Sobre a CRI$E NA GRÉCIA – infográfico, charges e textos.

Texto 1http://www.terra.com.br/economia/infograficos/entenda-a-crise-na-grecia/

Texto 2Crise grega aponta deficiências na zona do euro

Posted in Economia Hoje,   on 17/05/2010 |

Apesar de ser um país muito pequeno, com população menor que a do estado do Rio de Janeiro, a Grécia incendiou a economia mundial nas últimas semanas. Mais do que uma grande dívida, a situação grega revela deficiências importantes na estrutura da União Europeia.

A origem da crise é o déficit público grego: em 2009, os gastos ultrapassaram a arrecadação em um valor equivalente a 13,6% do total de bens e serviços produzidos no país. O governo deve hoje cerca de 300 bilhões de euros, mais do que o valor de sua produção anual.

Pode-se falar que a Grécia viveu na última década uma intensa política fiscal expansionista, em que os gastos superam em muito o que o governo recolhe na forma de impostos.

O comportamento grego contraria uma regra estabelecida pela União Europeia: os países integrantes não podem ter déficit superior a 3% e dívida maior que 60% do valor total da produção de bens e serviços, o PIB.   Mas não é só a Grécia que ignora o dever de casa. Estão na lista Portugal, Espanha, Itália e Irlanda.

O problema fica mais grave porque esses países não têm autonomia para contrabalançar os gastos excessivos com uma política monetária contracionista, como outros países fariam, ou tentar reverter a situação com a desvalorização da moeda, ou seja, política cambial.

A Grécia não pode aumentar a taxa de juros básica para atrair investimentos estrangeiros, por exemplo, nem tornar a moeda menos valiosa para que a produção do país fique mais atraente ao mercado internacional. A impossibilidade de recorrer a essas estratégias, que poderiam ajudar a salvar a economia, vale para qualquer país da zona do euro.

Quando unificaram a moeda, os países da União Europeia optaram por uma política monetária e uma política cambial centralizada. Decisões nesse sentido só podem ser tomadas em conjunto. O problema é que a política fiscal ficou de fora. Cada país tem arrecadação própria e decide por seus gastos.

O remédio que resta às economias que gastaram mais do que arrecadaram é apenas a estratégia contrária: política fiscal contracionista. Na Grégia, isso significa aumento de impostos, congelamento de aposentadorias e outras medidas nada populares. Na zona do euro, reaviva o desafio de manter no cesto de uma moeda única economias com estrutura, históricos e perspectivas diferentes.

https://economiaclara.wordpress.com/tag/entenda-crise-grega/

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Texto 3 – Crise da Grécia: veja perguntas e respostas e o que acontece agora

Em referendo, gregos rejeitaram condições dos europeus para empréstimo.
País pode deixar a zona do euro.

Do G1, em São Paulo

06/07/2015 09h58 – Atualizado em 07/07/2015 22h00

Aposentados aguardam abertura de banco em Atenas para sacar benefícios (Foto: Christian Hartmann/Reuters)

Os gregos rejeitaram, no domingo, as condições impostas pelos parceiros europeus para conceder novos empréstimos ao país – e com isso, a Grécia se aproxima de se tornar o primeiro país a deixar de usar o euro, a moeda comum da Europa.

Com alta taxa de desemprego e a economia “encolhendo”, a Grécia deve enfrentar dias difíceis, mas sem efeitos graves sobre a economia mundial.

Veja abaixo sete perguntas e respostas sobre a crise grega

  • Qual é a situação da Grécia?

Desde 2010, a Grécia vem recebendo ajuda financeira da chamada “Troika” – a Comunidade Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu. O país já recebeu mais de € 140 bilhões em ajuda dessas entidades.

Uma nova parcela da ajuda, de € 1,8 bilhão, estava programada para o final de junho. Mas a liberação dos recursos estava condicionada à adoção, pela Grécia, de mais medidas de austeridade – entre elas, o aumento de impostos e o corte nas aposentadorias.

O governo grego se recusou a aceitar as condições impostas e, sem dinheiro, deixou de pagar € 1,6 bilhão de euros ao FMI no último dia 30 de junho. No mesmo dia, também expirou o programa europeu de ajuda.

No domingo (5), os gregos foram às urnas dizer se aceitam ou não as medidas de austeridade impostas pelos europeus – e a resposta foi não atendendo aos apelos do primeiro ministro Alexis Tsipras. Com a resposta do povo, o líder grego espera ter mais poder de barganha para negociar com o resto da Europa.

2) Como eles chegaram a isso?
Na última década, a Grécia gastou bem mais do que podia e pediu empréstimos volumosos para financiar suas despesas. O resultado é que o país ficou refém da crescente dívida. Nesse período, os gastos públicos dispararam, com os salários do funcionalismo praticamente dobrando. A arrecadação do governo não acompanhou o ritmo, com evasão de impostos.

Atualmente, a dívida grega supera, em muito, o limite de 60% do PIB estabelecido pelo pacto assinado pelo país para fazer parte do euro. Atualmente, a Grécia deve um total de € 271 bilhões. A origem da atual crise se deu há dez anos, quando foi revelado por autoridades da Europa que o país havia maquiado suas contas ao longo de vários anos para conseguir entrar na zona do euro.

Partidários do ‘não’ comemoram resultado do referendo na praça Syntagma, em Atenas (Foto: Yannis Behrakis/Reuters)

3) Como está a vida dos gregos?
A crise tem afetado fortemente a vida dos gregos. A face mais visível da crise é o desemprego: o país tem a maior taxa entre os países da zona do euro de 25,6% – ou seja, um em cada quatro trabalhadores está sem trabalho. Entre os jovens, essa taxa é ainda mais dramática, de 49,7%. Nas ruas de Atenas, a crise pode ser vista no comércio, onde muitas lojas estão fechadas.

Na última semana, a situação se agravou. Com a “torneira” de recursos fechada, o governo decretou feriado bancário e limitou os saques nos caixas eletrônicos a € 60 diários. Apenas as aposentadorias foram liberadas desse limite. Temendo pela escassez de recursos, os gregos correram aos caixas eletrônicos, formando longas filas. Nos bancos que abriram para pagar as aposentadorias, houve confusão e muitos não conseguiram receber.

O governo grego prometeu reabrir os bancos na terça-feira, mas a associação das instituições financeiras do país disse na semana passada que pode ficar sem recursos já entre esta segunda e terça-feira.

Os gregos que estão no exterior também enfrentam problemas: foram surpreendidos com a limitação nos gastos em seus cartões de crédito e débito. Mesmo o setor de turismo já está sofrendo, em plena alta temporada – hotéis e agências já registram queda nas reservas, com os turistas temendo a crise no país.

4) Quais os próximos passos?
O governo grego espera conseguir negociar em condições mais favoráveis um empréstimo junto aos europeus. Já o FMI não deve conceder mais empréstimos ao país por conta do calote de junho.

Estão programadas várias reuniões para os próximos dias para discutir a situação grega.

Nesta segunda-feira, o presidente da França, François Hollande, e a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, vão se reunir no Palácio do Eliseu para discutir a situação.

A reunião mais importante deve ser a do Banco Central Europeu (BCE), que pode decidir por manter a liquidez dos bancos gregos.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, também fará uma teleconferência com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk; com o dirigente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e com o diretor do BCE, Mario Draghi.

Na terça-feira, o Eurogrupo (reunião informal dos ministros das Finanças da zona do euro) se reúne às 8h (horário de Brasília). Às 13h, uma reunião especial do Conselho Europeu vai debater a situação em Bruxelas, na Bélgica.

5) O que acontece agora?
O primeiro teste será a liquidez dos bancos e a capacidade da Grécia de conseguir empréstimos. Sem isso, o sistema financeiro pode entrar em colapso e travar ainda mais a economia grega.

Os gregos ainda têm pela frente mais uma data-limite: no dia 20 de julho, vence uma parcela de € 3,5 bilhões da dívida do país com o Banco Central Europeu. Se não for paga, o BCE pode retirar uma ajuda de liquidez de € 89 bilhões, devastando o sistema financeiro grego.

Sem ajuda financeira, os gregos poderão emitir algum tipo de “vale” para manter os bancos funcionando por algum tempo. Mas essa solução será temporária. Se o dinheiro não vier de fora, o governo pode tomar os recursos da população para manter os bancos, ou emitir dinheiro novo. Como hoje o dinheiro é o euro, seria preciso emitir dracmas (a moeda grega anterior), efetivamente tirando o país da zona do euro.

O cenário esperado pelos gregos, no entanto, prevê a negociação de uma nova ajuda com condições mais favoráveis, que mantenha a economia da Grécia funcionando. A França é favorável à negociação, mas os alemães têm se mostrado mais resistentes.

Cartazes pela vitória do ‘não’ em referendo são vistos enquanto as pessoas fazem fila em um caixa eletrônico para retirar dinheiro em Atenas, na Grécia, neste domingo (5) (Foto: Christian Hartmann/Reuters)

6) O que acontece se a Grécia deixar o euro?
Nem os gregos nem o resto da Europa querem a saída do país da zona do euro. Para a Grécia, esse resultado pode gerar ainda mais crise e desemprego, uma vez que a desconfiança do mundo em relação ao país deve disparar, terminando de “secar” todas as linhas de financiamento internacional.

Para o resto da Europa, a saída cria um precedente arriscado, pois abre caminho para que outros países em dificuldade, como Portugal e Espanha, sigam pelo mesmo caminho. Os credores dos gregos devem sofrer perdas, e o euro deve sofrer desvalorização.

Por outro lado, a Grécia pode ter algum benefício com a saída. Sem o euro, o país poderá retomar sua política monetária (que hoje é praticada pelo BCE) e desvalorizar sua moeda, impulsionando as exportações.

http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/07/crise-da-grecia-veja-perguntas-e-respostas-e-o-que-acontece-agora.html

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Texto 4 – 12 pontos para entender a crise grega

FOLHA DE SÃO PAULO

18/06/2015  16h03 – Atualizado em 06/07/2015 às 16h15

Após a Grécia não pagar a dívida de € 1,6 bilhão com o Fundo Monetário Internacional (FMI) vencida na última terça-feira (30), a população do país votou no último domingo (5) pelo “não” às condições dos credores para a liberação de verbas.

Isso reforça a legitimidade do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, do partido esquerdista Syriza, para pressionar por um acordo mais vantajoso.

Por outro lado, mantém a preocupação sobre um possível rompimento da Grécia com a zona do euro.

Leia abaixo 12 pontos para entender a crise grega:

*

1 – Qual a razão da atual crise?

A Grécia continua tentando desbloquear € 7,2 bilhões, última parte do empréstimo dado por € 240 bilhões de FMI e Banco Central Europeu (BCE).

A verba poderia servir para quitar a parcela de € 1,6 bilhão devida ao FMI —cujo prazo venceu no dia 30— e colocar o país em uma posição melhor para obter novos empréstimos. Os gregos também terão que pagar € 6,7 bilhões ao BCE em julho e agosto.

Após o não pagamento da dívida com o FMI no prazo, aumentou o temor de uma corrida aos bancos que secaria as reservas monetárias do país. Com isso, o governo fechou as instituições até o dia 6 de julho.

Saques em caixas automáticos continuam funcionando, mas com restrições de até € 60 por dia. Bancos foram abertos na quarta-feira da semana passada para aposentados, com limite de saque de € 120 —muitos deles não têm acesso a caixas eletrônicos.

2 – O que significa a opção pelo ‘não’?

Ao votar “não” no plebiscito, os gregos decidiram recusar a proposta de acordo feita pelos credores, que exigiam do país aumento de impostos, corte de gastos e reforma profunda no sistema de Previdência para a liberação de verbas.

A escolha pelo não fortalece também o atual premiê Alexis Tsipras (que fez campanha pelo “não”).

Uma vitória do “sim” poderia ter significado sua renúncia ao cargo.

Cédula do plebiscito que será realizado na Grécia neste domingo, 5 de julho

3 – O que acontece agora?

A Grécia pode deixar a zona do euro. Seu destino no bloco começa a ser discutido nesta terça (7), em Bruxelas. O encontro foi solicitado pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo presidente francês, François Hollande. O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, deve participar.

Nesta segunda-feira, o ministro das finanças grego, Yanis Varoufakis, renunciou ao cargo, no que foi interpretado como uma abertura do governo grego aos credores —Varoufakis vinha adotando um tom agressivo.

4 – Quais as demandas dos credores e o que o governo grego oferece?

Alguns pontos principais têm travado as negociações:

Reforma do IVA (imposto do valor agregado)

Credores querem: que o país arrecade 1% do PIB em 2016.
Grécia propõe: arrecadar 0,74% do PIB em 2016.

Imposto em ilhas

Credores querem: acabar com isenção de 30%.
Grécia propõe: manter o benefício.

Gastos com defesa

Credores querem: corte de € 400 milhões já em 2016.
Grécia propõe: corte de € 200 milhões em 2016 e € 400 milhões em 2017.

Arrecadação em 2015 com reforma da Previdência

Credores querem: que arrecadação seja de 1%% do PIB.
Grécia propõe: que seja de 0,4% do PIB.

Validade das propostas

Credores querem: que comecem valer a partir de julho.
Grécia propõe: validade a partir de outubro.

5 – Qual o tamanho do endividamento grego?

Atualmente, a Grécia tem uma dívida de 177% do PIB —a dívida pública da zona do euro chega, no total, a 91,9% do PIB. São € 320 bilhões.

6 – Por que a crise grega parece não ter fim?

A crise da economia grega, como a de outros países europeus, começou em 2008, na esteira da crise americana e ganhou contornos próprios no ano seguinte, quando foi descoberto que o país maquiava as contas públicas e sua dívida, na verdade, era muito maior.

Desde então, apesar dos programas de resgaste (ou por causa deles, segundo seus críticos), a economia não conseguiu engrenar: a taxa de desemprego chega hoje na Grécia a 25,6%.

Mesmo com crescimento de 0,8% da economia em 2014 a demanda é tão fraca que a queda nos preços no país foi de 1,4% em 12 meses terminados em maio deste ano.

7 – Bilhões de euros injetados no país não funcionaram. O que os gregos querem agora?

O governo grego fez dois pedidos na última terça (30). O primeiro, já recusado, é que o atual programa de ajuda fosse estendido e os € 7,2 bilhões, liberados.

O dinheiro seria usado para pagar ao funcionalismo e aos credores externos —inclusive a dívida de € 1,6 bi com o FMI.

A segunda proposta é que eles tenham acesso aos fundos do programa europeu de ajuda lançado em 2012. Neste caso, os europeus vão analisar, mas é possível que uma decisão só ocorra após o plebiscito.

8 – Não seria mais fácil dar logo os € 7,2 bilhões?

Esse dinheiro está congelado há quase um ano, porque os credores exigem que a Grécia cumpra sua parte nas reformas prometidas.

A interpretação é que entregá-lo seria um mau exemplo não só para a Grécia, mas também para outros países, que futuramente poderiam, à base de ameaças, receber dinheiro sem entregar as contrapartidas.

9 – Sem dinheiro, como a Grécia vai pagar ao funcionalismo, a aposentados e a fornecedores?

Essa é uma dúvida que deve ser resolvida nas próximas semanas. Uma hipótese é que ele emita algum tipo de título (o governo da Califórnia fez isso em 2009) com a promessa de pagamento futuro.

Esses papéis costumam ser aceitos no comércio, mas com alguma forma de deságio.

10 – Criar uma nova moeda resolveria a crise econômica da Grécia?

Com a criação de uma nova moeda há o risco de um aumento desenfreado de preços, desabastecimento, incentivo ao mercado negro e empobrecimento do país.

A Grécia seria forçada a sair da zona do euro —e, segundo alguns analistas, até mesmo da União Europeia, reduzindo a confiança na união monetária do continente.

Ficaria para trás o bloco monetário construído ao redor da moeda comum, criado em 1999.

Ele é controlado pelo Banco Central Europeu, e conta com 19 países membros, com 337 milhões de habitantes —11 milhões deles, gregos.

11 – Quais os riscos da crise para o Brasil?

O ministro Joaquim Levy afirmou na última terça (30) que o país está “relativamente confortável” para enfrentar o calote grego.

Além do impacto nos mercados financeiros, um risco para o Brasil é se os problemas gregos se espalharem para o resto da União Europeia, já que o bloco compra quase 20% das exportações brasileiras.

Pretendo viajar para a Grécia. Devo desistir?

Apesar da promessa do governo de que a restrição a saques não afetará estrangeiros, agências recomendam que turistas levem dinheiro vivo..

 E o Brasil?
Segundo os analistas, a crise grega pode provocar uma pressão maior sobre o câmbio, com desvalorização do real conforme crescem as desconfianças em relação a países emergentes.

O país também pode ser prejudicado se parceiros comerciais do Brasil na Europa forem afetados pela crise, o que pode reduzir as exportações brasileiras. Um terceiro efeito pode vir do aumento das taxas de juros pagas sobre o dinheiro vindo do exterior, já que pode aumentar a aversão dos investidores ao risco.

http://www1.folha.uol.com.br/asmais/2015/06/1644556-7-pontos-para-entender-a-crise-grega.shtml

CHARGES 

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http://www1.folha.uol.com.br/asmais/2015/06/1644556-7-pontos-para-entender-a-crise-grega.shtml

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