jorge Sampaio), ACM cabeça branca não podia ficar de fora, afinal, quem ia ‘dar corda’ no governador? Sem contar que ele era Presidente do Senado (o Renan Calheiros da época). Convidados mil: até alguns índios, mas apenas aqueles que dançaram para os convidados, participaram da reprodução da 1ª Missa e tal. Os outros índios, os quilombolas, os pobres e afins, que participavam de uma Conferência discutindo estratégias de sobrevivência e luta na perspectiva dos Outros 500, estes não.  Afinal, o (a)s índio (a)s não poderiam participar, os ‘selvagens’ aborígenes iriam destoar da celebração fazendo protestos. O governador César Borges, em declaração a um jornalista, teria dito que “uma manifestação no dia 22 seria um desrespeito aos convidados da festa oficial”. E a festa oficial teve CHOQUE, a Polícia! Bloqueando o trajeto entre a enseada da Coroa Vermelha até Porto Seguro, a PM reprimiu com extrema violência os ‘não convidados’ indesejáveis. A tão decantada pluralidade cultural que deveria ter dado o tom das festividades foi substituída por tiros, gás lacrimogêneo, bombas e tudo o mais que foi deslocado para ‘garantir a ORDEM’! Em um aspecto o episódio foi fiel à história: a exclusão dos ‘negros da terra’ (como os invasores de 1500 se referiam aos ameríndios) e a infeliz comprovação de que o Brasil oficial era muito diferente do Brasil real. E continua sendo. Ariano Suassuna que o diga!

Aquele abraço!

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Vídeos:

 

https://www.youtube.com/watch?v=JV6eVP8ifnU

Área de anexos

Visualizar o vídeo Mestre Ambrósio – Fuá na Casa de Cabral do YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=zirzKmvSCa8
 

https://www.youtube.com/watch?v=gdtOEH1ET4Y

https://www.youtube.com/watch?v=bUVJhp86sbY
Área de anexos

Visualizar o vídeo 500 ANOS – A OUTRA HISTÓRIA do YouTube

Visualizar o vídeo Relógio 500 Anos de Descobrimento – Porto Seguro – BA (1999) do YouTube

Relógio 500 Anos de Descobrimento – Porto Seguro – BA (1999)

Visualizar o vídeo Caravela dos 500 anos está abandonada na baía de Vitória do YouTube

Caravela dos 500 anos está abandonada na baía de Vitória

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Desfile dos 500 anos em Salvador:

Link dos adereços – http://centrotecnicotca.blog.br/acervo-historico-2/colecao-desfile-brasil-500-anos/confeccao-de-cenarios-e-figurinos/

 

Mais figurinos

http://centrotecnicotca.blog.br/acervo-historico-2/colecao-desfile-brasil-500-anos/

 

Croquis dos carros alegóricos

http://centrotecnicotca.blog.br/acervo-historico-2/colecao-desfile-brasil-500-anos/desfile-brasil-500-anos-croquis-carros-alegoricos/

Roteiro

http://centrotecnicotca.blog.br/acervo-historico-2/colecao-desfile-brasil-500-anos/desfile-brasil-500-anos-roteiro-do-evento/

Polícia barra povo e FHC
faz festa vip dos 500 anos:

http://www2.uol.com.br/aregiao/art/massacre.htm

Festas e gafes nos 500 anos do Brasil:

http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/festas-gafes-nos-500-anos-do-brasil-9283747#ixzz46ZDZUsGR

Recordar é viver: A festa dos 500 anos do Brasil de FHC dá prejuízo de R$10 milhões ao estado da Bahia:

Recordar é viver: A festa dos 500 anos do Brasil de FHC dá prejuízo de R$10 milhões ao estado da Bahia

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Imagens:

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