Terceirão Salesiano Dom Bosco 2015 – Novos textos de aluno(a)s – Sobre a I Guerra Mundial.

Recentemente, a questão abaixo fez parte de uma avaliação das turmas do 3º ano.

Alguns textos foram selecionados. Compartilho agora os primeiros que recebi. Vale a pena ler!

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Questão aberta:

 

Com base nos conhecimentos sobre a I Guerra Mundial e em nossas discussões em sala, analise a letra da música abaixo, atentando para as contradições que ela denuncia.

A Canção do Senhor da Guerra

Legião Urbana

Compositor: Renato Russo

Existe alguém esperando por você
Que vai comprar a sua juventude
E convencê-lo a vencer

Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças com armas na mão
Mas explicam novamente que a guerra gera empregos
Aumenta a produção

Uma guerra sempre avança a tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Pra que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros na exportação

Existe alguém que está contando com você
Pra lutar em seu lugar já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer

E quando longe de casa
Ferido e com frio o inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra

Que belíssimas cenas de destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação
Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre que Deus está
Do lado de quem vai vencer

O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças.

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Andréa Alves – 3º B
    A música em questão retrata a “vida pré-guerra”, isto é, desconstrói tudo que ocorreu por trás da Primeira Guerra Mundial, ou ainda, Grande Guerra. A mesma tratou de um período que ficou conhecido como “Belle Époque”, o que traduzindo para o português resulta em época bela, marcada pelo avanço tecnológico, e principalmente bélico, e também pelo avanço cultural, marcado por produções de pinturas, esculturas, entre outras expressões artísticas. Aliada à concepção de avanço tecnológico, veio à tona a ideia de que era necessário que ocorresse a guerra para “um mundo futuro melhor”, obviamente, uma ideia repassada para a população pelo Senhor da Guerra, que trata-se das pessoas que lucrariam com empréstimos e venda de armamentos e itens que fossem de suma importância para os conflitos. Ledo engano, a população tomada por essa ideia sofreu ainda mais com pesados impostos, mortes, entre tantos outros pontos negativos vindos com a guerra, como falta de comida, logo que a preocupação maior era a Grande guerra, que fez novamente o sofrimento das camadas mais baixas. Com o uso de mulheres e crianças nas tarefas que anteriormente à guerra eram serviços masculinos, viraram femininos e infantis, visto que os homens estavam no combate. É uma canção que nos leva à reflexão: para quem realmente a guerra foi mais “importante” e lucrativa??
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Thaís Assunção – 3º B

A música ”A canção do senhor da guerra” retrata contradições, em certo ponto até irônicas, sobre a I guerra mundial. No primeiro parágrafo, quando representou ”que vai comprar sua juventude” é relacionado à entrada tardia da Itália e da Alemanha na corrida. No segundo é dito ”mais uma guerra sem razão”; contradiz aos motivos que cada país está tentando retomar, como a perda da Alsácia Lorena para a Prússia. No terceiro, é retratado sobre ”uma guerra santa”. Como ser santa se ocorriam inúmeras mortes?! E também quando foi dito sobre o lucro das armas, porém foi um lucro especifico para a burguesia. No quarto parágrafo, apresenta sobre o papel da indução da Inglaterra e da França em relação à Itália: ”não é ele que vai morrer”. E por fim, o quinto parágrafo que remete a várias contradições como ”belíssimas cenas de destruição”, pois eram cenas terríveis. O principal é a citação de um nome bíblico (Deus) para associar a uma guerra, e também a contradição de uma lei criada na época que não existiria vencedor nem perdedor na guerra.

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Amanda Souza, 3º B.

    Assim como foi exposto no texto I da questão 6, a guerra foi tratada (pelos que a almejavam) de forma distorcida. Assim como os românticos  melancólicos da literatura consideravam a morte como solução para os seus problemas, os grandes chefes de estado tratavam a guerra como um fator de favorecimento para a população, visto que esta traria empregos, territórios anexados e o mais importante: o prestígio da vitória. Muitos acreditaram. Ledo engano. Cada nação se preparou inimaginavelmente bem para o grande conflito, de forma que toda a receita de um determinado país fosse direcionada à confecção de artefatos de guerra. Ou seja, o discurso de convencimento promovido pelos chefes de estado não passou de um “golpe sujo” para comprar a lealdade da sua população, garantido muitos avanços quando tudo o que viria pela frente era morte, fome, destruição e crises. Muitas crises.
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 Carolina Cerqueira Piedade- 3º A.    As contradições (muito bem feitas) na música, retratam o descontentamento do autor com a guerra, mas principalmente o modo como o mesmo ironiza a “beleza” e as “razões” para a mesma.”Não teremos mais problemas com a superpopulação”, essa parte da letra, por exemplo, mostra como  a guerra é destrutiva, como a guerra é violenta, ironizando esses fatos como um benefício. Nesse texto também vemos dois lados por trás da guerra: aqueles que lucram com ela e aqueles que morrem lutando por aqueles que lucram. Esse sistema só existe pela alienação que se faz ao que luta (também retratado no texto) onde a guerra é honra, é bela, lucrativa e o nacionalismo é forte. E diante de tantos horrores que virão(como a morte) é bom lembrar que Deus está do lado dos que vencem, então será um ato de sacrifício em função de um motivo maior.

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 Rafaela Barbedo  – 3º B.

A música “A Canção do Senhor da Guerra” deixa evidentes contradições entre o cenário bélico e as artimanhas usadas para convencer, principalmente os jovens, a lutar na guerra. Há vários argumentos utilizados por quem se beneficia com os conflitos para justificá-los. Por exemplo, o desenvolvimento industrial causado pela alta produção de armas, gerando mais empregos e especialização tecnológica. Há utilização de diversos meios para cooptar os jovens, como propostas de melhoria de vida ao fim da guerra, espírito nacionalista, entre outros. Porém, o que acontece é oposto ao que foi dito; o cenário de destruição, fome e morte diverge do pensamento inicial. E todo o trabalho realizado pelas camadas mais pobres, que são também os mais prejudicados com a guerra, gera cada vez mais lucros para a parte rica da população. O que foi descrito acontece com a maioria das guerras, como a primeira mundial, que, ao mesmo tempo que desenvolveu alguns países, prejudicou outros e causou muitas mortes.

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 Beatriz Portugal – 3º A
    A música apresentada aborda a duplicidade de lados que a guerra possui: o lado de quem luta na guerra e o de quem os mandam ir. As propagandas a favor da guerra expressavam pressupostos de que traria principalmente boas consequências, aumento de empregos, de produção e avanços tecnológicos. Além de influenciar o nacionalismo exacerbado, e a ideia de que Deus abençoaria os vencedores. Mas há ainda o outro lado mais realista, como expresso na música “não teremos mais problemas com superpopulação”, dando ênfase para aqueles que foram à guerra e perderam, mais que apenas a sua juventude, mas suas vidas, enquanto eram vistos como “mais um peão” em seu jogo. Os governantes camuflavam o que teria que ser dado em troca dos pontos positivos da guerra para que assim mais pessoas fossem a favor e lutassem, enquanto eles apenas manipulavam jovens armados em péssimas condições para um maior acúmulo de riquezas para eles mesmos.
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