CONFHIC – Colégio São José – 1º ano 2015 – Textos sobre questões étnico-raciais e Fundamentalismo Religioso.

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Texto 01: 

Só existe uma raça, e ela surgiu na África

05 de maio de 2015.

Nem branca, nem negra, amarela ou vermelha. Na face da Terra existe uma única raça: a humana. Todos nós fazemos parte dela.

    Há alguns anos o racismo voltou a assombrar o mundo e a encontrar expressão política, justamente na Europa, onde não se imaginaria que poderia ressurgir. Na França, as ideias racistas professadas pela Frente Nacional de Jean-Marie Le Pen e sua filha, Marine Le Pen, atraíram parcela considerável do eleitorado. Em vários outros países europeus, partidos da direita, e até mesmo de movimentos neofascistas conquistaram numerosas cadeiras nos parlamentos. Na mesma medida em que aumenta o número de refugiados e de imigrantes vindos de nações do Terceiro Mundo, aumenta o sentimento de ancestral xenofobia de muitos europeus, que rapidamente encontra seus canais de expressão política.

    É interessante se observar como, ao longo da história, as políticas racistas nunca deixaram de pedir à ciência que legitimasse sua hierarquização social, seus preconceitos e exclusões. Muitos foram os cientistas que prontamente se puseram a conceber teorias, instrumentos de medição, critérios e teses que supostamente definiam as características das diferentes “raças” humanas e formulavam a base de sustentação de uma série de eventos que marcaram a história do homem, da expansão colonial europeia ao apartheid sul-africano, do segregacionismo norte-americano ao nazismo.

    Nos últimos anos, a palavra raça, aliás, desapareceu discretamente dos livros escolares e as antigas classificações foram desacreditadas. Isso aconteceu graças às descobertas da paleontologia, da genética, da etnologia. Mesmo assim, ainda existem alguns pesquisadores isolados que professam a existência de raças. Quando, em 1994, os psicólogos Charles Murray e Richard Herrnstein publicaram nos Estados Unidos The bell curve, com 800 páginas de gráficos e análises que “demonstravam” que o QI de negros era inferior ao dos brancos, a obsessão racista que inspirou o livro não deixou margem para dúvidas. Seu objetivo político foi claramente percebido: abolir os programas sociais, colocados em prática há 30 anos por Washington, em favor dos mais pobres.

    O que se pergunta, nos dias de hoje, é se um cientista pode se interessar por “raças” humanas sem procurar demonstrar sua desigualdade. Na verdade, cada um de nós tem sua própria definição do termo, assim como os ideólogos do racismo sempre encontram defensores para proclamar que o “politicamente correto” é cientificamente incorreto.

Uma só espécie

    Dizer, hoje em dia, que existem raças humanas, implica em demonstrar a existência de grupos distintos, possuidores de traços “comuns” entre si e de particularidades que não se encontraram em nenhum outro grupo. É claro que entre um senegalês, um cambojano e um italiano existem, evidentemente, diferenças físicas visíveis: cor da pele e dos olhos, tamanho, textura dos cabelos etc. Mas hoje em dia já sabemos que o patrimônio genético dos três é extremamente próximo. A descoberta dos grupos sanguíneos, da variação das enzimas, das sequências de DNA, dos anticorpos e tantas outras, puseram em evidencia o parentesco dos homens entre si, assim como sua extraordinária diversidade. Uma combinação de genes, frequente numa população e rara em outra, é, assim mesmo, potencialmente presente em toda parte.

    A comprovação se deu em 2002, quando uma equipe de sete pesquisadores dos Estados Unidos, França e Rússia comparou 377 partes do DNA de 1056 pessoas originárias de 52 populações de todos os continentes. O resultado mostrou que entre 93% e 95% da diferença genética entre os humanos é encontrada nos indivíduos de um mesmo grupo e a diversidade entre as populações é responsável por 3% a 5%. Ou seja, dependendo do caso, o genoma de um africano pode ter mais semelhanças com o de um norueguês do que com alguém de sua própria cidade na África! O estudo também mostrou que não existem genes exclusivos de uma população, nem grupos em que todos os membros tenham a mesma variação genética.

Muitas diferenças

    Na sua longa evolução até atingir a sua forma humana final, nosso ancestral foi se adaptando fisicamente às condições ambientais. Perdeu os pelos do corpo, provavelmente há pouco menos de 2 milhões anos, por que começou a fazer longas caminhadas e precisava esfriar o corpo. Sem pelo, ficou com o corpo exposto e as células que produziam melanina se espalharam por toda a pele. A mudança na coloração da pele foi descoberta em 1991pela antropóloga Nina Joblonski, da Academia de Ciências da Califórnia, Estados Unidos, ao encontrar estudos que mostravam que pessoas de pele clara expostas à forte luz solar tinham níveis muito baixos de folato. Como a deficiência dessa substância em mulheres grávidas pode levar a graves problemas de coluna em seus filhos, e como o folato é essencial em atividades que envolvam a proliferação rápida de células, tais como a produção de espermatozóides, a antropóloga concluiu que nos ambientes próximos à linha do Equador, a pele negra era uma boa forma de manter o nível de folato no corpo, garantindo assim a descendência sadia. Para provar suas teorias a respeito de cor da pele, Nina Joblonski usou um satélite da NASA e criou um mapa de padrões de radiação ultravioleta em nosso planeta, mostrando que o homem evoluiu com diferentes cores de pele para se adaptar aos diferentes meio-ambientes.

    Assim, o homem saiu da África e chegou à Ásia, e de lá foi para a Oceania, a Europa e por fim para a América. Nas regiões menos ensolaradas, a pele negra começou a bloquear demais os raios ultravioleta, sabidamente nocivo mas essencial para a formação da vitamina D, necessária para manter o sistema imunológico e desenvolver os ossos. Por isso, as populações que migraram para regiões menos ensolaradas desenvolveram uma pele mais clara para aumentar a absorção de raios ultravioleta. Portanto, a diferença de coloração da pele, da mais clara até a mais escura, indicaria simplesmente que a evolução do homem procurou encontrar uma forma de regular nutrientes.

    Claude Blanckaert, historiador da ciência no Museu Nacional de História Natural, Paris, acredita que “a teoria das raças demonstra que a ciência jamais é neutra. A tese da grande corrente tornou-se, com o tempo, uma escala rígida de raças, dominada pelos europeus.”.

    A partir de 1860, as ciências naturais e pré-históricas concordam que o homem tem uma história bem mais antiga do que se supunha até então. Mas as teorias se adaptam às ideias darwinistas: ao se admitir que as raças são diferentes quase desde a origem da humanidade, sugere-se que certos povos foram submetidos a uma “interrupção de desenvolvimento”.

    No século 20, as mitologias nacionalistas foram dominadas pelos clichês, tudo para justificar as políticas colonialistas. O auge desse pensamento foi a ideologia da raça “ariana”, uma tremenda enganação científica, que justificava a eliminação da “anti-raça”, o judeu.

       O século 21 fez sua estreia sob a sombra da divisão entre o bem, simbolizado por povos ocidentais (americanos e europeus) e o mal, personificado pelos povos do oriente. Que as ideias racistas não criem mais nenhuma explicação “científica” para provar mais nada!

forum.jogos.uol.com.br/adaptado.

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Texto 02:

Por que os negros não comemoram o 13 de maio, dia da abolição da escravatura?

em 13 de maio de 2015

A Lei Áurea foi assinada pela princesa Isabel em 1888

Do iG

A Lei Áurea, que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil, foi assinada em 13 de maio de 1888. A data, no entanto, não é comemorada pelo movimento negro. A razão é o tratamento dispensado aos que se tornaram ex-escravos no País. “Naquele momento, faltou criar as condições para que a população negra pudesse ter um tipo de inserção mais digna na sociedade”, disse Luiza Bairros, ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

Após o fim da escravidão, de acordo com o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), em sua obra “A integração do negro na sociedade de classes”, de 1964, as classes dominantes não contribuíram para a inserção dos ex-escravos no novo formato de trabalho.

“Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra instituição assumisse encargos especiais, que tivessem por objeto prepará-los para o novo regime de organização da vida e do trabalho”, diz o texto.

De acordo com a Bairros, houve, então, um debate sobre a necessidade de prover algum recurso à população recém-saída da condição de escrava. Esse recurso, que seria o acesso à terra, importante para que as famílias iniciassem uma nova vida, não foi concedido aos negros. Mesmo o já precário espaço no mercado de trabalho que era ocupado por essa população passou a ser destinado a trabalhadores brancos ou estrangeiros, conforme Luiza Bairros.

Integrante da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga explica que “O 13 de maio entrou para o calendário da história do país, então não tem como negar o fato. Agora, para o movimento negro, essa data é algo a ser reelaborado, porque houve uma abolição formal, mas os negros continuaram excluídos do processo social”.

“Essa data é, desde o início dos anos 80, considerada pelo movimento negro como um dia nacional de luta contra o racismo. Exatamente para chamar atenção da sociedade para mostrar que a abolição legal da escravidão não garantiu condições reais de participação na sociedade para a população negra no Brasil”, completou a ex-ministra.

Ela defende, porém, que as mudanças nesse cenário de exclusão e discriminação estão acontecendo. “Nos últimos anos, o governo adotou um conjuntos de políticas sociais que, aliadas à política de valorização do salário mínimo, criou condições de aumento da renda na população negra”.

Inclusão do negro ainda é meta

Apesar dessas políticas, tanto a ex-ministra quanto Braga entendem que ainda há muito por fazer.

O representante da Unegro cita algumas das expressões do racismo e da desigualdade, no país: “No Congresso, menos de 9% dos parlamentares são negros, enquanto que a população que se declara negra, no Brasil, chega a 51%. Estamos vendo também manifestações de racismo nos esportes, principalmente no futebol. Ainda temos muito a caminhar”.

“Ainda estamos tentando recuperar a forma traumática como essa abolição aconteceu, deixando a população negra à sua própria sorte. Como os negros partiram de um patamar muito baixo, teremos que acelerar esse processo com ações afirmativas, para que possamos sentir uma diminuição mais significativa das desigualdades”, explicou Bairros.

http://www.geledes.org.br/

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Texto 03: Leis 10.639/03 e 11.645/08

Lei Federal 10.639/03

Em março de 2003, foi aprovada a Lei Federal nº 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas de Ensino Fundamental e Médio. Essa lei altera a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) e tem o objetivo de promover uma educação que reconhece e valoriza a diversidade, comprometida com as origens do povo brasileiro.

A escola é o lugar de construção, não só do conhecimento, mas também da identidade, de valores, de afetos, enfim, é onde o ser humano, sem deixar de ser o que é, se molda de acordo com sua sociedade. O Brasil, formado a partir das heranças culturais européias, indígenas e africanas, não contempla, de maneira equilibrada, essas três contribuições no sistema educacional. Por isso, ter como meta a efetiva realização das prerrogativas dessa Lei é essencial para a construção de uma sociedade mais igualitária.

http://www.afroeducacao.com.br/lei-10-639-03

Lei 11.645/08

   O ensino da temática indígena é obrigatório nas escolas brasileiras de Ensino Fundamental e Médio, particulares e públicas.
Para estudar esta abordagem foi sancionada pelo presidente da República Luis Inácio da Silva, a Lei 11.645/08, alterando a LDB – Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática ‘História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e europeia.
Uma demonstração do esforço recente do governo brasileiro em desenvolver políticas de reparação ao tratamento de exclusão oferecido historicamente, a determinados grupos populacionais que são minorias em nossa sociedade.
É uma questão importante sobre a realidade dos povos do Brasil e traz para o debate o perfil indígena em suas diversidades sendo um esforço concentrado para que as escolas tenham a visão do ponto de vista do índio.
Sendo assim, para que não se reproduza equivocadamente a ideia etnocêntrica de que existe apenas um único modelo civilizatório e conseqüentemente inexistam outras formas de relacionamento do sujeito com o outro, com a natureza no seu entorno enfim, outras possibilidades de estar no mundo, a nova Lei fez-se necessária, uma vez que, o olhar etnocêntrico não só corrobora com a visão unilateral de realidade, como também inferioriza a diferença, ou seja, a crença de que aquele diferente é naturalmente inferior.
A legislação precisa ser bem implementada e interagir com o currículo com conteúdos que conversem com a Lei criando uma esfera de compreensão das futuras gerações fomentando uma mobilização de interesse e de conscientização da sociedade.
A carência de diálogos sobre a formação da sociedade brasileira em nova roupagem se edifica de forma a desfigurar o modelo de sala de aula pragmática que verificamos nas escolas brasileiras.
Há diferenças dos mais diversos campos da cultura indígena e é preciso ser conhecidas tais diferenças pela sociedade que tanto menospreza este individuo. Desta forma, há uma necessidade urgente de prover os professores, de um conjunto de informações sistemáticas e consistentes sobre as sociedades indígenas no Brasil, suas especificidades históricas e sócio-culturais e também a respeito das relações políticas e simbólicas estabelecidas pelo conjunto da sociedade brasileira com estas populações.
Mas quem vai contar esta história?

http://cafehistoria.ning.com

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Texto 04:

FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO

1 FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO

O fundamentalismo religioso é um fenômeno caracterizado pela cultura e que pode nominalmente ser influenciada pela religião dos partidários. O termo pode também se referir especificamente à convicção de que algum texto ou preceito religioso considerado infalível, ainda que contrários ao entendimento de estudiosos modernos. Grupos fundamentalistas religiosos frequentemente rejeitam o termo por causa das suas conotações negativas ou porque insinua semelhança entre eles e outros grupos cujos procedimentos acham censuráveis.

2. JUDAÍSMO

Há duas correntes, os ultra-ortodoxos e os nacionalistas religiosos, que têm atitudes agressivas no apoio a movimentos reacionários da direita política.

O setor fundamentalista da religião judaica, não representativa do judaísmo em geral, é influente em Israel e a base ideológica do movimento dos colonatos, em Gaza e na Cisjordânia.

Os Rabbis do Gush Emunim, movimento messiânico nacionalista e expansionista que se mobiliza pela colonização do “grande Israel”, e que atinge cerca de metade da população judaica de Israel reiteram continuadamente que os judeus que matam árabes não devem ser punidos, com base no conjunto de regras de vida do judaísmo, pois não violam a proibição religiosa do assassinato.

Razões fundamentalistas argumentam que o que parece ser um confisco de terras de propriedade de árabes para instalarem judeus, não é de fato uma ação de roubo, mas sim um ato de santificação. Do ponto de vista deles a terra está sendo redimida, porque está a ser transferida da esfera do satânico para a esfera do divino. Para acelerar este processo o uso da força é permitido, caso se torne necessário de extrema violência.

3. CRISTIANISMO

Um dos termos religiosos mais controversos é o Fundamentalismo.

Dentro dos círculos acadêmicos, o Fundamentalismo é descrito como uma forma de espiritualidade criada de modo a enfrentar o temor de que a modernidade possa afetar ou mesmo erradicar a fé e a moralidade de seus seguidores. Já a mídia utiliza o termo normalmente para descrever setores mais conservadores de determinada religião, ou mesmo grupos religiosos propensos à violência.

Preocupados com o avanço do modernismo, os fundamentalistas realizaram a Conferência Bíblica de Niágara entre 1878–1897, que estabeleceu os pontos básicos do fundamentalismo. O Fundamentalismo Cristão é um movimento teológico e social, ocorre quase que na totalidade dentro do Protestantismo que se baseia na ênfase da Bíblia como sendo a lei a ser seguida, não só na fé, mas também na regência da sociedade e na interpretação da ciência.

Consideram a Bíblia infalível; sendo suas histórias consideradas factuais. Rejeitam qualquer outra forma de Revelação (inspiração individual, magistério eclesiástico, profecias modernas, teologia natural) e o Criacionismo (teorias que de alguma forma interferem com o texto literal do gênesis, principalmente a evolução biológica, mas também teorias geológicas, físicas, cosmológicas, químicas, e arqueológicas) e deve ser interpretada literalmente, salvo nas partes conotativas.

Desde 1925 o fundamentalismo perdeu sua popularidade entre os protestantes conservadores, quando o professor John T. Scopes foi condenado por ensinar a Teoria da Evolução nas escolas públicas, porém, na década de 1940 ganhou força outro movimento conservador protestante, porém mais aberto à sociedade em geral e à ciência: o Evangelismo.

Os Fundamentalistas Cristãos creem que a Bíblia é unicamente a palavra de Deus, e rejeitam a interpretação de que se trata de um documento histórico. Por volta dos anos 1960 muitos teólogos e historiadores acreditaram que as religiões se tornariam menos conservadoras, porém isso não ocorreu. Os setores fundamentalistas cristãos assim como das principais religiões do mundo se ampliaram, dedicados a preservar suas tradições religiosas.

Eles acreditam que a sua causa é grande importância e valor, veem a si mesmos como protetores de uma única e distinta doutrina, modo de vida e de salvação. As virtudes fundamentalista protege a identidade do grupo que não é instituído só em oposição a religiões estranhas, mas também contra os modernizadores que compactuam continuar numa versão nominal da sua própria religião. Ética e politicamente, os fundamentalistas rejeitam a diversidade sexual, o aborto, a Teoria da Evolução, o Ecumenismo, o diálogo religioso com não fundamentalista e a possibilidade de salvação fora do Cristianismo.

4. ISLAMISMO

No islamismo, os fundamentalistas são chamados de jama’at, que em árabe significa enclaves religiosos com conotações de irmandade fechada, mantém relação com o Jihad na luta contra a cultura ocidental que suprime o Islam autêntico que implica submissão ao modo de vida, prescrito na (determinação divina) contida na Charia.

O islamismo é uma das três grandes religiões monoteístas, ao lado do cristianismo e do judaísmo. Com 1,2 bilhão de fiéis, é a segunda em número de adeptos e a que mais se expande. A fé sempre esteve associada à conquista de novos adeptos, daí sua notável expansão histórica. O avanço atual ocorre nos países pobres, onde já é dominante, e as altas taxas de natalidade funcionam como um impulso natural para o incremento. Além disso, o Islã é visto como único contraponto à visão ocidental. Sua doutrina conservadora – em relação aos padrões ocidentais – tem sido um atrativo para camadas desfavorecidas, porém, há também integrantes bem estabelecidos na sociedade.

Existem dois grandes movimentos interpretativos no islamismo:

– Sunismo (sunitas) – seriam os mais moderados;

– Xiismo (xiitas) – seriam os mais radicais. Segundo algumas interpretações sociológicas, tem como princípio uma reação muito forte ao modelo político ocidental, que tenta penetrar nos estados árabes, muçulmanos.

Entre os muçulmanos, este tipo de manifestação apareceu somente no início do século XX. Os fundamentalistas lutam em geral pela independência política dos países islâmicos e contra a influência ocidental, em favor dos costumes primitivos e da aplicação rigorosa da lei islâmica. Ao mesmo tempo são indiferentes ao rico legado filosófico; artísticos; místicos do Islã medieval e de suas contribuições para toda a civilização ocidental. Há várias formas e povos fundamentalistas e, é óbvio, nem todo árabe é islâmico, nem todo islâmico é fundamentalista ou radical.

Isso não significa que todos os muçulmanos sejam terroristas ou violentos. Na verdade, esses são minorias nos âmbitos dos países islâmicos, também, não é a ampla maioria o que luta contra outros espaços religiosos. A religião em si não promove violência, mas sim a interpretação das pessoas, com suas subjetividades, características, psicologias, interesses políticos, culturais e sociológicos. Sempre há esse processo de tradução, que a implica subjetividade humana. Por sua vez, isso implica uma interpretação; daí a necessidade do cuidado e zelo nesses processos interpretativos.

eticaunifai.blogspot.com/p/definicao.html

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Texto 05: Fundamentalismo do Estado Islâmico (EI).

Quem são os cristãos coptas e por que 21 deles foram degolados covardemente?

6 perguntas e respostas para você entender melhor o caso dos cristãos egípcios que o Estado Islâmico chamou de “inimigos hostis”

ALETEIA TEAM (53)

 

 1 – Quem são os coptas?

– Os coptassão os descendentes dos antigos egípcios, que se converteram ao cristianismo no século I.

– Quando os muçulmanos conquistaram o Norte da África, a partir do século VII, impuseram ao Egito o seu idioma árabe e a sua religião islâmica. No entanto, uma minoria dos egípcios se manteve cristã e preservou também o idioma copta, derivado da antiga língua egípcia. Hoje, o copta é usado apenas liturgicamente.

– Os coptas formam atualmente 10% da população egípcia e são tratados como cidadãos de segunda classe, motivo que diminui aceleradamente o seu número. Existem altas taxas de migração, além de conversões ao islã por conveniência social.

– A situação da comunidade cristã copta piorou ainda mais depois da queda do ditador egípcio Hosni Mubarak, em 2011. Nos últimos quatro anos, os coptas passaram a sofrer uma forte perseguição por parte de facções islamitas.

– 90% dos cristãos coptas pertencem à Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria, que nasceu no próprio Egito. Os 10% restantes (cerca de 800.000 pessoas) se dividem entre a Igreja Católica Copta e a Igreja Protestante Copta.

– A Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria é independente e não está em comunhão nem com a Igreja Ortodoxa nem com a Igreja Católica. A separação aconteceu após o Concílio de Calcedônia, no ano de 451, por divergências doutrinais no entendimento da pessoa e das naturezas humana e divina de Cristo. O atual patriarca ortodoxo copta é Tawadros II.

– Um grupo de coptas separou-se da Igreja Ortodoxa Copta em 1741 para entrar em comunhão plena com a Igreja Católica Romana. Foi assim que surgiu a Igreja Católica Copta, cuja sede fica no Cairo. Os católicos coptas mantêm as suas tradições e ritos litúrgicos orientais, mas reconhecem a autoridade e a primazia do papa de Roma, estando, assim, oficialmente unidos à Santa Sé. Seu patriarca, obediente ao papa, é Ibrahim Isaac Sidrak.

  1. Quem eram os 21 coptas sequestrados pelo Estado Islâmico?

– A maioria dos 21 reféns assassinados covardemente eram migrantes de um vilarejo pobre do Egito, que se transferiram para a vizinha Líbia em busca de novas oportunidades.

– Na Líbia, eles se estabeleceram na cidade litorânea de Sirte, a cerca de 500 quilômetros ao leste da capital, Trípoli.

– Foram sequestrados por milícias ligadas ao Estado Islâmico, em Sirte, entre os meses de dezembro de 2014 e janeiro de 2015.

– No último dia 12 de fevereiro, o Estado Islâmico publicou fotos dos 21 reféns em sua revista online “Dabiq”, editada em inglês e voltada a divulgar as suas atividades terroristas ao Ocidente.

  1. O que os extremistas do Estado Islâmico fizeram com os reféns coptas?

– Em 15 de fevereiro, os terroristas divulgaram em fóruns jihadistasna internet um vídeo estarrecedor, cujo título era “Uma mensagem assinada com sangue para a nação da cruz”. Eles se referem à cristandade.

– O vídeo foi editado pela “Al Hayat”, uma das produtoras do grupoterrorista. O Estado Islâmico mantém uma sofisticada estrutura de comunicação e propaganda, que serve tanto para recrutar novos membros na Europa e na América do Norte quanto para disseminar as suas ameaças ao Ocidente.

– As imagens no vídeo mostram os assassinos vestidos de preto e os reféns usando um uniforme laranja idêntico ao de outros reféns degolados anteriormente pelo Estado Islâmico na Síria e no Iraque. De mãos amarradas nas costas, os cristãos coptas são conduzidos em fila à beira do Mar Mediterrâneo, na costa líbia, e obrigados a se ajoelhar na praia. Antes de ser degolados, vários deles aparecem movendo os lábios, possivelmente em oração.

  1. Por que os terroristas do Estado Islâmico degolaram esses 21 cristãos coptas?

– No mesmo vídeo, um dos jihadistas diz em inglês que a morte dos 21 egípcios é uma reação à “guerra dos cristãos” contra o Estado Islâmico e uma “vingança em nome de Carmelia Shehata”, uma cristã copta egípcia que teria se convertido ao islã em 2005 e que, devido a essa conversão, teria sido supostamente mantida presa pelos coptas em um mosteiro cristão. O episódio originou, na época, violentas manifestações por parte dos muçulmanos egípcios, que exigiam a entrega de Carmelia.

  1. O Estado Islâmico assumiu o controle da Líbia?

– A Líbia é hoje um país sem governo. A situação está fora de controle desde a queda do ditador Muamar Kadafi, na revolução de 2011. Várias facções controlam porções do país e brigam entre si para expandir o seu domínio territorial.

– Há principalmente dois grupos rivais disputando o poder na Líbia: um controla a capital, Trípoli, e o outro a cidade de Tobruk. O governo reconhecido internacionalmente como legítimo é o que está sediado em Tobruk.

– A importante cidade de Bengasi, palco inicial da revolta contra Kadafi, está hoje sob o domínio de várias milícias jihadistas. Algumas delas mantêm vínculos com a Al-Qaeda.

– A cidade de Sirte também está em mãos de milícias radicais islâmicas. Uma delas é a Ansar al Sharia, o braço do Estado Islâmicona Líbia.

  1. De que maneira o Egito reagiu à execução dos seus 21 cidadãos coptas?

– No mesmo dia da execução dos 21 reféns (o último domingo, 15 de fevereiro), o governo egípcio proibiu os seus cidadãos de viajar à Líbia.

– Nesta segunda, 16, o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, ordenou ataques aéreos contra o Estado Islâmico na Líbia.

– Al-Sisi chegou ao poder em 2013, após derrubar, com apoio popular, o governo da Irmandade Muçulmana, que é um partido político de orientação religiosa islamita. A Irmandade Muçulmanatinha ocupado a presidência do Egito após a derrubada de Mubarak, entre 2011 e 2013.

– Al-Sisi considera que o caos no país vizinho ameaça o Egito porque os jihadistas líbios mantêm relações com os extremistas pró-Estado Islâmico que atuam na península egípcia do Sinai. O presidente egípcio é inimigo do islamismo político que hoje controla Trípoli. Por isso, ele reconhece como legítimo o governo líbio baseado em Tobruk.

– O Egito está alinhado com vários países do Oriente Próximo, do Oriente Médio e do Norte da África para combater o Estado Islâmico, que é tido como um inimigo em comum.

http://www.aleteia.org/pt/

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Texto 06: Hamas, Boko Haram e Estado Islâmico: entenda o perfil dos grupos islâmicos em atuação no mundo.

Os grupos que tiveram atuação armada no fim do último século abandonaram esse recurso e têm voltado seu foco para ações políticas

Agência Brasil

27/01/2015 09:17:00Atualizado em 27/01/2015 09:55:31

Os grupos que entraram em evidência nos últimos anos e foram responsáveis por ataques recentes em várias partes do mundo têm perfil e objetivo bem diferentes daqueles que atuavam no Oriente Médio até a década de 1990 e o começo dos anos 2000. Para o mestre em estudos regionais do Oriente Médio e professor da Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap) Jorge Mortean, grupos como o Boko Haram, Estado Islâmico e a Al Qaeda “pertencem a contextos históricos totalmente distintos” de outros como a Irmandade Muçulmana, o Fatah, Hamas e Hezbollah.

“Esses primeiros se aproveitam de vácuos políticos deixados por Estados nos territórios onde atuam”, explica o professor. O Estado Islâmico, por exemplo, tem atuação no Norte do Iraque e no Leste da Turquia. O Boko Haram tem atuação focada no Norte da Nigéria, em uma região de “grande vazio demográfico e na zona mais pobre do país, onde o governo tem dificuldades de se efetivar por meio de serviços públicos”, avalia o especialista.

Já a Al Qaeda, que assumiu recentemente a responsabilidade pelos atentados ao jornal Charlie Hebdo, em Paris, nasceu em “países miseráveis e ditatoriais, com o status falido, como a Somália, o Iêmen, a Eritréia e o Afeganistão”, completa. “Eles nascem do desespero das populações locais em ter uma resposta, um motivo político para sobreviver. E a religião, de uma forma deturpada, vem como essa resposta, infelizmente”, explica o professor.

De acordo com ele, os grupos mais recentes têm projetos independentes de poder que, em geral, não têm relação entre si. O Estado Islâmico, por exemplo, que tem divulgado vídeos com a decapitação de reféns, pretende criar um grande califado mundial. O Boko Haram, responsável pelo sequestro de centenas de pessoas na Nigéria e pela morte de milhares em uma vila no país, pretende impor um código próprio de leis baseadas na religião, mas, segundo o professor, os integrantes do grupo têm uma visão deturpada do Corão.

Foto: AFP

O que eles têm em comum é a resistência aos efeitos da globalização e à ocidentalização dos países onde atuam. “O que difere esses grupos novos – Boko Haram, Al Qaeda e Estado Islâmico – desses grupos de raiz no Oriente Médio, como Hezbollah, Hamas, Fatah e Irmandade Muçulmana, é que os novos nascem depois das guerras civis, quando nacionalismo e ideologias políticas se vão por água abaixo, em um mundo mais globalizado, e a globalização tem resquícios de exclusão. Eles nascem como resposta a essa tentativa de ocidentalizar o Oriente Médio”, explica. Além disso, os novos grupos também fazem a interpretação de que a cultura ocidental vai contra os preceitos do Islã.

Por outro lado, na avaliação de Mortean, os grupos que tiveram atuação armada no fim do último século abandonaram esse recurso e têm voltado seu foco para ações políticas. É o caso do Hezbollah, que nasceu como um partido político no Líbano, representando muçulmanos xiitas do Sul do país, e resistia à ocupação israelense. Desde que Israel desocupou o Líbano, em 2000, os ataques do grupo diminuíram e o último episódio de violência foi registrado em 2006. Desde então, quando respondeu com morteiros aos ataques israelenses na fronteira do Líbano, o Hezbollah tem “voltado às suas origens políticas”, segundo o professor.

Fatah e Hamas também são grupos que têm focado seus esforços nas negociações políticas na Palestina. “Há muito não se vê mais provocações como atentados à bomba em mercados e restaurantes em Tel Aviv”, aponta Mortean. As duas organizações também nasceram como partidos políticos, tiveram braços armados e atuação paramilitar de resistência à ocupação israelense. Os picos de violência foram observados quando a pressão de Israel sobre os territórios palestinos aumentava. Houve, inclusive, enfrentamento entre os braços armados dos dois partidos. Atualmente, no entanto, eles disputam espaço na Organização para Libertação da Palestina (OLP).

Diferentemente do Fatah e Hamas, que nunca tiveram motivação religiosa no centro de sua atuação, a Irmandade Muçulmana surgiu no Egito como uma sociedade islâmica que prestava serviços de caridade e atenção aos mais pobres. Mais antiga entre as organizações do Oriente Médio, ela foi criada em 1928 e pode ser considerada “conservadora”, mas não “extremista”, na opinião do professor Jorge Mortean.

“Ela nasce como uma sociedade beneficente e depois começa a cobrir o vácuo deixado pelo governo em diversas áreas, inclusive nos serviços públicos de educação e assistência social. Mas, com o passar do tempo, ela acaba se tornando uma máfia. Como toda organização religiosa grande, têm diversas correntes, algumas mais conservadoras outras um pouco mais liberais”, explica o professor.

Apesar de todos terem origem em países do Oriente Médio e da África, o Ocidente tem grande responsabilidade sobre o surgimento e o financiamento desses grupos. Para o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Argemiro Procópio Filho, o terrorismo religioso é um fenômeno milenar que foi praticado também pelo Ocidente. Ele cita o caso das Cruzadas feitas pela Igreja Católica ou dos enfrentamentos entre católicos e protestantes na Irlanda.

No século 20, com a criação de Israel e a resistência dos árabes ao estabelecimento do novo Estado, muitos grupos rivais do Oriente Médio foram estimulados a se enfrentar. “Israel fomentou inicialmente grupos rivais e depois perdeu o controle”, aponta Procópio Filho. Da mesma forma, segundo ele, os novos grupos extremistas são financiados por países árabes ricos como a Arábia Saudita e o Qatar que, por sua vez, compram armamentos e vendem petróleo para a Europa e os Estados Unidos. Dessa forma, avalia o professor, o Ocidente “cria monstros para combater monstruosidades e depois não sabe o que fazer com eles”.

O que chama a atenção agora, na opinião de Procópio Filho, é a integração de jovens europeus a esses grupos. Ele aponta que a questão da imigração e da exclusão dos europeus filhos de imigrantes pode contribuir para o interesse deles pelos grupos extremistas, mas ressalta que muitos dos alemães, belgas, franceses e outros cidadãos que se juntam a esses grupos “não têm passaporte árabe”. Na avaliação do especialista, entender o que explica a participação desses jovens em ataques aos seus próprios países deve ser o próximo passo da Europa para enfrentar o terrorismo.

Fonte: http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/hamas-boko-haram-e-estado-islamico-entenda-o-perfil-dos-grupos-islamicos-em-atuacao-no-mundo.

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