Terceirão Salesiano Dom Bosco 2015 – Novos textos de aluno(a)s. Exercício 02.

 Recentemente, propus aos alunos / às alunas do TERCEIRO ANO, o seguinte exercício:

Galerinha, o EXERCÍCIO 02 consiste em:

1 – Leitura minuciosa do texto abaixo, de minha autoria;

2 – Responder, em 10 linhas, a pergunta a seguir: Após a leitura do texto e com base nos conhecimentos sobre a história recente do Brasil, podemos considerar o povo brasileiro ainda um FIGURANTE ou PLATEIA, como afirmou Lima Barreto, ou ele já é PROTAGONISTA de sua própria história?

obs. 1 – o texto deve ser MANUSCRITO, em folha com cabeçalho completo;

obs. 2 – data de entrega (no início da aula): quinta-feira, 26 de fevereiro.

A história factual nos faz/fez atribuir um peso excessivo às datas, aos fatos. As gerações que “aprenderam” história por esse viés tomam a data como sendo algo quase absoluto. Por outras vias, enxerga-se o processo histórico. E o que era uma simples data, pode alcançar o status de fenômeno histórico.  Feitas estas considerações preliminares, é de bom tom consultar o dicionário para desvendarmos o que significa pro-cla-ma-ção: Pronunciar-se publicamente em alta voz e com solenidade. Reconhecer solenemente, decretar, publicar ou promulgar uma lei. Aclamar, anunciar. (http://www.dicio.com.br/proclamar/).

Ao falar em GOLPE, primeiro se pensa logo em Exército. Não sem certa razão, afinal, das três Forças, a que esteve mais em evidência no final do século XIX brasileiro. Mas, seria muito rasa esta análise se considerasse apenas este agente militar como responsável. Assim como muitos fizeram com o GOLPE em 1964, tão civil quanto militar. Como foi o que enseja este feriado (em um sábado, tudo bem, mas, um feriado).

Do anacronismo do regime imperial conjugado com as transformações econômicas do período, passando pela ‘rebeldia’ de parte da oligarquia cafeeira, pelos republicanos de última hora, pelo ressentimento dos “homens de farda” (tratados como meros  figurantes durante o XIX), resultou o 15 de novembro. Tão “democrático” quanto o 7 de setembro.. Acordamos em um novo regime. Tão novo quanto o próprio nome que alguns historiadores, bem mais tarde, elegeram para batizar o espaço-tempo entre 1889 e 1930, República Velha.

No Brasil, a república que fora sonho de consumo de muitos rebeldes desde o final do XVIII ‘chegava’ ao país pelas mãos do que havia de mais conservador e reacionário possível. Vários protagonistas, o povo como figurante. Ou como bem diria Lima Barreto: “PLATEIA”.

Ser republicano era um sonho. A ‘res publica’ no Brasil teve a sua maternidade/paternidade reivindicada por muitos. Sob a forma de um GOLPE DE ESTADO, foi fruto de um demorado processo que explorou um descontentamento generalizado. Novo Regime que foi possível por uma aliança política entre ‘água e óleo’ que, logo após o seu nascimento, mergulhou em profunda crise, marcada por diferentes projetos de país.   O clima não era de paz e amor, muito menos harmonia, mas, em uma coisa todos concordavam: “façamos a mudança, antes que o povo a faça”.

A história recente do nosso país tem muito a aprender com a…..HISTÓRIA!

Bom feriado!

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Entre os vários textos, selecionei alguns e solicitei autorização para publicá-los aqui no OSPYCIU. Eis a 1ª PARTE deles:

Caio Soares – 3º B

“Protagonizar só no Aurélio” 1500, ano da morte do “real” Brasil. De lá pra cá o que acontece com nossa historia é adaptar/copiar estereótipos de outros lugares. A julgar pela nossa “independência”. Todos os nossos “fracos” vizinhos tiveram suas independências no molde revolução, partindo do povo à elite. Aqui, a elite quase que toda portuguesa ou descendente foi quem moldou a nossa “liberdade da metrópole”. O que parece é que todo país forte economicamente se torna nossa metrópole. O que dizer do nosso “super” parceiro Estados Unidos? Até uma bandeira com caráter estadunidense nós tivemos! O clima no século 19 estava tenso, dormimos em um regime, acordamos em outro. As medidas foram as estratégias rápidas e pensadas como uma antecipação a qualquer futura investida popular, o que de fato, ocorreria o mais breve possível. E o povo sonhando com uma república democrática com molde estadunidense ou francês.

O século xx abre um leque de possibilidades. Agora estaríamos num modelo político, de fato, republicano. Uma nova constituição, novas vertentes e possibilidades econômicas, milhares de imigrantes, negros “livres”. A expectativa era sensacional. Só não esperávamos pelo Pai dos pobres. Até o nome trazia esperança. O estado novo. Mas o que aconteceu foi novamente o regime sem participação social. Década de 70 e lá vamos nós sofrer mais um pouco. Ditadura e, agora, militar. Salve-se quem puder! Participação é algo fora de cogitação. Nossos “super” parceiros foram quem financiaram esse belo e romântico momento das terras tupiniquins, em troca de favorecimento econômico. Por falar de economia, o que dizer do milagre econômico? Além de sermos abatidos como ruminantes, fomos completamente alienados. Pós-impeachment de 92 pode se dizer que nossa participação aumentou consideravelmente. Tiramos um deles do maior cargo do país! A democratização tecnológica facilitou, e muito, para um processo vigente de politização da população brasileira. Hoje se pode discutir política com vários indivíduos de raízes ideológicas diferentes sem sair de casa. Mas estamos longe do ideal. Enquanto o bolsa família funcionar como voto de cabresto, estaremos reféns de interesses pessoais, ou melhor, familiares de alguns poucos. Mas é como diz a banda as meninas: “é que o de cima sobe, e o de baixo desce”.

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Júlio Britto – 3º A.

Vivemos em uma sociedade indecisa, ou será que poderíamos dizer perdida? Ora o povo é plateia, ora o povo é figurante. A população se torna figurante a partir do momento de ‘’simplesmente votar’’ e seis meses depois não lembrar em quem votou. Como poderá cobrar o que foi prometido? O mesmo vira plateia quando a corrupção (não só a corrupção) toma conta do Congresso Nacional e ficamos apenas assistindo, achando normal, coisa que não é, e não deve ser vista como algo normal. Os políticos tendem a se aproveitar da falta de conhecimento de parte da população que não teve acesso à educação básica, logo, essa parte da população é facilmente manipulada por qualquer lado político, perdendo interesse de realmente entender a importância de um voto consciente para a sociedade como um todo.

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Juliana Batista – 3º A.

Na República Velha, era de grande normalidade que os coronéis, homens estes que já controlavam tudo em sua região, tomassem a frente também dos votos de seus subordinados, que já não era de grande participação da população, já que só homens eram considerados cidadãos.

Na República Atual, essa situação diz ter findado, mas não é o que realmente acontece. Apesar de ter abrangido o direito de voto para quase todos os cidadãos, ainda há o aproveitamento dos mais ignorantes, ou até mesmo os mais ingênuos, se assim podem ser denominados. Esse aproveitamento provém dos atuais “coronéis”, que seriam os políticos, partindo principalmente para a população mais carente,  oferecendo-lhes coisas que comumente eles não possuem facilidade de conquistar, fazendo promessas de melhorias que lhes favorecem, entre outros desejos de consumo, conquistando-a e, assim, comprando seus votos. Seguindo essa linha de raciocínio, é notório que a população brasileira não obteve uma participação ativa ao nascimento da república, como também seus “gigantes” acordam e adormecem na mesma proporção, sendo correto ainda utilizar a afirmação de Lima Barreto: “O Brasil não tem povo, tem público”.

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Tatiana Lordêlo, 3º B

Pode-se ainda considerar o povo brasileiro como figurante da história do seu próprio país. Podemos também relacionar o século XXI com o período da política do Pão e Circo, onde o governo romano tinha como principal objetivo entreter o seu povo com jogos em circos ou arenas a fim de esconder as mazelas e desorganizações sociais e abstrair o sofrimento de outras pessoas.

Percebemos com grande facilidade que preferimos viver em uma cultura onde priorizamos o consumismo e o individualismo. Deixamos, então, sermos considerados como uma população semelhante aos romanos, passível de manipulações feitas pelos maiorais do poder, que estão cada vez mais maléficos, contando ainda com a ajuda da Indústria Cultural. Esta, apoia e obtém ajuda de empresas que lucram, empurrando os seus produtos ou organizando eventos com cantores do momento para inibir toda a adversidade por conta do péssimo governo escolhido pelo seu próprio povo, que se acomoda cada vez mais e deixa-se manipular facilmente. Dentro dessa população existe ainda a minoria que luta para ver um Brasil melhor, sem políticos corruptos, desfalque de alimentação, educação, serviços públicos, entre outros. Minoria esta que é totalmente contra a mídia que, na maior parte das suas propagandas, exibe pessoas menos favorecidas economicamente sorrindo como se não houvesse problemas.

É perceptível que muitos políticos fazem discursos em suas campanhas prometendo a melhoria da saúde, saneamento básico, transportes públicos, entre outras coisas que, quando eleitos, não executam. Utilizam dessas ilusões para despertar no eleitor a total confiança do seu governo e, como no caso dos brasileiros que não possuem candidatos de alta competência, acabamos votando naquele que através do seu discurso aparenta melhorar a própria qualidade de vida. A questão é: até quando a minoria conseguirá aguentar toda essa precariedade? E o gigante, ainda dorme?

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Matheus Henrique – 3º B

A performance da personagem “povo brasileiro”

Historicamente, os brasileiros sempre participaram ativamente de diversas mudanças que ocorreram desde a independência, e participam até hoje, ao contrário do que é creditado por muitos estudiosos.

Algo muito negligenciado por esses estudiosos;,que acreditam que os brasileiros tornaram-se plateia, é que, mesmo quando estão no poder, políticos ainda fazem parte desse grupo. O mais correto seria dividir “povo brasileiro” em “brasileiros no poder”  e “brasileiros fora do poder”, e esse último, sim, tornou-se algo diferente, um coadjuvante.

Transformou-se em coadjuvante desde a independência, onde a elite tornou-se “brasileiros no poder” e definiu o papel dos outros, que, no caso, é ajudá-los a ficar no poder, justamente como uma personagem secundária de uma história que, mesmo no plano de fundo, acaba sendo importante para a trama.

Por fim, o “povo brasileiro” não é plateia, já que participa da trama decisivamente, seja como personagem principal ou coadjuvante. Mas o que realmente deve acontecer é, os brasileiros, em sua plena totalidade, serem uma única personagem, a principal, e terem um único papel, cuidar de seu país.

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 Bruna Cerqueira – 3º B

15 de Novembro de 1889, data fatídica para a elite parlamentar, agrária e para qualquer outro endinheirado da época, mas não para o povo. Este, provavelmente, dava com a cara na porta de qualquer emprego, apanhava em algum pelourinho clandestino, amamentava suas crias com leite ralo – ou seco – ou mendigava em praças, enquanto aguardava pelo dia o qual não estivesse alheio a própria existência.

‘’República’’, morfologicamente, significa: governo do povo. De que nível econômico de povo?! Esse modelo que no Brasil foi forçadamente instaurado com base em uma ‘’fofoca’’, foi defendido pela aristocracia cafeeira a titulo de vingança contra a família imperial pelo motivo de não haver lucro com o benefício do povo. Elite que seria agraciada com terras devolutas por D. Pedro II e ainda seria indenizada. Além disso, por ter sido prejudicada com a Lei Áurea. Uma vara um tanto curta demais para se cutucar uma ‘’onça’’.

Havia, ainda, um grupo bem intencionado, o conselho de ministros presidido por Visconde de Ouro Preto, que lutava por reformas como a liberdade de ensino, de culto, temporalidade no Senado e a redução do efetivo das forças armadas, em detrimento do investido em outras polícias. Os projetos foram firmemente negados e vetados pelo conservadorismo, que usou conspiradores para espalhar o boato que Ouro Preto planejava prender Marechal Deodoro da Fonseca. O militar armou uma quartelada que depôs o ministério e o seu presidente. Mesmo sendo leal ao imperador, Deodoro da Fonseca foi convencido a proclamar a república. Dois dias depois, a família imperial foi convidada a cumprir seu exílio na Europa.

Quando a população – bastante tempo depois – ficou sabendo do ocorrido, movimentos pela volta do império eclodiram em todo o país. Nas guerras de Canudos e do Contestado morreram mais de meio milhão de pessoas. Pessoas essas que, de alguma forma, tentaram mudar a história de uma nação condenada por seus próprios governantes. Morreram como Tiradentes cem anos antes, e como os que não concordavam com uma ditadura, quase cem anos depois. Ameaçados por pensar além do permitido. Ameaçados como Joaquim Barbosa (vivo, felizmente), violados pela lei que seguem, devassados pela moral imposta e mortos, critica e socialmente. Descartáveis como milhões de jovens que elegeram e depuseram o mesmo presidente em um período de três anos, com o apoio alienador de uma grande empresa, ironicamente, teatral e cinematográfica.

O Brasil, com toda a sua história, poderia render uma obra digna de Shakespeare. Com um elenco estratosférico, um roteiro rico e uma direção milionária, a produção segue sem protagonistas, sem final feliz. Pobre Brasil, sem plateia até para vaias. Pobre Brasil, figurantes que mesmo sem falas, se perdem em seus papeis. Pobre Brasil, uma obra indigna de Oscar.

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Amanda Souza – 3º B.

Brasil: Um país de poucos

O golpe da proclamação da república foi uma espécie de “nova temporada” do seriado mais assistido de todos os tempos: “Brasil: um país de poucos”.

Enquanto os cidadãos assistiam ao show na última fila do teatro, os grandes representantes (brasileiros ou não) deleitavam-se no palco nacional.

Já no “descobrimento”, os índios assistiram à sua gradativa extinção cultural. Desde que foi “descoberto”, o Brasil é um grande teatro, e à medida que o tempo passa mais cadeiras são ocupadas na plateia. O palco, por sua vez, é tomado pelos grandes poderosos, nossos “vizinhos” e “amigos” que convencem a plateia com truques que mais parece mágica. BUM! Seria o Brasil um grande circo? Colonização, coronelismo, política dos governadores, golpes, ditaduras.

Mas, que circo é esse em que os palhaços assistem ao show na plateia? Palhaços, frutos da mais pura ignorância política. Pudera… Dormiram numa Monarquia e acordaram numa República. Mas os palhaços queriam conhecer os picadeiros e os grandes palcos dos teatros; e tudo começou na Era Vargas, com os primeiros direitos trabalhistas. O caminho para o estrelato começara a ser traçado. Ledo engano. Não havia espaço para shows na ditadura militar. Mas eles já estavam preparados, já estavam de caras pintadas! E, em 1992, eles conheceram o grande palco do Brasil. O impeachment de Fernando Collor de Melo foi a principal atração da temporada.

Desde então, mesmo deixando de ser plateia, o papel de protagonista ainda é uma utopia. Enquanto isso, os palhaços seguem com seu papel de coadjuvantes, preparando-se para a estreia no palco principal de sua própria história.

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