E ela ainda diz que é SÓ sentimento…(4). Carla Lima

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Aproveitando o feriado pra botar a gaveta de papéis em ordem,encontrei  esse texto de Fernando Pessoa,que pessoalmente gosto demais. Copiei em um caderninho,li em uma revista num consultório médico e me empolguei  tanto com essas palavras que copiei,e nem lembrei que existia  google,rsrs,mas nunca havia lido algo que se encaixa tão bem para mim e  acho que pra muitas pessoas também.O interessante é lembrar que ele veio em um momento em que tomei talvez a grande decisão da minha vida e foi  muito bom,e  hoje ele veio pra eu não esquecer dessa decisão, porque  manter é muito mais dificil do que decidir,rsrrs.

Normalmente a tomada de decisão envolve muita energia e até mesmo sofrimento,mas passada essa  fase,quando pensamos que está tudo decidido e resolvido,vem o mais  dificil,a manutenção. Porque manter é um exercício diário,demanda muito  mais energia, um compromisso,atitudes, seja lá que for que decidirmos ou nos propomos a fazer,ter,ou crer,manter é mais dificil que decidir,pelo menos para mim é assim,principalmente porque para decidir normalmente  depende só de mim e para manter precisamos muitas vezes do outro.

Assumir os nossos defeitos,encarar os desafios,as criticas,todas as  dificuldades,reconhecer o milagre da vida e agradecer a Deus. Tem coisa  mais linda que isso? Só mesmo amar! Amar a Deus,amar a si mesmo e amar o  outro. Gente, não há milagre maior que esse, viver e amar!Enfim,assim vou  construindo meu castelo também,rsrsrs.

Defeitos

Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida
é a maior empresa do mundo,
e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…

Fernando Pessoa

 

Ela tinha um estilo inconfundível…minha vizinha de barriga.

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Eu sou gêmeo. Minha irmã, Sio (corruptela de seu primeiro nome), nasceu primeiro e, também primeiro desencarnou. Aos 21 anos, acometida de Lúpus,  doença pouco conhecida àquela época.

Ainda que as últimas etapas de sua vida encarnada tenham sido recheadas de sofrimento, para ela, em especial e, em segundo plano, para nossa baixinha Diva, exemplo incondicional de dedicação e amor de mãe, Sio (nascida Siomara Regina) deixou marcas inconfundíveis. Hoje acordei pensando nisso. E deu vontade de compartilhar com os amigos e as amigas de OSPYCIU.

Extrovertida, PIRRACENTA, espertíssima, alegre como poucas, valente, muito valente. Não necessariamente nessa ordem, algumas situações vieram à memória…

…como na época de escola em que ela escondia o boletim (vermelhinho, vermelhinho) ao chegar em casa e me prometia mundos e fundos se eu não contasse a nosso pai. E durante o jantar, lá vem a pergunta que, arrisco dizer, era a mais temida por ela: diz o velho, “Como foi na escola, saiu o boletim?”. E ela se fingia de surda, morta até se fosse preciso. A cara dela denunciava o desastre.

…quando morávamos no Retiro, antes de 1977, brincando na rua em uma espécie de velotrol para gêmeos, quase fomos atropelados por um caminhão. Ela percebeu e me puxou. O motorista disse não ter visto, no que acreditamos, mas, ele caiu na asneira de dizer que “vou trazer um novo quando eu voltar de São Paulo”. Cada dia que ele passava perto de nossa casa, ela resmungava…”olha ele alí, nosso velotrol nunca vem”. E pelo olhar que dirigia ao moço, não sei como ele nunca caiu fulminado. Mas, ela estava certa, velotrol que é bom….

…por volta de 1977/78 morávamos em Brotas. A escola era perto, mas uma moça nos buscava fim de tarde. Sio laragava a mão da moça, atravessava a rua e da outra calçada ficava provocando..”eu vou sozinhaaa, vc vai levar carão de minha mãe”. E quando à casa chegava, ela era a primeira a avisar, “mãe, a moça me deixou vim(sic) sem dar a mão”. Irritantemente pirracenta, mas, como não rir??!!

…também de Brotas vem a lembrança de quando ela queria subir ao play para brincar de bicicleta, não tinha elevador e implorava para que eu carregasse a sua. Eu quase sempre o fazia. E era só chegar lá em cima, olha ela cantando: “ele é meu empregadoooo”. Ô raiva!!!

…uma certa feita, ela perdeu o ano na escola, motivo que eu usava pra dar o troco toda vez que ela aprontava contra mim. Quando eu dizia que ela era repetente (hoje eu seria acusado de bullying), a minha vizinha de barriga largava em público um ‘segredo’: sou mesmo, mas pelo menos não tenho medo de formiga igual a você”. Uma coisa não tinha relação com a outra , mas, ela tinha que sacanear e sabia fazer como ninguém. Sim, eu tinha medo de formiga. Tinha.

…nascemos a 31 de dezembro, portanto, capricornianos, massss, ela me fez acreditar durante muito tempo que nosso signo era GÊMEOS. E eu acreditei.

Sem comentários.

…e por falar em aniversário, quem era que colava papel na porta que ficava de frente para a escada, escrito: “Só entra com presente”? Eu morria de vergonha. Sem contar que ela se invocava com a data, dizendo que “nosso aniversário demora mais do que o de todo mundo pra chegar, agora vamos ter que esperar o ano todinho!!”. É mole?!

…quando a doença foi diagnosticada, seu tratamento principal se deu no Hospital das Clínicas, no Canela. Um dia eu fui visitá-la e ao chegar com nossa mãe, a notícia, dada pela enfermeira, era: “D. Diva, Sio hoje aprontou: entrou na enfermaria e pegou um item da merenda de cada paciente”. E nem parecia que tinha feito arte, assumia com um cinismo imbatível. Mas, ao mesmo tempo, era muito querida pelos profissionais que carinhosamente cuidaram dela.

…admirável era sua valentia. Frequentar escola passava a ser coisa rara, às vezes tinha mais meses de hospital do que de estudos, mas isso não a impedia de criar amigas e amigos nas poucas idas ao Manoel Devoto, sua última escola. Mesmo tendo que usar uma espécie de lenço na cabeça para disfarçar os ralos cabelos, fruto dos medicamentos fortes. Nem isso a abalava.

…certa feita, mesmo sem poder se expor ao sol, foi à praia com parentes. Na barraca que ficou, arregimentou cerca de 8 a 10 pessoas e conversa vai, conversa vem, aterrissou no sítio onde morávamos com um carro cheio, avisando pra minha mãe: “trouxe meus amigos para almoçarem”. Era assim, desprovida de qualquer preocupação, sem qualquer melindre se a comida satisfaria ou algo do tipo. Era, sim, comunicativa ao extremo, sem preconceitos, sem disfarces.

Nos últimos tempos de vida encarnada, não ficava mais no hospital; em casa foi montada uma estrutura para mantê-la próxima de nós.

Até o dia 23 de janeiro de 1988. Eu saía para o trabalho, passei em seu quarto para dar-lhe um beijo. Ela pegou em minha mão e me disse algo impossíveil de esquecer:

“Olhe, a gente veio junto. Mas, não vamos juntos não”. No meio da manhã, minha chefe atende ao telefone e me chama…

Esta É Sio…

E ela ainda diz que é SÓ sentimento…(3).

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Possibilidades,                                                 Carla Lima

Por muito
tempo vivi nas possibilidades e hoje percebo o quanto me enganei nessa escolha.
Não que viver possibilidade seja ruim, pelo contrário, é bom, sonhar, planejar,
almejar, idealizar, é fundamental para nos sentirmos vivos. O problema é
quando, como eu fiz, a gente se deixa atropelar pelos “se”, ”talvez” e
“amanhã”, e não fazemos o hoje, o agora. Hoje percebo que conciliar as
possibilidades e a realidade é o ideal, viver é realidade, tem forma, cor, sabor,
cheiro, é palpável, e temos que nos permitir aproveitar essa dádiva Divina. Agradeço
por ter despertado para isso e não fico pensando no que passou no que perdi. O
que importa é que estou conseguindo viver o hoje plenamente,não deixando,meus
sonhos,minhas possibilidades de lado,mas simplesmente sendo feliz agora e não
deixando para amanhã.

E ela ainda diz que é SÓ sentimento…(2)

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Jogue tudo fora,

mas principalmente esvazie seu coração,

fique pronto para a vida…,

para um novo amor.

Lembre-se somos apaixonáveis,

somos capazes de amar muitas e muitas vezes.

Afinal de contas,

nós somos o amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

Achei tão lindo esse versinho de
Drummond,principalmente essa coisa de que somos capazes de amar muitas
vezes,que foge completamente do amor romântico idealizado,que se você viveu e
acabou,pronto! game over!vai morrer de amor?ou pior se você não viveu,vai
passar a vida toda desiludido,amargurado?Prefiro fugir das convenções mesmo .E
agora com esses poetas sempre roubando meus pensamentos ,fico dividida entre
Vinicius ,Fernando e Carlos também,rsrsrs.Acho que tenho que assumir logo essa
minha tendência romântica.Mas porque assumir o romantismo parece piegas?Deve
ser porque hoje em dia os valores mudaram, as relações mudaram,e em tempos
twiter,facebook,dentre outros, falar em romantismo pode parecer meio brega para
a maioria.Mas, apesar disso, é exatamente nessas redes,onde tenho encontrado os
mais românticos,pessoas que convivi e que nunca nem imaginei que tivesse uma
pontinha de romantismo,hoje se revelam grandes românticos.Falo por mim
mesma,sempre muito tímida,agora vivo declarando minhas paixões nesse mundo
paralelo.Estou adorando tudo isso,mas confesso que espero não precisar esvaziar
meu coração tantas vezes,é uma faxina muito difícil e por vezes dolorosa,mas se
for preciso,farei quantas forem necessárias,só para me permitir amar sempre!

Carla Lima

E ela ainda diz que é SÓ sentimento…(1)

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O SORRISO, Por Carla Lima.

   Coloquei uma foto minha sorrindo numa rede
social, recebi vários comentários, a maioria salientando o meu sorriso. Era meu
aniversário, estava com pessoas queridas ao meu redor, enfim estava feliz e
tudo isso se traduziu em um sorriso eternizado naquela fotografia. Não sou
muito vaidosa, quem me conhece sabe bem disso, muito menos pretensiosa, mas
tinha algo diferente naquele sorriso, não sei explicar, na verdade ultimamente
tenho sorrido muito mais, um sorriso espontâneo, reflexo do momento de grande
paixão que tenho vivido por mim mesma, rsrsrsrs. Algumas pessoas me
interpelam,querem que eu assuma,porque só pode ser uma outra pessoa a
responsável por isso,um novo amor. Eu acho graça,sorrio e confirmo,estou
apaixonada! E completo, por mim mesma! Claro que a maioria não acredita, mas
continuo me divertindo com tudo isso e não estou nem um pouco preocupada se sou
ou não acreditada, o que importa é que eu sei e pronto. E fico com a bela frase
abaixo, que reflete bem o que estou sentindo:

Pouca
coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e
sorriso nos lábios.

Martin Luther King