A Resistência da Mulher à Ditadura Militar no Brasil

No Capítulo 3 do livro, A Resistência da Mulher à Ditadura Militar no Brasil, a posição da mulher na história brasileira  é abordada como um assunto de grande importância. A autora relata que a distinção entre o público e o privado estabelece a separação do poder. Isso significa que o silêncio sobre a história das mulheres no Brasil durante a ditadura raramente é contada para o público. Neste sentido, a história da repressão durante o período é geralmente contada como uma história de homens.

 A autora argumenta que a mulher militante política é excluída do jogo de poder, e então, não é colocada como sujeito principal da história da ditadura. Ela acredita que a maioria acha que falar sobre mulheres significa falar das relações de poder entre homens e mulheres. Por um lado mais politicamente aberto, falar da mulher é analisar as específicas relações de gênero, de classe, de raça e de geração.

    A história da repressão durante a ditadura militar é vista como uma história masculina, assim como a maioria da história política brasileira, pelo que vemos nos nossos livros de história. Apesar do fato de que tantas mulheres, juntas com os homens, lutaram pela redemocratização do país, muito disso não foi considerado. Pelo fato de que os homens receberam tantas aprovações pela população, as mulheres ficaram motivadas por participar no desenvolvimento político do país. Elas também queriam ser reconhecidas pela excelência das suas capacidades, e justamente foi isso que fez com que elas se engajassem nas diversas organizações existentes no país durante a ditadura militar. Na história do regime militar brasileiro, assim como os outros projetos políticos autoritários, existe uma construção de sujeitos unitária e não diversificada. A sociedade é dividida em dois blocos que se opoem: situação e oposição, igualando-se os sujeitos (ou é sujeito burguês ou proletário). Estes anulam as diferenças e constroem sujeitos políticos únicos, desconsiderando a presença feminina e enquadrando-a em categorias que a desqualificam. Nesta medida, institui-se a  invisibilidade da mulher como sujeito político.

 A mulher militante política nos partidos de oposição à ditadura militar cometia dois pecados aos olhos da repressão. Essas “duas falhas” eram de se insurgir contra a política golpista, fazendo oposição e de não obececer o “lugar da mulher”, rompendo com as regras estabelecidas para os homens e as mulheres. As próprias mulheres militantes assumiram a dominação masculina, tentando esconder a sua sexualidade numa “categoria sem sexo” – a militante política. Para serem consideradas como sujeitos políticos, estas mulheres estabeleceram identidade com o discurso masculino, as relações de gênero na luta política mais geral. Como espaço fundamentalmente masculino, impunha-se às mulheres a negação de sua sexualidade como condição para a conquista de um lugar de igualdade ao lado dos homens.

A luta pela igualdade caracterizou o movimento das mulheres nas décadas de 60-70, justamente pelo discurso das militantes. Isto dava mais poder para os homens nas organizações de esquerda. O desmerecimento feminino é importante pelo fato de que o  poder no mundo político foi reservado aos homens.

                                                                (Jasmine Howard, 12ª A, Escola Pan Americana da Bahia)

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