Para a galerinha do CONFHIC – Colégio São José

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O ensino da História e a construção de CONCEITOS.

 

Esta apostila destina-se a apoiar e fundamentar teoricamente os estudos de alguns conceitos essenciais que se articulam aos conteúdos selecionados para este ano letivo.

Mais do que uma listagem de conceitos, o desejo é que sirva como elemento provocador e ponto de partida para ampliarmos nossos estudos.

Sem qualquer intenção “dicionaresca”, pretendo que você se aproprie de conceitos importantes para a compreensão dos processos históricos que estudaremos a partir de sua chegada ao Ensino Médio.

A seguir, você encontrará os conceitos mais significativos, seguidos de pequenos textos explicativos que pretendem provocar a sua reflexão acerca do alcance e da dimensão do que a história tem a nos ensinar.

Boa leitura!

                                                                    Prof. Paulo Leite

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_________________________Aculturação_______________________________

O conceito de aculturação foi durante muito tempo utilizado para se avaliar o processo de contato entre duas diferentes culturas. Entretanto, a utilização desse tipo de categoria vem sendo cada vez mais criticada e combatida por antropólogos e outros especialistas das ciências humanas. Em geral, a crítica realizada a esse conceito combate a ideia de que uma cultura desaparece no momento em que entra

em contato com os valores de outras culturas.
No entanto, essa premissa se mostra completamente equivocada por compreender que a cultura consiste em um conjunto de valores, práticas e signos imutáveis no interior de uma sociedade. Estudos de natureza histórica e antropológica, principalmente a partir da segunda metade do século XX, demonstraram que as sociedades humanas estão constantemente reorganizando suas formas de compreender e lidar com o mundo. Dessa forma, a cultura não pode ser vista de uma forma estática.

Um dos mais claros exemplos desse processo pode ser visto com relação às comunidades indígenas brasileiras. No começo do século XX, as autoridades oficiais acreditavam que a ampliação do contato entre brancos e índios poderia, em questão de décadas, extinguir as comunidades indígenas. Contudo, o crescimento das comunidades indígenas – a partir da década de 1950 – negou o prognóstico do início daquele século.

Dessa forma, devemos compreender que a cultura é um processo dinâmico e aberto em que hábitos e valores são sistematicamente ressignificados. Por isso, a ideia de aculturação não pode ser vista como o fim de uma cultura, pois não há como pensar que um mesmo grupo social irá preservar os mesmos costumes durante décadas, séculos ou milênios. A cultura de um povo, para manter-se viva, deve ser suficientemente livre para conduzir suas próprias escolhas, inovações e permanências.

http://www.mundoeducacao.com.br/sociologia/aculturacao.htm

_____________________________ Cultura_____________________________

Cultura é uma construção histórica, seja como concepção, seja como dimensão do processo social. Ou seja, a cultura não é “algo natural”, não é uma decorrência de leis físicas ou biológicas. Ao contrário, a cultura é um produto coletivo da vida humana. Isso se aplica não apenas à percepção da cultura, mas também à sua relevância, à importância que passa a ter. Aplica-se ao conteúdo de cada cultura particular, produto da história de cada sociedade. Cultura é um território bem atual das lutas sociais por um destino melhor.

(…) é comum que cultura seja pensada como algo parado, estático. Vejam o caso de eventos tradicionais, que por serem tradicionais podem convidar a serem vistos como imutáveis. Apesar de se repetirem ao longo do tempo e em vários lugares, não se pode dizer que esses eventos sejam sempre a mesma coisa. Assim, o carnaval brasileiro, por exemplo, tanto se transformou do início do século para cá, quanto se realiza de modo diverso em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador ou Recife. O fato de que as tradições de uma cultura possam ser identificáveis não quer dizer que não se transformem, que não tenham sua dinâmica. Nada do que é cultural pode ser estanque, porque a cultura.

[…] Cultura está muito associada a estudo, educação, formação escolar. Por vezes se fala de cultura para se referir unicamente às manifestações artísticas, como o teatro, a música, a pintura, a escultura. Outras vezes, ao se falar na cultura da nossa época ela é quase identificada com os meios de comunicação de massa, tais como o rádio, o cinema a televisão. Ou então cultura diz respeito às festas e cerimônias tradicionais, às lendas e crenças de um povo, ou a seu modo de se vestir, à sua comida a seu idioma. A lista pode ser ampliada.

Já eu tenho falado de cultura de maneira mais genérica, preocupado com tudo o que caracteriza uma população humana. Não há por que nos confundirmos com tanta variação de significado. O que importa é que pensemos sobre os motivos de tanta variação, que localizemos as ideias e temas principais sobre os quais elas se sustentam. Vamos então cercar o assunto, localizar os sentidos básicos da concepção de cultura, mostrar como eles se desenvolveram. A partir disso, nós poderemos entender afinal o que é cultura e dar andamento às nossas discussões.

O que é cultura / José Luiz dos Santos.

________________________Contexto histórico_________________________________

De forma objetiva, compreende-se o conceito como uma observação histórica de como se encontra um determinado local, em determinada época, quando ocorrem os fenômenos históricos. Ao se estudar, por exemplo, uma obra literária, devemos buscar entender o que acontece no local em que a história se passa, como as pessoas vivem, de que forma se pensa, como as pessoas se relacionam etc.

_______________________________Democracia______________________________

Nenhum termo do vocabulário político é mais controverso que Democracia. Empregado pela primeira vez por Heródoto há quase dois mil e quinhentos anos, a significação do vocábulo tem variado e se transmutado; na prática, através dos períodos históricos, e em teoria nas obras de todos os autores.

A desordem começa na etimologia da palavra e espalha-se em regimes que são ou se dizem democráticos e diferem entre si como termos antônimos. Alguns a definem gramaticalmente, e então se percebe que ela nunca existiu e talvez nunca existirá.Outros procuram descrevê-la tal como ela é, e então verificam que houve e há tantas democracias quantos Estados a praticaram e praticam. E há ainda os que a conceituam tal como devia ser, e nessa perspectiva, a inteligência e a imaginação criam sistemas que vão do provável ou possível até magníficas ou atrozes utopias.

Existem muitas definições, portanto. Porém, parece-me comum a todas estas um alicerce que sustenta ser a democracia um regime em que o povo se governa a si mesmo, quer diretamente, quer por meio de funcionários eleitos por lê para administrar os negócios públicos e fazer as leis de acordo com a opinião geral, ou seja, um regime político, uma forma de vida social, um método de existência e cooperação entre indivíduos membros de uma organização estatal.

Baseia-se, na ideia de que cada povo é senhor de seu destino, tem o direito de viver de acordo com as leis que livremente adotar e de escolher livremente a pessoas que, em nome dele e de acordo com a opinião dele, hão de tratar dos interesses coletivos. A democracia, pois, supõe a liberdade e a igualdade.

Aliás, a igualdade perante a lei é inerente à democracia. Portanto, mesmo quando se afirma que todos são iguais perante a lei, ela não significa um tratamento absolutamente igual a todos, pois sendo os homens diferentes, isso seria a suprema desigualdade. Devendo ser igual para todos, a lei procura tratar cada um conforme ele é realmente; ideal difícil de atingir, mas do qual as boas leis democráticas tentam se aproximar sempre mais

Tipos de Democracia

Direta:

As chamadas democracias gregas, cuja verdadeira noção se assemelha a aristocracias, eram diretas ou participativas, ou seja, os cidadãos reuniam-se frequentemente em assembleia para resolver os assuntos mais importantes do governo da cidade, tais como declarar a guerra e fazer a paz, escolher magistrados e funcionários, julgar certos crimes etc.

Várias razões permitiram a forma direta de governo do povo pelo povo nos Estados gregos. Em primeiro lugar, a pequena extensão desses Estados, que eram realmente cidades, o que facilitava a reunião frequente de todos os cidadãos. Em segundo lugar, o número desses cidadãos era pequeno, pois a maior parte da população era escrava ou não tinha direito de voto (crianças, mulheres e estrangeiros). Por fim, os assuntos a resolver eram poucos e de caráter geral. Além de que, com base no sistema escravista, o cidadão grego tinha muito tempo disponível para participar das assembleias.

Indireta

Nenhuma dessas condições existe no mundo moderno. Os Estados têm geralmente um grande território, grande população e os negócios públicos são numerosos, complexos,de natureza técnica, só acessíveis a indivíduos mais ou menos cultos e especializados. O número de eleitores nos grandes Estados modernos, como no Brasil, por exemplo, é de muitas dezenas de milhões de cidadãos, espalhados em cerca de oito milhões e meio de quilômetros quadrados. Evidentemente, não seria possível reunir dezenas de milhões de homens para discutir e votar. O governo direto é, pois, praticamente impossível. Além disso, o homem moderno vive entregue a seus afazeres, tem profissão absorvente, não poderia dispor do tempo necessário para discutir e votar milhares de assuntos em dezenas de reuniões anuais.

Necessariamente, pois, as democracias modernas teriam de ser representativas, isto é, o povo não decide diretamente das coisas públicas, do governo, mas sim por meio de representantes eleitos por ele. Ou melhor, o Poder Executivo e o Legislativo não são exercidos diretamente pelos cidadãos, mas sim por pessoas especialmente eleitas para isso.

Semidireta

A democracia indireta ou representativa é o sistema comum de governo dos Estados modernos. Nos últimos decênios, porém, a doutrina política e a legislação constitucional preconizaram e adotaram modificações sensíveis no regime representativo, surgindo uma terceira modalidade de democracia, a democracia semidireta. É um sistema misto, que guarda as linhas gerais do regime representativo, porque o povo não se governa diretamente, mas tem o poder de intervir, às vezes, diretamente na elaboração das leis e em outros momentos decisivos do funcionamento dos órgãos estatais, através de alguns institutos, como o referendo, plebiscito, iniciativa, direito de revogação e o veto.

http://www.pesquisedireito.com

______________________Escravidão/trabalho compulsório_______________________

A escravidão é uma das instituições sociais mais antigas da história da humanidade. Presente em diversas sociedades, essa forma de relação entre pessoas tem sido encontrada no mundo antigo, medieval, adentrando por toda a idade moderna.

Porém, apesar da sua longevidade, ela não foi sempre a mesma, pois tem suas especificidades históricas. No senso comum, a palavra escravo (e escravidão) está associada com uma série de situações humilhantes ou formas degradantes de trabalho, pois, via de regra, os escravos não tinham de fato condições dignas de vida ou trabalho. Contudo, é preciso se apropriar um pouco mais de algumas características dessa instituição social.

Numa definição geral, a escravidão aparece quando existe um modo de exploração em que um grupo ou classe distinta se renova continuamente a partir da exploração da outra. Em outras palavras, o trabalho compulsório (obrigatório) de uma pessoa ou grupo é a base da organização social de uma sociedade. Assim, tanto a Grécia Antiga, os Egípcios, os Romanos, sociedades africanas, as sociedades de colonização da América, entre outras, fizeram uso do trabalho escravo. As formas de se obter um escravo podiam variar, indo desde a captura, resultado de disputas de guerra ou um comércio sistemático, como foi o caso da escravidão na África depois dos europeus.

Outro elemento importante é o que determina a condição de escravo, fazendo-o diferente de outras formas de opressão. Existe um status jurídico que condiciona uma pessoa a ser escravo, baseado na ideia que um escravo é uma propriedade do senhor, equivalendo a um bem material como qualquer outro. Como dito, o que tornaria um homem propriedade de outro conheceu diversas variações na história.

Isso leva a discussão sobre a noção de escravo-coisa, que não teria espaço para expressar suas vontades, desejos, etc. Porém, é preciso relativizar essa noção. Se um escravo era um bem comercializável pelo senhor, essa condição jurídica não anulava a realidade concreta daqueles indivíduos. Se o objetivo dos escravagistas era desumanizar os escravos, criando um discurso de escravo-coisa, isso na verdade mascarava uma realidade social em que a face humana do escravo era considerada, havendo espaços para negociações entre os dois polos. Como pontuam alguns autores: a escravidão ultrapassa a esfera jurídica, sendo uma “instituição [que] apresenta uma face cotidiana e tensa, com diferentes formas de negociações e conflitos. Nesse sentido, a escravidão é um sistema social dinâmico, sujeito a mudanças e lutas…”

Outro problema na definição de escravo é que a distinção entre livres e não-livres não foi sempre a mesma. No mundo antigo, por exemplo, os gregos e romanos utilizavam mais a divisão jurídica racional, enquanto egípcios, alguns povos árabes e chineses utilizavam para demarcá-los algum estigma físico ou social, ou então associavam escravos com aspectos raciais, como a cor da pele. Foi na época moderna, a partir das grandes navegações no século XVI, a escravidão ganhou uma forte associação com a cor negra.

Nessa época, as relações estabelecidas entre a escravidão negra e o pensamento cristão foram importantes para sua perpetuação no mundo ocidental. Para uma boa parte desse pensamento, desde meados da idade média e início da época moderna, a escravidão era associada ao pecado original do homem, fazendo parte da ordenação “natural” do homem e da sociedade. Além dessa formulação básica, outros discursos ajudavam a perpetuação dessa instituição. Em primeiro lugar, mesmo diante dos evidentes maus tratos dados aos escravos mantinham-se a ideia de resignação dos homens ante ao destino. A reclamar da punição física ou buscar o desejo de libertação não deveriam ocupar as mentes dos escravos, pois nessa perspectiva, o centro de tudo estava na salvação da alma. Utilizando uma perspectiva transcendental de liberdade, defendia-se que a verdadeira escravidão seria da alma e não do corpo, perspectiva que evidentemente não casava com as necessidades imediatas dos negros escravizados.

Já em meados da Idade Moderna, principalmente a partir do século XVII, com o avanço do secularismo, essa associação entre escravidão e pecado vai perdendo força. Em seu lugar, começaram a aparecer discursos que pregavam a felicidade dos indivíduos, o direito de dispor sobre suas vontades ou mesmo que a condição de escravo era contrária à condição natural do ser humano. Essas novas leituras iram reforçar os discursos, no século XIX, a favor do abolicionismo e na condenação da prática da escravidão no mundo Ocidental. Se ainda assistimos a práticas de escravidão no Brasil, mesmo depois de mais de cem anos da abolição, a noção de escravidão e escravo não é sempre a mesma coisa. Isso, obviamente, não invalida a discussão, mas pelo contrário, torna o tema fundamental. A chave, neste caso, é conhecer como cada sociedade se relaciona com essa instituição milenar.

Daniel Rebouças.

____________________Etnia/Raça / etnocentrismo______________________

Ao se falar de raça e etnia muitas pessoas demonstram total falta de base teórica ou então ideias distorcidas sobre a questão, hoje é sabido que do ponto de vista biológico todas as ideias de racialização humana caíram por terra, não existem raças humanas, mas apenas a espécie (raça humana), porém a construção social feita a partir destas ideias permanece no imaginário popular e principalmente os efeitos nefastos de todas estas hoje sabidamente equivocadas ideias na vida de milhões e milhões de pessoas ao redor do mundo, em especial nos reportamos ao Brasil. Para eliminar os efeitos destas ideias equivocadas é preciso, porém antes, conhecer como foi realmente montada a ideia de raça e seus conceitos. Hoje nos remetemos as questões étnicas (povos), a discussão de raça não faz mais sentido a não ser do ponto de vista dos seus efeitos na construção social.

Uma etnia ou grupo étnico é em um sentido amplo uma comunidade humana definida por afinidades linguísticas, culturais e genéticas. Estas comunidades comumente reclamam para si uma estrutura social, política e um território. Etnia se usa às vezes erroneamente como um eufemismo para raça, ou como um sinônimo para grupo minoritário.

Raça é um conceito que tem sido associado ao de etnia. Porém, etnia compreende os fatores culturais (nacionalidade, afiliação tribal, religiosa, língua ou tradições) e biológicos de um grupo humano, raça especificamente alude aos fatores morfológicos distintivos desses grupos humanos (cor de pele, compleição física, estatura, traços faciais, etc.) desenvolvidos em seu processo de adaptação a determinado espaço geográfico e ecossistema (clima, altitude, flora, fauna, etc.) ao largo de várias gerações.

Historicamente, a palavra “etnia” significa “gentio”, proveniente do adjetivo grego “ethnikos.” O adjetivo se deriva do substantivo ethnos, que significa gente ou nação estrangeira. O substantivo deixou de estar relacionado com “Pagão” em princípios do sec. XVIII. O uso do moderno sentido da palavra começou na metade do sec. XX.

O etnocentrismo é um conceito antropológico complexo, segundo o qual o julgamento ou visão de um grupo ou pessoa é baseado em valores e padrões seguidos pelo grupo social de origem desses indivíduos que realizam o julgamento.

Neste caso o julgamento é entendido como uma avaliação da cultura de outro grupo social por exemplo. Vamos supor que em uma sociedade todas as mulheres se vistam de amarelo, e uma mulher pertencente a outro grupo social faça uma visita ao grupo dos “amarelos”. Este último pode realizar um julgamento tendo como base apenas o seu padrão de vestimentas, podendo realizar um julgamento preconceituoso devido a isso.

O etnocentrismo geralmente leva a problemas de entender a diferença entre os povos e também pode ser a causadora ou a acentuadora de profundos conflitos sociais e éticos.

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________________________Genocídio /Etnocídio________________________

O termo “genocídio” foi criado como um conceito específico para designar crimes que têm como objetivo a eliminação da existência física de grupos nacionais, étnicos, raciais, e/ou religiosos. Em contraste direitos humanos. Genocídio tem sido definido como o assassinato deliberado de pessoas motivado por diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e (por vezes) políticas.

No Brasil a Lei no. 2.889, de 01 de outubro de 1956, define o crime de genocídio e dá suas penas. É considerado crime de genocídio: Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal: a) Matar membros do grupo; b) Causar lesão leve à integridade racial ou física de membros da dupla; c) Submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial; d) Adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; e) Efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo;

Já a palavra etnocídio, foi introduzida recentemente para qualificar a imposição forçada de um processo de aculturação a uma cultura por outra mais poderosa, (choque cultural), quando esta conduz à destruição dos valores sociais e morais tradicionais da sociedade dominada, à sua desintegração e, depois, ao seu desaparecimento.

Sinteticamente etnocídio é a AÇÃO que promove ou tende a promover a destruição de uma etnia ou grupo étnico, trata-se da destruição dos índios pelos não índios, esta destruição não está circunscrita somente a eliminação física de indivíduo ou de grupo. Sua característica essencial está nessa ACULTURAÇÃO forçada de uma etnia ou grupo étnico, por outra cultura mais poderosa, levando, em ultima instância, o desaparecimento de uma ou de outro.

http://www.progresso.com.br/opiniao/wilson-matos/genocidio-e-etnocidio-dos-povos-indigenas

________________________Hibridismo cultural_________________________

O hibridismo cultural é um fenômeno histórico-social que existe desde os primeiros deslocamentos humanos, quando esses deslocamentos resultam em contatos permanentes entre grupos distintos. O continente latino-americano é um lugar por excelência para a ocorrência do hibridismo cultural, porque é um espaço de imigração e migração desde eras remotas. Todo sujeito migrante é um sujeito híbrido, porque, quando deixa sua terra, torna-se diferente, pois os outros homens que encontra na terra estrangeira têm outros costumes e outras crenças; ouve outro tipo de música e dança em outro ritmo. O ritmo que trouxe une ao que encontra e inicia o processo de hibridismo cultural. A palavra sujeito aqui, neste texto, tem o significado de grupo ou comunidade.

http://seer.fclar.unesp.br

___________________________Miscigenação____________________________

Não existe na atualidade nenhum grupo humano racialmente puro. As populações contemporâneas são o resultado de um prolongado processo de miscigenação, cuja intensidade variou ao longo do tempo.

Miscigenação é o cruzamento de raças humanas diferentes. Desse processo, também chamado mestiçagem ou caldeamento, pode-se dizer que caracteriza a evolução do homem. Mestiço é o indivíduo nascido de pais de raças diferentes, ou seja, apresentam constituições genéticas diferentes.

Esses conceitos, porém, são ambíguos, como o próprio conceito de raça. O filho de um alemão e uma sueca, por exemplo, não é considerado mestiço, mas sim alemão ou sueco, conforme o meio em que ocorrer sua socialização. O filho de um alemão e uma vietnamita, ao contrário, será considerado mestiço (eurasiano), seja qual for o meio em que se der sua integração. Popularmente, considera-se miscigenação a união entre brancos e negros, brancos e amarelos, e entre amarelos e negros, ou seja, os grandes grupos de cor em que se divide a espécie humana e que, na concepção popular, são tidos como “raças”. Brancos, negros e amarelos, no entanto, não constituem raças no sentido biológico, mas grupos humanos de significado sociológico que o senso comum identifica por um traço peculiar — no caso, a cor da pele.

Na história do Brasil, a ocorrência da mestiçagem é bastante pronunciada. Esse fato gerou uma identidade nacional singular e um povo marcadamente mestiço na aparência e na cultura.

Os ancestrais indígenas do brasileiro contemporâneo caracterizavam-se mais pela diversidade do que pela homogeneidade, enquanto os portugueses provinham de um processo de caldeamento secular e variado, no qual se destacam contribuições dos fenícios, gregos, romanos, judeus, árabes, visigodos, mouros, celtas e escravos africanos. É difícil precisar a origem dos negros trazidos da África para o Brasil, mas é sabido que provieram de diferentes tribos e nações.

http://www.coladaweb.com

________________________________Capitalismo______________________________

Podemos definir Capitalismo como um sistema econômico surgido no Ocidente, na Idade Moderna, que se expandiu pelo mundo contemporâneo nos séculos seguintes. Assim, pensar o Capitalismo é uma forma de compreender o presente. Hoje, é esse o sistema econômico que impera em uma escala praticamente global, rompendo fronteiras e culturas. Mas para entendermos sua hegemonia no mundo contemporâneo, precisamos refletir sobre suas origens.

Historicamente, o Capitalismo assumiu diversas fases. Surgiu como Capitalismo comercial, fase chamada de mercantilista, entre os séculos xvi e xviii, e sobre a qual alguns autores discordam se constituiu de fato uma etapa propriamente capitalista ou se deve ser interpretada apenas como um período de transição entre estruturas feudais e estruturas capitalistas; a segunda fase do Capitalismo é o momento em que ele atingiu com vigor a produção industrial. Era o Capitalismo industrial de livre concorrência, característico dos primeiros avanços da Revolução Industrial na Inglaterra de fins do século xviii e grande parte do século xix. A seguir, surgiu o Capitalismo monopolista, típico do imperialismo dos anos 1870-1914, e caracterizado pela concentração de capitais, pela luta por mercados e pelo protecionismo das Nações em competição. Por fim, ainda no mesmo período emergiu o Capitalismo financeiro. Nessa fase, grandes bancos concentravam os capitais advindos do crescimento econômico, e as bolsas de valores negociavam ações das empresas. Hoje, no início do século xxi, com o fenômeno da globalização, analistas julgam que entramos em uma nova fase do Capitalismo. Cada uma dessas etapas foi caracterizada por avanços científico-tecnológicos que impulsionaram o desenvolvimento das empresas capitalistas. Atualmente, os avanços no campo da informática e da eletrônica vêm tendo imensas repercussões na produção capitalista, nas relações comerciais e nas relações sociais de trabalho.

http://www.editoracontexto.com.br/dicionario-de-conceitos-historicos.html

___________________________________Colonização___________________________

O conceito de colonização está bastante presente em nossa sociedade, seja na sala de aula, nos livros didáticos, na mídia ou na produção científica. E desde as comemorações dos 500 anos de descoberta da América, na década de 1990, as ideias de conquista e colonização vêm cada vez mais sendo alvo dos olhares acadêmicos e do grande público.

Colonização, mais do que um conceito, é uma categoria histórica, porque diz respeito a diferentes sociedades e momentos ao longo do tempo. A ideia de colonização ultrapassa as fronteiras do Novo Mundo: é um fenômeno de expansão humana pelo planeta, que desenvolve a ocupação e o povoamento de novas regiões. Portanto, colonizar está intimamente associado a cultivar e ocupar uma área nova, instalando nela uma cultura preexistente em outro espaço. Assim sendo, a colonização em determinadas épocas históricas foi realizada sobre espaços vazios, como é o caso das migrações pré-históricas que trouxeram a espécie humana ao continente americano. Mas, desde que a humanidade se espalhou pelo mundo, diminuindo significativamente os vazios geográficos, o tipo de colonização mais comum tem sido mesmo aquele executado sobre áreas já habitadas, como a colonização grega do Mediterrâneo, na Antiguidade, e a colonização do Novo Mundo, na Idade Moderna.

A palavra colônia e suas variantes coloniais, colonização, colonizador vieram do verbo latino colo, que, segundo Alfredo Bosi, significa “eu moro, eu ocupo a terra, eu cultivo”. Dessa matriz, o termo colônia adquiriu sentido de espaço que está sendo ocupado. A mesma matriz gerou ainda as palavras e os conceitos de culto e cultura: Colonização

Cultus, o particípio passado de colo, e culturus, o particípio futuro. Assim, para Bosi, uma colonização é um projeto que engloba todas as forças envolvidas nos significados do verbo colo. Ou seja, colonizar significa ocupar um novo chão, trazer a memória da terra antiga (o culto) e transmitir práticas e significados às novas gerações (a cultura). Mas, se o significado de colo é cuidar, também é mandar, e o autor ressalta que dominar, explorar e submeter os nativos também são sentidos inerentes à colonização. Nesse contexto, colonizar está sempre associado a conquistar.

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____________________________________Estado_______________________________

Pairando sobre muitos dos conceitos de grande relevância para a vida política atual, como cidadania, democracia, liberalismo, está o Estado, entidade abstrata que comanda e organiza a vida em sociedade. O Estado é, poderíamos assim sintetizar, entidade composta por diversas instituições, de caráter político, que comanda um tipo complexo de organização social. Muitas vezes associamos Estado e Nação, tratando-os como sinônimos, mas enquanto o Estado é uma realidade jurídica, a Nação é uma realidade sociológica e, para estudiosos como Miguel Reale, o Estado seria a Nação politicamente organizada.

A palavra estado vem do latim “status”, verbo stare, manter-se em pé, sustentar-se. Mas na Antiguidade Clássica, a expressão para designar o complexo político-administrativo que organizava a sociedade era “status rei pubblicae”, ou seja, situação de coisa pública, em Roma, e polis, na Grécia. Foi na Europa Moderna que surgiu a realidade política do Estado nacional. E com Maquiavel, o termo estado começou a substituir civitas, polis e res publica, passando a designar o conjunto de instituições políticas de uma sociedade de organização complexa. O sociólogo Max Weber afirmou, no início do século xx, que o Estado Moderno se definiu a partir de duas características: a existência de um aparato administrativo cuja função seria prestar serviços públicos, e o monopólio legítimo da força. Weber defendia, dessa forma, que o Estado era o único que poderia empregar a violência legalmente, esta passando a ser um instrumento de controle da sociedade. Ele afirmou ainda que o processo histórico que constituiu o Estado conviveu com a expropriação dos meios de produção dos artesãos pelos possuidores do capital. Desse modo, o Estado seria então contemporâneo do Capitalismo.

Do ponto de vista histórico, é preciso considerar ainda a grande diversidade de formas de Estado, a maioria das quais não se encaixa nos parâmetros do Estado Moderno: os Estados africanos da Idade Média e Moderna, por exemplo, como o Reino do Congo, possuíam governos centralizados, mas não se baseavam em definições territoriais, e tinham por base a organização de aldeias clãnicas. Parecem, assim, muito pouco com o Estado-nacional europeu. Por sua vez, é comum os historiadores falarem de Estado feudal, Estado absoluto, Estado representativo, conceitos históricos construídos para momentos específicos da história da Europa. A complicação aumenta quando tentamos empregar esses conceitos para outros contextos e falar em Estado feudal japonês ou Estado absoluto persa. O emprego do conceito de Estado, dessa forma, deve ser feito levando-se em consideração as conjunturas diversas e peculiares de cada sociedade. Assim, o Estado asteca é tão diferente do banto quanto do japonês, e apesar de continuarem a ser Estados, dificilmente podem se encaixar em uma única tipologia construída com base na história europeia.

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___________________________________Etnia_________________________________

O conceito de etnia vem ganhando espaço cada vez maior nas ciências sociais a partir das crescentes críticas ao conceito de raça e, em alguns casos, ao conceito de tribo. Apesar disso, é ainda considerado por muitos uma noção pouco definida.

O termo etnia surgiu no início do século xix para designar as características culturais próprias de um grupo, como a língua e os costumes. Foi criado por Vancher de Lapouge, antropólogo que acreditava que a raça era o fator determinante na história. Para ele, a raça era entendida como as características hereditárias comuns a um grupo de indivíduos. Elaborou então o conceito de etnia para se referir às características não abarcadas pela raça, definindo etnia como um agrupamento humano baseado em laços culturais compartilhados, de modo a diferenciar esse conceito do de raça (que estava associado a características físicas). Já Max Weber, por sua vez, fez uma distinção não apenas entre raça e etnia, mas também entre etnia e Nação. Para ele, pertencer a uma raça era ter a mesma origem (biológica ou cultural), ao passo que pertencer a uma etnia era acreditar em uma origem cultural comum. A Nação também possuía tal crença, mas acrescentava uma reivindicação de poder político.

Assim, uma etnia se sente parte de uma mesma comunidade que possui religião, língua, costumes – logo, uma cultura – em comum. Notemos que nesse conceito não importa somente o fato de as pessoas que compõem uma etnia compartilharem os mesmos costumes, mas, sobretudo o fato de elas acreditarem fazer parte de um mesmo grupo. Nesse sentido, a etnia é uma construção artificial do grupo, e sua existência depende de seus integrantes quererem e acreditarem fazer parte dela.

Toda etnia se identifica como um grupo distinto, considerando-se diferente de outros grupos, e baseia sua identidade em uma religião e rituais específicos.

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