Galerinha do CONFHIC – São José 2015 – Apostila de conceitos – ver ABSOLUTISMO e MERCANTILISMO.

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Os CONCEITOS que integram esta apostila são: ABSOLUTISMO – BURGUESIA – CANDOMBLÉ – FUNDAMENTALISMO – IDENTIDADE – IDEOLOGIA – JUDAÍSMO – MERCANTILISMO – MISCIGENAÇÃO.

O ensino da História e a

construção de CONCEITOS.

 

Apostila 2

Esta apostila 2 destina-se a continuar apoiando e fundamentando teoricamente os estudos de mais alguns conceitos essenciais que se articulam aos novos conteúdos que selecionamos para este ano letivo.

Mais do que uma listagem de conceitos, o desejo é que sirva como elemento provocador e ponto de partida para ampliarmos nossa compreensão sobre aspectos importantes do fazer histórico.

Boa leitura!

                                                                    Prof. Paulo Leite

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Fonte: Dicionário de Conceitos Históricos. Kalina Vanderlei e Maciel silva, Ed. Contexto.

_____________Prof. Paulo Leite – BLOG: ospyciu.wordpress.com__________________

e-mail: pergunteapauloleite@gmail.com

 

BASTA CLICAR NO LINK ABAIXO PARA LER SOBRE:

– Absolutismo – burguesia – candomblé – fundamentalismo – identidade – ideologia – judaísmo – mercantilismo e miscigenação.

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Galerinha do CONFHIC – São José 2015 – Renascimento Cultural: texto e vídeo.

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Leia o texto abaixo!

Assunto: Renascimento Cultural

A razão brilha para todos

Muito além das artes, o Renascimento transformou a vida social e o comportamento do homem comum.

Angelo Adriano Faria Assis

1/11/2013

Na pintura do flamengo Pieter Brueghel, O Velho, de 1565, trabalhadores em colheita. A arte do período sobrepunha a razão à fé.

O sorriso enigmático da Mona Lisa faz por merecer a multidão de turistas e a enxurrada de flashes que a registram todos os dias no Museu do Louvre, em Paris. Criada por Leonardo Da Vinci no início do século XVI, a Gioconda é resultado da utilização de técnicas de pintura apuradíssimas e proporções corporais exatas, sem falar no famoso meio sorriso e no olhar enviesado. Mais do que uma revolução artística, porém, o que aquela criação testemunha é um período de transformações culturais e sociais que varreriam a Europa e dariam luz ao homem moderno.

Em geral, o Renascimento é celebrado por suas grandes obras na pintura, na escultura e na arquitetura. Artistas do quilate de Michelangelo, Rafael, Da Vinci, Botticelli, Caravaggio, Arcimboldo, El Greco, Bruegel, Bosch, entre tantos outros, reiventarama arte com novas noções de dimensão espacial, emprego das cores e valorização dos planos e contrastes, como o chiaroescuro, ornamentação detalhada e equilíbrio geométrico. Mais tarde, o conceito de renascença seria estendido à literatura, à filosofia e à ciência. Na escrita, Cervantes, Camões, Maquiavel, Montaigne e Erasmo detalhavam desejos, medos, qualidades e defeitos do ser humano e de sua moral. Era a razão se sobrepondo à fé. Descreviam a utopia de um homem novo e do mundo perfeito, num tempo em que sonhar era arriscado.

Foi também um momento de exacerbação da escatologia, do realismo grotesco e do vocabulário das ruas, presentes nas obras Gargântua (c. 1532) ePantagruel (c. 1564), de François Rabelais, a retratar celebrações e atos cômicos do cotidiano popular. Cientistas como Copérnico, Galileu, Vesalius e Kepler ajudavam a compreender os fenômenos da natureza pela própria natureza, e não mais por vontade divina. O homem, em vez de Deus, passava a ocupar o centro das atenções.

O historiador francês Jean Delumeau, em A civilização do Renascimento, afirma que este movimento ensinou o homem “a atravessar os oceanos, a fabricar ferro fundido, a servir-se das armas de fogo, a contar as horas com um motor, a imprimir, a utilizar dia a dia a letra de câmbio e o seguro marítimo”. Fez mais: despertou o interesse pelo conhecimento do corpo, definiu maneiras de pensar a política e o sagrado, permitiu a descoberta de terras e costumes no contato com outros povos, incentivou o avanço nas ciências e no modo de entender a ordem do mundo. Pintores, escultores e escritores representaram o cotidiano e os costumes de camponeses e citadinos, a natureza, os rituais da aldeia, as fases da vida, o trabalho diário, a produção e o preparo dos alimentos, as festas, as danças, os jogos, as feiras, as batalhas, a morte, o amor.

Mas qual terá sido o impacto prático do Renascimento para o homem comum?

O advento da imprensa – graças à invenção dos tipos móveis por Gutenberg na década de 1450 – tornou-se poderoso fator de transformação social, ao acelerar e expandir a circulação das ideias para um público cada vez mais extenso, incentivando o desenvolvimento da cultura letrada, ainda bastante limitada. Embora muitos fossem analfabetos, as informações eram repassadas pelos que liam e repetidas oralmente aos demais, contribuindo para alargar a visão de mundo e para reordenar os papéis a serem desempenhados pelos homens na sociedade.

Do macro ao micro, inovações tecnológicas mudaram o entendimento do mundo. Enquanto a teoria heliocêntrica provava que a Terra girava em torno do Sol (e não o contrário, como normalmente se acreditava), microscópios desvendavam seres desconhecidos ao olho humano. O estudo da dissecação de cadáveres, que permitia a mestres da arte pintarem e esculpirem figuras humanas em perfeição de detalhes, também gerava avanços na medicina. Entender a composição e o funcionamento do corpo – veias, ossos, músculos, órgãos internos e externos, sistemas digestivo, circulatório e respiratório – auxiliava na descoberta, na identificação e no tratamento de mazelas. Aos poucos, explicações sobrenaturais para as doenças, como espíritos malignos ou influência do demônio, eram substituídas por tratamentos racionais e científicos. Surgiram o termômetro e uma série de novos instrumentos e técnicas cirúrgicas, remédios químicos e minerais, a exemplo do mercúrio. Passou-se a produzir membros artificiais, como pernas e braços mecânicos, as suturas substituíram a cauterização de ferimentos. Popularizou-se a ideia do cuidado com a saúde, diminuiu a necessidade de amputações, aumentou a expectativa de vida.

Nos campos, o aperfeiçoamento de arados, alavancas de rosca e moinhos hidráulicos somava-se a métodos organizados de plantio e experiências vindas de outras regiões e continentes, efeito das grandes navegações. Resultado: aumentou a produção e a oferta de alimentos e amenizou-se o trabalho árduo na lavoura, com reflexos imediatos na saúde da população.

O tempo passou a ser contado com maior exatidão do que antes, quando o máximo de que se dispunha eram ampulhetas, quando não o badalar dos sinos das igrejas. O relógio mecânico, composto por complexa engrenagem de rodas denteadas, molas e ponteiros, tornava precisa a indicação de horas e minutos, aumentando o controle sobre as rotinas diárias. Tratados como verdadeiros objetos de arte, ficavam muitas vezes expostos em edificações e praças públicas, enfeitando a paisagem e ordenando os afazeres, fixando e disciplinando compromissos ou a contagem das horas trabalhadas.

A aplicação dos símbolos matemáticos + e –, em vez de escritos por extenso, o uso de frações decimais, a invenção da máquina de calcular por Blaise Pascal, em 1642, a padronização de pesos, medidas e valores monetários garantiam contas mais rápidas e a exatidão de quantidades e preços, auxiliando os registros comerciais de compra e venda de mercadorias.

O florescimento das cidades, a ascensão burguesa, as novas normas de convivência e civilidade e o fortalecimento do individualismo levaram a mudanças até nos casamentos, que começavam a respeitar as preferências de cada pessoa, ao contrário dos matrimônios arranjados da Idade Média. Extremamente sensível às transformações de seu tempo, coube a William Shakespeare criar o símbolo máximo dessa revolução: a tragédia de Romeu e Julieta (1597), dois jovens apaixonados que sacrificam suas vidas em nome do amor, pondo fim à milenar rivalidade entre suas famílias.

O teatro, por sinal, mobilizava grandes públicos e era um veículo importante para disseminar as mudanças de costumes. O próprio Shakespeare possuía, em sociedade, o Globe Theatre, localizado junto ao rio Tâmisa, na capital inglesa. As peças eram encenadas durante o verão e com dia claro, para garantir transporte à plateia até a outra margem do Tâmisa e se encerrar cedo, pelo risco de assaltos. Os cenários eram simples, com poucos adereços, e os papéis femininos ainda eram interpretados por homens, pois mulheres eram proibidas de representar. Elas também raramente apareciam na plateia. Algumas companhias realizavam turnês, levando os espetáculos, recheados de críticas sociais, para públicos que viviam longe das grandes cidades, divulgando novas ideias e aumentando o interesse popular pela arte.

Embora os efeitos do Renascimento se fizessem sentir principalmente nas cidades, os locais mais afastados também foram influenciados pelas transformações da época. A rotina dos camponeses e das classes populares nunca mais seria a mesma: na forma de comer, no modo de trabalhar, nas relações sociais, na crítica aos valores estabelecidos, na relação com Deus e com o clero. Um mundo com maior presença da razão começava a ganhar força e a moldar as raízes do homem contemporâneo.

Mas a soberania da razão não impede a renovação dos horrores humanos: guerras religiosas e pela formação de Estados, a miséria e a fome que se alastravam pela Europa, armas de fogo mais potentes, a violência da conquista de novas terras e povos, a escravização de africanos. Os questionamentos à ordem estabelecida também geraram reações conservadoras, principalmente da Igreja. A Inquisição foi intensificada, espalhando uma atmosfera de perseguição e medo nas sociedades sob a alçada do Santo Ofício, como Portugal, Espanha e Itália. Perseguiam-se bruxas, hereges, protestantes, homossexuais, descendentes de judeus e mouros, proibiam-se livros e a divulgação de valores contrários à moral cristã. Indivíduos eram denunciados, presos, processados e, no limite, condenados à morte. Não eram poucos os que continuavam a acreditar em superstições, na influência do diabo e nos castigos divinos como explicação para os problemas do dia a dia. Os pintores flamengos Hieronymus Bosch e Pieter Brueghel, em quadros como Juízo Final e O triunfo da Morte, retrataram os terrores que alimentavam o imaginário popular, recheado de monstros, doenças, demônios, fantasmas, vícios, seres híbridos, hermafroditas.

Se hoje as obras de arte renascentistas são conhecidas em todo o mundo, na época eram financiadas por mecenas e costumavam ficar restritas a poucos, enfeitando palácios ou residências burguesas. Foi em termos de impacto social e cultural que o Renascimento extrapolou todos os limites. “Penso, logo existo”, filosofou Descartes. Quando o pensamento humano se liberta, um novo mundo pode existir.

Angelo Adriano Faria Assisé professor da Universidade Federal de Viçosa e autor de João Nunes, um rabi escatológico na Nova Lusitânia: sociedade colonial e inquisição no nordeste quinhentista (Alameda, 2011), e de Macabeias da Colônia: Criptojudaísmo feminino na Bahia (Alameda, 2012).

Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/a-razao-brilha-para-todos

Veja o vídeo a seguir!

Galerinha do CONFHIC – São José: sobre a Avaliação Parcial nº 1

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Galerinha, confirmando o que falei em sala, para se preparar para a avaliação do dia 22 de fevereiro, o assunto central é FEUDALISMO.

Fontes de estudo:

– seu livro didático;

– apostila dos conceitos: especificamente, leia sobre os conceitos de ACULTURAÇÃO – CULTURA – CONTEXTO HISTÓRICO – ETNIA/RAÇA/ETNOCENTRISMO – GENOCÍDIO/ETNOCÍDIO e HIBRIDISMO CULTURAL;

– Atividade 01 – os dois textos;

– todos os posts do BLOG que foram disponibilizados para você.

Faça a sua parte e os bons resultados serão conquistados!

Como diz o povo, trabalhe, porque o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

Abração!

Galerinha do CONFHIC – São José: sobre Feudalismo e Xadrez

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Alunos aprendem História jogando xadrez

O professor Luis Fernando Branco, do Colégio Santa Maria, ensina a organização social na Idade Média por meio das peças do jogo

CURIOSIDADESVIDA URBANA – POR ALINE RIBEIRO – 03/05/2013

 

 

Aula de História no Colégio Santa Maria. O professor Luis Fernando Branco usa o xadrez para ensinar a disciplina a alunos do 7º ano (Foto: Divulgação)

Desde janeiro, os alunos do 7º ano do Colégio Santa Maria, em São Paulo, estão aprendendo História de uma forma lúdica: jogando xadrez. A ideia de associar o jogo à disciplina é do professor Luis Fernando Branco, de 26 anos, formado pela Universidade de São Paulo (USP). Ele relaciona as peças do jogo – rei, rainha, torres, bispos, cavalos e peões – à organização social na Idade Média. “Além de estimular o raciocínio, o xadrez é um elemento concreto para trabalhar as relações da sociedade feudal”, afirma. “É especialmente importante nesta faixa etária em que o pensamento abstrato ainda não está formado”.

Quando o xadrez chegou à Europa Medieval, no século X, suas peças foram adaptadas para a realidade feudal. Popular, o jogo despertou a atenção de reis e membros do alto clero da Igreja Católica. Eles passaram então a criar tratados sobre o xadrez, na tentativa de difundir valores morais e políticos pela sociedade. Ao longo dos quatro séculos seguintes, o jogo ganhou a forma como é disputado hoje. “Cada peça expressa um tipo de relação política dos tempos medievais”, diz. “A própria movimentação no tabuleiro diz muito sobre o poder dos personagens”.

 

As metáforas com o mundo medieval

O jogo
É o retrato da sociedade feudal. Representa o drama do homem medieval para manter uma conduta adequada aos valores morais da época. Numa vida permeada por vícios e deslizes, o xadrez se torna símbolo de algo virtuoso. Vencer no xadrez significa derrotar os pecados que acometem o homem.

O rei
Peça principal do jogo. Por simbolizar a sabedoria e a justiça divina, movimenta-se em qualquer direção no tabuleiro. Só pode, porém, avançar uma casa por jogada, o que indica seu poder político limitado – assim como na Idade Média, quando o poder era descentralizado.

A rainha
Move-se para qualquer casa ao longo da coluna, fileira ou diagonal que ocupa. Como fiel escudeira do rei, seu papel é abrir caminhos para que ele governe com tranquilidade. Sua outra faceta, no entanto, revela uma mulher cheia de artimanhas. É ao mesmo tempo tida como santa e pecadora.

O bispo
Percorre qualquer casa ao longo de uma diagonal que ocupa. É a Igreja Católica, autoridade divina, que protege o casal real e estabelece uma aliança entre o clero e a nobreza. A relação deve ser harmoniosa para não perder o jogo.

A torre
Pode percorrer um número ilimitado de casas na horizontal ou vertical. Assim como o castelo dos senhores feudais, tem a função de manter a ordem e a justiça.

O cavalo
Só pode se movimentar em L. Representa os nobres cavaleiros que, apesar de justos (quando anda para frente), cometem deslizes (quando anda para o lado).

O peão
Movimenta-se para frente, só uma casa por vez. Simboliza os trabalhadores e sua lenta ascensão social. O ataque na diagonal mostra suas escolhas pecaminosas para vencer na vida.

 

Fonte:

http://epocasaopaulo.globo.com/vida-urbana/alunos-aprendem-historia-jogando-x

Galerinha do CONFHIC – São José 2015: 03 textos sobre a INQUISIÇÃO

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Inquisição

Publicado por: Rainer Gonçalves Sousa em Idade Média1 comentário

A tortura era considerada pelos inquisidores como uma forma de se buscar a confissão do pecador.

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Nas últimas décadas do século XIII a Igreja era uma instituição religiosa fortemente consolidada no continente europeu. O apoio do Estado e sua condição de formadora da elite intelectual da época garantiam uma influência de grande força entre os vários segmentos da sociedade ora vigentes. Contudo, vemos que nesse mesmo período ocorreram conturbações de cunho teológico que perturbava a hegemonia cristã nesses tempos.

Vez ou outra, os movimentos heréticos apareciam oferecendo um modelo de fé e devoção religiosa que escapava das esferas de controle da própria Igreja. Foi justamente mediante essa situação que, já no ano de 1219, uma confraria de origem dominicana estabeleceu a criação da chamada Milícia de Jesus Cristo. Visando defender a pureza do catolicismo, os integrantes desse grupo realizaram a matança de comunidades inteiras ao longo do período medieval.

Apesar da importância desse primeiro momento, como um passo inicial no desenvolvimento da Inquisição, vemos que ela atingiu o seu auge nos séculos integrantes da Idade Moderna. Nesse período, a perseguição aos judeus e a ascensão das religiões protestantes serviu de incentivo para que o chamado Tribunal do Santo Ofício fosse criado com o objetivo de vasculhar diversas regiões embusca de infratores que representassem algum tipo de ameaça à hegemonia cristã.

Nessas situações, o tribunal contava com a força das autoridades locais que cediam militares e instalações onde pudessem realizar seus processos de investigação. Ao mesmo tempo, devemos destacar a delação anônima como outro importante artifício capaz de indicar as pessoas que fossem suspeitas de adotarem alguma prática de natureza anticristã. Muitas vezes, as delações eram tomadas como verdade, sem que antes para isso, houvesse a apresentação de qualquer indício.

Mesmo que não chagasse a ser morto em uma fogueira, o simples fato de uma pessoa ter passado por um processo inquisitorial determinava um enorme desprestígio. Não raro, um acusado poderia ter suas possessões confiscadas, perdia direitos políticos ou era obrigado a se mudar para outra localidade. Geralmente, as acusações feitas pela Inquisição aconteciam envolvendo crimes de atentado contra os preceitos morais da época ou contra os dogmas instituídos pela Igreja.

A realização das torturas acontecia como um meio de se obter a confissão. Sob tal aspecto, vale ressaltar que o uso da punição física era anterior à própria Inquisição e que ela assumia um sentido religioso. A condenação do corpo era considerada uma forma de purificação necessária para que o réu pudesse reconhecer seus crimes e se libertar das forças malignas que o instigavam a ocultar sua falta. Desse modo, não podemos determinar o sadismo ou perversidade como as duas únicas explicações para a tortura.

A queima na fogueira foi uma das mais expressivas ritualizações do poder exercido pelo Tribunal da Santa Inquisição. Antes de morrer, caso reconhecesse os seus pecados, o acusado sofria enforcamento antes de ter seu corpo carbonizado. No entanto, se reafirmasse inocência, o condenado era queimado vivo. Os autos de fé eram as celebrações onde geralmente tais penas eram aplicadas e as publicações consideradas proibidas, também eram consumidas pelas chamas.

Somente no século XVIII é que o movimento de Inquisição começou a perder seu terreno ao ser proibido em diversas partes do continente europeu. Ainda assim, a Igreja mantinha órgãos de vigilância que poderiam punir os hereges ou descumpridores do dogma cristão com penas mais leves, como a excomunhão. De fato, o desenvolvimento da Inquisição revela-nos um episódio marcado pela problemática chaga da intolerância religiosa.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

http://www.mundoeducacao.com/historiageral/inquisicao-1.htm

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      Memórias da Inquisição

Inaugurado em Belo Horizonte, museu conta a história da Inquisição no Brasil. Instituição dedica uma das salas às vítimas dos tribunais religiosos no país

Gabriela Nogueira Cunha

6/9/2012

  • Tudo começou com um casamento. Instaurada na Espanha desde 1478, a Inquisição moderna só chegou a Portugal em 1496, quando o rei D. Manuel I casou-se com a viúva castelhana Maria de Aragão. Pressionado pelas cláusulas do matrimônio, ele teceu o primeiro golpe: ordenou a expulsão dos judeus que se recusassem a conversão ao catolicismo. A consolidação das leis, do Santo Ofício e dos autos-de-fé, porém, veio apenas em 1536 – como consequência de uma série de difíceis negociações desencadeadas pelo sucessor do trono D. João III – alastrando-se por todo o Império.

A partir disto, o Brasil tornou-se palco da imigração de milhares de portugueses, entre judeus e outros considerados hereges que fugiam de perseguições, torturas e execuções. Para contar parte desta história, a Associação Brasileira dos Descendentes de Judeus da Inquisição (Abradjim) inaugurou, no último 21 de agosto, o primeiro Museu da História da Inquisição do Brasil, em Belo Horizonte (MG).

Ao contrário do que aconteceu na América espanhola – em colônias como México, Peru e Colômbia – e na Índia portuguesa, não existiu no Brasil um oficial tribunal da Inquisição. Como se tratava do início da colonização e a população era pequena, apenas tribunais itinerantes foram criados durante as famosas visitas do Santo Ofício, em fins do século XVI e começo do XVII, para tratar das acusações mais leves. Aqui, a Inquisição teve seu marco inicial em 1591, com a visita do inquisidor português Heitor Furtado de Mendonça [o assunto é amplamente discutido na edição “Inquisição à brasileira” da Revista de História].

Homenagem atemporal
Para o historiador Daniel Rebouças, a construção do museu aparece como peça fundamental na história do povo judeu, que viu na colônia recém-criada de outrora uma válvula de escape, e elogia a iniciativa. “A fundação de um museu desta natureza é fundamental, quer para a história do povo judeu, quer para o conhecimento da história do Brasil colonial. Ao resgatar parte da história dos judeus no Brasil, em especial no seu momento de maior perseguição e intolerância religiosa, um público mais ampliado toma conhecimento do sofrimento e principalmente da luta desses indivíduos ante uma realidade adversa. Iniciativas como essa coroam os esforços de décadas  de pesquisadores e descendentes dos judeus no Brasil”. Num momento inicial, todos os judeus foram obrigados a se converter ao catolicismo, sendo conhecidos como “cristãos-novos”. Temendo à morte por não seguirem a fé católica, muitos deles fugiram para cá.

Apesar de contar uma história antiga, o Museu da Inquisição pode ser fonte de debates atuais acerca de tolerância e diversidade religiosa, comenta o pesquisador: “Ainda hoje, se assiste a uma série de discursos de demonização e ações violentas contra grupos religiosos de matrizes africanas, principalmente por parte de determinados grupos cristãos. Resgatar essa memória histórica de perseguição, feita pela Inquisição aos judeus, é contribuir para o fim de da intolerância, preservando a livre expressão de fé. É nesse sentido que o Museu da Inquisição pode atrair e ter significado para além daqueles ligados ou interessados na História”.

O acervo e o “Memorial dos Nomes”
As linhas da Inquisição são pouco a pouco desenroladas no museu através de painéis, gravuras e pinturas de artistas como o espanhol Francisco Goya e o francês Bernard Picart, além da exposição de documentos, livros e objetos antigos do século XVI ao XIX e réplicas de alguns equipamentos de tortura em tamanho real como o polé, o pôtro e o garrote.

Uma sala especial do museu foi dedicada aos brasileiros vítimas da Inquisição. No chamado “Memorial dos Nomes” contam os nomes completos e os números dos processos de condenação das vítimas da intolerância religiosa que marcou o país.

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     Texto 3

 

Sobre a Inquisição –

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Publicado em novembro 13, 2013

Instrumentos de dor e dominação

Exposição inédita no Brasil traz mais de 50 peças originais utilizadas na Inquisição, como a donzela de ferro

Janine Justen

1/9/2013

  • Depois de passar por mais de dez países, como Rússia, Alemanha, Polônia, Portugal e Argentina, e de ter recebido cerca de 1 milhão de pessoas, a exposição “Instrumentos medievais de tortura, período da Inquisição” chega ao Brasil. Em cartaz no Museu Municipal de Arte de Curitiba até o dia 6 de outubro, a mostra traz mais de 50peças originais, restaurações e réplicas de instrumentos de tortura que foram utilizados do século XIII ao XVII.

“O objetivo da mostra é fazer com que os visitantes reflitam sobre a opressão humana em suas faces mais radicais e cruéis. O poder das instituições, inclusive religiosas, sobre o indivíduo, sua mente e seu corpo”, afirma Mauro Tietz, diretor de patrimônio cultural da Fundação Cultural de Curitiba. Para ele, as peças, vindas em sua maioria da Europa ocidental, provocam reações diversas, do assombro à admiração.

A donzela de ferro (cápsula de ferro com espetos capaz de enclausurar um homem), o triturador de cabeças (barra de ferroque esmagava crânios lentamente) e a cadeira inquisitória (um assento de ferro, que poderia ser aquecido, repleto de agulhas) são alguns dos instrumentos de tortura em exposição. Utilizado no Brasil durante todo o período colonial, o pelourinho também está lá, apesar de ter tido apelo inquisitorial apenas em Portugal.

“Como nunca houve tribunal da Inquisição aqui, os réus eram enviados pelos visitadores ou comissários do Santo Ofício para Lisboa. Tortura havia, sim, nas fazendas escravistas. Mas aí é outro assunto”, esclarece o professor da UFF Ronaldo Vainfas, que estudou as visitações inquisitoriais no Brasil Colônia.

Trazida da Itália pela Associação Ricercatori Storici,a mostra também aborda grandes personagens da história perseguidos à época, como Joana d’Arc, morta em 1431, Nicolau Copérnico, censurado ao apresentar a teoria heliocêntrica, e Galileu Galilei, condenado à prisão e obrigado a retratar-se por sustentar a teoria de Copérnico.

Sem querer justificar os atos, Vainfas sugere, entretanto, fugir do erro de interpretar o passado com o pensamento atual. “A Inquisição existiu em uma época na qual não havia direitos humanos. A pena de morte era legítima e pública. A escravidão era legalizada. A tortura era uma técnica de interrogatório que todos sabiam que estava em prática”.

“Os abusos praticados pela Igreja na Idade Média com o intuito de manter e alargar seu poder, sem dúvida, são fatores que levaram ao acirramento das críticas contra os representantes do catolicismo”, argumenta Angelo Assis, que frisa a atualidade do tema apesar do hiato temporal. “A intolerância religiosa, infelizmente, é motivo de conflitos em várias regiões no mundo de hoje”, completa.

Saiba Mais

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/em-dia/instrumentos-de-dor-e-dominacao

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