Galerinha do CONFHIC – São José – 2015 – textos de alunos* – 2ª parte.

Ainda estou aguardando o envio de novos textos, mas, publico agora dois textos, muito bons, de Edgar Müller, do 1º A.

Com base nas discussões sobre Fé e comércio, ele escreveu:

Texto 01

            O Deus que cobra

     Nas sempre ocupadas cadeiras, ou bancos, ou até mesmo tronos das luxuosas igrejas católicas, há muito dinheiro envolvido. Nos sacos, que terminam, quase sempre, com uma considerável parte do seu volume ocupado, é cobrada, nesse passa-repassa, uma taxa histórica, que vai muito além de uns trocados, o polêmico dízimo. Onde o mesmo será empregado é sempre um mistério. Essa herança da Idade Média, essa maneira de associar direta e descaradamente a fé e o comércio, não parece algo a ser desconstruído tão facilmente, porque, comprovadamente dá certo, e vem dando nos últimos séculos.

    Fiéis tentam não enxergar por esse viés, mas não é muito difícil observar a discrepância da casa da Dona de Casa que vai toda semana na igrejinha da esquina, e a casa, geralmente bem mobiliada e bonita, dos pastores, que ostentam carros importados enquanto os fiéis chegam ao culto de ônibus. Uma fé imposta, que não se limita apenas ao cristianismo, e invade diversas religiões sendo elas protestantes ou não.

A realidade é que além de se cobrar o tradicional ”moral e bons costumes”, historicamente, tem se cobrado muito mais. O poder de uma religião, mais a habilidade visionária que os ”homens de Deus” tem para impregná-la, têm aplicado uma fórmula única e universal, uma maneira que encontraram de privatizar ninguém mais, ninguém menos, que Deus.

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.  Sobre a análise do vídeo O ritual das Tucandeiras, associada aos conceitos de cultura e aculturação, ele escreveu:

Texto 02

Cultura e Inovação

Uma cultura diferente pode nos causar diversos sentimentos: curiosidade, estranhamento, pena… No final, é tudo uma questão de perspectiva, quase sempre, ignorante, da nossa parte. Devido aos processos de aculturação, da cultura indígena pelo homem branco, séculos atrás, hoje, ver uma tribo mantendo seus costumes, rituais e crenças pode ser, no mínimo, inusitado.

Claro, as tribos não são as mesmas de 500 anos atrás, mas a essência foi preservada. Um processo cultural é também um processo mutável, palpável e dinâmico, onde hábitos são ressignificados, caindo por terra, então, o mito de que a cultura não pode ser modificada e, consequentemente, inovada.

Tudo que queremos hoje em dia é nos apropriarmos, culturalmente falando, sem haver o respeito por cada peculiaridade, mesmo que não explícita, que toda cultura possui.

O que se vê são pessoas usando cocares, pintando o rosto com os dedos e usando roupas indígenas, apenas por mera estética, sem querer se aprofundar no conjunto de valores e significados que cada tribo tem, nem acompanhar as mudanças que foram ocorrendo ao longo do tempo, numa demonstração total de falta de bom senso e respeito.

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Outro bom texto, de Beatriz Passos, do 1º B:

 
 O Comércio da fé

 
     No sentido próprio, fé significa “a coragem de acreditar sem qualquer desconfiança”. Já comércio, “é a permutação de produtos; troca de valores”. Agora, essas duas palavras, junto a seus significados e atos, são o mesmo que dinheiro.
     Não se sabe ao certo, nem há uma mínima noção de quando o ato de acreditar foi visto de forma lucrativa, mas é nítido o suficiente para quem se permite enxergar. Por exemplo, quando Igrejas Católicas efetuam casamentos, não são só juramentos e alianças que são trocados. Troca-se dinheiro, ou melhor, paga-se para receber a bênção de Deus sobre a união do casal.
     O comércio da fé também está presente em imagens de Santos e nas fitas do Senhor do Bonfim, comercializadas na intenção de vender esperança e, muitas vezes, pelas próprias pessoas que creem. Além de bens materiais, a palavra de Deus está sendo vendida. Algumas igrejas mencionam nomes divinos para receberem dinheiro em troca. Aquelas dízimas oferecidas no fim dos cultos é uma prova.
    São tantas formas de extrair dinheiro, quem nem sabemos mais – se é que já soubemos um dia -, quando ou onde acontece. Casamentos, objetos simbólicos, batizados, missas individuais e dízimas são apenas alguns exemplos de como a exploração da fé vem acontecendo.
     Bom, mesmo com todos os argumentos e fatos, sempre haverá pessoas concordando em vender sua fé, mesmo preferindo usar termos como “doando” ou até “ajudando a igreja”. E quem não garante que não estão a fazer exatamente o que dizem?
    Uma coisa é certa: existem realmente igrejas precisando de ajuda, pessoas com boas intenções e até mesmo doações utilizadas da forma correta. Agora, resta saber se encontraremos um dia, um tipo de fé desvinculada do comércio.
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