Quem precisa de Tiradentes?

 

Mitificações, estereótipos, falsificações, versões as mais diferentes e divergentes foram e ainda são criadas para lembrar esta personagem que a história produziu. Seja pelas pesquisas documentais de historiadores, jornalistas e outros estudiosos, ou por mera curiosidade literária, TIRADENTES, nascido Joaquim José da Silva Xavier, é figura emblemática da história do Brasil.

Ter barba, ser ‘parecido’ com Cristo, cachaceiro, herói, linguarudo, mártir, pobretão, idealista, oportunista ou não, nada disso tem lá grande importância. Não que o ‘cidadão’(se é que se podia falar em cidadania nos tempos da Colônia) não mereça ser lembrado. Mas, a maioria das interpretações históricas produzidas em torno desta personagem, preocupa-se mais em debater o seu fenótipo e/ou a sua pouco regrada vida pessoal do que o aspecto que eu, modestamente, considero o ‘x’ da questão: o que TIRADENTES simboliza para a nação?

De condenado à morte na forca e posterior esquartejamento, em 1792, por crime de lesa-majestade nos anos finais do Brasil colonial (conspirou contra a Coroa Portuguesa), à posição de herói nacional, muita água correu sob essa ponte. Ainda na fase monárquica brasileira, teimosamente batizada de Império, já em sua fase de agonia (crise), festejou-se a revolta mineira e a figura do suposto barbudo. Mas, durante a República é que sua ‘ascensão’ póstuma ao trono de MÁRTIR que deu a sua vida em holocausto, morrendo pela nação, aconteceu.

Estátuas, monumentos, nomeação de logradouros públicos, museu, festas cívicas. Dos primeiros republicanos (muitos deles de última hora), passando por Getúlio, Jk, chegando aos nossos dias, tudo ou quase tudo se fez a fim de evocar a memória e a imagem de um homem que, segundo algumas versões, ofereceu sua vida em nome de uma causa. Um patriota e nacionalista convicto, para muitos. “Instrumento de propaganda para diferentes grupos, a fim de celebrarem o herói e de usá-lo como bandeira de seus projetos e posições”, como diz brilhantemente a historiadora Circe Bittencourt. E ainda, para ela, “[…] O 21 de abril, aniversário de morte de Tiradentes, tornou-se um espetáculo de poder, a utilizar espaços, imagens e discursos na dramatização da política. Abusando da força dramática do alferes condenado à forca, executado e esquartejado em 1792, o poder político tem concentrado, em seu discurso exaltador, a ideia de que todos se inspiram no personagem e são dele legítimos herdeiros políticos”.

Com a licença de Bertold Brecht, vale lembrar: Infeliz é o povo que precisa de…TIRADENTES!

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