Galerinha do CONFHIC – São José 2015: 03 textos sobre a INQUISIÇÃO

Texto 1

Inquisição

Publicado por: Rainer Gonçalves Sousa em Idade Média1 comentário

A tortura era considerada pelos inquisidores como uma forma de se buscar a confissão do pecador.

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Nas últimas décadas do século XIII a Igreja era uma instituição religiosa fortemente consolidada no continente europeu. O apoio do Estado e sua condição de formadora da elite intelectual da época garantiam uma influência de grande força entre os vários segmentos da sociedade ora vigentes. Contudo, vemos que nesse mesmo período ocorreram conturbações de cunho teológico que perturbava a hegemonia cristã nesses tempos.

Vez ou outra, os movimentos heréticos apareciam oferecendo um modelo de fé e devoção religiosa que escapava das esferas de controle da própria Igreja. Foi justamente mediante essa situação que, já no ano de 1219, uma confraria de origem dominicana estabeleceu a criação da chamada Milícia de Jesus Cristo. Visando defender a pureza do catolicismo, os integrantes desse grupo realizaram a matança de comunidades inteiras ao longo do período medieval.

Apesar da importância desse primeiro momento, como um passo inicial no desenvolvimento da Inquisição, vemos que ela atingiu o seu auge nos séculos integrantes da Idade Moderna. Nesse período, a perseguição aos judeus e a ascensão das religiões protestantes serviu de incentivo para que o chamado Tribunal do Santo Ofício fosse criado com o objetivo de vasculhar diversas regiões embusca de infratores que representassem algum tipo de ameaça à hegemonia cristã.

Nessas situações, o tribunal contava com a força das autoridades locais que cediam militares e instalações onde pudessem realizar seus processos de investigação. Ao mesmo tempo, devemos destacar a delação anônima como outro importante artifício capaz de indicar as pessoas que fossem suspeitas de adotarem alguma prática de natureza anticristã. Muitas vezes, as delações eram tomadas como verdade, sem que antes para isso, houvesse a apresentação de qualquer indício.

Mesmo que não chagasse a ser morto em uma fogueira, o simples fato de uma pessoa ter passado por um processo inquisitorial determinava um enorme desprestígio. Não raro, um acusado poderia ter suas possessões confiscadas, perdia direitos políticos ou era obrigado a se mudar para outra localidade. Geralmente, as acusações feitas pela Inquisição aconteciam envolvendo crimes de atentado contra os preceitos morais da época ou contra os dogmas instituídos pela Igreja.

A realização das torturas acontecia como um meio de se obter a confissão. Sob tal aspecto, vale ressaltar que o uso da punição física era anterior à própria Inquisição e que ela assumia um sentido religioso. A condenação do corpo era considerada uma forma de purificação necessária para que o réu pudesse reconhecer seus crimes e se libertar das forças malignas que o instigavam a ocultar sua falta. Desse modo, não podemos determinar o sadismo ou perversidade como as duas únicas explicações para a tortura.

A queima na fogueira foi uma das mais expressivas ritualizações do poder exercido pelo Tribunal da Santa Inquisição. Antes de morrer, caso reconhecesse os seus pecados, o acusado sofria enforcamento antes de ter seu corpo carbonizado. No entanto, se reafirmasse inocência, o condenado era queimado vivo. Os autos de fé eram as celebrações onde geralmente tais penas eram aplicadas e as publicações consideradas proibidas, também eram consumidas pelas chamas.

Somente no século XVIII é que o movimento de Inquisição começou a perder seu terreno ao ser proibido em diversas partes do continente europeu. Ainda assim, a Igreja mantinha órgãos de vigilância que poderiam punir os hereges ou descumpridores do dogma cristão com penas mais leves, como a excomunhão. De fato, o desenvolvimento da Inquisição revela-nos um episódio marcado pela problemática chaga da intolerância religiosa.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

http://www.mundoeducacao.com/historiageral/inquisicao-1.htm

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Texto 2

      Memórias da Inquisição

Inaugurado em Belo Horizonte, museu conta a história da Inquisição no Brasil. Instituição dedica uma das salas às vítimas dos tribunais religiosos no país

Gabriela Nogueira Cunha

6/9/2012

  • Tudo começou com um casamento. Instaurada na Espanha desde 1478, a Inquisição moderna só chegou a Portugal em 1496, quando o rei D. Manuel I casou-se com a viúva castelhana Maria de Aragão. Pressionado pelas cláusulas do matrimônio, ele teceu o primeiro golpe: ordenou a expulsão dos judeus que se recusassem a conversão ao catolicismo. A consolidação das leis, do Santo Ofício e dos autos-de-fé, porém, veio apenas em 1536 – como consequência de uma série de difíceis negociações desencadeadas pelo sucessor do trono D. João III – alastrando-se por todo o Império.

A partir disto, o Brasil tornou-se palco da imigração de milhares de portugueses, entre judeus e outros considerados hereges que fugiam de perseguições, torturas e execuções. Para contar parte desta história, a Associação Brasileira dos Descendentes de Judeus da Inquisição (Abradjim) inaugurou, no último 21 de agosto, o primeiro Museu da História da Inquisição do Brasil, em Belo Horizonte (MG).

Ao contrário do que aconteceu na América espanhola – em colônias como México, Peru e Colômbia – e na Índia portuguesa, não existiu no Brasil um oficial tribunal da Inquisição. Como se tratava do início da colonização e a população era pequena, apenas tribunais itinerantes foram criados durante as famosas visitas do Santo Ofício, em fins do século XVI e começo do XVII, para tratar das acusações mais leves. Aqui, a Inquisição teve seu marco inicial em 1591, com a visita do inquisidor português Heitor Furtado de Mendonça [o assunto é amplamente discutido na edição “Inquisição à brasileira” da Revista de História].

Homenagem atemporal
Para o historiador Daniel Rebouças, a construção do museu aparece como peça fundamental na história do povo judeu, que viu na colônia recém-criada de outrora uma válvula de escape, e elogia a iniciativa. “A fundação de um museu desta natureza é fundamental, quer para a história do povo judeu, quer para o conhecimento da história do Brasil colonial. Ao resgatar parte da história dos judeus no Brasil, em especial no seu momento de maior perseguição e intolerância religiosa, um público mais ampliado toma conhecimento do sofrimento e principalmente da luta desses indivíduos ante uma realidade adversa. Iniciativas como essa coroam os esforços de décadas  de pesquisadores e descendentes dos judeus no Brasil”. Num momento inicial, todos os judeus foram obrigados a se converter ao catolicismo, sendo conhecidos como “cristãos-novos”. Temendo à morte por não seguirem a fé católica, muitos deles fugiram para cá.

Apesar de contar uma história antiga, o Museu da Inquisição pode ser fonte de debates atuais acerca de tolerância e diversidade religiosa, comenta o pesquisador: “Ainda hoje, se assiste a uma série de discursos de demonização e ações violentas contra grupos religiosos de matrizes africanas, principalmente por parte de determinados grupos cristãos. Resgatar essa memória histórica de perseguição, feita pela Inquisição aos judeus, é contribuir para o fim de da intolerância, preservando a livre expressão de fé. É nesse sentido que o Museu da Inquisição pode atrair e ter significado para além daqueles ligados ou interessados na História”.

O acervo e o “Memorial dos Nomes”
As linhas da Inquisição são pouco a pouco desenroladas no museu através de painéis, gravuras e pinturas de artistas como o espanhol Francisco Goya e o francês Bernard Picart, além da exposição de documentos, livros e objetos antigos do século XVI ao XIX e réplicas de alguns equipamentos de tortura em tamanho real como o polé, o pôtro e o garrote.

Uma sala especial do museu foi dedicada aos brasileiros vítimas da Inquisição. No chamado “Memorial dos Nomes” contam os nomes completos e os números dos processos de condenação das vítimas da intolerância religiosa que marcou o país.

Editar

     Texto 3

 

Sobre a Inquisição –

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Publicado em novembro 13, 2013

Instrumentos de dor e dominação

Exposição inédita no Brasil traz mais de 50 peças originais utilizadas na Inquisição, como a donzela de ferro

Janine Justen

1/9/2013

  • Depois de passar por mais de dez países, como Rússia, Alemanha, Polônia, Portugal e Argentina, e de ter recebido cerca de 1 milhão de pessoas, a exposição “Instrumentos medievais de tortura, período da Inquisição” chega ao Brasil. Em cartaz no Museu Municipal de Arte de Curitiba até o dia 6 de outubro, a mostra traz mais de 50peças originais, restaurações e réplicas de instrumentos de tortura que foram utilizados do século XIII ao XVII.

“O objetivo da mostra é fazer com que os visitantes reflitam sobre a opressão humana em suas faces mais radicais e cruéis. O poder das instituições, inclusive religiosas, sobre o indivíduo, sua mente e seu corpo”, afirma Mauro Tietz, diretor de patrimônio cultural da Fundação Cultural de Curitiba. Para ele, as peças, vindas em sua maioria da Europa ocidental, provocam reações diversas, do assombro à admiração.

A donzela de ferro (cápsula de ferro com espetos capaz de enclausurar um homem), o triturador de cabeças (barra de ferroque esmagava crânios lentamente) e a cadeira inquisitória (um assento de ferro, que poderia ser aquecido, repleto de agulhas) são alguns dos instrumentos de tortura em exposição. Utilizado no Brasil durante todo o período colonial, o pelourinho também está lá, apesar de ter tido apelo inquisitorial apenas em Portugal.

“Como nunca houve tribunal da Inquisição aqui, os réus eram enviados pelos visitadores ou comissários do Santo Ofício para Lisboa. Tortura havia, sim, nas fazendas escravistas. Mas aí é outro assunto”, esclarece o professor da UFF Ronaldo Vainfas, que estudou as visitações inquisitoriais no Brasil Colônia.

Trazida da Itália pela Associação Ricercatori Storici,a mostra também aborda grandes personagens da história perseguidos à época, como Joana d’Arc, morta em 1431, Nicolau Copérnico, censurado ao apresentar a teoria heliocêntrica, e Galileu Galilei, condenado à prisão e obrigado a retratar-se por sustentar a teoria de Copérnico.

Sem querer justificar os atos, Vainfas sugere, entretanto, fugir do erro de interpretar o passado com o pensamento atual. “A Inquisição existiu em uma época na qual não havia direitos humanos. A pena de morte era legítima e pública. A escravidão era legalizada. A tortura era uma técnica de interrogatório que todos sabiam que estava em prática”.

“Os abusos praticados pela Igreja na Idade Média com o intuito de manter e alargar seu poder, sem dúvida, são fatores que levaram ao acirramento das críticas contra os representantes do catolicismo”, argumenta Angelo Assis, que frisa a atualidade do tema apesar do hiato temporal. “A intolerância religiosa, infelizmente, é motivo de conflitos em várias regiões no mundo de hoje”, completa.

Saiba Mais

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/em-dia/instrumentos-de-dor-e-dominacao

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