Quanto tempo você é capaz de esperar um texto?

  Sim, amigos e amigas, há não-exatos 3 anos aguardo um texto do zignal-senhor que vocês degustarão a seguir.

obs. a ambiguidade é intencional…

 Neste modesto intervalo de tempo, a cada encontro, ele me olhava e já buscava um corredor tentando me zignar.

Esta semana, o astuto senhor inflou o peito e antes que eu o abordasse, ensaiou um…”eu já enviei”. Mas, eis que ele esqueceu de attachar, como bem diriam meus queridos alunos da Pan. Enviou um e-mail…sem o arquivo.

Foi preciso Bin Laden “morrer” (?) para sermos brindados com a maravilha textual que lhes ofereço em holocausto..dele, o autor, claro!

  Mestre Adonis eu já conheço desde 1900 e arco e flecha, mais precisamente quando ele adestrou suas abelhas para matarem o cão do vizinho…mas, esta é outra história que, a cada um, conto uma versão. Encontre-me que ofertarei a sua!

  Bom apetite!

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O espírito na arte e na ciência (um comentário à obra de Jung)

Adônis Cairo Costa

 

Estou sentado à mesa, entre papéis diversos, canetas, a capa de um vinil de Chico, o de Holanda, chaveiro, marcadores de textos e alguns livros. A refeição principal, hoje, é Jung. Hesse aparece como o bom vinho alemão das altas montanhas. Algumas estampas picassianas, uma régua, uma Bíblia, Zaratustra como acompanhamento do prato principal. Não sou poeta, apenas faço o possível para me comportar bem à mesa.

Esses senhores me assustam. Goethe me olha de soslaio e eu arrisco um sorriso brasileiro, tropical (pode a alma alemã compreender o largo do meu sorriso caboclo?). Alguém levanta um brinde e eu seria capaz de jurar: Mefistófeles, em carne e osso, sorri para mim e – terror – lança-me uma piscadela de cumplicidade. Não sou poeta, já disse, mas Joyce me acena pedindo que pronuncie umas palavras. Jung o encara, perscrutador e misterioso. Arrisco:

No salão elas usavam roupas metafóricas

Tons azuis e sedas pousando sobre a mesa

Do lado esquerdo do lustre

Imagens semi-oníricas

Em caduceus flamejantes

Ou apenas salamandras

Em fogos-fátuos e luzes

O gás era neon

Neon da era

E, numa jaula, estava exposta a fera

Jung toma a palavra e inicia um discurso sintético, arcano.

– Sobre Paracelso, quero lhes dizer algumas palavras, senhores: escorpião, veneno, sol solidão, dão, dom, domínio da vontade, do pai soturno, noturno, solitário, só. Apenas. Destino de resgate. Mãe. Talvez. O mês, novembro (nove e onze) o dia, entre os dois: dez. o ano, afinal, é oito (1943). Quem conhece Paracelso, entende. A missão? Resgatar do antigo pai o passado não havido. Refazer o presente. Ser um presente. Ser um presente do pai. Para o pai Göel (quem entende Paracelso, conhece).

A matéria cósmica. Rompimento conceitual do médico-louco. Viagem para o astral. Meia idade. Não mais o sol: a lua. Não mais a peçonha do escorpião: o unguento.

Um em cima e um embaixo. Universos concêntricos: tudo flui. Onde o homem? No cosmo. Imerso, disperso, diverso: universo.

O mal? Energia pura. O bem? O outro lado. Onde? Não fora, não agora. Dentro, sempre. O corpo adoece. A doença aparece. Dentro. De dentro, dentro. Quem conhece…

Paracelso é arco. Flecha apontada para o futuro em disparo medieval. Pés no fértil charco do medievo. Olhos luminares: “Hubble”. Que a Igreja nos perdoe. Amém.

Ainda sobre Paracelso: química, mística, psicologia. Mais que tudo, Paracelso resume a Renascença médica. Perdeu-se? Talvez. Foi reencontrado? Está sendo. Sempre está sendo.

Completando Jung: há uma estética na médica paracelsiana. Harmonia é sua busca. Não cura mecânica, não conserto: concerto, isto. Isto sim! Concerto dos astros. Aí, sim! Deus Pai se encarna no Filho! Venha a nós o vosso reino e não nos permitais perder-nos em vãs tentativas. Apenas livrai-nos dos males. Amém.

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Um pensamento sobre “Quanto tempo você é capaz de esperar um texto?

  1. Ei amigo, eu também me lembro desse dia fatídico do ataque das abelhas de Adonis ao cachorro Arglus e sei com certeza que o que houve ali foi um erro no plano de vôo das abelhas e aí danou-se, Adonis foi que pagou o pato. O cachorro ‘desencarnou’, foi ver Jesus, passou dessa para a melhor, ascendeu, foi se encontrar com ‘o arquiteto do universo’ … as abelhas tiveram o brevet cassado, e, foram transferidas para outra apiaeroporto e Adonis, como já disse, ficou ali para pagar o tal do pato. Mas moço, Adonis é meu Ídolo de infância! Futuca ele para escrever mais aqui no blog. As palavras dele são sempre música para os ouvidos!

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